Maçã com Canela
34 Capítulo 34
Notas iniciais
O silêncio dentro do carro perdurou durante todo o trajeto e Marian achou que fosse enlouquecer. O que deveria dizer? E o que deveria não dizer?
Havia alguma coisa envolvendo Robin que a lembrava de quando o conhecera, três anos atrás, em uma festa no clube em que ela costumava trabalhar. Fazia tempo que não pensava nisso, mas era com alívio que o fazia, por não ter mais que ficar naquele lugar. Ser garçonete nunca foi o problema, mas aguentar os frequentadores era um desafio diário que a cansava mais do que o trabalho em si.
Robin havia sido o único que a tratara diferente. No começo ele conversava com ela com um pouco de desinteresse, mas depois passou a ir vê-la toda noite e a intimidade entre eles foi crescendo.
Ele alimentou todos os seus sonhos e a tirou das condições lamentáveis em que estava. De repente suas roupas eram outras e ela também sentia ser outra pessoa. E ela estava contente, apesar de apavorada, com a gravidez que surgiu meses depois.
Quando contou sobre o bebê, Robin não manisfestou uma reação aborrecida, mas também nenhuma feliz. Ele apenas a chamou para morarem juntos e disse que cuidaria de tudo, e foi nessa oportunidade que lhe contou sobre Regina e Henry.
No início foi reconfortante pensar que ele saberia como lidar com a criança que viria, mas agora ela percebia o que havia ocorrido. Um aperto no peito a assolava desde o dia em que Emma deixara sua casa, pois a conversa com ela a fez entender o que de fato ocorrera com sua vida. Robin nunca a quisera. Tudo o que ele sempre ansiou foi uma substituta para Regina.
— Você está bem? — arriscou a perguntar, mais por educação e para quebrar o silêncio do que com sincero interesse.
— Não tenho do que reclamar. E você?
— Estou bem.
Então eles ficaram mudos novamente e dessa vez ela não fez questão de mudar a situação. Robin nunca fora de falar muito e ela se contentou com isso, mas agora era diferente. Os seis meses longe dele havia lhe mostrado algumas verdades para as quais ela havia fechado os olhos. E só agora entendia de fato o que Regina e Emma haviam passado e sobre o que elas queriam evitar que ela vivesse.
Não queria pensar muito sobre aquilo, mas ela estava com medo. Medo de não conseguir o que tinha planejado, medo de não se libertar de vez daquele relacionamento tóxico e medo dele.
Logo seu tormento acabou, e ela estava colocando o filho na cama. Ele estava cansado e feliz, como sempre acontecia quando ficava com Henry. Respirando fundo ela foi até a cozinha onde Robin preparava um lanche.
— Quer que eu faça? — ofereceu solícita, recriminando-se em seguida, pois não queria recriar velho hábitos.
— Já terminei. Obrigada, Marian.
Aquilo a fez sorrir e, mais uma vez, ela se lembrou do Robin de anos atrás. E se ele finalmente tivesse percebido que ela poderia ser tudo o que ele queria? E se ele não a visse mais como apenas uma suplente?
Sentando-se de frente para ele na mesa, observou que Robin parecia mais magro e mais recluso, e havia um ar de poder envolvendo-o, certamente devido a sobriedade.
— Você pretende ir à empresa amanhã? Enquanto esteve fora eu resolvi alguns problemas que surgiram. Nada que pudesse prejudicar o andamento dos seus negócios, é claro. — garantiu quando ele abriu a boca para dizer algo. — Porém eles precisavam de atitudes imediatas e tomei a liberdade de tomá-las em seu nome.
— Obrigada, Marian. Não sabia que você estava à par do meu trabalho.
— Você costumava conversar comigo. E embora as coisas entre nós estejam diferentes neste último ano, eu não esqueci dos planos que você tinha.
Ela ficou esperando uma resposta que revelasse que ele não tinha esquecido dos planos dela também, mas nada foi dito.
— O que lhe contaram? — perguntou com calma, enquanto tomava um pouco de leite.
— Apenas que você ficaria lá seis meses e que não tinha direito à fiança.
— Nada mais?
Ela engoliu em seco enquanto o encarava. Seu raciocínio, contudo, foi novamente rápido e ela se surpreendeu com a facilidade com que as mentiras e omissões lhe vinham.
— Por que você tinha que beber tanto e invadir a casa de Regina?
Ela o viu piscar e soube que esse era o momento para confrontá-lo e sanar todas suas dúvidas.
— Você ainda sente algo por ela, Robin? Por isso invadiu a casa dela e me deixou aqui sozinha por seis meses?
Ele desviou rapidamente o olhar, mas depois voltou a olhá-la. Aquilo, porém, foi o bastante para lhe dar uma resposta.
— Não sinto nada por ela. E você já deveria saber, Marian. Desculpa ficar fora por tanto tempo. A bebida me consumiu, mas estou lidando com isso agora. Estou melhor como você pode ver.
— Sim, você parece bem. Só precisa de um banho.
Ele sorriu e concordou com um aceno de cabeça.
— Foi ideia sua dizer que eu viajei? — perguntou enquanto colocava a louça dentro da pia.
— Não, foi delas. E eu tive que concordar pelo bem dos meninos.
— Você tem conversado com elas desde quando?
— Essa é a segunda vez que conversamos. — mentiu Marian automaticamente, pois ela sempre levava Roland para brincar com o irmão e consequentemente conversava com Regina e Emma. Elas não eram próximas, nem nada, mas tinham estabelecido um relacionamento civilizado, pensando no bem das crianças. — A primeira foi quando fiquei sabendo que você tinha sido preso.
— E por que você não foi me visitar?
Marian havia se levantado também, e agora estava de frente para ele, parada no corredor que ficava entre a cozinha e a sala.
— Porque eu estava muito brava com você.
— Ainda está?
Com certeza ela estava. Aliás, quem não estaria sabendo que seu amor não é retribuído e que a ex é a primeira opção?
— Agora não. — disse com franqueza, pois de fato naquele momento não estava. No dia seguinte certamente estaria, após processar e reviver aquelas memórias, mas por hora só estava cansada do dia que passou.
— Ótimo. Vou tomar um banho e depois poderemos ir pra cama. — disse com malícia chegando perto dela e acariciando seu rosto.
— Hoje não, Robin. Preciso fazer uma mamadeira pro Roland, arrumar as coisas na cozinha e, além disso, é aquela semana do mês. — disse com um sorriso que expressava desculpa, mas que na verdade mascarava seu sentimento de vitória.
Ela não deixaria passar o fato de que ele não a queria de verdade. Aquilo a machucava muito desde que percebera. E esse seria o método que usaria para puni-lo. É claro que uma hora não funcionaria mais e teria que deixar seus escrúpulos de lado, embora não pudesse fingir que seria tão ruim passar a noite com Robin, mas deixaria para se preocupar quando o momento chegasse. Por hora seria assim.
— Eu compreendo. — assegurou, beijando-a. — Não demore muito.
— Não vou. — garantiu, antes dele se encaminhar para a suíte, onde faria a barba, tomaria um banho e depois descansaria.
Marian acordou o filho e o fez tomar o leite que havia levado. Meio acordado e meio adormecido, ele bebeu tudo, o que deixou Marian satisfeita, pois assim ele não acordaria com tanta fome. Voltando a cozinha, ela lavou todas as louças e deixou tudo preparado para o dia seguinte. Antes de aconchegar-se na cama macia, ela se rendeu a um banho rápido e quentinho, na tentativa de relaxar e esquecer todos os pesamentos que bombardeavam sua cabeça. Não houve êxito, pois sua mente estava cercada pelo homem deitado ao seu lado, pelas mentiras e incertezas que ainda viriam, e pelas decisões que precisariam começar a serem tomadas logo pela manhã. Uma questão que ela tentava afastar com afinco e não conseguia era se Robin poderia amá-la e ser feliz com ela. Ela precisava saber e acabar com aquela hesitação entre precisar e querer se ver livre dele. Escondendo o rosto no travesseiro, ela rangeu os dentes irritada, e só conseguiu dormir por pura exaustão.
—-------------------------------------------------
Dois dias depois...
Emma entrou no quarto para encontrá-lo vazio. O som de água correndo chegou aos seus ouvidos, e ela seguiu a trilha de roupas no chão, da cama até o banheiro. Sorriu quando viu a silhueta de Regina atrás da porta de vidro do chuveiro.
Quando ouviu a água ser fechada, pegou uma toalha da prateleira e esperou que Regina abrisse a porta do chuveiro. Foi como um soco na barriga quando a porta se abriu e ela a viu ali, parada, seu corpo escorregadio pela água, brilhando sob a luz. Ela olhou para cima e seus olhos grandes e marrons encontraram o olhar dela. Deus, ela era linda. Gotículas deslizavam por seu pescoço, sobre os seios redondos, e em seguida, pela curva de sua barriga. Ela não se fartaria de simplesmente olhar para ela. Automaticamente, moveu-se para frente e segurou a toalha aberta para ela se enrolar.
Emma a sentiu derreter-se em seus braços quando envolveu a toalha em torno dela e esfregando-a, em seguida, para secá-la. A toalha caiu no chão, e suas mãos deslizaram sobre sua pele quente e macia.
— Eu só quero te tocar. — sussurrou ela. — Não consigo ter o suficiente de você.
Ela gemeu e se arqueou em suas mãos como um gato querendo ser acariciado. As pontas dos seios dela roçaram a sua camisa, e de repente ela queria estar tão nua quanto ela. Ela posicionou as mãos por baixo de seus seios e depois virou as palmas para cima para tocar os mamilos, que ficaram ainda mais rígidos. Tinha que saboreá-los, queria os dois em sua boca. Queria chupá-los e deixar seu doce sabor explodir na língua.
— Então me toque.
Impacientemente a conduziu até o balcão onde ficava a pia. Pegando a toalha que estava no chão, ela rapidamente a espalhou sobre a pedra fria e a acomodou em cima dela.
— Perfeito.
Abaixou, então, a cabeça em direção à ponta de seu mamilo esquerdo. Soprou sobre ele suavemente, olhando-o fascinada, quando enrugou novamente. Regina estremeceu em reação e recostou-se para dar-lhe melhor acesso. Ela chupou a ponta aveludada. Adorava o jeito que a sentia em sua boca, e amava o jeito que Regina se esticava e contorcia-se sob seu toque.
— Emma…. O Henry... — conseguiu balbuciar Regina, tentando colocar os pensamentos em ordem. Contudo, a única coisa coerente era a sensação das mãos inquietas da loira que massageava seus seios e, depois, seu sexo.
Regina chamou pela noiva novamente, enquanto suas mãos acariciavam automaticamente os cabelos loiros ao mesmo tempo em que Emma pressionava seu clitóris excitado.
— Seremos rápidas. — constatou antes de chupar o pescoço da morena e penetrar um dedo lentamente no sexo encharcado. Regina começou a tremer. Sua excitação a estimulava, o que a fez lhe dar um beijo selvagem e exigente.
O toque em seus cabelos parou e as mãos de Regina deslizaram para seus ombros. Quando a loira a penetrou com outro dedo, sua pele sentiu o aperto firme da noiva. Ela ofegou, arqueando-se para cima. As mãos dela caíram de seus ombros e agarraram a beirada do balcão com tanta força, que os nós dos dedos ficaram brancos.
Aumentando cada vez mais o ritmo, Emma continuou fazendo movimentos triangulares no clitóris de Regina, estimulando-a, e a fazendo gemer baixinho. Não aguentando mais, ela penetrou a morena com três dedos, fazendo seu corpo sacudir com espasmos de prazer.
Inclinou-se para frente, envolveu-a em seus braços e descansou a testa contra a dela, enquanto ambas lutavam para respirar. Seu suave olhar chocolate encontrou o dela, e ela sorriu, um gesto que a afetou até os dedos dos pés.
— Que horas você combinou com o meu pai?
— Às 18h. Por quê?
— Também quero me divertir, Swan — respondeu com a voz rouca.
— Isso não foi divertido o bastante?
— Com certeza. Mas gosto de provocar reações também. Não é um privilégio só seu.
— Amor, você definitivamente é do tipo que causa muitas reações.Quer que eu prove?
Emma retirou a blusa depressa, mas Regina foi mais rápida. Seu sutiã já estava caído no chão e ela começava a desabotoar a calça.
— Mães? — Um gemido morreu na garganta de Emma ao ouvir a voz do pequeno. — Vocês estão ai? O vovô chegou.
Regina lhe deu um beijo rápido e sussurrou um “depois a gente conversa”, enquanto mordia seu lábio inferior. Emma recolheu as peças de roupa e as vestiu apressadamente, e Regina pulou do balcão enrolando a toalha ao redor do corpo.
Abrindo uma fresta da porta, a loira pôs a cabeça para fora e encontrou um garotinho a encarando com seus olhos chocolates intensos. Iguais aos da mãe, pensou.
— E aí garoto?
— Mãe, o vovô chegou e tá esperando vocês na sala.
Ao ver o aceno neutro de Emma, ele a encarou com atenção.
— Cadê a mamãe?
Emma saiu do banheiro, e fechou a porta atrás de si. Pegando-o pela mão, ela o fez sentar-se ao seu lado na beirada da cama.
— Sua mãe e eu estávamos…. resolvendo quem iria tomar banho primeiro. Ela ganhou. Posso saber por quê você está tão agitado?
O menino mexeu os dedinhos, pedindo para a loira se aproximar. Perto o bastante, ele juntou as mãozinhas ao redor da orelha dela e diminuiu a voz em um cochicho.
— O vovô disse que vamos acampar na casa dele hoje. E talvez a vovó Cora também. Vai ter uma fogueira, vamos assar marshmallows e ficar acordados até tarde! Mas por favor, não conta para a mamãe, mãe. Porque ela não gosta que eu coma doces antes de dormir e que eu durma tarde e que...
Henry estremeceu ao ouvir Regina pigarrear.
— Posso saber o que os dois estão cochichando?
Emma e Henry se entreolharam, tentando disfarçar a surpresa. A morena estava com os cabelos molhados e um roupão preto que lhe dava um ar severo.
— E então?
— Não é nada, amor. Coisa nossa. — disse com um sorriso gigante, enquanto se levantava com o garoto no colo. Seu ar culpado trouxe um sorriso cínico aos lábios da morena.
— Coisa de vocês? — perguntou colocando a mão na cintura e apertando os olhos. Os dois acenaram a cabeça freneticamente. — Certo. Enfim, seu avô já chegou, querido?
Henry parou de brincar com o cabelo solto de Emma e encarou a mãe.
— Já sim, mamãe. Ele tá na sala esperando vocês. E perguntou se podia beber um negócio lá que eu não lembro o nome, mas tinha cor marrom. — elas sorriram para o garoto diante seu tom despreocupado.
— Vamos logo, antes que seu avô termine com toda a bebida marrom. — chamou Emma, cutucando a barriga do menino e fazendo-o rir.
— Vão na frente. Vou trocar de roupa.
—-------------------------------------------------
— A ideia seria almoçarmos todos juntos no domingo, lá no Clube. O que o senhor acha? — perguntou Regina para o pai quando estavam se despedindo. Henry tinha ido buscar sua mochila no quarto e eles aguardavam na sala.
— Isso não está me parecendo um simples almoço. — contatou apertando os olhos e colocando a mão no queixo, coçando a barba. Seus olhos escuros passavam de Regina a Emma, ambas sentadas lado a lado à sua frente.
— Você não engravidou minha princesa antes do casamento, não é Swan?!
— Pai! — esbravejou mortificada.
— Como? — gaguejou Emma, arregalando os olhos e corando na mesma hora.
A expressão desconcertada de uma e a de reprovação da outra fez o sr. Mills rir pra valer.
— Estou brincando, queridas. — conseguiu dizer após o acesso de riso. — Mas você sabe, Swan, sem gracinhas com minha filha antes do casamento.
— Ah, meu Deus! — Regina escondeu o rosto entre as mãos, enquanto Emma batia uma continência dizendo “sim, senhor”, o que fez o senhor Henry gargalhar ainda mais. — Obviamente já passamos dessa fase, não?!
— Eu sei, mas nunca é demais lembrar. — disse entre um gole de uísque e uma risada.
— Fique tranquilo. Não pretendo engravidar Regina antes do casamento. Tem minha palavra. — disse Emma, entrando na brincadeira.
— Vovô! Preciso da sua ajuda! — gritou o menino do alto da escada.
— Essa é a minha deixa. Volto já.
Regina apenas levantou as mãos em aborrecimento e bufou.
— Por que você deu corda?! — disse virando-se para a loira e lhe dando um tapa no braço.
— O quê? Aí! Seu tapa dói, sabia?
— Era essa mesmo a intenção.
Regina cruzou os braços e as pernas, enquanto sua feição era de poucos amigos.
— Ei, amor! — chamou cutucando a morena, que não lhe deu atenção. — Você vai me ignorar, é?!
Regina continuou resistente aos apelos e os carinhos de Emma.
— Sabia que você fica linda com esse biquinho? — perguntou baixinho, inclinando-se para beijar os lábios da morena, que os contrai formando uma linha fina. — Poxa Rê, sério?! Vai bancar a malvada comigo?
Regina continuou olhando o chão, perguntando-se onde iriam chegar com aquilo. Não havia nada por trás de sua encenação, além do simples fato de querer ver o lado bobo delas. Depois da tensão dos últimos dias, era ótimo poder ver que este lado do relacionamento permanecia o mesmo e ainda à disposição quando precisavam.
Sem nada responder, ela segurou o riso e lançou um olhar avaliador para Emma.
— Ok, então. Mas saiba que quem vai se fazer de difícil agora sou eu.
A declaração foi firme, e fez Regina descruzar os braços e relaxar os lábios. Emma, que ia se levantando, viu o gesto pelo canto do olho e, antes que a morena pudesse perceber, ela a empurrou rapidamente sobre o sofá, ficando sobre ela.
— Ou não. — sussurrou maliciosamente antes de beijar Regina, que retribuiu avidamente.
Não era uma tentativa de roçar seus lábios, mas um beijo quente, de boca aberta, que enviou uma onda de energia elétrica através de seu corpo. Elas já haviam trocado beijos intensos e ardentes antes, mas este parecia diferente; era mais urgente, feroz, selvagem e possessivo.
Por um momento esqueceram-se de onde estavam e de todo o resto. As mãos começaram a trabalhar por vontade própria, apalpando aqui e apertando ali.
Regina puxou os cabelos loiros com força, afastando os lábios de Emma, avermelhados pela força do beijo, dos seus. Lentamente os olhos verdes se abriram, exibindo as pupilas dilatadas. A outra mão de Regina deslizou pelas costas da loira, onde a arranhava por de baixo da camiseta.
Emma estremeceu quando a língua de Regina traçou a concha de seu ouvido e permaneceu no lóbulo tempo suficiente para mordiscá-lo com os dentes.
— Você está brincando com fogo.
— Nunca te falei que fogo é meu elemento favorito?! — brincou Regina dando uma gargalhada baixa e maliciosa, enquanto sua mão invadia o short da loira apertando as nádegas redondas.
O barulho de passinhos apressados descendo as escadas fez com que Regina, em um movimento involuntário, derrubasse Emma no chão ao sentar-se de supetão.
O garoto entrou na sala correndo, porém parou de súbito para observar as mães; Regina com um olhar vacilante e Emma no chão atordoada.
— Vocês estão estranhas hoje.
— Não estamos não. — respondeu Emma, voltando a sentar no sofá.
— Estão sim. — O garoto cruzou os braços e levantou a cabeça, empinando o nariz.
— Não estamos, sr. “Mini Regina Mills”. — Emma elevou uma sobrancelha e sorriu de lado.
— Sr. “Mini Regina Mills”? Por que diz isso? — Questionou a morena. Emma olhou para o garoto e para a mulher ao seu lado, e de novo para o garoto. Abriu a boa incrédula e apontou para o menino, como se fosse óbvio.
— Olha a pose dele! Igualzinha a sua quando está convencida. E os olhos dele? Tem a mesma intensidade dos seus. — Regina apenas enrugou a testa. E Henry fez a mesma coisa. — Ah, sério que vocês não percebem isto? Olha agora, vocês estão iguaizinhos!
Os dois se olharam e Regina deu uma piscadinha para Henry, que colocou a mão em frente a boca, disfarçando o riso.
— Eu acho que você está errada, querida.
— O quê?! Ah meu Deus! Vocês estão me zoando, só pode! — disse enquanto se jogava contra o encosto do sofá, desistindo.
— Regina, Henry, parem de provocar a Emma. Vocês dois são muito parecidos e sabem disso. — Repreendeu o sr. Henry, que acompanhava toda a cena, fazendo Regina e o menino rolarem os olhos. Emma sorriu vitoriosa.
— Já se despediu de suas mães querido? — O menino negou com a cabeça e se jogou no colo da morena.
— Tchau mamãe. — Ele disse, agarrado ao pescoço da morena, enquanto lhe dava um beijo estalado na bochecha direita. — Eu te amo.
— Também te amo, meu amor. — Regina retribuiu o beijo, antes de encarar o menino. — Você já sabe: obedeça seus avós, não coma muito, nada de doces, não durma tarde e sem birra. E ajude-os no que eles pedirem. Combinado?
O menino hesitou em responder sua pergunta.
— Pode deixar filha, ele vai se comportar direitinho. Como sempre faz. — garantiu o avô.
Acenando freneticamente a cabeça, o garoto concedeu sua atenção para Emma, sorrindo perante o olhar cúmplice dela. Ele também pulou no colo da loira e repetiu o processo que fez com Regina.
— Eu também te amo, garoto.
Os adultos se despediram com beijos e abraços, e logo a casa estava em silêncio. Enquanto Regina fechava a porta, Emma olhava para a janela. Apenas mais uma, no máximo duas horas, e já estaria escuro.
Henry era, definitivamente, a alegria da casa, pensou. Sem ele tudo ficava quieto demais. Porém, dessa vez elas não iriam pensar muito a respeito, pois sabiam que ele estava seguro com os avós e totalmente animado por estar fora do alcance minucioso delas.
Emma sentiu os braços de Regina a envolverem.
— E agora Miss Swan, o que faremos para comemorar nosso aniversário de namoro? — sussurrou perto do ouvido da loira.
— Tenho algumas opções.- declarou antes de virar-se para olhá-la. — Podemos sair para jantar, depois ir ao cinema ou andar pelo parque. Ou ir para um hotel e beber champanhe na hidromassagem, se você preferir.
— Por quê acho que tem um mas vindo?
— Mas acho — disse Emma com escárnio, ao mesmo tempo que revelava sua animação — que poderíamos ficar em casa e fazer um jantar romântico e íntimo.
— Já aviso que não vou cozinhar!
— Shiu! Não estrague meus planos. E eu nunca disse que seria você que iria cozinhar. Onde eu estava? Ah, sim. Depois poderíamos jogar um jogo novo que eu encontrei na internet, comer fondue e tomar banho de banheira bebendo champanhe.
Emma soltou um sorriso ao final da proposta, que poderia iluminar o hall de entrada inteiro. Aquilo fez Regina rir, enquanto a olhava com os olhos semicerrados e desconfiados.
— Parece que você já está com tudo pronto.
— Bem, a segunda opção foi a que planejei a semana inteira, e a primeira é o clichê. Mas… Você pode escolher o que quiser amor, sério mesmo. — afirmou sincera, enquanto se aproximava para roubar um beijo.
— Certo. Tenho duas perguntas: Que tipo de jogo é esse? E, qual é a dessa sua fixação por champagne e banheira? — questionou tentando esconder o riso.
— Você está debochando de mim Regina Mills?
— Nunca!
— Sei, sei. Engraçadinha. Agora, respondendo as suas perguntas, o jogo seria Damas, porém, erótico, é claro. Vamos deixar o convencional para quando estivermos velhas. E, sobre a champanhe e a banheira, eu só acho a ideia romântica, sexy e legal.
— Hum… Estou interessa nessa sua pesquisa na internet, Swan. — declarou Regina, enquanto puxava Emma para a cozinha pela mão. — Contudo estou muito mais curiosa sobre o que você pretende preparar para o jantar. Sabemos que você não é uma grande chef.
Emma lhe deu um sorriso amarelo.
— Macarrão com queijo seria considerado um jantar romântico?
Regina a olhou com a cara fechada, enquanto pegava os aventais pendurados perto da geladeira. Jogando um para Emma, ela vestiu o outro com habilidade.
— Certo. Pegue os temperos no armário. Vamos fazer o jantar. — disse com uma voz mal-humorada.
— Até poderíamos pedir comida, mas vamos guardar a praticidade e a comida chinesa pra daqui 4 anos. Pode ser?
Regina bufou.
— Vai ser como você quer, íntimo e romântico. Mas saiba que você vai arrumar a louça e que está me devendo. Muito.
Movendo-se decidida pela cozinha, ela retirou panelas e refratários, enquanto dava ordens para que Emma a ajudasse. A loira obedeceu de bom grado. Embora estivesse faminta, sua mente só conseguia pensar no que viria depois do jantar.
—-------------------------------------------------
A televisão estava ligada baixinho enquanto elas se lambuzavam com o chocolate do fondue. Embora não quisesse gastar esforços cozinhando naquela noite, Regina teve que reconhecer que fora um momento gostoso. Elas optaram por panquecas de ricota e espinafre com molho branco. Era simples, apetitoso e rápido.
Emma fingiu ter problemas pra bater a massa, o que fez com que Regina ficasse muito perto dela, para instruí-la. Ao perceber as intenções da loira, ela a castigou com um beijo demorado; o que elas sabiam que não era punição nenhuma.
Na hora de virar as massas, elas se revezaram, entre risos e provas da massa. Emma não saberia dizer qual foi a última vez que se divertiu tanto, pois sempre que estava com eles uma alegria completa a invadia.
Regina sorriu antes de aceitar a uva cheia de chocolate que Emma lhe oferecia. Aquilo poderia ficar mais delicioso?
— Sabe o que eu adoraria provar agora?
Emma procurou o olhar dela com o seu.
— Você com chocolate. Acho que seria uma ótima combinação.
—Só se você ganhar o jogo. Caso contrário, será eu provando você com chocolate. — afirmou a loira cheia de malícia.
— Feito.
Após correr até o andar de cima, onde havia deixado o tabuleiro, Emma logo sentou-se no chão da sala de frente para Regina. Ambas estavam confortáveis e prontas para ganharem o jogo. Mais pela questão de como poderiam usar o chocolate, após a perda das peças de roupas, do que pela questão da vitória em si.
A medida que o jogo avançava, Emma movendo as pedras pretas e Regina as brancas, ambas tomavam consciência de suas respectivas posturas confiantes e presença de espírito.
Enquanto analisava a jogada da loira, Regina compreendeu que parecia sexy porque se sentia assim. E aquele momento, aquela celebração, era especial e exclusiva. A maioria das coisas entre elas era assim, mesmo quando o mundo parecia desmoronar. E sempre havia aquela vontade de agradar e surpreender entre elas, que fazia cada momento elevar-se ao máximo.
A cada dama feita, uma peça de roupa ia ao chão. Essa era a regra, simples e direta. Os olhares de luxúria pareciam aquecer o ar a medida que a blusa caramelo de Regina e a calça marrom de Emma deslizavam para fora.
A terceira dama feita por Emma foi uma das mais esperadas da noite. Quando o sutiã de Regina foi colocado de lado, sua concentração no jogo esvaiu-se de vez. Ela estava tão absorta nos seios de aureolas marrom, que não notou quando a peça branca de Regina chegou vagarosamente a outra extremidade do tabuleiro, fazendo também sua terceira dama.
— Sua vez, Swan. — disse com um tom malicioso, o que sobressaltou Emma e a fez levantar o olhar.
— Oh, claro. Hum… — quando Emma ia mexer na peça, Regina barrou sua mão. — O que foi?
— O sutiã. — disse, apontando para a dama feita na extremidade do tabuleiro. — E pare de encarar meus seios, sua tarada. -reclamou, tapando-os com as mãos.
— Ei! Pode ir tirando as mãos daí. Esse é meu prêmio por ter feito a terceira dama. Assim como esse é o seu.
Quando o bojo de renda azul petróleo saiu, deixando expostos os seios da loira, instantaneamente os olhos de Regina foram atraídos para eles.
— Pare de encarar meus seios, sua tarada. — imitou, não muito convincente, a voz da morena.
Regina foi obrigada a rir da loira.
— Querida, eu já lhe disse que você é uma ótima tenente, mas como imitadora deixa a desejar?
— Foco no jogo, ok? Estou quase ganhando “Regina Mills com chocolate”. — gabou-se passando involuntariamente a língua nos lábios. Porém o movimento não passou despercebido por Regina, que sentiu uma ávida vontade de beijar os lábios carnudos da loira.
Se aquele jogo tinha o intuito de estimulá-las e aumentar a libido, definitivamente estava funcionando. Decidindo não esperar mais, Regina se pôs de quatro.
— Me beija — ordenou baixinho, aproximando-se da loira que, sem pensar duas vezes, empurrou o tabuleiro para o lado e puxou a morena para si, beijando-a.
Um gemido escapou quando seus seios se tocaram, mas Regina não soube dizer se veio dela ou da loira. Ela enroscou seus dedos nos fios dourados e Emma a puxou para mais perto. Elas estavam próximas, mas continuavam aproximando-se ainda mais, como se quisessem fundir seus corpos. Regina movimentou a pelve para frente e para trás, enquanto as mãos delicadas lhe apertava as nádegas, instigando e provocando-a.
Elas gemiam e ofegavam sem desgrudar as bocas, enquanto Regina corria suas mãos pela barriga de Emma, subindo pelos seios. Cada toque era eletrizante e parecia incendiá-las.
Sorrateiramente Emma alcançou a panelinha de fondue, pegando um pouco do chocolate com o indicador e passando-o no mamilo esquerdo da morena. Ao sentir a calda consistente, ela interrompeu o beijo e olhou para seu seio. Ao ver do que se tratava, sorriu maliciosamente.
Aquela altura, não tinha importância quem havia vencido ou não o jogo. Naquele momento outro jogo iniciava-se. Um jogo onde ambas saiam ganhando.
Emma deitou a morena suavemente no tapete. O contato visual era intenso, assim como o sorriso que ambas sustentavam. Regina segurou os cabelos loiros em um rabo de cavalo, para não sujá-los, enquanto era beijada no pescoço e no colo. A loira voltou-se novamente para o seio esquerdo, passando a ponta da língua sobre o chocolate, experimentando-o. O gosto era indescritível. Rapidamente, ela tomou todo o mamilo em sua boca, chupando-o, rodeando-o com a língua e apreciando-o. Regina enrolou os cabelos ainda mais em sua mão e os puxou, gemendo.
Emma continuou a degustação até não restar mais nada, o que a fez levar a mão novamente a panelinha. Dessa vez ela usou dois dedos, passando um sobre o mamilo direito e outro fazendo uma linha que ia dos seios ao umbigo. Regina gemeu e a puxou para que pudesse beijá-la.
— Hum… Delicioso. — afirmou mordiscando o lábio inferior, enquanto soltava os fios loiros.
— Você não tem noção do quanto.
Emma seguiu a linha de chocolate com a língua, do umbigo aos seios, enquanto olhava profundamente nos olhos da morena, fazendo-a arfar.
— Você vai me enlouquecer, Swan. — suspirou Regina, agarrando as nádegas da loira, as unhas cravadas na carne.
— Essa é a intenção. — respondeu antes de lhe dar um beijo rápido. Quando ia se afastar para pegar mais chocolate, Regina prendeu-a com os braços ao redor do seu pescoço e as pernas ao redor do quadril.
Elas foram se provocando, a medida que o ritmo das línguas se esfregando e os lábios se chupando aumentava. Emma não perdeu tempo e começou a retirar a calcinha de Regina, a única peça que ambas ainda vestiam. Regina abaixou as pernas esguias, facilitando a retirada da lingerie.
— Uau, amor. O que foi isso? — questionou a loira quando se afastou, piscando e ofegando.
— Apenas uma amostra do meu desejo por você.
Emma levou a mão até a panelinha, pegando chocolate com dois dedos novamente. Os gestos dela eram precisos, calculados e suaves ao mesmo tempo, o que deixava tudo ainda mais excitante. Sem quebrar o contato visual, ela levou os dedos abertos até o sexo da morena, passando um em cada grande lábio. As pupilas dos olhos castanhos se dilatam e os lábios de Regina entreabriram ainda mais.
Emma passou a língua pelo corpo todo, aleatoriamente, até chegar a fenda de seu sexo, onde o lambia de baixo para cima. Regina se arrepiou e estremeceu, ao mesmo tempo que procurava uma das mãos da loira para entrelaçar seus dedos nos dela.
A loira passou a chupar todo o chocolate que continha ali, fazendo Regina rolar os olhos de prazer. Em seguida, ela chupou seu clitóris, introduzindo a língua bem dura. Regina se movimentava para frente e pra trás, fazendo com que ela metesse com mais força ainda a língua e a penetrasse com dois dedos. A morena gemeu alto, arqueando as costas e empurrando a cabeça de Emma, ainda mais, de encontro a seu sexo.
— Mais rápido. — pediu quase sem forças.
Emma aumentou a velocidade das estocadas a medida em que Regina aumentava o rebolar contra seus dedos, o que gerou uma sincronia perfeita.
— Goza, amor. — sussurrou Emma sem desencostar os lábios do sexo da morena. E bastou mais algumas estocadas para um orgasmo arrebatador invadir Regina.
Ela sorriu ao sentir a morena contrair-se ao redor dos seus dedos, liberando seu líquido em seguida. O corpo da morena dava leve espasmos e ela soltava o ar com pressa.
Emma retirou seus dedos do interior de Regina, fazendo-a arfar, e foi em direção ao rosto da morena. Ela sorriu ao ver as feições de Regina; os olhos fechados, as bochechas levemente vermelhas e os lábios abertos e ofegantes. Devagar, ela saiu de cima dela e a puxou para seus braços, acariciando seus cabelos enquanto Regina voltava a sua respiração ao normal.
— Sabe o que falta para essa comemoração ficar perfeita? — questionou depois de alguns minutos.
— O quê?
— Você, com champanhe, na banheira. — sugeriu, sorrindo para a loira.
— Só se for agora! — concordou Emma, enquanto se levantava e ajudava Regina a fazer o mesmo. — Vai subindo e preparando a banheira enquanto eu pego a champanhe e as taças.
— Ok, mas não demora. — sussurrou, passando suas mãos dos seios às coxas da loira, antes de virar-se e subir para o quarto.
Fale com o autor