Notas iniciais
Antes de tudo, surtos: Amamos os comentários de vocês! Não esperávamos todo aquele carinho. É uma recompensa enorme saber o que vocês têm pensado e sentido *---* Continuem dividindo isso com a gente e palpitando! MCC já não é só minha e da HeyBones, é de todos nós! E ela foi recomendada novamente. Somos a primeira recomendação da VickSmitti! Mortaas! ♥ Amamos cada palavra. Obrigada, Vick! Esse capítulo é pra você! Esperamos esclarecer algumas questões... Let's go! Obs.: POV Cora e Regina

Quando Regina chegou aqui, com os olhos arregalados e o medo palpável, senti um grande frio na barriga. A última vez em que isso ocorreu, aquele idiota do Robin estava metido. E algo me dizia que ele estava agora também.

Eu podia ver o esforço que ela estava fazendo para não chorar na frente do menino ou mesmo perto de mim. Pensar em tudo o que ela disse e em tudo o que ocorreu me fez perceber que Regina havia se tornado alguém com domínio sobre ela mesma e suas decisões. E eu estava orgulhosa dela, porque, apesar de tudo, isso fora o que eu sempre quis. Mesmo que tenha significado vê-la aplicando em mim. É claro que foi porque eu havia ficado contra ela, porém, naquele momento, achei que estivesse ajudando alguém. Ajudando ela.

Regina era de fato minha filha, mas nossa vida era feita mais de erros do que acertos. No fundo, eu sempre quis conhecê-la... só não sabia como. Fiquei tão perdida dentro das minhas próprias lamentações e ambições, que esqueci de orientá-la e vê-la crescer.

Mas agora eu estava tendo uma oportunidade para me reaproximar dela e de Henry e talvez fosse hora de agarrá-la.

— O que houve Regina?

— Robin… invadiu a casa. E… e.. — ela estava visivelmente perturbada.

— Devagar, criança.

— Ele tentou me agarrar a força.

Aquela declaração deu um nó dentro do meu peito e minha raiva com aquele parasita intensificou. Certamente Regina estava usando eufemismos comigo e apenas o fato dela querer poupar palavras sobre aquele incidente me deixou ainda mais irada.

— Ele… conseguiu?

Regina me encarou um momento com os olhos castanhos marejados. Ela parecia indefesa, mas algo a fez erguer um pouco os lábios, ameaçando um sorriso.

Ela não iria dizer o que eu suspeitava. Talvez por minha própria culpa.

— Onde está Emma? — perguntei tentando comprovar minhas teorias.

— Em casa… com ele. Ela... ela ficou. Nós tínhamos um plano. Liguei para a polícia no caminho pra cá. Mas ela ainda não me telefonou.

Sim, Emma deveria ter impedido que ele tocasse nela. Era realmente um alívio.

— Tudo vai ficar bem, Regina. Emma vai ficar bem. Ela sabe o que está fazendo.

— Eu sei… Mas eu não queria deixa-la. Eu...

— Henry dormiu.

Meu marido realmente não tinha senso de pontualidade quando se tratava de assuntos pessoais. Contei até 10 para não ser rude com ele ou mesmo com Regina. A situação era delicada e eu não podia dar vasão aos conturbados sentimentos que me cercavam.

— Estamos esperando a Emma — eu disse simplesmente, após recontar a história para ele. Quando se tratava de Regina, nós tínhamos uma comunicação fácil. Ou pelo menos tentávamos ter.

— Ainda bem que vocês vieram pra cá assim que puderam. Acredito que Henry esteja bem, apesar desta comoção.

— Sim. Foi ideia da Emma…. Ela me mandou vir.

— Ela sabe o que fazer. Deite aqui um pouco, Regina. Logo ela vai chegar. — inesperadamente ela não discutiu comigo e se deitou no sofá grande onde estávamos. Ela não deitou no meu colo, apenas apoiou sua cabeça na almofada perto dele. Mas era um avanço.

O relógio da sala badalou catorze vezes. Uma das poucas coisas que Henry e eu gostávamos era de relógios de pêndulo. Às vezes passávamos horas sentados conversando sobre eles e o tempo. Até que era bom.

O som de um carro estacionando fez com que Regina se levantasse em um pulo. Nós não conversamos, Henry e eu. Apenas ficamos ali sentados, pensando no que havia acontecido e no que ainda podia acontecer.

Ao vê-las entrando, uma parte minha esqueceu-se completamente dos motivos que eu tinha para não gostar de Emma ou do que ela tinha com a minha filha.

Aquela mulher na minha frente havia passado alguns maus momentos, isso era certo. E tudo para proteger Regina e Henry. Eu nunca poderia ser grata o suficiente por ela ter impedido que Regina conhecesse aquele tipo de ataque.

Emma provavelmente não queria fazer com que Regina se sentisse mal pelo que houve ou que relembrasse qualquer coisa. Mas a sombra no olhar dela dizia que ela precisava expurgar aquilo. O que eu poderia fazer? Bem, eu não. Regina.

— Vá fazer um chá.

— Chá? Mas Emma não bebe chá.

— Hoje ela bebe.

Henry deve ter percebido o mesmo que eu, pois conseguiu afastar Regina com ele.

— Emma? — chamei baixinho — Eu sei que você deve estar acostumada com casos como este no seu trabalho, mas quando estamos envolvidos é pior. E se você quiser conversar, eu estou aqui.

Eu a havia colocado sentada ao meu lado e não esperava que ela fosse se encostar no meu ombro e chorar. Eu lhe abracei. Mais por instinto do que por realmente pensar em fazê-lo.

— Regina me contou o que houve. Obrigada por vir ao socorro deles. Como eu disse mais cedo, você é uma mulher de fibra. Poucos se envolvem nesse tipo de questão.

Ela continuou com o rosto escondido no meu ombro sem dizer nada. Os soluços dela estavam quase desaparecendo.

— Quando eu era mais jovem — comecei — eu me vi diante de um problema semelhante ao de vocês hoje. Ele era um amigo do meu pai. E quando eu contei o que ele havia feito, ninguém acreditou em mim. Nem mesmo minha mãe. Por isso sempre fui firme com Regina. Eu só queria que ela não sofresse como eu já sofri. Henry me ajudou com esses problemas. E agora talvez vocês possam se ajudar.

Eu não acreditei que estava revelando uma parte de minha história para ela. Não para ela. Ninguém além de Henry e eu sabíamos sobre isso. E Henry só sabia porque eu me senti obrigada a lhe contar na noite do casamento. E foi uma boa opção, porque ele havia sido gentil. Ele sempre foi gentil comigo.

— Quando eu estava nos abrigos e em alguns lares adotivos, sempre temi que isso acontecesse. Esse foi um dos motivos que me fez virar uma policial. Mas hoje isso não foi o bastante. — disse ela se afastando aos poucos e com a voz embargada. Assim como Regina, ela tinha marcas e vergões pelos braços e pelo rosto.

— Mas é claro que foi, Emma.

— Não, não foi. Ele relou em mim. Ele colocou as mãos em mim e não foi bom. Eu congelei, por um momento eu fiquei paralisada com medo do que poderia acontecer.

— Escute bem, Emma. Não vai adiantar você ficar se torturando pensando no “e se”. Acredite em mim, não vai. Mas eu vou te dar um para pensar. E se você não estivesse lá? O que teria acontecido com Regina? E Henry? O garoto só tem 5 anos anos e ele...

— Seis.

Aquela correção tirou meu foco. Eu não sabia se ria ou se fazia uma careta evidenciando minha falta de paciência com interrupções. Acabei escolhendo a careta, o que fez Emma ameaçar um sorriso.

— Imagine um garoto de seis anos presenciando qualquer tipo de maltrato dentro de casa, Emma. Nós sabemos o que acontece com pessoas expostas a este tipo de ambiente. Não sabemos o que aconteceu com Robin para ele optar por coisas assim, mas deve ter sido algo neste sentido. Você salvou eles de muitas maneiras hoje, Emma. E foi competente o suficiente em impedir que Robin prejudicasse vocês de qualquer forma. Aposto que essas marcas que vocês têm não são piores do as que você deixou nele.

— Sim, eu consegui apagar ele com uma coronhada na cabeça. Estava mais bêbado que outra coisa... E com certeza ele vai acordar com uma baita dor. Pelo corpo todo. Levei ele para delegacia e prestei queixa. Ele vai ser acusado por invasão e lesão corporal.

— E Regina?

— Não a envolvi. Com exceção da casa, claro. Para acusá-lo de lesão, precisa-se do exame de corpo de delito e ela já estava afetada por aquele idiota o suficiente. Levá-la até o Distrito só iria piorar.

— Entendo.

— Estou requerendo uma ordem de proteção contra ele. Vinculada a ela está uma ordem de restrição. É uma medida para proteger Regina e Henry. Antes de vir para cá eu também tomei providências para que as trancas da casa fossem trocadas e reforçadas.

— Muito bom. Você realmente é muito boa no que faz. — após um tempo em silêncio, resolvi insistir sobre o acontecido — Mas Emma... Eu compreendo o que você está sentindo. E acredite, Regina deve estar pensando o mesmo. Mas você não pode deixar isso te afetar a ponto de você viver com medo. E sobre aquele cretino, eu vou te ajudar. Eu conheço pessoas que conhecem pessoas. E se Robin fazer algo contra vocês ou contra aquele menino de novo, ele vai estar muito encrencado.

— Sim, ele vai.

Ficamos em silêncio até que ela olhou pra mim com os olhos um pouco mais claros e tranquilos.

— Sabe, eu estava muito receosa em te encontrar hoje. — confessou ela indo para a ponta extrema do sofá. — E eu tinha esperanças de que você não fosse tão ruim. E de fato não é.

— Obrigada? — Eu deveria entender aquilo como um elogio ou uma afronta?

— Não, Cora. Obrigada você. Obrigada por me deixar entrar na sua casa e, bem, me ajudar.

Optei pelo elogio. Acho que seria um caminho melhor.

— Queira eu ou não, Emma, você é da família agora. Ainda mais depois de hoje. Fique ciente.

Eu pude ver o olhar emocionado dela. Henry havia discutido comigo sobre ela há alguns dias atrás. E eu deveria estar realmente ouvindo, porque sabia que toda aquelas sensações que passavam pelo rosto dela não eram resultado apenas daquela noite.

— Você não sabe o quanto eu…

— Não vamos fazer grande coisa disso, ok? Você é minha nora e eu sou sua sogra. E nós nos odiamos. Ponto.

— Obrigada, Cora.

— De nada.

E contra tudo o que eu tinha dito, ela se levantou e me abraçou desajeitadamente.

— O que você está fazendo? — ouvi Regina perguntar pra ela.

— Tentando matar sua mãe. — brincou Emma e eu ri baixinho.

— Como é?

Lembrando-se do porquê de estarem ali, ela disse rapidamente:

— Desculpe. Cora só estava me… esclarecendo algumas coisas.

— Certo. Aqui está seu chá. Eu vou dormir. — disse Regina seca lhe entregando uma caneca e indo para o segundo andar.

— O que eu fiz agora? — perguntou Emma me olhando. Mas eu não sabia nem de longe o que poderia ser. Foi, como sempre, a sensibilidade do meu marido que permitiu que ele nos esclarecesse:

— Talvez Regina ache que você preferiu a mãe dela e que a mãe dela preferiu você para resolver o problema de hoje.

— Mas eu… Cora… Ela apenas…

— Eu sei Emma, mas Regina ainda não conseguiu dar vasão ao que houve hoje. E infelizmente ficar brava com a coisa mais perto dela parece ter sido o meio que ela encontrou. Nisso ela puxou à você — disse apontando pra mim.

— Oh não, meu querido, isso vem do seu lado da família! — assegurei e ele riu baixinho. Nós sabíamos que ele estava certo, mas eu nunca concordaria.

— Vá falar com ela. E tentem dormir.

— Sim, nós todos precisamos de um pouco de descanso. — De fato precisávamos. Aquele dia havido sido uma loucura. Como havíamos chegado tão rápido a isso? Em questão de horas eu havia concordado quase que plenamente com aquele relacionamento. E eu até que estava gostando da tal da namorada. O que diabos estava acontecendo? Robin Hood era realmente um imbecil. Olha só a idiotice que ele havia feito e a posição em que havia me colocado!

Não era de fato tão ruim, mas eu tinha que ter o meu próprio período de adaptação. E eu acabaria, uma hora ou outra, fazendo ele pagar por apressar aquilo.

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Eu estava triste e, ao mesmo tempo, feliz. Mas também estava furiosa com elas. Entrei no meu quarto e fiquei olhando-o por um momento. Não entrava ali desde que havia conseguido minha própria casa. Parando para pensar, agora que Emma estava ali e bem, uma descarga de realidade me atingiu. Tudo o que havia acontecido passou pela minha cabeça, provocando calafrios e nojo. Eu precisava me livrar daquela sensação o mais rápido possível.

Tirei aquela roupa e joguei no fundo do cesto. Eu nunca mais a usaria. Eu poderia incinerá-las se isso não fosse causar um chilique na minha mãe, que sempre tinha um programa beneficente em mente. Não que ela estivesse errada, mas era só que… eu não queria nenhum vestígio do que houve.

Abrindo o chuveiro rapidamente, comecei a me esfregar com urgência. Meu rosto, meus braços, meu peito, meus seios, todos os locais que ele havia tocado. Aquela sensação incômoda precisava sair.

— O que você está fazendo? — a voz baixinha dela ali do meu lado me deu um susto. Ela parecia tão nauseada quanto eu. O que havia acontecido? E por que ela conversava com Cora e não comigo?

— Agora não, Emma.

— Você está querendo arrancar sua pele?

— Se for preciso, sim.

Os olhos dela se abriram e ela me deu um olhar de compreensão muito maior do que eu esperava. Sem pedir, ela tirou a bucha da minha mão e começou delicadamente a passa-la pelo meu corpo.

Eu sentia cada pedacinho de mim tremer.

— Está tudo bem, querida. Eu estou aqui e só eu vou te tocar agora.

Ela repetia aquilo cada vez que passava a bucha pelo meu corpo, quase como se estivesse falando com Henry e não comigo.

Eu coloquei minha mão no braço dela, por sobre a camiseta que ela usava, e instintivamente ela deu um passo para trás.

— Emma… tire a roupa e entre aqui. — pedi delicadamente.

— Regina, eu… eu não posso.

— Pode sim. Entre aqui.

— Não. Regina, eu não…

— Agora, Emma. Tire a roupa e entre aqui. — eu precisava dela ao meu lado e aqueles movimentos que tentavam me repelir eram garantias que ela precisava de mim tanto quanto eu dela. O tom que eu usei foi firme e não admitia réplicas e ela percebeu. Quando ela tirou a última peça, eu senti aquele bolo na boca do estômago de novo.

A parte do abdômen dela estava toda marcada por vermelhos que viravam roxos rapidamente e por pequenos cortes. Eu pude ver o sinal de uma mordida no seio dela. Sua pele, que era branquinha, agora estava tristemente rubra.

— Ele te tocou? Emma, ele fez algo com você? — Eu não queria de fato saber. Imaginá-la sofrendo e impotente perante ele fazia meu sangue ferver. Tudo o que ela passou foi por mim, pra me ajudar.

Eu queria me desculpar, eu queria agradecer, eu queria…

— Não. — disse ela simplesmente envolvendo-me nos seus braços e nos colocando debaixo da água morna da ducha. — E pare de pensar nisso. Nós estamos bem. E juntas. É o que importa.

— Por favor, me perdoei por deixá-la lá. Por permitir que ele te tocasse.

— Você não me deixou. Eu só consegui enfrentá-lo por saber que você estava bem. Henry era a prioridade. E se você não tivesse feito o que combinamos, aí sim teríamos um grande problema.

— Eu sei, amor. Mas…

— Sem ‘mas’. Eu vi como você estava, eu vi que sou importante pra você… E isso me deixa completa.

— É claro que é, Emma! Você é minha vida agora. Eu… Fiquei com medo hoje. — murmurei contra a curva do pescoço dela. Era um alívio saber que o horrível filme que havia passado na minha cabeça era só ilusão. Eu ainda estava aflita em pensar nela sozinha com ele, sem mim. Mas, novamente, ela estava certa. Eu tinha que ter saído de lá e isso tinha feito a diferença. Mas eu só pude encarar meus medos e inseguranças através da força dela.

Talvez um dia eu lhe contasse que gritei somente porque sabia que ela viria.

— Eu também. — confessou virando a cabeça para me olhar nos olhos. — Principalmente quando eu estava lá fora e vi a luz do quarto sendo acesa. Eu sabia que não era você. E por isso eu voltei.

— Na hora certa.

— Sim…

Com uma mão a acariciei no rosto, enquanto passava a bucha pelo vale do seios dela, e pela barriga com a outra. Aquelas marcas iriam sumir, mas nós continuaríamos firmes. Eu a beijei delicada e demoradamente nos lábios.

— Eu também serei a única a te tocar daqui pra frente. Eu juro.

Ela chorou agarrada à mim. Encostei minha cabeça na dela e segurei minhas próprias lágrimas. Eu tinha que ser forte e estar ali pra ela agora. Era o mínimo que eu poderia fazer depois de hoje.

Quando ela se acalmou, eu lhe dei beijos pelo ombro, pelo pescoço e pelas bochechas, na tentativa de apagar o que aquele miserável causou. Ao chegar em seus lábios, a beijei. Um beijo que foi morno, molhado e tão delicado que fez meu coração se apertar e, depois, bater mais rápido. Eu a amava demais.

Ficamos ali abraçadas, deixando a água correr pelos nossos corpos.

— Desculpa se eu conversei primeiro com a sua mãe — disse ela minutos mais tarde quando já estávamos deitadas uma de frente para a outra. Ela vestia uma camiseta antiga que eu tinha e uma calcinha branca. Eu também optei apenas por uma camiseta e uma calcinha. As cores vibrantes que vestíamos, o azul marinho da camiseta dela e o meu amarelo mostarda, contrastavam com nosso humor.

— Tudo bem.

— Não, não está. Você ficou chateada.

— Bem, ela não conversa comigo e conversou com você. E você não conseguia nem me encarar, mas conversou com ela. Sim, eu fiquei chateada.

— Eu não podia te olhar porque eu estava com medo de te ferir com a minha própria insegurança, Regina. Eu sempre temi que isso acontecesse. Nos lares adotivos e até mesmo quando entrei na polícia. E se não bastasse quase acontecer comigo, ainda tinha acontecido com a pessoa que mais me importa.

— Eu também estava insegura e com medo. E não aconteceu nada com a gente... Graças a você, Em, nós estamos bem.

Nós ficamos em silêncio por um tempo, apenas nossa calma respiração preenchia o quarto.

Tomando coragem, confessei, mais pra mim do que pra ela:

— Poderia ter sido pior, mas não foi. Temos que seguir em frente e pensar o mínimo possível nisso, senão vamos ficar ressentidas com a vida.

— Foi o que sua mãe disse.

Eu não esperava essa resposta.

— Sério?

— Eu não sei se posso te contar… mas acho que Cora não deve esperar segredo.

— Que ótimo! Logo vocês estarão planejando um clube do livro.

Ela riu. E eu ri com a risada dela. Era um som gostoso e nós precisávamos daquilo agora.

— Ela deixou claro que me odeia. Mas quem sabe daqui uns anos? — ela riu mais ainda. Era bom saber que eu tinha aquela Emma palhaça de volta. Ao menos um pouquinho.

— O que ela te falou?

— Ela sofreu com isso uma vez. Só que aconteceu mesmo. — disse séria e sombria. — E ninguém acreditou nela.

Apenas a olhei nem emitir som ou sinal algum. Era difícil pensar nisso. E eu podia ver a mesma aflição que eu tinha nos olhos esmeralda dela.

— Acho que é por isso que ela sempre conduziu a vida dela e a de vocês com mão de ferro, Regina.

— Sim. Isso explica muita coisa, na verdade.

— Ela é uma boa pessoa, você sabe.

— Bem, ela é minha mãe.

— Não, amor. Não só isso. Ela realmente é uma boa pessoa. Se não fosse, ela não teria feito nada do que já fez. Principalmente hoje.

— Talvez você esteja certa.

— É claro que estou!

— Só porque ela não quer mais arrancar seu coração, não significa que você seja sua nova melhor amiga.

— É claro que significa. E eu ainda vou conseguir a aprovação total para poder namorar a filha dela.

— Quero só ver, Miss Swan.

Ela sorriu e me puxou para mais perto, deixando seu calor me envolver. Aos poucos aquilo tudo estaria longe.

— Se nós nos esforçarmos um pouquinho mais, vai parecer só um pesadelo.

— O que houve com ele? — perguntei de supetão, temendo a resposta. Mais por ela do que por ele. Eu não queria prejudicá-la. Nunca.

— Amanhã eu te conto. Sobre tudo. E sobre o que será feito.

Mesmo sem dizer nada específico, ela me tranquilizou.

— Tudo bem, Em. Eu confio em você.

Ficamos ouvindo o vento uivar lá fora. Esse era um dos motivos de eu gostar de Chicago: os ventos. Enfrentar as extremas ondas de frio no inverno já não era mais um problema; não agora que Emma estava ali. Eu suspirei baixinho pra ela não ouvir. Emma é cada pequena coisa na vida que me faz sentir bem. Ela é meu sonho de olhos verdes. E era difícil de acreditar que ela é minha, toda minha.

— Em? Obrigada por me salvar.

Ela levantou a cabeça, apoiada em um braço e me olhou profundamente.

— Regina, nunca mais me agradeça. Eu daria minha vida antes de ver alguém machucando vocês. E foi recíproco. É sempre recíproco entre a gente. Eu te amo Regina Mills — sussurrou ela fechando os olhos e me abraçando, ainda de frente. O toque dela era quentinho e revigorante. Eu podia esquecer. Eu podia esquecer.

Os braços dela me apertaram ainda mais, quase como se ela pudesse ouvir o que eu estava pensando. Na verdade, eu acho que ela pensava o mesmo que eu.

Então eu coloquei meus braços ao redor dela e a puxei para perto de mim também. Nós estávamos quase uma em cima da outra, mas não importava. Só importava que aquela distância enorme na qual tínhamos sido jogadas estava mais latente agora.

Nós éramos uma confusão de braços e pernas, uma tentativa de impedir que caíssemos naquele abismo emocional. Naquela noite nós tivemos certeza que não iríamos a lugar nenhum sozinhas e que nada poderia nos abalar por muito tempo. Houvesse o que fosse, eu colocaria meus braços ao redor dela e estaríamos em casa.

Notas finais
Essa frase final é de Arms, da Christina Perri. Estava ouvindo ela quando escrevi o final e pensei: é exatamente isso! haha Sobre este capítulo, ele e o 23 eram um só. Porém, o total de palavras daria cerca de 6000 e eu surtei auahuahuha HeyBones e eu decidimos, então, dividi-lo e aqui estamos. Portanto, o próximo também é pov :D Esperamos que vocês tenham gostado. Juro que eu e a HeyBones queríamos matar o Robin, mas seria fácil demais... E ele merece sofrer. Portanto, trabalharemos nisso (e aceitamos sugestões!). Nem eu, nem a HeyBones assistimos OUAT ainda :/ Sorry. O que vocês têm a dizer? (Mas sem grandes spoilers, please... Sobre OQ, já sabemos uahuahah). Tentaremos assistir pra Quinta, assim poderemos fofocar melhor muahahaha Obrigada a todos que comentam! E, leitoras novas, bem-vindas ao mundo de MCC! xoxo, Cath