Made Of Stone REIMAGINED

1 Made Of Stone REIMAGINED - Prologo


Notas iniciais
Esta é a segunda vez que revisito e reescrevo essa história que tanto amo. Na primeira vez, perdi os arquivos, mas, como meu carinho por essa trama é enorme, cá estou novamente, dedicada a ela. Com o tempo, amadureci e percebi que alguns detalhes precisavam ser melhor trabalhados para tornar a narrativa ainda mais rica e emocionante. Por enquanto, já tenho 14 capítulos prontos e talvez acabe passando dos 28 originais. Sigo por caminhos que lembram a versão inicial, mas com novas nuances, especialmente no desenvolvimento da Hermione, na importância da marca da Serpente, no relacionamento dos personagens e em outros aspectos que, dessa vez, receberam mais atenção e cuidado. Quero agradecer do fundo do coração a todos vocês que nunca nos abandonaram nesses últimos anos, seja pelos comentários de apoio, mensagens na DM, a fidelidade e o carinho de vocês significam o mundo para mim. Saibam que Time Heist, parte 2 da Made, ainda será finalizada, mas isso acontecerá somente depois que essa história reimaginada chegar ao fim. Fiz tudo com muito amor e pensando em vocês a cada palavra. Espero que gostem dessa nova versão tanto quanto eu gostei de escrevê-la. Obrigada por estarem comigo nessa jornada, por lerem, torcerem e fazerem parte dessa história. Mal posso esperar para continuarmos juntos até o final! Com carinho JazzFCullen/Lady Saphira

Prologo

A mansão parecia imensa sob o peso da escuridão que dominava o céu. Lá fora, a tempestade caía como um rugido do universo, trovões estrondosos, ventos cortantes, chuva dilacerando a noite. Relâmpagos rasgavam o horizonte, iluminando por segundos as paredes de pedra úmida e os vitrais tortos, pintando sombras grotescas na penumbra. Cada clarão era como um golpe de adaga no véu da realidade, expondo brevemente a decadência que ali se escondia.

Dentro, a única luz vinha da lareira, chamas tremeluzentes projetando sombras longas e distorcidas, como garras tentando agarrar o vazio. O ar cheirava a mofo, a cinzas, e a algo mais profundo, algo que apodrecia lentamente, embora não fosse carne.

Na poltrona de couro negro, ele encarava o fogo. A pele pálida parecia cera derretida, os olhos, duas fendas vermelhas, secas, vazias, buracos cavados no tecido da morte. Não restava humanidade ali, apenas a carcaça de um predador encurralado pelo tempo.

Os dedos batiam no braço da poltrona num ritmo seco e impaciente, marcando o tempo que escapava, o colapso iminente. Tique-taque. Tique-taque. Como o coração de um condenado antes da lâmina cair.

Nagini dormia aos seus pés, o corpo pesado se movendo levemente após a última refeição. Ossos esquecidos pingavam em um canto, irrelevantes. Ela era a única companhia que lhe restava, a única criatura que não o temia, porque não precisava. Ele já não era mais o senhor que a conquistara. Era apenas um espectro, um eco de si mesmo.

Ele fechou os olhos. Um suspiro saiu, pesado, irritado. Frustração, nada além disso. O som da chuva misturava-se ao estalo da lenha, compondo uma trilha indiferente como ele.

Quantas noites assim? Quantas horas desperdiçadas esperando que o inevitável se tornasse evitável?

Abriu os olhos, deslizou os dedos pela manga, expondo o antebraço. A Marca Negra, pálida, desbotada, moribunda. A serpente que outrora ondulava vívida agora se retorcia em espasmos fracos, como se soubesse que o fim se aproximava.

— Está se esvaindo — sussurrou, voz seca como folhas mortas.

Podia sentir o corpo enfraquecer, as Horcruxes ruírem, a conexão que o mantinha preso a este mundo desmanchar, rachaduras invisíveis alastrando, célula a célula, magia a magia, vida a vida.

Morte.

Palavra proibida, afronta que negou e subverteu por toda sua existência. Agora presente, rondando, tocando sua espinha como lâmina fria.

— Não — rosnou para o vazio, os dedos se contraindo. — Não enquanto eu respirar.

E se para sobreviver fosse preciso o impensável? Se tivesse que seguir um caminho nunca trilhado por ele, mestre do proibido?

Faria.

O medo não existia mais, uma falha biológica que aprendera a ignorar ou mascarar, já não sabia distinguir da raiva.

Mas a ideia de se ligar a outro ser fazia o estômago revirar.

— Patético — cuspiu, revoltado consigo mesmo.

Mas só o resultado importava: sobrevivência.

Se um vínculo fosse necessário, que fosse.

Se um aprendiz fosse preciso, que viesse.

Não por legado, não por ensino, mas por pura necessidade.

Pensava em alguém forte o bastante para suportá-lo, e tolo o bastante para ser moldado, manipulado, esculpido como barro até servir seu propósito. Alguém com fome, fome de poder, de reconhecimento, de algo que pudesse ser torcido e usado como isca.

Alguém como ele mesmo fora.

A ironia não lhe escapava.

Seu plano era simples.

Encontrar um jovem cuja magia fosse compatível, capaz de sustentar a fusão da sua alma com a dele, criando uma âncora poderosa e invisível, impossível de ser destruída sem consequências fatais para ambos, pelo menos durante a algum tempo.

Um ritual arriscado, que exigia equilíbrio e troca real de energia. Sem sintonia, o corpo rejeitaria a alma, apodreceria junto.

Esse jovem precisaria ser resistente, maleável, um instrumento para moldar seu poder.

Um ser sem escolha, preso a ele, condenado a servir ou sofrer um inferno maior.

Com o tempo, sua própria alma, fraturada e corrompida, se recuperaria lentamente através dessa ligação. E, se por acaso o jovem deixasse de ser útil, se se tornasse uma fraqueza ou ameaça, ele poderia simplesmente eliminá-lo, apagando-o como uma peça descartada.

Ele apenas iria utilizar para se reconstruir, reconstruir sua alma através da magia dessa pessoa.

O vínculo seria invisível, indetectável aos olhos de seus inimigos, sobretudo Harry Potter, que já destruía suas Horcruxes uma a uma.

O tempo era curto.

O vento invadiu a sala, apagando parte do fogo. Sombras dançaram em um balé macabro. Nagini ergueu a cabeça, a língua bifurcada provando o ar, sentindo a mudança.

Ele puxou o capuz negro. A silhueta, menos humana, parecia névoa, sombra e ódio coagulado.

— Que ele venha — murmurou, voz fina como o fio de uma faca — traga o fio que costurará minha eternidade.

Um trovão rasgou o céu.

E em algum lugar, distante, uma jovem de olhos cansados e coração vazio sentiu um calafrio sem saber que, em breve, seu destino se entrelaçaria com o do Lorde das Trevas.

No tabuleiro das sombras, uma peça se movia.

E o jogo começava.


Notas finais
Mantive alguns aspectos do nosso malvado favorito, Voldemort, da história original. Mas podem esperar que nesta versão, ele vai estar mais falante e quem diria, vai acabar virando um verdadeiro cachorrinho da nossa Mione haha! Pulem para o próximo capítulo que vou postar em seguida. E, anjinhos, seria maravilhoso se vocês, que têm acompanhado essa jornada, pudessem me contar quais pontos eu posso trabalhar mais e o que vocês mais gostaram nas mudanças. Beijos meus lindos!