Madeira e Prata
34 04/05.09.2815 – Parte Dois
Notas iniciais
Fola
Era o grande dia. Era o meu grande dia. E eu sabia exatamente como ele ira terminar: em morte. Não a minha obviamente, não a do meu futuro marido, e espero que não a dos meus pais e irmãos. Mas ia ter morte, principalmente do meu povo, que via ser pego desprevenido. E a culpa disso tudo é minha, que por puro egoísmo, por não querer perder o homem que eu amo, vou botar em risco a minha espécie. Mas agora já está feito, não há mais volta, só sangue.
O sol estava saindo, e todos já tinham ido deitar, para recuperar as forças e chorar pelos entes queridos que morreram no campo de batalha. De noite, todos iriam para a floresta, recolher as roupas, voltariam para a pira e então todos estariam convidados para o casamento, o meu casamento. Claro que eu poderia ter dado a ideia pra Mac de o ataque ser na floresta, mas minhas vontades foram maiores e eu preferi abrir a colônia e ter a certeza de que teria um marido.
Era justamente ele que eu esperava esse momento, eu sabia q logo depois dos primeiros raios de sol, Mac, meu Mactíre apareceria e voltaria para os meu braços, exatamente como eu queria. Puxei fundo o ar da manhã e soltei, largando o peso do corpo, me encostei no batente do portal, me arrependendo profundamente das minhas decisões. Eu poderia ter posto meu povo em menos riscos, e ainda assim fugir com o meu amor. Mas não... não foi assim o acordo...
“Mas que rosto triste para uma noiva... por um acaso ela desistiu do noivo?” O tom jocoso de Mac fez meu coração pular dentro do peito ( sim, mesmo sendo vampira meu sangue pulsa, meu coração bate e eu fico menstruada – infelizmente).
“Oh, não, claro que não desisti de você, só estava preocupada com... Bem, com tudo.”
Ele entendeu perfeitamente o que eu quis dizer, foi assim que ele me abraço e beijou o topo da minha testa. “Venha, vai dar tudo certo, você vai ver.” E assim ele me levou para o meu quarto, onde me deixou com a promessa de nos vermos mais tarde.
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Eloi
Já estava de tarde quando eu finalmente acordei. Sorri por realmente estar dentro da caverna e estar protegido do sol. Tentei levantar , mas estava tonto de mais para isso e acabei caindo novamente. Estava fraco pelo dia, pela falta de comida e pala perda de sangue. Lembrei que já havia um certo tempo que eu não me alimentava e decidi caçar antes de voltar pra casa, mas para isso teria que esperar a noite chegar.
Então lembrei que essa seria a data do casamento de Fola com o maldito Mac Foster. Será que ele realmente era um lobo? Será que era apenas uma grande coincidência? Ele passou um mês apenas se alimentando de sangue, isso seria suficiente para sustentar um lobisomem? Ele não teria ficado fraco? Mas então lembrei que, por varias noites ele saiu com minha irmã. Será que Fola sabia? Será que foi tão enganada quanto nós? Mas pensar qualquer coisa me deixou com dor de cabeça e fraco, era mesmo preciso caçar antes de denunciar aquele crápula.
Quando a noite chegou, eu sai da caverna cambaleante, torcendo para encontra algum animal moribundo ou dormindo, o que seria perfeito para mim. Andei por entre as árvores, tomando cuidado para não fazer barulho, enquanto procurava a refeição. Vi meus amigos recolhendo as roupas de nossos mortos, pensei em ajudar, mas eu precisava muito comer, não aguentaria esperar chegar em casa. Quando eles já estavam se afastando eu achei a minha presa. Era um filhote é bem verdade, mas estava dormindo calmamente e nem percebeu minha presença. A possivelmente fazia o mesmo que eu, já que estava longe do pequeno. Foi tão simples, e tão revigorante.
Eu voltaria pra casa naquele momento, mas queria estar forte o suficiente para ser eu a quebrar o pescoço daquele desgraçado, então continuei vagando, em busca de outra vítima. E encontrei outros filhotes dormindo, depois de uma meia hora. Eu estava finalmente pronto quando eu os vi. Fiquei parado, para que não me percebessem, parecia que todos os lobos tinham saído da toca, e estavam indo na direção do castelo. Foi então que eu corri para avisar.
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Hugh
Ela estava uma pilha. Não parava quieta nem por um segundo. Estava tendo serias dificuldades em maquiar aquela noiva.
“Folinha, querida, eu sei que você está ansiosa, mas ficar se sacudindo feito louca não me ajuda muito. AGRADECERIA SE VOCÊ PARECE AGORA. Obrigadinha minha flor.”
“Hugh, será que podemos cancelar tudo? E se eu simplesmente for embora com ele? Será que as pessoas aceitariam isso?”
Ela parecia que queria fugir de alguma coisa, não do casamento em si, obviamente, mas talvez da cerimônia, era tangível o fato de ela não querer se sentir presa.
“Não querida, não podemos cancelar tudo. Agora já era. Se queria fugir com o noivo não deveria ter deixado eu começar o trabalho contigo. Agora deixa eu terminar de passar o laquê e o blush e você estará pronta!”
Isso foi o suficiente para aclamá-la por alguns instantes. Não muitos, mas o suficiente para terminar o que tinha de ser feito. Com o timing perfeito, Artemisy entrou no quarto, perguntando se já estávamos prontos, pois já era hora.
Como uma boa mãe da noiva ela me ajudou a por a grinalda em Fola e levá-la para a porta do salão, onde encontramos Argos. Eu e a mãe da noiva entramos na nave cuidadosamente montada por Aye, e nos colocamos em nossos lugares, todos esperavam apenas a entrada da noiva. A marcha nupcial começou e ela veio, embalada pelo braço do pai, praticamente flutuando pelo caminho, linda como um anjo, eu estava muito orgulhoso, afinal, fui quem a ajudou com o vestido, maquiagem e cabelo, Fola era minha obra de arte.
A cerimônia foi linda e tranquila, os votos personalizados não poderiam ser mais bonitos, os dois jurando amor e devoção eternos, se guiando e suportando nas dificuldades e comemorando nas vitórias. Nada poderia ser mais perfeito, e nada poderia atrapalhar aquele momento, a não ser o idiota que entrou gritando.
“Parem esse casamento!!!! Ele não pode continuar!!! Parem esse casamento!!!”
Me virei para ver quem era o inconveniente.
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