Madeira e Prata
33 04/05.09.2815 – Parte Um
Notas iniciais
Fola
Uma semana se passara e finalmente, finalmente eu veria meu lobinho de novo. A agonia já me consumia, não fazia ideia do quão dependente de seus carinhos eu fiquei. Mas ao final dessa noite tudo seria diferente, meu querido voltaria para mim e nós nos uniríamos mais uma vez, dessa vez para sempre...
Meus pensamentos foram interrompidos por uma batida na porta, mandei que entrasse e me veio Hugh, todo alegre e saltitante, seguido por minha mãe.
“Filha, por favor, perdoe todos os meus escândalos no último mês, eu fiquei apreensiva, com a possibilidade de ter perder, minha querida, mas eu sei que isso não vai acontecer...” E assim ela me abraçou, as lágrimas escorrendo pelos olhos de ambas.
“Ai, queridas não é hora de chorar, ainda temos muito o que arrumar, esse dia acabou de começar e vai terminar em festa, em breve o noivo chegará e todos os outros convidados. Por falar nisso, onde está Mac?”
Congelei. Como poderia dizer onde ele estava e que só chegaria depois que o dia raiasse? Por sorte tive um lampejo de sanidade e antes de gaguejar respondi:
“Ah. Não se preocupe com isso, ele pediu para que ninguém o procurasse, que ele chegaria cansado e iria direto para seu quarto se banhar e dormir, mas quando o dia amanhecer ele virá se juntar a nós na arrumação de tudo.”
Hugh deu de ombros, meio desconfiado, mas não reclamou e então me puxou para fora do quarto para me levar até a senhora Bettany, e fazer a última prova do vestido. Mamãe se emocionava com tudo, embora bem menos dramática do que no resto da semana.
Papai e alguns de meus outros irmãos – os que não vão para a guerra nem que por um decreto – passaram por nós no caminho, sorriram avisaram que iriam para o salão, cuidar da arrumação dos detalhes e das mesas, enfeites e flores.
Acho que nada poderia ser mais perfeito...
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Eloi
Estava indo bastante bem na guerra: enforcando muitos e apanhando pouco; mas essa guerra estava tão perto do fim quanto esteve no início de tudo. Faltava um pouco mais de uma hora para o sol nascer, os momentos cruciais em que lobos começam a fraquejar e qualquer segundo a mais pode ser fatal para os vampiros.
Eu me preparava para ir, voltar para a segurança do lar e os preparativos do casamento de minha irmã, mas foi justamente nesse instante que vi aquele maldito lobo que quase matou Fola na última batalha que ela veio. Quase, ele não chegou a matá-la, mas ainda assim eu queria vingança, e assim corri para acabar com a vida do desgraçado, se é que pode se chamar isso de vida...
Cheguei pulando em suas costas, fazendo a fera ficar sobre as patas traseiras. Eu poderia muito bem quebrar seu pescoço ali, mas queria ver sua face humana clamando por liberdade enquanto sua alma se esvaia. Então saí de cima de seu flanco, ficando de frente para ele, enquanto apertava sua jugular, sentindo seu sangue pulsar em meus dedos.
Foi então que vi seu verdadeiro rosto. Ele era... não podia ser... Tirando os olhos – que os do lobo eram castanhos –, este homem era igual ao senhor Mac Foster, noivo de minha irmã. O susto me fez afrouxar o aperto e dar um passo para trás, dando-lhe tempo o suficiente para me atacar. Com a pata ele me bateu de tal forma que voei e bati com a cabeça em uma superfície sólida. Graças aos céus, a última coisa que eu vi foi que essa superfície era a parede de uma caverna.
Notas finais
P.S.: Obrigada por todos os 112 comentários dos 15 leitores, sendo essa uma história favorita de 7... Mas eu ainda estou esperando uma recomendação!!!
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