Mackenzie
1 Prólogo
Seattle. Não sei o porquê, mas toda a vez que escuto esse nome me vem em mente pessoas usando ternos e vários centros comerciais. Essa sempre foi a cidade de negócios. O que soa engraçado levando em conta que só estou aqui pelos "negócios". Meu pai Robert Mashall é um grande advogado, grande mesmo! O número 1 dos advogados pelo quinto ano consecutivo na lista do New York Times. E o terceiro homem mais poderoso dos Estados Unidos. Por que sair de New York e ir para Seattle? Uma das filiais das empresas do papai aparentemente está sofrendo "crises" devo tossir ao falar, e consequentemente soltar um "CEO ridículo que não se contenta com seu salário gordíssimo!" Daí tivemos que vir todos passar de seis a talvez um ano aqui. O cara fez tanta besteira que eu e mamãe tivemos que vir também.
Bem, chega de falar sobre negócios, vou tentar dar um resumo curto da minha vida até já. Sou Mackenzie, ou só Kenzie se preferir. Sou o tipo de filha modelo, a garotinha de ouro nem apareço mais nos tabloides só em fotos de família em eventos. Por que os paparazzi e revistas de fofocas decidiram que eu era "chata" de mais por... Não ser uma adolescente rebelde que todo pai milionário tem.
Eu sei, só não vejo nenhum tipo de prazer em me drogar ou ficar bêbada e fazer poses para as fotos ou ser pega roubando uma loja. Prefiro ficar no aconchego da minha casa lendo ou fazendo algo mais interessante. Não tenho amigos, tipo nenhum mesmo falo com o meu mordomo Jeff e a cozinheira Anna eles são casados e virão conosco para Seattle. De todas as amizades que eu tentei construir todos eles queriam alguma coisa de mim, ninguém queria ser realmente meu amigo, então eu me fechei totalmente. E para ser sincera não sinto falta de nada.
– Filha estamos quase chegando — disse meu pai vendo meu tédio pelo retrovisor. Comentei que estamos dirigindo até lá? E que tal essa: Vou estudar em uma escola pública! Parece que essa crise afetou tanto a empresa quanto a família, a imprensa está em cima e papai acha que a melhor forma de explicar que ele não teve nada a ver com isso é mostrando o quanto podemos ser "modestos". Ele queria que fossemos para um apartamento no subúrbio! E é óbvio que Amanda não deixou isso acontecer. No fim fomos para o subúrbio, mas pegamos a maior e mais luxuosa casa que havia lá, sério não me pergunte como uma mansão que ocupa todo o quarteirão existe em um bairro banal de Seattle. Deve ter sido feita pelos deuses exclusivamente para Amanda Marshall, ou minha mãe. Aquela mulher é tão viciada em etiqueta e coisas luxuosas que realmente não duvidaria que aquele lugar foi feito especialmente para ela. Trata-se de um portão enorme e logo na entrada a um chafariz no meio e ao redor a passagem de carros, a garagem ao lado esquerdo e a entrada perfeitamente pareada no centro com o chafariz e o portão em uma linha reta. Do lado direito a casa de hospedes, que minha mãe ofereceu a Anne e Jeff. Não vou contar quantos cômodos tem a mansão. Atrás temos a piscina, sauna, salão de festas, quadra de jogos e academia particular. Um jardim impecável e é mais ou menos isso, a minha nova casa. Pelos próximos seis meses. Solto um suspiro voltando a realidade.
Já estou no hall de entrada segurando algumas das minhas malas, isso é definitivamente maior do que na foto, nem se eu quisesse poderia contar quantos cômodos tem aqui! Subo as escadas e ouço minha mãe dizer que meu quarto é no corredor a direita a terceira porta a esquerda, me direciono até lá, e quando eu abro a porta, está lá o quarto mais magnifico e enorme que eu vi até hoje, os detalhes do papel de parede pereciam revestido em outro, havia mais duas portas deduzi que se tratava de um closet e de um banheiro, a cama era aquelas típicas de princesas cheio de almofadas e travesseiros, aliás o quarto todo era digno da realeza. Era como um sonho. Do qual eu não queria acordar, talvez só talvez as coisas possam ser diferentes esse ano. É incrível o que um simples cômodo pode fazer a cabeça das pessoas... Eu realmente disse “Simples cômodo”?! Sorri comigo mesma jogando-me na cama.
Fiquei deitada perdida em meus pensamentos até anoitecer, quando ouvi Jeff batendo em minha porta me chamando para o jantar. Levantei passando a mão nos cabelos tentando ajeita-lo e dirigir-me até a sala de jantar confesso que se Jeff não estivesse logo em minha frente teria me perdido.
– Gostou do seu quarto querida? – Pediu papai tomando um gole de seu vinho, olhando-me em seguida.
– Eu adorei papai – Sorri sincera.
– Que ótimo! Agradeça sua mãe ela levou algumas boas horas escolhendo cada detalhe.
– Obrigada mamãe – sorri para ela que retribuiu no mesmo instante.
– Querido... – começou minha mãe – eu ainda não estou convencida 100% de que uma escola pública seja ideal, para a nossa Kenzie.
Robert solta um longo suspiro antes de começar seu dialogo ensaiado.
– Eu sei Amanda, mas ouça é uma boa escola, eu me formei lá e não será permanente – mais um suspiro – só até eu resolver isso tudo.
– Mãe – interrompi antes mesmo que ela pudesse começar a falar – está tudo bem é sério, é uma nova experiência para mim, quem sabe eu posso até fazer alguns amigos...
– Pelo amor Mackenzie! Você nunca quis fazer amizade com as pessoas da sua classe porque achava que eles queriam te explorar e agora me vem com essa gente de subúrbio? – Mamãe disse incrédula, em uma troca de olhares entre todos a risada começou. Eu sentia falta desses momentos em família que tínhamos antigamente, espero que daqui pra frente as coisas mudem aqui também. Uma nova cidade, uma nova vida.
Fale com o autor