Notas iniciais
Para a Diva Downey Evil, que nos contemplou com uma recomendação maravilhosa. Infinitos surtos e 'obrigada' não são suficientes para expressar nossa alegria e agradecimento. Também dedicamos este capítulo para todos que continuam lendo (um beijo para o pessoal novo, um beijo e um queijo pros queridos que comentam e um abraço de urso para as meninas que estão sempre aqui) ♥ Enjoy!

Emma soltou a caneta bruscamente em cima da pilha de papéis que precisava preencher e espreguiçou-se na cadeira. Olhando para o computador, procurou saber a hora, mas seu cérebro não registrou nada, pois sua atenção focava-se em sua foto com Regina e Henry. Instantaneamente um sorriso apareceu.

Ela lembrava nitidamente daquele momento. Era um sábado de setembro e ela foi à casa de Regina para passar o dia. Os dois haviam entrado como parte da rotina dela tão naturalmente, que ela não percebeu o quanto estava ligada a eles até estar completamente.

Naquela época, ela já sentia uma atração por Regina e ficar ali com ela e Henry mexia ainda mais com seus sentimentos, mas ela não conseguia se distanciar.

— Obrigada por ter trazido essas massinhas, Emma. — agradeceu Regina enquanto limpava a mesa. — E pela toalha! Vou deixá-la só pra ele brincar.

— Eu sabia que ele ia gostar. E sabia que você me mataria se não trouxesse essa toalha plástica.

— Mais ou menos isso. — riu Regina indo para cozinha. — Henry, nós vamos comer os cupcakes. Você não quer?

Emma, que estava logo atrás da morena, riu quando o menino chegou correndo.

— Você está ficando rápido, garoto.

— Sou o mais rápido de todos! — respondeu Henry sentando na mesa. O menino logo completaria cinco anos e estava sempre muito elétrico, principalmente quando Emma aparecia, querendo brincar de tudo e mostrar todos seus brinquedos.

— Não seja rápido para comer, pois sua barriguinha não gosta! — afirmou Regina trazendo os bolinhos de chocolate para a mesa.

— Eu sei, mamãe.

Olhando para os dois, Emma memorizou aquela cena, que guardaria para sempre. Ela não tinha mais alternativas. Aqueles dois estavam de fato enraizados em sua vida. “E em meus pensamentos e coração.” reconheceu ela vencida.

— Não temos fotos juntos, sabiam?! Vamos tirar uma antes que você fique lambuzado de chocolate. — pediu Emma pegando o celular no bolso e indo ficar perto de Henry, que já sorria.

— Deixa que eu tiro. — ofereceu-se Regina.

— Claro que não. Você vai estar na foto também!

Regina ficou do lado direito de Henry, encostando seu rosto no dele, assim como Emma do outro lado.

— Digam ‘bolinhos’!

— Bolinhos! — exclamaram Regina e Henry em uníssono e entre risadas.

— Somos muito fotogênicos... — brincou a morena quando Emma lhe mostrou o resultado. Havia alguma coisa naqueles olhos que fazia com que algo em Emma, uma curiosidade talvez, tomasse conta dela e quisesse descobrir cada coisa sobre ela .

O telefone tocou sobressaltando a loira e dispersando suas lembranças.

— Swan.

— Eu sabia que você ainda estaria aí. — suspirou a voz do outro lado.

— Desculpe, amor, mas a papelada parece uma hidra. ‘Corte uma cabeça e outras duas aparecerão’. — Emma ouviu Regina rir do outro lado, mas continuou explicando-se. — E como estamos com vários casos, não posso designar ninguém para preenche-la.

Ela olhou no relógio no computador mais uma vez e os lados de sua boca repuxaram. Oito horas. Estava atrasada para o jantar.

— Vocês estão bem?

— Sim, chegamos a pouco. Henry passou a tarde com meu pai. Juro, Emma, iremos enlouquecer nessas férias. Henry colocou uma cobra de mentira no vestiário das meninas hoje, durante uma aula de equitação. E ele não parece nem um pouco ressentido.

— Ele só está se divertido, Regina.

— Tem outras maneiras pra se divertir… Mas eu liguei para falar de outro assunto. A Equus marcou uma data.

— Quando?

— Podemos sair amanhã cedo? Vai ser na Sexta de manhã. Pensei em ficarmos até na Segunda , o que você acha?

— Acho uma ótima ideia.

— Mas você pode?

— Eu sou a Tenente, posso tudo. Ou quase tudo — divertiu-se Emma.

— Sei, sei.

— Vou pedir uma semana de folga, assim podemos aproveitar.

— Essa viagem vai compensar as horas extras que temos feito.

— Com certeza vai — concordou a loira colocando um tom macioso na fala. Elas ficaram em silêncio.

— Ainda está aí?

— Sim. Eu estava pensando naquela foto que tiramos, sabe? Tenho que atualizar meu computador. Por isso vamos tirar muitas fotos em Gaithersburg.

— Oh, eu lembro daquela foto! Estávamos fazendo cupcakes e bonecos de massinha.

— Isso.

— Foi um dia gostoso.

Emma sorriu, lembrando-se mais uma vez daquele dia.

— Eu já gostava de você naquela época. Você sabia? — perguntou Regina sussurrando como se estivesse ali, perto dela.

Emma congelou e, depois de um tempo, que pareceu longo demais para Regina, ela começou a rir nervosamente.

— Desde essa época gostávamos uma da outra sem saber se era recíproco!? Podemos receber um prêmio de lerdeza.

— Fizemos as coisas no tempo certo, Em.

— Talvez.

— Hmm… Você vai demorar?

— Não. Vou resolver isso e logo estarei aí. Alexa vai ter uma síncope quando souber que terminará esses relatórios. Ela odeia essa parte burocrática.

— Seja boazinha com ela, Emma!

— Nunca! — respondeu rindo, mesmo sabendo que no fim seria.

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A cidade de Gaithersburg, no estado de Maryland, era tipicamente interiorana. Embora houvesse vários prédios, a cidade era rodeada por casas e grande parte das edificações eram feitas de tijolinhos ou pedra. O ar ali era, literalmente, outro.

Dos três, Henry foi o que ficou mais animado com a falta de agitação, tão presente em Chicago. Ele também ficara admirado com o avião, já que era sua primeira vez dentro de um, e o que havia sido um voo tranquilo para os demais passageiros, para eles fora algo fora do comum principalmente por causa do garoto.

— Dá um frio na barriga! — disse ele animado, ainda narrando sobre o que sentiu com o voo

— Eu sei! Quando eu andei de avião a primeira vez eu senti isso também. E muito enjoo, mas logo eu acostumei — confessou Emma, que brigava com sua mochila nas costas. Eles haviam acabado de chegar ao hotel que Regina reservara. Ele ficava somente há 5 minutos de carro do prédio da Equus, o que seria perfeito.

— Você alugou um carro? — cochichou Emma enquanto Henry corria pelo saguão e sentava-se em uma das poltronas que havia ali.

— Claro! Alugar táxis ou ir à pé seria mais um problema do que solução.

— Você não acha que esse lugar é chique demais?

— Um pouquinho, mas era o único perto, com vagas disponíveis e relativamente barato.

Emma torceu a boca e depois sorriu. Aquelas eram as férias que eles mereciam depois de tantos acontecimentos, e o que importava era se estavam juntos. E se havia um pingo de conforto, é claro. Mas certamente o Holiday Inn tinha isso em abundância. Elas podiam arcar com todo aquele conforto, sim. E aproveitá-lo ao máximo também.

— Vem Henry! — chamou ela animada pegando na mão do menino e entrando com ele no elevador. — Vamos explorar um pouco esse lugar.

Regina, que pegava a chave do quarto e confirmava alguns últimos detalhes, tentava mostrar-se séria diante ao pessoal da recepção, mas aqueles dois a faziam sorrir como uma boba.

— Cuidado para não se perderem! Não mexam em nada e não aprontem nenhuma travessura!

— Sim, mãe! — concordaram em coro e rindo à beça.

Em cada parede, em cada centímetro do Holiday Inn, era possível perceber um toque acolhedor e elegante. Quando Emma chegou ao quarto com Henry, ela não pode segurar um assobio de surpresa diante tanto…. Bom gosto? Beleza? Ela não sabia bem como descrever aquele lugar.

No quarto, havia duas camas de casal, colocadas diante à uma enorme escrivaninha, que contava com uma televisão bem ao meio. Do lado direito, onde ficava a porta, havia espelhos em uma parede e dois sofás duplos dando boas-vindas. Do lado oposto, ficava uma janela que tomava conta da parede toda, tendo pesadas cortinas disfarçando a grande luminosidade que entrava. A decoração era feita com os móveis de mogno e tons de creme e bege, deixando o lugar bem claro e muito convidativo.

Henry estava completamente eufórico de estar ali, ainda mais depois de descobrir que dormiria sozinho numa cama de casal.

— Talvez eu durma com você. — disse Regina mais cedo, testando o menino.

— Nem pensar, mamãe. Essa cama é só minha. Você tem que dormir junto com a minha mãe.

— Não tenho não!

— Tem sim! — rebateu Emma indo até ela, que estava sentada em um dos sofás. O brilho que a loira tinha nos olhos alertou Regina que começou a se levantar e a protestar.

— Nem mais um passo, Swan.

— Você não acha que devemos castigá-la por querer trocar de cama, Henry?

O menino, que pulava na cama desceu rapidamente e se juntou a Emma, que já segurava Regina deitada no sofá.

— Vocês sabem que eu não gosto de cócegas — repreendeu ela entre risinhos e tentativas de se livrar das mãozinhas de Henry e dos dedos compridos de Emma que brincavam ora na sua barriga ora no seu pescoço.

— Por isso mesmo que a gente faz — confessou a loira sorrindo largamente.

Eles passaram a tarde assistindo tv e conversando sobre o que fariam no dia seguinte, depois da entrevista de Regina, e naquela noite. Quando estavam de banho tomado, arrumados e completamente famintos, eles abandonaram o plano de sair e resolveram jantar no hotel.

No salão disposto para as refeições, o aroma da comida concentrava toda a atenção deles. Contudo, daquele cômodo, a única coisa que chamou a atenção de Emma foi o vasinho na mesa de quatro lugares que continha uma das flores que ela mais gostava.

— Gipsófilas. — murmurou ela com um nó na garganta.

— O quê? — perguntou Regina curiosa.

— Flores mosquitinho.

— Elas são lindas.

— Não via esse tipo há muito tempo. Elas… me fazem lembrar alguém. — disse Emma sorrindo e com os olhos iluminados pelo brilho das lágrimas que se formavam, fazendo com que ela piscasse rapidamente na intenção de afastá-las.

— Quem? — A morena não queria ser intrometida, mas aquela confissão lhe causou um desconforto no estômago. Um desconforto que ela recusava a dar nome, mas que no fundo reconhecia como ciúme.

Mas era só um pouquinho. Uma pequena faísca. Quase nada. Bem, era isso que ela repetia pra si toda vez em que tal coisa ocorria.

— Da pessoa que me fez querer entrar na polícia.

— Quem mãe? — perguntou Henry repentinamente prestando atenção na conversa.

— Ela foi uma espécie de mãe pra mim, embora quem cuidasse dela fosse eu.

— Ah, aquela senhora pra quem você trabalhou. — lembrou-se Regina. — Você nunca fala dela.

— É, eu sei. — murmurou baixinho.

Regina observou atentamente Emma, esperando que ela dissesse algo, mas nenhuma explicação veio. Ela não entendia porque a loira não se abria sobre aquilo completamente. Às vezes ela lhe contava partes, mas nunca lhe deixava montar o quebra-cabeça todo.

— Ela é como a vó Cora, mãe? Você ainda fala com ela?

A pergunta inocente de Henry sobre Cora a fez dar um meio sorriso.

— Ela tinha algumas coisas parecidas com Cora, sim. Ela era bem decidida e teimosa. Eu adorava as histórias que ela me contava — confidenciou para Henry com um ar sonhador, mudando logo a fisionomia ao se lembrar da senhora. — Ela se foi há algum tempo. Bem antes de você nascer e eu conhecer vocês.

— O que houve? — instigou o menino.

— Ela.. ela… resistiu a um assalto. — revelou Emma baixinho e com pesar.

Henry abriu a boca para dizer algo, mas Regina lhe deu um olhar silencioso pedindo para que se calasse. Pela primeira vez, ele a ignorou.

— Não fica triste, mãe. Aposto que foi ela que mandou você pra nós.

Emma segurou a mãozinha do menino, que estava sentado na ponta da mesa e do lado esquerdo dela.

— Deve ter sido isso mesmo, garoto. Outro dia lhe conto mais sobre ela.

— Mas o que…

— Chega, Henry. Emma não quer falar sobre isso agora. E temos que pedir a comida antes que fique fria. O que você vai querer?

— Purê de batata!

— Mas você comeu isso ontem.

— Eu gosto, mamãe.

— Certo. E o que mais? — incentivou a morena tentando distrair o garoto de possíveis perguntas para Emma. Observando-a, enquanto mostrava o cardápio para Henry e o ajudava a ler as opções com palavras mais difíceis, ela notou o olhar desfocado dela para aquela delicada florzinha branca no centro da mesa.

Emma pareceu sentir que estava sendo observada, pois logo encarava Regina com a mesma intensidade. “Obrigada” disse ela, mas sem emitir som algum. Regina apenas se limitou a sorrir.

O restante da noite foi gasto com piadas e com um delicioso mousse. Antes de voltarem ao quarto, eles exploraram um pouco mais o hotel, ficando, por fim, na área da piscina. Ali a brisa soprava suave e fresca, mesmo com o tempo quente.

Henry foi chamado para brincar de bola com os filhos de um casal que estavam ali, e elas deitaram nas duas espreguiçadeiras perto da piscina, onde conseguiriam manter os olhos nele sem parecerem vigilantes.

— Desculpa hesitar em dizer o que houve. — começou Emma, após um bom tempo, quebrando o silêncio.

— Tudo bem, Em. Eu sei que você não gosta de falar sobre sua vida antes de Chicago. Mas às vezes eu sinto, e Henry também, que não temos tudo de você. Não te conhecemos de verdade, sabe? Os detalhes, as histórias, os seus feitos. Queremos saber essas coisas...

— Eu sei, eu sei. Mas eu não consigo falar sobre isso, porque me faz lembrar que sou capaz de cometer falhas.

Regina absorveu o que ela disse e virou-se para olhá-la.

— Quando você estiver pronta pra falar, estaremos aqui para ouvir. E não se esqueça que, de agora em diante, eu estou ao seu lado pra evitar que você falhe e você ao meu. Combinado?

— Combinado. — concordou Emma com a voz embargada.

Elas ficaram observando as crianças brincarem e algumas estrelas aparecerem no céu já escuro.

— Regina? Vamos subir. Você precisa dormir para estar majestosa amanhã.

— Eu sempre estou majestosa, Em. — brincou a morena com voz sonolenta.

As duas riram enquanto se colocavam de pé para chamar Henry.

— Não acredito que estarei noiva de alguém famosa…

— Ainda não sou famosa e talvez nem seja.

— Vai ser sim.

— Pode ser… Mas eu vou continuar te amando. — garantiu Regina pegando a mão da loira, que estava entrelaçada na sua, e beijando-a delicadamente.

— Acho muito bom.

Regina sorriu achando graça e bateu seu ombro levemente no dela, numa forma sutil de repreensão.

Notas finais
HeyBones e eu não temos palavras para agradecer o apoio de vocês. Sabemos que é difícil acompanhar uma fic e ainda mais difícil ler e comentar quando as atualizações têm sido ocasionais. No entanto, queremos insistir para que vocês nos contem o que estão achando, o que gostariam de ler e qualquer outro palpite que tiverem. Eu peço mil perdões pelo atraso do capítulo. Novamente a culpa é minha. Entre trabalho e desencontros com a HeyBones, eu ainda fiquei doente. Não justifica, mas quero que saibam que MCC (e nossa preocupação com vocês) ronda minha mente as 24h do dia. Ainda estamos tentando voltar ao nosso ritmo antigo, então, guys, please, tenham um pouquinho mais de paciência... Novamente volto a agradecer, porque saber que vocês estão lendo nos enche de satisfação e alegria ♥ E a gentileza de vocês nos comentários nos instiga ainda mais a querer fazer algo bem feito. Estamos dando nosso melhor! Quaisquer erros, sugestões e críticas fiquem a vontade para apontar. Temos coisas boas -e não tão boas- vindo! Nos aguardem. (E desculpem a nota gigante...) xoxo, Cath (HeyBones também manda beijos!)