Madeira e Prata
21 07/08.08.2815
Notas iniciais
Fola
Depois de passar a noite vagando pela floresta, sem nada me específico, voltei para o castelo, antes que tivesse que mais uma vez dormir na caverna. Fiquei imaginando o que estaria sendo aprendido nas aulas, mas eu já não era mais permitida assisti-las, já que não faria mais parte do exército na próxima lua cheia.
No meu quarto mamãe e Hugh me esperavam ansiosos, mas não tão preocupados quanto estiveram alguns dias antes, depois que passei o dia fora. Sorri para eles, mas logo a insegurança bateu e não me sobrou nada além de chorar. Me joguei em seus braços em cima da cama, deixando os dois meio sem jeito, já que obviamente não esperavam essa minha reação.
Eu não sabia o motivo de eu estar chorando, talvez fosse o desespero pela falta de controle sobre a situação, talvez eu simplesmente quisesse chorar... Não sei, não tinha muita explicação. A questão é que enquanto eu chorava acabei caindo no sono e quando acordei estava deitada na minha cama, ainda com o vestido da noite anterior, mas havia um banho preparado para mim e uma carta na mesinha de cabeceira. Tomei o banho e quando saí peguei a carta:
Fiquei um tempo apenas olhando para aquelas palavras, o coração palpitando e a incerteza pairando sobre a mente e coração. Por mais que eu quisesse me impedir de ir, não resisti e botei um vestido vermelho acetinado, com detalhes em preto e um decote em “V” até o umbigo, coberto por uma renda preta; e logo corri para tomar o meu desjejum. Estava ansiosa, de uma maneira que não deveria estar, mas e daí?
Cheguei ao grande salão e meu pai me esperava sentado à mesa, sorrindo como sempre. Me sentei ao seu lado inquieta, sem saber de fato o que fazer. Pedi uma taça de sangue qualquer, sem vontade de comer, o estomago se contorcendo de curiosidade pelo o que viria desse passeio com Mac.
Engoli o conteúdo do copo enquanto decidia que não queria mais saber de ir a esse passeio coisa nenhuma. Onde eu estava com a cabeça? Sair por aí andando com o Mac? Ele provavelmente só queria uma desculpa para conhecer o castelo e seu segredos... Já estava saindo de lá quando meu pai me chamou.
“Mas minha filha... Já vai embora? Você mal passou cinco minutos aqui...”
“Eu sei pai, mas é que... eu... eu tenho que encontrar o Hugh... é isso, eu tenho que encontrar o Hugh!! Não posso esperar para contar uma coisa para ele...”
Meu pai riu, como se risse de uma criança brincando com uma boneca ou algo do gênero.
“Tudo bem... vá conversar com seu amigo...” E continuou rindo enquanto eu saía, achando muita graça, talvez da minha falta de jeito, ou talvez do fato de Hugh estar mais propenso para ser minha melhor amiga do que outra coisa. Quase alcançava a porta quando uma mão prendeu o meu braço, me segurando no lugar.
“Oi querida, seu pai disse que você queria falar comigo... O que houve?”
Hugh tinha uma sobrancelha erguida de forma curiosa, esperando a minha resposta.
“Nada.. . não é nada... eu só... eu só tenho que sair daqui agora...”
“E por que você tem que sair daqui agora?”
Não era Hugh quem perguntava, na verdade a voz vinha das minhas costas, fazendo um arrepio correr minha espinha, e meu coração bater acelerado enquanto derretia. Me virei apenas para encarar Mac nos olhos e perder as forças nas pernas, se não fosse a cadeira ao meu lado na qual eu me apoiei, provavelmente estaria estatelada no chão.
“Quem disse que eu tenho que sair daqui agora?”
“Você acabou dizer isso, sua louca!!!! Queridinha, você está bem hoje? Primeiro me chega no inicio da noite e me cai na cama chorando sem motivo e agora isso? O que houve com você naquela floresta?”
Rapidamente recuperei a minha força e por pouco não a usei para quebrar o pescoço purpurinado de Hugh, mas a voz preocupada Mac me impediu.
“Você voltou chorando da floresta?Mas por quê? Fola você está bem?”
Fiquei parada olhando para ele sem reação. E o que eu poderia dizer? Não tinha muito o que falar, ainda mais que nem eu mesma sabia o porquê.
“Eu... eu... eu tenho que ir.”
Então eu comecei a correr para longe, me sentindo estranhamente sufocada. Mas não cheguei muito longe, já que assim que virei a esquina fui interceptada por Mac, que me puxou pelo braço e me fez olhar para ele.
“Fola, é sério. O que está havendo contigo menina? você se machucou? Por que você voltou chorando? Estou ficando preocupado!”
“Eu não sei! Está bem? Eu não sei!! Eu não sei o que está acontecendo comigo! Eu não sei por que eu chorei! Eu não sei o que vai acontecer comigo ou com a gente! Eu não sei! E acho que esse é o problema...”
Ele não sabia o que falar, não havia uma resposta pronta nem uma reação espontânea dessa vez. Na verdade Mac ficou tão parado e pasmo quanto eu, e um pouco inquieto também. Então ele simplesmente me abraçou, e ficamos parados assim no meio do corredor.
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