Maçã com Canela
7 Capítulo 7
Notas iniciais
O nariz de Regina coçava sem parar e ao fundo ela ouvia baixos… risos? Ela fingiu que continuava dormindo só para ter certeza de suas suspeitas. Sentiu mais uma vez Emma sobre ela, suavemente, segundo depois, algo delicado roçando em seu nariz e então Henry tentando conter o riso ao vê-la coçando-o. Ela tinha certeza que tinha sido ideia de Emma. Sorriu internamente. Quando sentiu Emma se aproximando de novo ela abriu os olhos subitamente.
— Mais um movimento e você vai ver o que é bom pra tosse, miss Swan. — Emma a olhou assustada por ter sido pega no flagra. Henry soltou todos os risos presos e gargalhava alto. Ouvir aquela risada gostosa de seu filho logo ao acordar fazia seu dia ficar muito mais bonito.
— Ela te pegou, mãe!! — Ele dizia entre gargalhadas. Regina e Emma sorriam da alegria do garoto. Elas se olharam e seus sorrisos se abriram ainda mais. “Bom dia meu amor” sussurrou Emma, “Bom dia minha vida” respondeu Regina, no mesmo tom.
— Bom dia meu príncipe mais lindo e risonho do mundo! — Regina pegou o menino no colo enquanto o beijava e fazia cócegas nele.
— Mamãe… Para! — O menino chorava de tanto rir.
— Amor, é melhor fazer o que ele pede. Ele ainda não foi ao banheiro. — Emma sussurrou.
Regina parou com as cócegas, mas não com os beijos.
— Mamãe! — Ele protestou sorrindo.
— Só queria demostrar o quanto te amo filho. — Ela sorria meigamente.
— Eu também te amo muito! — Ele levantou-se e foi em direção ao banheiro. — Já volto, senhoritas. — Ele fechou a porta. Era mesmo um mini sr. Henry Mills.
— E eu não ganho beijo de bom dia? — Perguntou Emma com cara de pidona.
— Você ganha muito mais que isso, meu amor. — Regina tinha um olhar malicioso, que deixou Emma com um tesão descomunal. Ela sentou-se no colo da loira e começou a beijá-la sensualmente.
— Regina… — Emma sussurrou contra os lábios da morena ao fim do beijo — Não comece algo que não possa terminar.
— E quem disse que eu não vou terminar… — Ela foi até o ouvido da loira e mordeu-lhe o lóbulo — Miss Swan… — Ela sussurrou em tom sexy e rouco, fazendo Emma apertá-la ainda mais contra seu corpo. — Só não prometo que seja agora. — Ela saiu do colo da loira, rindo.
Emma a fitou atordoada. Como ela ousava fazer isso? Provocá-la e sair assim?
— Você vai ter que me pagar com juros, Regina! — Ela disse em tom indignado, o que fez Regina rir ainda mais. Henry saiu do banheiro na mesma hora.
— Lavou as mãos filho? — Henry fez um cara de “Puts, esqueci!” e voltou para o banheiro. Assim que terminou, encontrou suas mamães conversando. Emma estava sentada e Regina tinha a cabeça sobre as pernas da loira, que lhe afagava os cabelos.
— O que quer fazer hoje, garoto? — Perguntou Emma assim que ele sentou-se novamente na espaçosa cama.
— O que a gente tinha combinado ontem, mãe. Pode ser? — Ele olhava esperançoso para elas.
— Claro filho. — Disse Regina levantando do colo de Emma e trazendo Henry para o meio delas.
— Mamãe, o que aconteceu ontem? Por que vocês três brigaram? Foi por causa de mim?
Regina não sabia o que falar para Henry. Queria conversar com Emma antes de tudo. Ela olhou para a loira lhe pedindo ajuda, Emma entendeu o recado.
— Filho, que tal conversarmos depois? Eu tenho uma ideia muuuuuuuuuito legal. — Emma bagunçou, ainda mais, os cabelos do menino.
— Qual? — Ele lhe olhava animado.
— Que tal irmos até o jardim dos fundos? Tem uma surpresa lá te esperando.
— EBAAAA! O QUE É? O QUE É? O QUE É? — Henry pulava sobre a cama, para deleite do casal.
— Só falo se for trocar de roupa para descermos. — O menino deu um último pulo e saiu correndo do quarto.
— Obrigada amor. — Regina abraçou Emma. — Não sei o que faria sem você. — E lhe beijou.
— Não precisa me agradecer. Mas temos conversar sobre isso mais tarde, ok? — Ela acariciou o rosto da morena. Que assentiu.
— Ia te propor a mesma coisa. — afirmou, dando um selinho. — Agora vamos, porquê você deixou nosso filho um tanto quanto animado demais querida. — Elas riram e foram se trocar.
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Regina analisou, depois de plantarem a macieira, que Emma deveria ter sido mais específica com Henry sobre o tipo de roupa que ele deveria vestir. O menino usou e abusou da terra na hora de colocar a muda no chão. E mais um pouco depois.
No entanto, com o acontecido na noite anterior, ela achou melhor não ficar braba com nenhum dos dois. Afinal, eram apenas roupas.
“Seja realista, Regina. Seu maior problema não são as roupas que ele veste pra brincar na terra.” Enquanto Emma dava banho no garoto, ela tomava um chá. Embora aquela situação pedisse álcool. Descansando a cabeça em suas mãos, Regina considerou o que dizer para uma criança de 5 anos, nas palavras mais fáceis, que seu pai era um idiota e que não entendia nada de família e de amor. Por algum instantes ela tentou se lembrar do que a fez se apaixonar por ele. Foi há um bom tempo e ele era diferente. Atencioso, calmo, carinhoso, e completamente melhor do que o Robin que a havia ameaçado.
“Como chegamos a isso?”. Era difícil para ela tentar explicar pra seu filho o que ela mesma não entendia muito bem. Amava Emma, isso era óbvio. Tê-la em suas vidas era um bálsamo, um merecimento que ela não se achava digna. Tudo estava tão complicado…
— No que está pensando? — indagou Emma pegando leite e duas xícaras.
— No quão difícil está essa situação. Estamos fazendo isso direito, Emma? Quero dizer, tem tanto em jogo, estamos mesmo dispostas a pagar qualquer preço que será cobrado?
— Eu estou. — afirmou Emma colocando o leite para esquentar e procurando alguma coisa no armário. — Mas só estou tão certa porque não tenho nada a perder. Ao contrário, tenho você e Henry para preencher minha vida. Você sabe, eu gosto de ser policial, mas quero ter alguém para quem voltar depois do expediente.
Regina apenas a olhou. Seu peito enchia-se de alegria, porém ela não tinha pensado que enfrentaria tudo tão cedo. A relação delas ainda estava no começo. Ela queria uma chance de aproveitar primeiro. Mas talvez fosse melhor enfrentar a tempestade e desfrutar o sol depois. Ou não?
— Quando você pensa demais, você estreita seus olhos e sua testa fica enrugadinha. Se você continuar fazendo isso, vai ficar com elas pra sempre! — Emma só queria fazer Regina rir um pouco. Ela sabia da gravidade da situação. Será que ela não estava prejudicando eles, ao invés de ajudá-los? “Seja positiva, Emma. Seja positiva”
— Você deixaria de gostar de mim se eu ficasse enrugada antes da hora? — Regina fingiu um tom ofendido, mas ela estava achando graça. Emma apenas lhe lançou um olhar maroto que expressava um nítido ‘claro que não’.
— Ah, Emma. Estou me sentindo perdida. Eu não sei o que fazer. Com Robin. Com Henry. Com a gente. — ela suspirou — Meus pais! Ainda não falei nada com eles. Ah Deus! Eles vão surtar se descobrirem sem ser por mim. Se Robin disser algo, eu vou esganar ele e não me importo se...
— Regina, respira! — pediu Emma. Elas teriam que lidar com a situação munidas de todo o controle que tinham. Se Robin tinha a intenção de criar desavenças e dúvidas, Emma não deixaria. — Amor, você precisa se controlar. Não sabemos o que pode acontecer, mas seja lá o que for, vamos ficar juntos, está bem? Nós três. E vai dar tudo certo. Agora, para de se preocupar um pouquinho. Temos que falar com Henry.
— Posso voltar a me preocupar mais tarde? — gracejou Regina. Ela reconhecia o esforço de Emma em tentar amenizar as coisas para ela e principalmente pra Henry. Emma estava certa, sua parte racional sabia. Precisava se controlar. Mas aquilo tudo era uma grande dor de cabeça. Literalmente.
Emma apenas riu. Regina acabou de beber seu chá e Emma colocou leite com canela pra ela e Henry.
— Não sei como vocês conseguem tomar isso.
— Nem vem, Regina!
— Tem gosto estranho.
— Maçã é aguada e nem por isso eu fico depreciando ela.
— Mas as maçãs tem várias propriedades…
— Canela é uma das especiarias mais antigas e também tem várias propriedades. — interrompeu Emma. — Vai querer brigar por isso, mesmo?
Elas se encaminhavam para o quarto. Regina apenas a olhava emburrada.
— Ok, ok. As duas são boas.
Emma parou na porta. Henry estava entretido com algum desenho. Regina balançou a cabeça afirmativamente. Era hora.
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— Você compreende, filho? -quis saber Regina sutilmente. Ela explicou da melhor maneira que pode o que houve. Que Henry não tinha culpa de nada. Que o que aconteceu era que Robin achava estranho ela e Emma ficarem juntas e que ele não aceitava e que haveria outras pessoas que também não aceitariam. Incluindo os coleguinhas dele na escola.
Ela achou justo dizer que ela e Robin haviam tentado, mas eles não tinham a mesma opinião sobre as coisas. E ela e Emma tinham. “Quase” pensou enquanto dizia, e viu que Emma também não concordou plenamente, pois ela torceu a boca e olhou de soslaio pra ela. Regina a ignorou.
— Mais ou menos. Por que meus amigos poderiam achar graça ou as outras pessoas? É ruim ter duas mamães? — perguntou o menino entregando sua xícara vazia para Emma.
Céus! Como fazer um garotinho entender que havia pessoas que de tantas coisas no mundo, coisas mais sérias e graves, implicavam justo com isso? E como explicar sem que o garoto viesse com inúmeros “por quê”?
— Não é, Henry. Não importa o que digam, não é errado. Você gosta de ter duas mamães?
— Gosto.
— Você gosta de mim, Henry?
— Claro, Emma!
— Então é só o que importa.
— Não vamos fingir que o resto do mundo não importa, filho. Mas não queremos que isso te deixe mal. Mesmo que seu pai ou qualquer outro diga pra você que o que estamos fazendo é uma loucura, você promete pensar apenas no quanto gosta da Emma?- reforçou Regina.
— Tudo bem, mamãe.
— Não vai ser fácil, Henry. — garantiu Emma — Mas você é um príncipe e vai lutar com a gente. Não vai?
— Não no sentido literal, é claro. — apressou-se em corrigir Emma, quando percebeu o que estava dizendo para uma criança. “Ser mãe é muito mais complicado do que parece mesmo” — Não queremos que você lute com ninguém, filho.
— Eu vou! Sou um príncipe! — Henry começou a pular na cama. Aparentemente a conversa séria tinha acabado. Regina sorriu do modo como Emma lidou a situação. Seu único desejo era que Henry fosse feliz. E que a história delas não o fizesse crescer rápido demais.
— Certo, então. — constatou Regina. Elas fariam o que estivesse ao alcance. “Um passo de cada vez.”
— Vem aqui, garoto! — chamou Emma.
Regina e Emma o abraçaram.
— Nada que vale a pena é fácil. — sussurrou Regina mais pra si mesma do que pra eles. Aquilo era tudo o que ela precisava e queria. Uma família. E ela sempre brigaria por ela.
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