Mackenzie

2 Capitulo 1


Capitulo 1

Meu segundo dia nesta casa não começou bem, apesar de termos a casa quase toda mobilhada tinhas os objetos pessoais, e decorações pra todo lado em caixas e malas e como os empregados começavam só no início da semana ficou para nós arrumarmos tudo! Papai se safou tendo que ir para empresa, mas eu, Jeff, Anne e minha mãe não. Ficamos indo para lá e para cá e subindo e descendo escadas com caixas e malas nas mãos, sem contar o fato de que Amanda não parava um segundo de reclamar, alegando que, “damas como ela, não colocavam a mão na massa”. Quase surtei, sabe das primeiras vezes foi engraçado, mas depois pareceu mesmo que ela realmente pensava assim e soa tão fútil quanto pode ser. Lembrete mental: Das uns toques de realidade para dona aliás “dama” Amanda.

Quando finalmente terminei minha parte fui até meu quarto começar a arrumar as coisas, teria que doar muita coisa para caridade, o quarto apesar de ser quatro vezes maior que o antigo estava lotado! Algumas das minhas coisas favoritas que não perderia por nada estavam no chão por não ter mais onde por, por que eu tenho sofás no quarto, não poderia ser uma poltrona e uma prateleira a mais?! Arrumei do jeito que dava e deixei as malas no closet estava cansada de mais para ainda ter que arrumar minhas roupas, e Anne disse que queria fazer isso quando me contou ter lido em algum lugar que arrumar o guarda-roupa em qualquer tipo de ordem como por tipo de peça ou por cores era terapêutico.

Demorei até achar minha mãe, ela estava na academia “acalmando os nervos” disse a ela que iria dar uma volta na cidade para conhecer quem sabe até aprender o caminho para escola já que teria aula amanhã, ela só assentiu com a cabeça e tenho a impressão que ela não ouviu o que eu disse, mas por via das dúvidas vou avisar Jeff.

Quando voltei para o quarto não imaginava que o closet já estaria arrumado e não só por cores, mas por categorias! Estava impecável o que me deixava um tanto até preocupada, ok o tempo batia já que demorei ao achar mamãe e mais um pouco para achar o Jeff, mas Anne era uma ninja louca o que me fez criar mais uma nota mental, que seria conversar com o papai sobre férias estendidas e arranjar um bom terapeuta para Anne. Ri entrando no closet escolhendo uma roupa e depois fui uma ducha para tirar o suor e escovar os dentes, e pude ouvir vozes no andar de baixo, será nossa primeira visita? Perguntei a mim mesma vestindo a calça. Pronta sai do quarto e no topo da escada pude ouvir minha mãe dizendo algo como “acho que minha filha está descendo só um momento” e logo ela apareceu no meu campo de visão.

– Querida, nossos vizinhos da frente vieram nos ver, e eu pensei já sempre que alguém novo ia morar no prédio fazíamos uma janta e boas vindas porque aqui tem que ser diferente -– ela sorriu me olhando de cima a baixo.
– Não seriam ele a nos oferecer uma janta então? – Perguntei raciocinado, ela ignorou completamente e continuou com seu falatório inacabável.
– Eu já falei com seu pai a Anne está preparando tudo na cozinha, vá trocar de roupa coloque algo apropriado – ela disse saindo, bufei subindo o único degrau que tinha conseguido avançar em meio disso tudo, “roupa adequada” como se eu estivesse parecendo uma prostituta ou algo assim, foi o que deu entender para quem estivesse ouvindo a conversa, mas não vendo nada, que talvez tenha sido o caso dos nossos novos vizinhos. Só que eu usava de verdade era uma calça skinny com estampa militar, uma camisa branca de botões e uma bota de cano baixo preto, poderia sim passar um jantar assim, mas o adequado da minha querida mamãe era um conjunto Chanel e um salto de dois mil dólares e se tiver se sentindo inspirada, um colar de pérolas. Claro que não fiz tudo isso peguei um vestido que moldava bem meu corpo com o comprimento até mais ou menos o joelho de um tom fraco de rosa e um sapato de bico fino nude com um salto não muito alto e não muito baixo, sem assessórios estava em casa não ia dar todo esse luxo e duvido que os vizinhos façam questão eles devem estar de jeans ou até pijamas, eu usaria pijamas.

Desci as escadas indo em direção ao cômodo em que todos estavam, acontece que lá haviam, mamãe com todas aquelas joias e maquiagem, uma mulher aparentando uns 40 anos alisando o cabelo tentando parecer algo mais, mas ela usava calças de flanela, sapatilhas e uma camiseta de gola polo sem estampa alguma, ao seu lado uma garota que deveria ter uns 12 anos estava de pijamas, disse não disse? Calça listrada e uma t-shirt com o rosto de um cachorrinho estampado, ela tinha cabelos envolvidos em uma trança e mexia no celular ignorando totalmente o mundo ao seu redor na poltrona ao lado do sofá havia um garoto que deveria ter a mesma idade que a minha, ele usava jeans, uma camiseta de gola polo igual de sua mãe exceto pela cor e tênis esportivo. Ele conversava animadamente com a minha mãe que cessou o dialogo assim que me viu.

– Querida finalmente – ela sorriu vindo até mim, me abraçando de lado – esses são os Rhys – apresentou e eu sorri em resposta.
– Prazer, Mackenzie – sorri apertando a mão a sra. Rhys.
– Eu sou Lauren – ela disse sorrindo – esse é meu filho Matthew, mas nós o chamamos apenas de Matt – ele sorriu para mim com aceno de cabeça e eu repeti o gesto – e essa é a nossa pequena Chloe – ela sorriu orgulhosa e quase no mesmo instante me olhou decepcionada já que a Chloe balbuciou algo como “e aí” sussurrei u, tudo bem a ela que sorriu agradecendo sentando no sofá em que estava quando cheguei, sentei na poltrona vaga ao lado de Matt e logo Anne chegou com aqueles quitutes maravilhosos que só ela saber fazer animando todo mundo.

– Será que vocês vão estudar juntos este ano? – Ela perguntou a Matt – você também está indo para o último ano? – O sorriso de Amanda era estranho como se quisesse saber tudo, mas ao mesmo tempo estava tão entediada com estas pessoas aqui presente.
– Bom sim... – ele disse pensativo e olhou para mim – mas suponho que você vá estudar na escola particular da cidade – eu juro que abri minha boca para responder, mas dona Amanda foi mais rápida.
– Robert e eu resolvemos pôr a Kenzie na escola pública, sabe novas experiências... – ela sorriu torto, não acredito que ela está falando isso – queremos e que nossa pequena conheça bem o mundo onde vive – falsa! – Dispensamos até o motorista, Kenzie está por conta própria.
– Vai andar de ônibus? – Riu Chloe, que por acaso foi suas primeiras palavras desde que cheguei, mas ela tinha deboche escrito bem grande na cara. – Matt agora você tem companhia.
– Você vai de ônibus? – Perguntei a ele ignorando as bobagens de Chloe, já sei que quando ela chegar ao ensino médio ou será a “Mean girl” chefe ou vai quebrar a cara feio. Matthew assentiu um pouco envergonhado e eu me animei um pouco com a ideia que tive – Te dou carona até a escola, se você ser meu guia turístico qualquer dia desses – sorri, mas ele não pareceu tão animado assim.
– Querido é uma ótima ideia assim poupa o fato de você perder o ônibus quase sempre – Lauren disse arrancando uma risada cem por cento falsa de minha mãe que também o encorajou a aceitar a proposta, essa hora Chloe já havia se fechado emburrada, Matt finalmente aceitou. Lauren e eu demos um hi-five instantâneo, mas parecia que tínhamos planejado, seria legal uma mãe assim. Robert chegou um tempo depois a fomos jantar, foi um jantar chique bem nada a ver com a ocasião, mas não vamos contestar. Agora já estou na cama pensando em amanha como pode ser, Matt parecia um cara legal, será que ele vai ser meu primeiro amigo? Bom pelo menos não vou chegar sozinha amanha e isso é bom, eu acho. Bem, amanha é um novo dia.

Estou nervosa, não um pouco do tipo nervosa/ansiosa, estou literalmente pirando! Tremendo e tudo mais, vai ser uma grande mudança até porque Jeff me fez prometer que eu ia pelo menos tentar fazer amigos, eu tentei dar a volta por cima alegando que ele era meu amigo e ele refez sua frase dizendo que eu precisava de amigos da minha idade. Já troquei de roupa três vezes e cheguei a conclusão de ir com a mesma roupa que pretendia usar no outro dia quando ia conhecer a cidade e completei com uma celine bag. Cabelos soltos e sem maquiagem, eram quase oito horas da manha e não era muito afim de maquiagem, mas nada que um blush e um rímel de emergência na bolsa não resolvesse meus problemas. Desci as escadas correndo e o carro já estava pronto na entrada, assim como Matthew em pé ao lado do carro mudando o peso de um pé para o outro.

– Hey – sorri indo em sua direção.
– Hey – ele repetiu – belo carro. Um camaro – disse olhando o carro como se fosse um diamante.
– É eu queria um igual ao Bumblebee, mas minha mãe disse que não era legal para uma dama, andar por aí em um carro amarelo e depois acrescentou dizendo que camaros eram carros de idiotas que queriam ostentar a riqueza que eles não têm. – Matt ficou perplexo e respondeu com um longo “uau” concordei jogando as chaves para ele que ficou em estado de choque.
– Vo-você quer que eu dirija?! – Gaguejou
– Bem... você sabe o caminho, então se não se importar em ir dirigindo hoje – olhei para ele que deu um pulo voltando para o mundo real sorrindo tão maravilhosamente como se tivesse acabado de ganhar o troféu de primeiro lugar, não pude deixar de sorrir com isso.
– Posso dirigir todos as vezes que for me dar carona se quiser – ele riu entrando no carro.

Tenho que falar, aquela escola era enorme! Maior que a minha antiga, a Constance não era pequena não. Talvez seja o fato de ter apenas 3 escolas em toda a cidade, mas era com certeza a maior escola que eu já vira. Por sorte eu não era a única com um carro caro lá o que era bom, não era a única garota rica por lá, não que eu vá correndo até eles ao contrário, talvez assim eu não seria tão assediada. Matt me entregou as chaves e me deu instruções para chegar até a direção, ótimo achei que ele iria comigo, me ajudar com horário e achar meu armário. O caminho até a diretoria parecia maior do que era, eu sentia todos me olhando, olhando a carne nova do pedaço ou algo assim queria enterrar a minha cabeça em um buraco! A diretora era gentil, e tinha que ser meu pai doou uma biblioteca e pagou todas as reformas do ginásio desta escola a alguns anos atrás e sabe, diretores adoram puxar o saco de alunos assim. Ela me apresentou Madison Park, sua sobrinha e disse que ela seria minha acompanhante nos primeiros dias até eu conhecer tudo na escola.

– Você pode me chamar de Maddie se quiser — ela sorriu amigável e eu retribui, já estávamos no corredor dos armários, que uma hora dessas estava vazio – olha somos vizinhas de armário – ótimo mais uma vizinha pensei comigo mesma – minha tia deve ter mexido uns pauzinhos para isso acontecer – ela gesticulou com a mão – qual é sua primeira aula? – Ela tirou o papel de minhas mãos – esquece o professor de geografia não aceita atrasos, você entra comigo na aula de história – Eu queria falar algo, mas ela falava muito rápido não sei se ela se sequer parava para recuperar o folego.
– Bom então já que vou matar aula no meu primeiro dia que tal me mostrar onde fica os lugares que eu vou visitar com frequência, tipo refeitório, ou a biblioteca e talvez o ginásio... – sugeri e ela pareceu pensativa por segundo e no outro ela já estava me puxando pelos corredores falando sobre tudo que envolvia esta escola e as fofocas e como minha chegada foi comentada (droga) até chegar na parte das “classes sociais” a divisão básica das mesas do refeitório estávamos lá por sinal ela foi de mesa em mesa etiquetando todas, disse que ela fazia parte da mesa dos populares e que eu tinha lugar lá quase definido era só falar com as pessoas certas e... salva pelo gongo o sinal tocou e ela se calou como se fosse o seu botão de mudo, fiquei feliz de certo modo e se, os outros populares fossem como ela, já sabia em que mesa não sentar.

Chegando a classe, Madison sentou com umas garotas no fundo e eu me apresentei ao professor que parecia ser gentil, mas um pouco estranho. Ele disse para mim me sentar e que eu ia adorar as aulas dele, espero que sim, gosto de história. Olhei minhas opções tinha uma cadeira vaga ao lado de Madison e daquelas garotas, mas também tinha um lugar vago ao lado me uma menina com os cabelos castanhos e incrivelmente lisos ela parecia ser legal e pude ver que conversava com Matt, então fui até lá.

– Ahn... eu posso sentar aqui? – Perguntei insegura.
– Claro! – A garota disse gesticulando para que eu sentasse – então você é a tal vizinha do Matthews aqui – ela sorriu – sou Kendra, Kendra Maison, mas não sei não tenho apelidos eles me chamam de Ken ou Key.
– Mackenzie, Mackenzie Marshall, ou só Kenzie se preferir, mas eu tenho outros apelidos, minha cozinheira me chama de M&M’S por exemplo – ri sozinha, droga.
– Você tem uma cozinheira, ela tem uma cozinheira – ela disse para mim e depois para Matt – que demais M&M’S – ela riu – adorei.
– Bom pessoal o papo está bom, mas vamos nos concentrar na aula agora – disse o professor antes de começar a explicação, ele falou sobre o iluminismo e teorias da conspiração, adorei essa aula em todos os sentidos, o conteúdo foi ótimo e talvez eu tenha finalmente feito uma amizade, ou talvez mais, já que Matt e Kendra deram a entender que tinha mais alguém além deles no grupo.