Made Of Stone REIMAGINED
1 Made Of Stone REIMAGINED - Prologo
Notas iniciais
Prologo
A mansão parecia imensa sob o peso da escuridão que dominava o céu. Lá fora, a tempestade caía como um rugido do universo, trovões estrondosos, ventos cortantes, chuva dilacerando a noite. Relâmpagos rasgavam o horizonte, iluminando por segundos as paredes de pedra úmida e os vitrais tortos, pintando sombras grotescas na penumbra. Cada clarão era como um golpe de adaga no véu da realidade, expondo brevemente a decadência que ali se escondia.
Dentro, a única luz vinha da lareira, chamas tremeluzentes projetando sombras longas e distorcidas, como garras tentando agarrar o vazio. O ar cheirava a mofo, a cinzas, e a algo mais profundo, algo que apodrecia lentamente, embora não fosse carne.
Na poltrona de couro negro, ele encarava o fogo. A pele pálida parecia cera derretida, os olhos, duas fendas vermelhas, secas, vazias, buracos cavados no tecido da morte. Não restava humanidade ali, apenas a carcaça de um predador encurralado pelo tempo.
Os dedos batiam no braço da poltrona num ritmo seco e impaciente, marcando o tempo que escapava, o colapso iminente. Tique-taque. Tique-taque. Como o coração de um condenado antes da lâmina cair.
Nagini dormia aos seus pés, o corpo pesado se movendo levemente após a última refeição. Ossos esquecidos pingavam em um canto, irrelevantes. Ela era a única companhia que lhe restava, a única criatura que não o temia, porque não precisava. Ele já não era mais o senhor que a conquistara. Era apenas um espectro, um eco de si mesmo.
Ele fechou os olhos. Um suspiro saiu, pesado, irritado. Frustração, nada além disso. O som da chuva misturava-se ao estalo da lenha, compondo uma trilha indiferente como ele.
Quantas noites assim? Quantas horas desperdiçadas esperando que o inevitável se tornasse evitável?
Abriu os olhos, deslizou os dedos pela manga, expondo o antebraço. A Marca Negra, pálida, desbotada, moribunda. A serpente que outrora ondulava vívida agora se retorcia em espasmos fracos, como se soubesse que o fim se aproximava.
— Está se esvaindo — sussurrou, voz seca como folhas mortas.
Podia sentir o corpo enfraquecer, as Horcruxes ruírem, a conexão que o mantinha preso a este mundo desmanchar, rachaduras invisíveis alastrando, célula a célula, magia a magia, vida a vida.
Morte.
Palavra proibida, afronta que negou e subverteu por toda sua existência. Agora presente, rondando, tocando sua espinha como lâmina fria.
— Não — rosnou para o vazio, os dedos se contraindo. — Não enquanto eu respirar.
E se para sobreviver fosse preciso o impensável? Se tivesse que seguir um caminho nunca trilhado por ele, mestre do proibido?
Faria.
O medo não existia mais, uma falha biológica que aprendera a ignorar ou mascarar, já não sabia distinguir da raiva.
Mas a ideia de se ligar a outro ser fazia o estômago revirar.
— Patético — cuspiu, revoltado consigo mesmo.
Mas só o resultado importava: sobrevivência.
Se um vínculo fosse necessário, que fosse.
Se um aprendiz fosse preciso, que viesse.
Não por legado, não por ensino, mas por pura necessidade.
Pensava em alguém forte o bastante para suportá-lo, e tolo o bastante para ser moldado, manipulado, esculpido como barro até servir seu propósito. Alguém com fome, fome de poder, de reconhecimento, de algo que pudesse ser torcido e usado como isca.
Alguém como ele mesmo fora.
A ironia não lhe escapava.
Seu plano era simples.
Encontrar um jovem cuja magia fosse compatível, capaz de sustentar a fusão da sua alma com a dele, criando uma âncora poderosa e invisível, impossível de ser destruída sem consequências fatais para ambos, pelo menos durante a algum tempo.
Um ritual arriscado, que exigia equilíbrio e troca real de energia. Sem sintonia, o corpo rejeitaria a alma, apodreceria junto.
Esse jovem precisaria ser resistente, maleável, um instrumento para moldar seu poder.
Um ser sem escolha, preso a ele, condenado a servir ou sofrer um inferno maior.
Com o tempo, sua própria alma, fraturada e corrompida, se recuperaria lentamente através dessa ligação. E, se por acaso o jovem deixasse de ser útil, se se tornasse uma fraqueza ou ameaça, ele poderia simplesmente eliminá-lo, apagando-o como uma peça descartada.
Ele apenas iria utilizar para se reconstruir, reconstruir sua alma através da magia dessa pessoa.
O vínculo seria invisível, indetectável aos olhos de seus inimigos, sobretudo Harry Potter, que já destruía suas Horcruxes uma a uma.
O tempo era curto.
O vento invadiu a sala, apagando parte do fogo. Sombras dançaram em um balé macabro. Nagini ergueu a cabeça, a língua bifurcada provando o ar, sentindo a mudança.
Ele puxou o capuz negro. A silhueta, menos humana, parecia névoa, sombra e ódio coagulado.
— Que ele venha — murmurou, voz fina como o fio de uma faca — traga o fio que costurará minha eternidade.
Um trovão rasgou o céu.
E em algum lugar, distante, uma jovem de olhos cansados e coração vazio sentiu um calafrio sem saber que, em breve, seu destino se entrelaçaria com o do Lorde das Trevas.
No tabuleiro das sombras, uma peça se movia.
E o jogo começava.
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