Notas iniciais
Sorry, I'm late. Mas chegamos! haha E com mais de 9.000 palavras! OMG! O maior capítulo de MCC é para encerrar 2016 de acordo, assim como o assunto Robin! muahaha ~Santa Cora abençoa!!~ Dedicado especialmente a cada um que lê, principalmente aos que sempre nos apoiam com comentários e palpites, como a S e a Tati Fernandes ❤️ Como vocês notarão, alguns diálogos são da série original, e em alguns casos adaptados para o nosso contexto, bem como algumas das frases marcantes da quarta temporada que a Shei Amadeo publicou no BoxPop. Nosso gigantesco obrigada, amada!! Enjoy!

A morte como perda, quando ocorre de maneira brusca e inesperada, tem uma potencialidade de desorganização, paralisação e impotência. Por isso, às vezes, é difícil encará-la com um coração clemente ao invés de uma mente crítica.

Tentar não pensar em nada foi o foco de toda a sua concentração naquele momento, em que se concedia alguns minutos para ficar parada encarando pela janela as folhas que o vento frio levava de um lado ao outro. Tudo parecia estar longe e pertencer a vida de outra pessoa, até que o telefone tocou e, como um tapa, trouxe-a à realidade, fazendo com que o atendesse e forçadamente voltasse a ser Regina Mills.

Enquanto explicava o ocorrido a uma Marian extremamente exaltada, Regina pensou na conversa que teve com o filho mais cedo. Após se levantar, ela usou o celular para pesquisar tudo o que podia sobre o assunto. Quando o horário comercial chegou, ela ligou para o Dr. Hooper e se informou melhor. Discutir com o psicólogo a ajudou muito e a preparou para explicar sobre o suicídio do pai ao garoto.

Por mais que quisessem desfazer toda aquela situação, não havia como. Não sabia como chegavam àquilo, mas tinha consciência do caminho turvo e cheio de curvas que os estava conduzindo.

Após o café, Henry começou a fazer perguntas. Elas falaram tudo o que podiam e sabiam, inclusive quando ele questionou sobre o que era um funeral. Cora e o sr. Mills estavam sentados à mesa também, e falaram uma ou outra coisa sobre esse tópico, ajudando-as a esclarecer da melhor forma possível.

Depois, voltaram a comentar o significado do morrer, explicando que Robin havia optado por isso, e o suicídio dele nada tinha a ver com falta de amor, mas com o sofrimento e a confusão que ele estava vivendo. Elas frisaram a questão de que ele havia escolhido morrer porque se sentia perdido, mas que nenhum dos motivos que o levaram àquilo era porque não o amava. Tentaram ser simples e diretas, e novamente disseram que com o tempo as coisas ficariam menos doloridas.

O Dr. Archie Hooper foi bastante preciso ao aconselhar a usar o verbo morrer e nunca metáforas para não confundir Henry ainda mais.

— A culpa não é sua, meu amor. E nem do seu pai. — disse Emma, que sentava-se ao lado dele. — A culpa não é de ninguém.

Aquilo era direcionado não somente ao garotinho, mas a Regina também. Contudo, ela se recusou a pensar naquilo e seguiu perguntando se ele tinha dúvidas.

— Escutei a vovó falando que estamos de luto, mamãe. O que significa?

— Luto é esse período que a gente se sente triste porque perdeu alguém, Henry. É normal se sentir triste ou às vezes se esquecer que estamos vivendo esse luto.

— Oh.

Aquilo foi tudo o que ele disse. Seus olhos estavam quentes e cansados de tanto choro, e sua garganta doía, apesar de todo o chá que o sr. Henry havia lhe feito tomar para abrandar a dor.

Tentaram inseri-lo ao máximo nos preparativos do funeral e o lembraram de que Marian e Roland viriam. Isso o distraiu um pouco e Regina recordou que o psicólogo havia dito que deveriam incentivá-lo a pensar sobre o futuro, pois seria por meio desses pequenos planejamentos que ele perceberia que ainda havia muitas coisas pela frente.

E isso servia para ela também, principalmente ao finalizar a ligação com Marian. Primeiro era preciso ir à escola de Henry, é claro. Era necessário explicar a situação e pedir que os professores ficassem atentos e que pudessem discutir isso, mesmo sabendo que Henry voltaria às suas sessões com o Dr. Hooper na próxima semana.

No caminho fez mentalmente uma lista do que ainda precisava ser feito. Emma estava cuidando da liberação do corpo e, consequentemente, dos detalhes com a funerária. Henry estava com os avós, e eles providenciariam as flores. Ela cuidaria do salão para o funeral e da situação da casa de Robin.

Apertando com força o volante, ela estacionou na frente da escola. Sem querer, ela acabou pensando no corpo sem vida do ex-noivo e seu coração voltou a se encolher dentro do peito.

Ela olhava para as árvores que apresentavam o colorido do outono, mas não as via de fato. Foi somente quando um carro buzinou em algum lugar da rua que ela enterrou as visões com Robin, bem como seus sentimentos, pois ainda havia telefonemas a serem feitos e coisas que precisavam ser resolvidas e programadas. E ela definitivamente não tinha tempo para processar o que estava sentindo, porque a presente crise precisava ser resolvida e seu filho precisava dela. Então, primeiro a escola e depois a lista. Os sentimentos viriam depois, quando houvesse tempo.

Após descer do carro e alisar seu blazer, Regina encaminhou-se para a recepção escolar decidida que uma lista poderia fazer tudo ficar melhor. E, ao longo do dia, quanto mais coisas ela riscava ou acrescentava à sua lista mental, mais o mundo parecia voltar ao seu devido lugar.

E por um tempo bem maior do que ela esperava, sua lista a ajudou a resolver o caos em que se encontrava e a evitar todos os sentimentos e julgamentos que temia. Ela caminhava do mesmo jeito que costumava a caminhar, mas, dessa vez, sem notar as rachaduras que havia nas calçadas.

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O vento forte fazia os cabelos escuros de Regina voarem de forma desgrenhada pelo seu rosto. Sob o som dos finos pingos de chuvas que batiam sobre as tendas e guarda-chuvas, o escuro caixão de mogno descia à terra, após alguns minutos de silêncio para as últimas orações e reflexões.

Emma entrelaçou seus dedos aos de Regina no primeiro solavanco que o caixão deu, ao iniciar sua descida, tentando lhe passar calor e consolo. O sr. Henry, com toda a sua bondade e generosidade, confortou Marian, que por mais que não chorasse, estava visivelmente abalada. Curiosamente, ninguém chorava. Tal qual era sua vida, poucas pessoas estavam presentes para velar o corpo de Robin. As pessoas que estavam ali, e não passavam de quatro, eram colegas de longa data da empresa, mas que visivelmente presenciavam a cerimônia mais por consideração à família do que por Robin, já que não manisfestaram nenhuma opinião dele ao oferecerem suas condolências.

Roland ficara em casa com Cora, já que, assim como a mais velha, recusou-se a ir no velório. E Henry decidiu fazer companhia ao irmão, já que o menor não tinha muito contato com sua avó.

Após a última pá de terra ser despejada sobre o caixão, e os coveiros começarem a ajeitar os quadrados de grama no ambiente, os colegas de Robin deixaram o local, ficando apenas Regina, Emma, sr. Henry e Marian.

Nem sempre o coração de alguém bate do jeito que queremos, como era o caso da morena. Os sentimentos que borbulhavam dentro de si não a deixavam ver com clareza a situação. Robin não significava nada para ela, mas seria insensível de sua parte não considerar o que ele já significara.

A culpa era dela. Robin se matou por culpa dela. Seu filho estava sofrendo por culpa dela. Tudo era culpa dela. Erroneamente, Regina se culpava. E Marian apontar isso ao chegar para a tal cerimônia só piorou as coisas.

O ser humano tem a péssima mania de sempre culpar alguém em todas as situações, mesmo que precipitadamente ou que ninguém tenha culpa ou que o fim seja resultado de uma série de situações complexas, como neste caso.

— Regina? — Emma tocou no ombro da morena, requerendo sua atenção — Tudo bem? — a morena apenas balançou a cabeça positivamente. A loira olhou para frente, vendo seu sogro e Marian chegando perto do carro, fazendo com que Regina seguisse seu olhar. — Então vamos?

Regina, ao lado de Emma, seguiu em silêncio até o veículo e calada permaneceu durante todo o trajeto de volta. Entretanto, antes do carro virar a esquina que seguia para a casa dos Mills, Marian, sentada no banco de trás ao lado de Emma, declarou em voz baixa e pensativa:

— Se você quiser matar uma pessoa, você não precisa, necessariamente, atirar nela... Às vezes, você apenas não faz nada.

Emma engoliu em seco e seus olhos se estreitaram um pouco, cheios de raiva. O sr. Henry, contudo, foi o responsável pela admoestação:

— Marian, não é o melhor momento para brigas. Apesar de tudo, Robin merece ter um dia reservado para nossas preces. E o silêncio também é uma prece.

Marian soltou o ar com violência.

— Sabemos que não haverá preces para ele. O que há de errado com vocês? Boa parte da culpa é dela, por que estamos fingindo que não? Ela é a causa disso tudo... Ela é um monstro!

— Pare de falar! — revidou Regina alto o suficiente. — Vamos esclarecer as coisas aqui, Marian. Não tenho dúvidas que o que você diz é verdade. Mas esta verdade particular é a sua verdade. Não minha. Sempre sou acusada como a vilã, mesmo quando não sou. E estou cansada disso.

O sr. Henry estacionou na frente da casa, suas feições pálidas e cansadas por testemunhar o quanto aquela acusação impiedosa de Marian mexeu com a filha.

— Conheci Robin melhor do que qualquer pessoa neste planeta. Melhor do que os amigos e a família que ele já teve. E certamente melhor do que você. E não venha me dizer o eu que sou ou não, pois você não sabe quem eu sou e não sabe pelo que passei ao lado dele. Aposto que Robin pensou em mim nas profundezas do seu desespero, porque estou fazendo o mesmo agora. Agradeço sua preocupação comigo, mas não é necessária.

Dizendo isso, ela soltou o cinto e abriu a porta e foi caminhando com passadas largas. Emma a seguiu e o sr. Henry reteve Marian para lhe falar uma coisa ou duas sobre ofensas e acusações.

Ao atravessarem a porta principal, ouviram uma pequena discussão entre Henry e Roland vindo da sala de costura. Os meninos estavam emburrados discutindo quem seria o próximo a “brincar” na máquina, enquanto Cora observava tudo com uma expressão divertida e despreocupada.

— Você já foi terês vezes, Reny. É minha vez.

— Assim como você, lembra? Uma vez eu, — apontou para si. — outra você. Eu, você, eu, você. — apontou de um ao outro enquanto falava. — Três de cada.

— Mas quando sua vovó foi no banheiro, você foi de novo, sem ela. — reclamou, cruzando os bracinhos em frente ao corpo e aumentando o bico emburrado.

— Ah, é? — questiona Cora, erguendo uma sobrancelha para Henry.

— Fofoqueiro. — murmurou Henry, cruzando os braços também.

— Tudo bem aqui? — questionou Emma indo até eles, enquanto Regina continuou encostada no batente da porta.

— Mães!

— Tias!

Henry correu na frente, pulando no colo de Emma, lhe dando um beijo no rosto e logo descendo, indo até Regina e fazendo o mesmo processo.

— Cadê minha mãe? — questionou Roland, no colo de Emma.

— Ela está vindo, querido. — acalmou-o Regina.

— Vocês parecem com frio. Que tal um chá? — sugeriu Cora, saindo do cômodo, e sendo seguida pelas mulheres que ainda tinham as crianças em seus braços.

Quando alcançaram a sala principal, Marian entrava ao lado do sr. Henry. Assim que o garoto mais novo viu sua mãe, ele desceu do colo da loira e empoleirou-se em sua mãe.

— Vá buscar seus brinquedos e se despeça do seu irmão, Roland, nós já estamos indo. — disse visivelmente constrangida, pondo o menino no chão. Quando eles sumiram escada acima, ela obrigou-se a encarar os olhares que recebia. — Desculpe por tudo, Regina. Não fui sincera dizendo aquilo. Eu só…

— Tudo bem, eu sei.

— Ficaremos até a próxima semana. Por favor, me ligue para resolvermos o assunto da casa.

— Claro.

— Vamos, Marian. Eu te levo. — ofereceu Emma.

— Não se preocupe, um táxi já está vindo.

“Toda essa polidez surpreende o cérebro”, pensou o sr. Henry que ouvia da cozinha.

— Regina, eu ainda…

— Você precisa de alguém para culpar pelo seu sofrimento, então você me culpou. Eu entendo isso. Eu também me culpo. Quanto mais eu o rejeitei, mas ele me perseguiu e as coisas acabaram desse modo. Você acha que eu não estou sentindo dor alguma, mas eu estou.

Tal sentença foi dita de forma tão fria e calma, que seu significado pareceu outro. Contudo, era visível a mágoa e o desalento nas feições bonitas da morena.

Uma buzina soou longe e elas sairiam para confirmar se era o carro que Marian pedira. Sem mais a dizer, elas se despediram de forma simples e educada.

Após um pequeno café, com chá e bolinhos, e poucas perguntas por parte do menino sobre a cerimônia, Regina anunciou que estavam voltando para casa.

— O que você está tentando fazer? — perguntou Emma quando foram retirar o carro da garagem dos Mills.

— Nada.

— Exatamente! O sepultamento de Robin foi hoje… Precisamos deixar enterrado tudo o mais com ele. Você precisa. Essa sua atitude não vai mudar nada.

— Minha atitude?! Vocês agem como seu fosse uma pessoa melhor do que ele. Mas é mentira, Emma! É mentira! — sussurrou ela, embora da forma mais alta possível — Sou a responsável pela morte de uma pessoa! E minto para meu filho de sete anos dizendo que vai ficar tudo bem, mesmo sem ter certeza. E o que você sugere que eu faça? Que eu implore a compreensão e apoio da Marian? Não farei isso.

— Regina! — advertiu Emma tão rápido, que o nome da morena pareceu ter somente as últimas sílabas pronunciadas.

Mais do que qualquer outro sentimento momentâneo, havia raiva em seus olhares enquanto se encaravam.

— Esse é o momento em que o sonho termina, Emma. Não sei amar muito bem, por isso as coisas sempre terminam tumultuosas.

— Do que você está falando?

— Eu sou essa pessoa na sua frente. Sempre fui. Por isso não deu certo com Robin e nem ninguém.

“Tolice”, pensou a loira. Mas não verbalizou. Ela se aproximou lentamente de Regina. Ela sabia do que a morena era capaz. Sempre soubera, desde o primeiro dia em que a vira mascarar sua dor naquele parque.

— Se você me beijar, eu vou apenas te afundar. Eu faço isso com as pessoas.

Ignorando o aviso, Emma colocou seus lábios de forma gentil sobre os dela e em seguida a abraçou.

— Viver momentos ruins não te faz uma má pessoa. São essas coisas que definem quem a gente se torna dia após dia.

— Então eu devo acreditar que tudo vai dar certo como deveria?

— Acho que já foi provado que as coisas não saem como planejamos. E por isso mesmo você não deve gastar tempo e energia com remorso, se preocupando com o que poderia ter sido ou não. Não podemos mudar o que aconteceu.

— Mas...

— Se você precisa de perdão, Regina, todos nós poderemos te perdoar. Mas a questão é: você consegue perdoar a si mesma?

Ela não respondeu, apenas a abraçou apertado. Sem confiar em si mesma para responder qualquer coisa que fosse, ela se afastou e entrou no carro. Emma sabia que o pesar da noiva era real. E justamente por isso ela tentaria tornar tudo mais fácil pra ela.

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Os dias viraram semanas e logo dois meses se passaram. Nem Emma e nem Regina sentiram o impacto do tempo, tão necessitadas estavam. Henry seguia abatido e choroso sempre que se lembrava do pai, mas todos a sua volta estavam lhe dando o espaço necessário para compreender o significado do morrer.

Ele era uma criança esplêndida e muito nova, e fora justamente isso que levou Regina a procurar novamente a ajuda do Dr. Hopper. Nas primeiras vezes, ela o acompanhou. Até o dia em que o Archie Hopper a abordou no final, sem que Henry os ouvisse:

— Regina. Pensei que talvez quisesse conversar.

— Ah, certo. A coisa da consciência.

— É o que faço.

— Não estou com humor pra isso.

— É uma pena, porque acho que falar sobre sua dor poderia ser muito útil. Poderia ajudá-la a descobrir quem você realmente é.

— Eu sei quem eu sou — disse Regina de forma intensa.

— Certo. Certo. Vou admitir que estava preocupado. Mas fico feliz que suas dúvidas não envolvam essa questão.

Regina o olhou atentamente, enquanto lutava com seus demônios pessoais.

— Há apenas um problema, Dr. Hopper. Estou com medo. Não, estou extremamente temerosa de que tudo vá desmoronar. O pai do Henry está morto e eu estou feliz com isso. Estou feliz com o fato de meu ex-noivo tenha se matado. Isso me assusta.

— Não é um crime sentir o que você sentiu depois de tudo. Acho que... você tem pensado muito sobre questões que não importam.

— Analisar todas as questões foi o modo como consegui tudo o que tenho.

— Parece que é também a maneira que pode fazer você perder tudo.

A expressão preocupada do médico fez um rápido sorriso de agradecimento aparecer em suas feições.

— Estou preocupada com algo maior… Sina. Destino. Não sei.

— Sempre me pareceu que você faz seu próprio destino. — apontou o Dr. Hopper com gentileza.

— Mas é como se ele ainda estivesse lá fora, querendo destruí-lo. — confessou, balançando a cabeça em visível desgosto.

— Regina, se você continuar se preocupando com o futuro, nunca desfrutará o presente.

Ela o olhou de forma sarcástica e se levantou, para encerrar a conversa. Contudo, ela de fato havia ouvido seu apelo.

— Obrigada por tudo, Dr. Hopper.

Assim, ela não acompanhou Henry de perto nas sessões, e enquanto aguardava sentada na sala de espera por uma hora até que ele tivesse terminado sua sessão, ela analisava sua vida, revendo e refletindo incessantemente os pontos que deixara passar, sempre considerando o que havia ouvido sobre perdas e destinos.

No momento, ela não era uma aposta segura. Embora fosse uma mulher forte, ela ainda estava sofrendo. Não apenas por Robin, seu ex-noivo e pai de seu filho, mas pela morte de um homem subversivo, que a ferira de várias formas, enquanto aprendia como criar uma criança sozinha e tentava retomar sua vida e sua confiança.

Ela estava presa ao passado, pois sentia-se responsável de alguma forma. Mas pior do que isso, ela havia se perdido e não conseguia encontrar o caminho de volta. Ela andava nas sombras agora. Envolvida pela escuridão e cega pela luz.

Assim, quando o primeiro sinal apareceu, ele a pegou despreparada.

Era uma tarde fria de sábado e Regina estava sentada em seu escritório, rodeada por papéis classificados em assuntos pessoais que não suportava olhar, coisas que precisavam ser arquivadas e coisas que requeriam atenção imediata. Felizmente, esta última pilha era a menor, mas ainda havia contas que precisavam ser pagas e Henry precisava de roupas novas, pois estava crescendo muito rápido. Ela acrescentou esses itens à sua lista cada vez maior de coisas para fazer.

— Mãe? — chamou Henry da porta.

— Você pode entrar se quiser, querido.

— Tenho uma pergunta sobre a escola. — começou o garotinho, que estava conseguindo manter seu desenvolvimento escolar graças ao apoio dos colegas e dos professores.

— Certo — concordou, voltando sua atenção inteiramente para ele.

— Não é nada com a lição de casa...

Ela o encorajou a continuar, permitindo-o que sentasse em seu colo.

— O que está acontecendo Henry?

— Haverá uma festa na escola. E cada um deverá levar alguma coisa.

— E o que você quer levar?

— Bem… eu queria fazer cookies.

— É uma ótima ideia. De que tipo você quer que eu faça?

— Mãe… Eu quero fazer.

— Oh. E eu posso ajudar?

— Pode! Podemos fazer hoje?

— Agora? — perguntou ela, espiando seus documentos com certo cansaço. — Tudo bem, vamos lá!

E foi fazendo uma típica receita de massa de gengibre que Emma os achou. O cheiro era maravilhoso e parecia atuar como um apaziguador de stress. Em cima da bancada havia cinco formas, cheias de bonequinhos e estrelas enfeitados com açúcar, gotas de chocolates e uma massa de clara em neve que ajudou a fazer os desenhos dos olhos, bocas e outros detalhes.

Elogiando o trabalho dos dois, ela roubou um biscoito e sentou-se para observá-los. Mas logo Henry a fez ajudá-lo a colocar os confeitos e a atividade se estendeu até o jantar.

Aquele momento íntimo reacendeu uma energia que eles haviam esquecido que possuíam juntos. Principalmente Regina.

— Emma? Você já dormiu? — perguntou horas mais tarde, quando já haviam se deitado.

— Hmmm....

— Você está sempre preocupada comigo… você nunca se sentiu mal com todos esses acontecidos?

— Com a morte do Robin, você diz? — perguntou com os olhos ainda fechados e a voz sonolenta.

— Não só isso. Tudo. Desde o primeiro dia.

A loira demorou um pouco e então se sentou para encará-la melhor.

— Eu me sinto mal todos os dias por ter desejado a morte dele. Por pior que ele fosse. Que tipo de pessoa eu sou desejando o mal de outra? Eu não sou assim. E isso me consola. Porque eu não queria isso de verdade. Não queria que ele tirasse a vida da maneira como fez, que nos deixasse da maneira que nos deixou. Me sinto mal por Henry já ter passado por tanto sendo tão pequeno.

— Como você consegue superar isso?

— Eu abraço vocês e sinto seus corações batendo. Isso é suficiente pra mim às vezes. Porque quando desejei isso foi para que ele não pudesse mais ferir vocês de maneira nenhuma. E agora ele não pode. Não fisicamente, pelo menos. Mas quando te vejo com o olhar perdido ou cabisbaixa sei que ele ainda está te machucando. E eu lamento ainda mais a morte dele.

— Por quanto tempo mais iremos lamentar?

— Acho que por um bom tempo. Nós o conhecíamos de uma forma tão sombria que torna tudo pior.

— Isso é o luto não é?

— Acho que sim.

— Estou com tanta raiva dele. E de mim. Não é só isso que eu sinto, mas a raiva me domina a maior parte do tempo.

— Você pode sentir tudo o que precisa sentir, Regina. Você pode ficar brava, triste, agradecida, o que quiser. Você pode desmoronar quantas vezes for preciso e eu te garanto que as coisas não vão ser assim pra sempre. Você vai conseguir dar a volta por cima.

— Eu só queria ser forte para parar com tudo isso. Mas eu não sou.

Emma voltou a se deitar ao lado dela, abraçando-a gentilmente.

— Você pode não ser forte o suficiente, mas talvez nós sejamos. Não importa o que você fizer ou sentir, eu vou estar atrás de você, protegendo seu lado cego.

Regina concordou com um aceno de cabeça. Seu peito estava apertado e seu coração batia depressa. As coisas pareciam não mudar, apenas andar em círculos. Mas a certeza que Emma tinha e sua tentativa em sempre deixá-la aquecida, em todos os sentidos da palavra, a lembrava que mesmo nos tempos de dificuldade ela estaria amparada. Mesmo se sentindo sozinha, ela era amada.

Quando o domingo chegou, Cora e o sr. Henry foram almoçar com eles. Havia virado rotina reservar este dia da semana para todos passarem juntos, uma ideia que começou por pedido do Dr. Hopper em criar novos momentos com Henry. Dois colegas da escola passariam a tarde e a noite lá, então Regina e Emma optaram por servir uma refeição simples, mas também envolvia uma grande salada e sobremesa. Enquanto comiam, eles conversaram animadamente sobre as festividades que se aproximavam, principalmente sobre os presentes de Natal. Nada foi decidido, mas as histórias que o sr. Henry contou, algumas reais e outras inventadas, distraiu bem os garotos e os deixou animados.

— Billy e Mary são ótimas crianças. — comentou Cora após terminarem de arrumar a louça. Enquanto as crianças subiram para jogar video-game, Emma e o sr. Henry saíram de fininho após tirarem a mesa para assistirem “Os Imperdoáveis”, de Clint Eastwood.

— Sim, são. Mary é uma menina adorável, está em uma série a mais que os meninos. Ela tem ajudado bastante, principalmente nas traquinagens. — murmurou para a mãe com um meio sorriso.

Após alguns olhares de relance para sala, onde Emma estava, Regina soltou um suspiro longo enquanto dobrava e guardava os guardanapos.

— Suspirar desse jeito não ajuda seu pulmão. — disparou impaciente, encostando-se na bancada.

— Briguei com a Emma hoje de manhã. Um momento está tudo bem definido entre a gente e logo depois não estamos nos falando. Isso é irritante.

— Isso é casamento, querida. Mas não é só isso. O que está havendo, Regina?

— Não sei do que você está falando.

— Você e nós. Você e Emma. Você e o mundo! Qual é o problema?

— Não há problema. Estou seguindo meu caminho como sempre segui.

— E por que não está olhando pra mim ao dizer isto?

Cora viu a filha morder os lábios antes de passar ao seu lado sem encara-la. Lá estava Regina, fugindo outra vez do assunto. Seguindo-a pela escada, ela a interceptou no quarto.

— O que diabos você pensa que está fazendo? — perguntou assim que fechou a porta.

— Vou tomar um banho.

— Você vai olhar para mim em algum momento?

— Não, não vou. Há semanas vocês vêm aqui se assegurar que não enlouqueci. Pois bem, mãe! Cá estou. Nem inteiramente sã, nem inteiramente louca.

— Exatamente como todos nós! — assegurou Cora com um sorriso irônico. — Isso é ótimo.

Regina revirou os olhos, aproximando-se da janela do quarto. Naquele momento ela desejou ser a pedra que estava no gramado ou o galho seco da árvore. Qualquer outra coisa que a impedisse ter que ouvir Cora lhe passando sermão. Qualquer coisa além de si mesma.

— O amor às vezes desaparece e te deixa sem nada. Mas o verdadeiro poder permanece. E o que você me disse uma vez mesmo? — perguntou Cora para si, enquanto a olhava de soslaio. — Oh, sim. O poder vem da verdade.

Regina voltou-se lentamente e sentou-se na cama, visivelmente abalada.

— Você estava prestando atenção.

— É claro. Quis lhe dar tudo que nunca consegui para mim. E realmente ouvi quando você disse que não queria a vida que planejei, mas uma vida sua. Tenho tentado compreender o seu caminho, Regina. Mas é difícil ver você só seguindo, quando deveria estar governando.

— Eu sei.

— Você se arrepende de suas escolhas?

Cora viu um lampejo de fúria antes que ela transformasse sua expressão numa máscara de indiferença.

— De algumas, mas não é isto que está perguntando, é? Quer saber se, caso eu tivesse a oportunidade de fazer tudo de novo, escolheria de modo diferente? — pensou um pouco, o rosto sério. — Duvido. Algumas coisas você simplesmente tem que experimentar para aprender como viver sua vida... ou como não viver.

— Algumas coisas e algumas pessoas.

Ela encontrou o olhar da mãe com firmeza.

— Exatamente.

Cora continuou a estudá-la.

— Qual o problema, então?

— O de sempre é claro: Robin. — revelou de uma vez.

Cora sentou-se ao lado da filha, entre impaciente e compreensiva.

— O que ainda te atormenta?

— Não sou como você, mãe. Pra você é fácil dar a volta por cima quando a vida lhe joga as coisas na cara ou quando seus planos não saem de acordo com o planejado. Você tem essa facilidade em lidar com as situações sem se envolver e sofrer com cada minuto.

Regina não entendeu o súbito sorriso e sua expressão deve ter demonstrado isso.

— Você não é igual a mim, Regina, mas ainda assim é minha filha. A armadura que uso não é igual a sua, mas nós duas usamos. Esse é o modo como lido com as coisas. Você sente tudo profundamente, eu opto por não querer sentir nada. Não há certo ou errado, apenas métodos que nos ajudam a sobreviver.

Ao som daquela palavra, a muralha que cercava o interior a morena rompeu mais uma vez. Mas talvez fosse a última. Cora podia ver nos olhos castanhos o desespero e um lago fundo e escuro de sentimentos desconhecidos.

— Eu quero mais do que sobreviver. — confessou com a voz tremendo, o choro preso na garganta. — Eu quero uma razão maior para tudo isso. Um propósito. Eu quero algo que prove que ainda podemos viver depois de tudo o que fizemos para sobreviver ao que fomos impostos. Eu quero me sentir viva, sem arrependimentos e culpa.

— O afeto às vezes é superado pelas necessidades. Você está colocando sua raiva e amargura acima de todo o resto. Está na hora de resolver isso.

— Como?

— Não há uma fórmula secreta. Você precisa descobrir.

Elas ficaram em silêncio por um momento, a mão direita de Cora acariciava levemente o braço da filha, em uma tentativa de passar força, calma e consolo.

— Robin…

— Ah, Robin. Nunca entendi sua frustração diante ao mundo. — interrompeu Cora — Deve ser por isso que ele tinha todos aqueles animais na parede... Mas se eu ganhasse um centavo por todo mundo que conheço que já tentou usar o fato de ter sofrido como desculpa pro seu comportamento, não dependeria do dinheiro de vocês.

Aquilo fez Regina sorrir, embora sua expressão logo voltasse a ficar fechada.

— O que eu faço?

O olhar profundo que Cora lhe deu a lembrou de todas as vezes que tentava encarar o sol por mais de cinco segundos e não conseguia.

— Você está querendo fugir há muito tempo… Faça isso agora. E só volte quando lembrar do que você quer.

— Não acho que isso seja a solução para os meus problemas….

— Regina, se tem uma coisa que venho aprendendo com vocês é que não se combate fogo com fogo. Então não tente compensar morte com morte.

— Você acha que eu tentaria algo contra minha própria vida? — indagou indignada.

— Não se engane, meu anjo. Há modos e modos de se findar uma vida.

Aquilo foi dito com tanta firmeza, que atingiu Regina de uma forma inexplicável, como se um chacoalhão a colocasse de pé olhando para um espelho que ela se recusava a enxergar há dias. Mas naquele momento, o espelho a fazia ver, com uma dureza que ela não queria, o modo como estava conduzindo as coisas. Aquele espelho, conhecido como Cora Mills, era implacável e não diria meias palavras ou meias verdades.

— Agora, trate de ouvir o último conselho da sua mãe. Espero que aprenda o que levei a vida para entender. A única pessoa que está a impedindo a sua felicidade, é você. Embora o objetivo tenha sido outro, você me afastou uma vez e isso clareou minha mente. É hora de fazer o mesmo com você. Resolva sua bagunça, Regina. Recupere seu equilíbrio ou você se perderá.

“Como Robin” foi o final da frase não dito pela senhora, mas claramente audível. Sim, ela estava tendo consciência disso agora. Mas como fazer aquilo? Como expurgar seus fantasmas, dúvidas, medo e desespero?

— Não necessita que eu seja sua consciência. — disse Cora passando a mão levemente nas pontas de seu cabelo, o suficiente para lhe transmitir afeto. — Você tem a sua. Eu confio em você, embora nem você confie agora.

O olhar terno da sra. Mills lhe garantiu certo conforto e a fez pensar nela como um exemplo único, já que nunca fora um modelo de excelência e nem tampouco a pior mãe do mundo.

Regina não tinha muito no momento, mas se agarraria a esta pequena centelha de esperança que Cora lhe dava.

— Vai logo. — incentivou levantando-se e puxando a filha pelo braço — Cuidarei de tudo aqui.

Elas se encararam um instante até que Cora colocou sua mão no ombro de Regina, num último esforço para que o contato físico a fizesse se concentrar no mundo lá fora e não na sua introspecção.

— Sempre soube que você acreditava em muito mais do que dizia — comentou — Para minha sorte.

Ela segurou a mão de Cora por cima de seu ombro, antes de um sorriso de alívio lhe tomar as feições. Elas seguiram em silêncio até a porta, por onde a morena saiu sem rumo e sem explicar nada nem ao pai, à Emma ou as crianças. Se Cora Mills havia lhe dito que cuidaria de tudo, então ela realmente o faria. E pela primeira vez Regina sabia que podia confiar totalmente na mãe.

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Mesmo concentrada no filme, o ligeiro bater da porta chamou a atenção de Emma, que sentava-se no sofá oposto ao seu sogro. Segundos depois, Cora adentrou a sala e sentou-se despreocupadamente ao lado do sr. Heny. Os olhos verdes se abriram um pouquinho quando a espera por Regina fazer o mesmo mostrou infundada. Ela não estava ali?

— Cadê a Regina? — questionou olhando diretamente para a senhora vestida com blazer e calças verdes tão escuras que pareciam mais um tom de preto.

— Saiu. — respondeu Cora fingindo interesse no filme.

Emma correu os dedos pelo cabelo de forma impaciente, deixando-o bagunçado.

— Como assim “saiu”?! Nós brigamos e ela não diz mais nada pra mim?

O sr. Henry soltou uma risada baixa e rouca, seguida de um olhar sugestivo.

— A teimosia definitivamente corre solta nesta família…

Cora lhe deu um tapinha no braço e voltou-se para Emma sem esconder sua fisionomia cansada e preocupada.

— Eu estava com uma sensação terrível na boca do estômago. Por isso a mandei dar uma volta.

— Que tipo de sensação?

— Que Regina não voltaria mais do lugar obscuro em que sua mente a confinou.

— Estava sentindo o mesmo… Ainda estou na verdade. O que você disse pra ela? E o que ela lhe disse?

— Se a sua preocupação é se ela me ouviu, então sim, ela ouviu. Não sei aonde ela foi, mas independente do lugar, espero que ela possa resolver o que a aflige.

Uma cena do filme chamou a atenção deles antes que Emma voltasse a insistir no assunto:

— Vocês não estão com medo dela fazer algo estúpido?

Cora se levantou lhe dirigindo um olhar divertido.

— Quanto mais te conheço, Emma Swan, não acho que dê pra piorar.

Uma fina ruga se formou na testa de Emma enquanto Cora se afastava.

— Mas o quê… — Emma olhou para o sr. Henry e então saiu atrás dela.

— Você disse que sou a coisa estúpida que ela fez?

— Minha intenção era realizar uma saída dramática, mas perde toda a graça se você sai correndo atrás de mim assim.

Emma deu uma risadinha, o que fez sua resposta mudar. Ela não era a maior fã da mulher a sua frente, mas tampouco desgostava dela como antes. É preciso conhecer além da superfície de Cora Mills para aprender a gostar dela, então isso precisava ser aplicado às outras pessoas também.

— Sobre a sua pergunta, você sabe que o amor é algo estúpido, portanto…

— Oh. — o sorriso de Emma foi aumentando gradualmente. — Isso significa que você está finalmente de acordo com essa situação?

— Não abuse.

O sr. Henry as encontrou na cozinha, com seus olhares travando uma batalha silenciosa.

— O que vocês estão fazendo?

Cora piscou rapidamente, indo até a geladeira pegar água. Ninguém ofereceu uma resposta. Quando ela encheu os copos e estendeu pra eles, ela disse de forma direta:

— Estávamos acertando algumas pontas soltas.

— Vejo que estamos entrando em uma espécie de acordo aqui.

— Você sabe que meus acordos não saem de graça, Henry. — apontou Cora com um sorriso amarelo.

— O que mais você disse pra Regina, Cora? — quis saber a loira, relembrando-os sobre o tópico principal que discutiam.

— Algumas coisas sobre afastamento e que ela estava se encaminhando para a morte, da mesma forma que o Robin.

Henry viu a boca de Emma se abrir e fechar de novo, da mesma forma que ele imaginou que a dele tivesse feito. Se tinha uma coisa que ele odiava e admirava ao mesmo tempo em Cora, era sua forma impiedosa de tratar as pessoas. Após todos os anos ao lado dela ele havia aprendido uma coisa: Cora sempre diria a verdade, mesmo que você quisesse que ela mentisse.

— Por que vocês estão me olhando assim?

— Cora sendo Cora. — murmurou Emma acabando de beber a água.

— O quê?

— Nada, nada. Mas isso não diminui minha preocupação. Mesmo antes de Robin morrer Regina estava numa guerra interna entre o que ela acredita e o que ela sente. E é por isso que eu não gosto de deixá-la sozinha por muito tempo. Você nunca sabe qual lado vai ganhar e do que ele é capaz.

— Tenha um pouco mais de fé, Emma. — pediu o sr. Henry sentando-se ao lado dela na bancada.

— Se você quer que algo aconteça, você tem que sair e fazer acontecer. Mas como posso ficar ao lado dela se não sei o caminho que ela está seguindo? — confessou impaciente fazendo menção de se levantar.

— NÃO! Você vai ficar aqui! — gritou Cora segurando-a pelo braço.- É uma ordem!

— Como é?

— Sua garota tola! Você está prestando atenção no que diz?

— Cora, não fale assim com a menina. — mediou o sr. Henry, repetindo a frase que mais dizia durante a infância de Regina, quando Cora era dura demais com a filha.

— Não sei qual das duas está mais cega... Morrer foi bom demais pra aquele verme.

— Cora… — repreendeu o marido, o que a fez suspirar enquanto soltava o braço de Emma.

— Não venha com “Cora”. Ela acaba de resumir o que Regina foi fazer e de repente quer segui-la e estragar tudo? Estou tentando fazer uma boa ação, para garantir que vocês não passem por um caos ainda maior! E olha só o agradecimento que recebo!

Cora se afastou da bancada, mas continuou de frente para Emma e Henry. Ela estava agitada e tudo que lhe passava pela cabeça era fazer a noiva da filha entender que ela já havia feito tudo o que podia.

— Gostemos ou não, Regina se apaixonou por Robin. Mas ela conseguiu superar seus sentimentos amorosos em relação à ele, ao invés de se fechar. Mas vocês são diferentes. Você tem alguém lá fora que precisa de você tanto quanto você precisa dela. O que vocês têm é algo raro e nem todos sentem isso. Você é o tipo de pessoa que quer resolver tudo, mas às vezes não fazer nada ajuda muito mais. Você precisa ouvir o que Henry e eu estamos dizendo, ok? Se você não tiver fé, Robin não será a única coisa que terá morrido.

— Alguém já lhe disse que a sinceridade às vezes beira a grosseria? — atacou Emma com raiva, pois sabia que ela estava certa.

— Você me disse algo do tipo uma vez.

Emma encarou um ponto qualquer na bancada de mármore.

— Isso tudo parece bobagem.

— Mas sabemos que você não é boba. Dessa vez você tem que deixar a Regina ser sua própria salvadora.

Emma queria gritar, tamanha era sua exasperação. “Por que diabos essa mulher tinha que ser tão irritante e estar tão certa?”. Ela deve ter murmurado sua inquietação em voz alta:

— Oh, estou incomodando você? — alfinetou Cora olhando-a sarcasticamente. — Finalmente me sinto vingada.

— Você é realmente uma peça-rara… — disse por fim, levantando-se. — Vou ver o que os meninos estão fazendo.

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Todo final é um novo começo. Foi a primeira coisa que sua mente registrou quando Regina se deu conta da onde estava. Descendo do carro, ela seguiu um caminho de pedra, olhando ora para o céu, ora para o chão. Embora o ar estivesse gelado, o tempo estava ensolarado e aquilo contradizia totalmente o que ia em seu íntimo.

Ajoelhando-se sem importar em sujar ou desfiar sua meia calça preta, ela ficou encarando o gramado até que sua voz saiu entrecortada:

— Acho que não estou conseguindo deixá-lo ir embora pois ainda tenho muito pra dizer. Não consigo respirar desde o dia em que te vi naquela sala. Sinto que ainda estou sendo controlada por você. Penso incessantemente em tudo que te envolve e isso está me levando à loucura e à exaustão. Estou vivendo de novo uma coisa que já vivi outras vezes!

"Fui embora para ajudá-lo a enxergar que nós dois podíamos ser melhores juntos, mas você desistiu fácil de nós e eu segui em frente. Achei que me amasse mais do que tudo, eu e o Henry. Mas você queria que eu escolhesse entre vocês e isso eu nunca faria. Por isso fui embora e nunca olhei para trás. Esperei que em algum momento você também não olhasse para trás e seguisse em frente, mas você não se importou. E eu nunca poderia ficar ao seu lado sabendo que você poderia me machucar ou pior: machucar o nosso filho. Eu queria que você entendesse que amar o Henry só fazia eu te amar mais. Mas você não foi capaz de entender e por isso eu o coloquei acima de tudo, até de mim mesma.

Você fez com que eu soubesse o que era viver e me fez acreditar que o amor fosse a coisa mais mágica do mundo. Mas então você me enfraqueceu até o limite e eu demorei muito para reencontrar meu caminho de novo.”

O pranto veio sem aviso, fazendo ela colocar suas mãos no rosto a fim de amenizar o som rouco que vinha do fundo de sua alma. Custou-lhe um grande esforço e tempo para que se acalmasse, mas logo sua respiração estava controlada e ela pode encarar a lápide a sua frente sem ter a vista nublada por lágrimas.

— Você me mostrou que eu era capaz de amar, Robin. Mas foi com a Emma que eu descobri que o que era amor verdadeiro. A sensação de amar e ser amada incondicionalmente.

"Na noite em que você foi até a minha casa, eu senti medo. E eu quero que você saiba que eu te perdoo pelo que fez comigo... Eu sabia que era a bebida que estava falando. Mas não posso te perdoar por tentar machucar a Emma e ignorar o Henry no fim do corredor. Isso me apavorou muito mais do que você tentar se aproveitar de mim. Eu seria corajosa e aguentaria calada os seus avanços se eu soubesse que meu filho e a Emma estavam longe de você e a salvo.

Você conseguiu transformar meu coração em pedra. E eu lamento não poder ter esmagado o seu quando pude. E eu o odeio por despertar isso em mim. Eu o odeio por tudo o que você me fez passar. Eu o odeio por me fazer sentir as piores sensações que há no mundo. Queria que você pudesse ter visto o fim do que tínhamos no mesmo momento em que eu, mas esse foi o nosso problema desde o começo: podíamos ter algo em comum, mas nunca caminhamos lado a lado e nunca estivemos em sintonia.

Eu o odeio por ter conseguido transformar o que eu sentia por você nessa raiva e nesse ressentimento que há dentro de mim. E eu o odeio por ter me feito desejar a sua morte. E eu o odeio acima de tudo por estar morto por escolha própria. Você não pensou em nenhum segundo o que isso significaria para o Henry? O que significaria para mim? Você acha que foi fácil afastá-lo dele? Ou que foi fácil contar que o pai que ele tanto ama estava morto por escolha própria? Eu espero sinceramente poder te perdoar por isso um dia... Infelizmente não será hoje e nem amanhã.

Quero que saiba que eu te amei. Há muito tempo atrás, mas amei. Queria que você pudesse ter compreendido isso. Sempre que eu olhava para o Henry eu lembrava de você e do que já senti. Ainda lembro. E por isso eu odeio todo dia. Por sua culpa eu estou com medo de acabar odiando meu filho!! Olhar para o Henry e pensar em tudo o que você causou está me consumindo.”

Regina bateu sua mão fechada em punho no chão, como se pudesse bater mais uma vez em Robin.

— Continuo enfrentando uma centena de tempestades para conseguir deixá-lo. Chega. Não serei mais derrubada por você. Henry é meu filho e eu lhe disse uma vez que você nunca o tiraria de mim. Por isso eu prometo que tentarei me agarrar somente a isso de agora em diante. Por você também, mas principalmente por mim e por ele. Tentarei mostrar o homem que conheci e em quem acreditei, e não o homem que você é.

Era, ela corrigiu-se mentalmente.

— Você disse uma vez que destruiria minha felicidade, nem que fosse a última coisa que você fizesse. Parabéns, Robin. Você conseguiu. Pela primeira vez você cumpriu sua palavra. Foi realmente a última coisa que você fez.

Após chorar mais um pouco, ela apoiou sua mão no chão e firmou-se em um pé.

— É hora de dizer adeus para sempre, Robin. Eu o deixarei em paz, então, por favor, nos deixe também.

Colocando-se completamente de pé, ela olhou para o lugar onde ele jazia uma última vez.

— Adeus.

Olhando para frente, ela fez o caminho de volta. Pela primeira vez em muito tempo seu peito conseguia puxar o ar com facilidade. Pela primeira vez em muito tempo Regina estava sozinha. Os demônios que a acompanhavam não tinham força para a seguir mais.

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Você vai mudar. Você não é a mesma pessoa que você foi há três anos. Você nem é a mesma pessoa que foi há cinco minutos e isso é bom. Especialmente se você não gosta da pessoa que você foi há cinco minutos.

— O que tem na sacola, mamãe? — perguntou Henry assim que Regina fechou a porta da sala.

— Qual o seu palpite?

— Brinquedos? — ela acenou negativamente — Doces?

— Acertou! É sorvete. — revelou Regina indo para a cozinha. — Cadê todo mundo?

— Estão lá fora. O homem do tempo disse que vai nevar e todo mundo quer ver.

— E você não quer ver a primeira neve do Natal?

— Estava te esperando. Você demorou mamãe!

Regina sentou-se no primeiro degrau que levava à área da cozinha e o puxou para seu colo. Ele estava com o semblante tão travesso.

— Bem, eu fui comprar sorvete pra você e seus amigos. E no caminho parei pra conversar com… um… um velho amigo.

Os olhinhos castanhos lhe transmitiam um calor tão bom, que Regina esqueceu por um momento que todos estavam esperando por neve. Seu próprio olhar perscrutou o menino procurando qualquer indicação de que seus medos mais infundados pudessem interferir em momentos como aquele, mas nada. Não viu e nem sentiu nada de diferente.

— Escutei a vovó e o vovô falando sobre o papai mais cedo. Eles disseram muitas coisas, mas só entendi que estão preocupados.

— Oh, sim. Estamos todos preocupados ainda, meu anjo. As coisas não são fáceis, mas mudam. Eu vou mudar pra melhor e você também. Você vai crescer da melhor forma possível, Henry.

— Tudo bem, mamãe. Vai ficar tudo bem

Ele a abraçou apertado pelo pescoço. Regina colocou suas mãos nas costas do menino e o trouxe para perto. O cheiro de banho e as palavras inocentes dele fizeram um suspiro escapar. Sim, ela definitivamente não era a pessoa que saiu daquela casa quatro horas antes.

— Obrigada, meu querido. Obrigada. — sussurrou antes de soltá-lo e mudar de assunto. Um dia, talvez, quando ela explicasse para o menino sobre essa época difícil que enfrentaram, ela lhe revelaria o quanto esse momento significou na vida dela.

— Coloque outro agasalho! Vamos lá para fora! — chamou após beijá-lo nas bochechas. — Henry? Eu te amo. Não se esqueça.

— Nem você, mamãe. Eu também te amo.

Então, ela realmente entendeu o que era de fato a maternidade. Ser mãe não é apenas dar e receber amor, carinho e compaixão. Mãe também é uma mulher que sofre, que chora, que reclama. É uma pessoa que sai por quatro horas, buscando o bem da sua sanidade, e quando volta ainda é amada pela sua cria, mais do que tudo.

— Regina! Você voltou bem na hora! — disse Emma empolgada. Ela tinha mil e uma perguntas para fazer, mas não faria nenhuma. — Vai nevar!

Henry deu um pulo do seu colo e foi pegar seu casaco. A morena balançou ligeiramente a cabeça, feliz por saber que algumas coisas não mudam, não importa quem você é e em qual momento. Seja para manifestar ou simplesmente apreciá-las em outras pessoas, as melhores coisas da sua essência você não perde.

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— Regina? — chamou Emma quando desceu o último degrau da escada. O escritório tinha as luzes acesas e, mesmo sendo três horas da manhã, o aroma de café impregnava o ar.

— Hey! Por que você está acordada? — questionou quando viu a figura loira entrando sonolenta no pequeno cômodo em seu pijama bege de moletom.

— Porque você não está dormindo! Não é novidade, mas não sei mais como dormir sozinha… Está sem sono de novo?

— Estou... Resolvi fazer algumas resoluções de ano novo, quer ver? — perguntou a morena entregando um papel dobrado ao meio com sua caligrafia elegante, embora estivesse mais relaxada naquele momento.

Emma sentou-se ao lado dela no tapete, estendendo seus pés para a lareira, e bebericou um pouco do café que lhe era oferecido.

— Achei que você não acreditava nisso….

— Resolvi dar segundas, terceiras e quartas chances pra várias coisas a partir de agora.

Emma olhou para a primeira coluna que havia na folha, surpresa pelo fato de Regina estar fazendo uma lista do que havia realizado e do que esperava fazer no ano que se aproximava.

Na coluna dos feitos de 2016, lia-se muitas coisas: entrevista com a Equus, novas amizades, novas amizades do Henry, promoção da Emma, reconciliação com Cora, entendimento com a Marian e outros feitos do trabalho. Na última linha havia apenas o nome de Robin.

Emma segurou a respiração por um momento, quando seus olhos encontraram o que havia escrito ali na próxima coluna. Para 2017:

— Registrar a Emma — leu em voz alta — como guardiã do Henry, casamento, viagem para as praias do México…

Ela parou emocionada.

— Está falando sério?

— Achei que já havíamos concordado sobre o casamento... Você está repensando sobre isso? Podemos adiar mais um pouco.

— Não, não sobre isso. Sobre a resolução número um.

Os olhos escuros brilhavam. Regina sorriu, mas sem abrir os lábios. Seu coração batia tão forte e seus pensamentos iam tão rápido, que estava difícil coordenar qualquer movimento.

Mas ao invés disso, ela calmamente disse: "Eu gostaria muito de fazer isso, Emma. Se não tiver problemas pra você.”

O olhar surpreso e espantado se suavizou e ela sorriu como se Regina estivesse lhe oferecendo o sol e a lua.

— Não. Claro que não. Você sabe que eu amo Henry como meu próprio filho!

— Emma, ele é seu filho.

Sim, ele era. De todas as pessoas na vida de Regina, ela era a que mais poderia compreender o significado daquela declaração. A coisa mais importante na vida é a família que você tem. Há dias que você os ama e outros que não, mas no final eles são as pessoas que te fazem compreender o significado de casa. Às vezes é a família em que você nasceu. E às vezes é a que você faz para si mesmo. Porque família não tem nada a ver com sangue. Existem laços mais fortes que a genética.

— Esse foi o melhor presente que você já me deu, Regina Mills. — disse aproximando — Escuta, eu… já que estamos falando de resoluções de ano novo e o que fizemos neste ano… Bem, quero lhe dizer uma coisa. Não queria ter que tocar nesse assunto, mas acho que preciso te dar uma explicação

Regina apenas levantou uma sobrancelha e indicou que estava ouvindo.

— No dia em que Robin morreu… naquele… naquele dia eu menti pra você onde eu fui. Não te contei na hora porque não queria misturar as coisas e estragar tudo.

— Queria ter te feito essa pergunta, mas já estávamos vivendo um inferno sem mencionar isso, então apenas deixei de lado. Na verdade, não preciso saber se você não quiser contar.

— Então… tudo bem se eu não te contar ainda?

— Ainda? — questionou com tom divertido — Sim, tudo bem. Confio em você, Em. Você deveria saber. Me senti uma vilã nestes últimos meses, mas pensei depois do que você e minha mãe dissera, percebi que era hora de até mesmo os vilões terem os seus finais felizes.

— Sei que tudo isso é complicado, mas você pode ser feliz. Sei que não parece, mas você só tem que continuar lutando. E quando não quiser mais lutar, eu luto. Não conheço exatamente o que você tem sentido, mas sei que é uma tristeza grande. Então você pode pegar minha felicidade emprestada quando quiser.

O olhar que Regina lhe deu havia tanto amor, que Emma esqueceu por um momento o que estava tentando lhe contar.

— Estou tendo um pouco de dificuldade para falar agora. — confessou Regina brincando de volta com os pés nus dela. Suas meias impediam o contato direto, mas o toque ainda era sentido.

— Não precisa.

— Claro que precisa, Emma. Essa é a declaração de amor mais bonita que já ouvi na vida! — seus braços a envolveram pelos ombros e ela depositou vários beijos pelo pescoço dela. — Desculpa ter ficado perdida por tanto tempo. Eu realmente me deixei abalar. Meu sofrimento parecia me dizer que era amaldiçoada… Mas fui visitar Robin naquele domingo e tentei me perdoar pelo que senti e pensei. Como você disse. Vocês me lembraram que meu final feliz é me sentir bem no mundo. E você principalmente… você é a melhor coisa que já me aconteceu.

O silêncio se fez necessário por um minuto. Não porque não houvesse coisas a serem ditas, mas o contrário. Havia muito a ser expressado, mas o olhar entre elas dizia tudo. Quando você ama uma pessoa com todo o seu ser, do jeito que Regina amava Emma e sabia ser amada, muitas coisas não precisam ser ditas em voz alta, pois parece que um único olhar ou gesto pode falar direto com seu coração. É bem fácil acreditar em contos de fadas e que qualquer maldição pode ser quebrada com beijos de amor verdadeiro e incondicional. Mas mais fácil e simples é acreditar em um amor recíproco, um amor que pode iluminar suas mais funestas sombras sem dizer muito. Há momentos, como este, em que a presença de uma pessoa ao seu lado é mais valiosa do que várias palavras.

— Vamos dormir. Amanhã… Hoje — corrigiu-se Emma, levantando-se e puxando Regina pela mão — será um dia muito corrido.

— Estou feliz que este ano terminará hoje e que a casa estará cheia.

— Sim, fiquei contente que a Marian aceitou vir. Henry, na verdade, foi quem mais gostou da ideia.

— Nem me diga! Achei que nos mataríamos na ceia de Natal, mas felizmente conseguimos nos entender. Apesar do nosso histórico, acho que acabaremos cuidando dela também...

— Sabe, acho que isso prova que as coisas realmente ficarão bem. — comentou Regina quando chegaram ao quarto.

— Como assim? — quis saber a loira encostando a porta e se jogando na cama.

— Criamos uma vida a partir do caos. Não sei exatamente como, mas conseguimos.

— É, somos incrível, não é mesmo? — murmurou Emma quase adormecida, fazendo Regina revirar os olhos, enquanto sorria.

— Durma bem, Swan.

Notas finais
OI PESSOAS LINDAS *-----* Último dia do ano e cá estamos com um capítulo novinho, que coincidentemente (sqn) encerra também um ciclo de MCC. A partir de agora temos uma nova parte desta fic maravilhosa que tod@s amamos ♥ Nós demoramos? Sim, nos desculpem. Não podemos prometer que as postagens virão mais de pressa porque nesse ano eu me formo, então tem toda a correria de TCC e etc, e tbm tem a faculdade da Cath. É gente, as mesmas desculpas de sempre, mas é a vida... Sorry. Bom, feliz ano novo para tod@s vcs!! Que nesse ano SQ seja cannon (porque a esperança é a última que morre) e que todos os seus sonhos se realizem e que seja um ano maravilhoso para tod@s nós! Beijo grande, HeyBones. Hello, amados! Vocês não têm ideia da saudade que sentimos! Como a HeyBones disse ali em cima, o trabalho e a faculdade têm exaurido a gente e vai piorar em 2017. Infelizmente não conseguimos terminar a fic este ano, como queríamos, mas esta é a nossa resolução de ano novo haha Ainda temos 4 tópicos para abordar em MCC, então pedimos que sejam (um pouco mais) pacientes com a gente. A notícia boa é que tá chegando a parte do casório muahahaha Esperamos que tenham gostado do rumo que MCC tomou e queremos agradecê-los por isso. Cada comentário, cada opinião e palpite, nos faz escrever melhor e ousar nas ideias. Espero que não tenha ficado maçante, mas se ficou é só nos dizer que tentaremos melhorar nos próximos! Como cansamos de dizer, MCC é nossa, então comemorem com a gente mais um capítulo (e um com 9.145 palavras!!!), os 600 comentários que esperamos alcançar e o fim de mais um arco na fic. HeyBones e eu amamos colocar as músicas da Adele na nossa playlist MCC/SQ, então caso gostem, "Turning Tables" é a música deste capítulo. Maçã Com Canela é uma parte muito importante na minha vida e me salva muitas vezes, em diversas ocasiões, então um super obrigada pra cada um que fez essa fic se tornar um marco tão grande na nossa vida. Feliz Ano Novo. Vocês merecem toda a felicidade que há nesse mundo (e em StoryBrooke, na Floresta Encantada, em Camelot e em Chicago hahaha) e um amor tão lindo e recíproco quanto ao da Emma e da Regina!! Amamos vocês, seus lindos! ❤️ xoxoxo, Cath