Maçã com Canela
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Um carinho gostoso circulava por toda a extensão de suas costas nuas. Emma sorriu ainda de olhos fechados. Respirou fundo e sentiu a mão parar de acariciar-lhe, virou-se de lado. A visão que teve foi a mais perfeita. Regina estava com os cabelos rebeldes; talvez por acabar de acordar, talvez pela tórrida madrugada de sexo selvagem, ou talvez pelos dois. O cobertor lhe cobrindo até o abdômen, deixando aqueles perfeitos e deliciosos seios a mostra. Ela tinha um sorriso lindo, que iluminava o mundo de Emma e seus olhos estavam brilhando intensamente.
— Bom dia, meu amor! — Ela deu um selinho na loira, que sorriu em meio ao beijo.
— Bom dia, minha rainha! — Emma puxou a morena para cima de si e lhe deu um beijo longo e carinhoso. Sua mãos iam do rosto às costas da rainha. Sem malícia, sem sacanagem, só havia amor e carinho ali. Ao fim do beijo, Emma a abraçou, os seios prensando-se uns nos outros. Ela beijou sua bochecha e continuou. — Eu te amo muito!
— Eu te amo mais, Em. — Ela lhe sorriu, acariciando-lhe a face. Os olhos de Regina fitaram os de Emma com um brilho maliciosamente sapeca. — Gostou da noite? — questionou, aumentando o sorriso, que agora era safado.
— Eu amei! Só não sei da onde tiramos tanto fogo, tanta… Nem sei explicar. Mas foi incrível amor. — Emma finalizou dando um selinho nela. — Você foi incrível.
— Não, Swan, nós somos incríveis juntas. Incrivelmente depravadas e safadas. — Emma gargalhou, acompanhada de Regina. — Quer repetir? — As mãos da morena já estavam passeando pelo corpo da loira, impacientes, apenas esperando o aval da loira para continuarem.
— No chuveiro? — Emma lança-lhe um sorriso safado, que é refletido na morena. Regina se levanta e puxa a loira para a sua frente, moldando-se às suas costas. Em meio a carícias e beijos lentos, elas chegaram até ao banheiro.
Ainda às costas de Emma, as mãos de Regina apertavam o seio da loira e estimulavam seu clitóris, enquanto a água caia-lhes sobre a cabeça e escorria pela pele arrepiada e excitada.
— Amor... Não me tortura... — Emma deitou a cabeça no ombro de Regina, que lhe deu um beijo na bochecha, enquanto aumentava a intensidade dos toques.
— Ontem, quando a situação era inversa, você não pareceu se importar com isso. Então agora aguente seu castigo. — Terminou a fala mordendo o lóbulo da orelha dela. Ao parar com os toques, recebeu um suspiro decepcionado de Emma.
Ela, então, pegou o sabonete e passou a esfrega-lo no corpo da loira, dando atenção aos seios, onde apertava com mais intensidade do que o necessário. Após ensaboar e enxaguar todo o corpo de Emma, Regina lhe beijou. Em meio ao beijo, apertou a bunda da loira, subindo as mãos em seguida e arranhando as costas esguias. Desceu pelo corpo da loira, beijando seu pescoço, dando chupões e mordidas. As mãos apertavam os seios, enquanto Regina ajoelhava em frente a loira. Ela aproximou-se e pôs uma perna da loira sobre seu ombro, arranhou a base das costas dela e iniciou seu trabalho.
Chupava, lambia, mordia todo o sexo da loira como se sua vida dependesse disso. Quando prendeu o clitóris inchado os lábios e sujou, pode sentir as mãos possessivas da loira em seu cabelo e o gemido longo, baixo e rouco vindo do fundo de seu ser.
— Amor… Dentro…
Não foi preciso pedir duas vezes, três dedos da morena logo preencheram a loira, que arfou e gemeu em resposta. Os dedos e os lábios trabalhavam em coletividade em busca do prazer, que não tardou a chegar. O orgasmo de Emma foi tão arrebatador, que se Regina não estivesse lhe segurando, tinha ido ao chão.
A rainha subiu e beijo a Tenente com afinco, para que ela sentisse seu gosto.
— Eu te amo muito, Em.
— Eu te amo mais! — respondeu a loira, presenteando-a com o sorriso mais lindo e verdadeiro.
—--------------------------------------------
Duas semanas depois…
— Dá pra acreditar que Henry está fazendo 6 anos? — perguntou Regina para Emma enquanto acabava de organizar os enfeites na parede da sala de jantar.
— Ainda estou digerindo o fato de ser Fevereiro e tudo ter passado tão rapidamente. — brincou Emma que enchia as bexigas coloridas — Mas, realmente, ainda não acredito que Henry não é mais aquele bebê que encontrei na floresta.
Os olhos da Loira brilharam com algumas lágrimas, mas ela piscou freneticamente para afastá-las.
— Você está mais manteiga que eu hoje… — reparou Regina indo abraçá-la — Eu sei o quanto você o ama. E vamos comemorar que ele está aqui com a gente e que vai ficar por um bom tempo. Ainda temos mais uns 12 anos juntos, antes dele sair debaixo das nossas asas...
Emma sorriu.
— É uma boa perspectiva!
— Sem dúvidas. Mas quero só ver quando ele estiver fazendo 12… Você acha que saberemos lidar com um adolescente?
— Ele não pode se sair pior do que nós duas, certo? E a gente tem uns truques mágicos para colocar ele na linha.
— Tipo o quê? — indagou a morena achando graça.
— Tipo o famoso e cruel castigo. Sem festas, sem encontros, sem nada tecnológico… Essas coisas.
— Acho que subestimei o poder daqueles seus livros — riu Regina.
— Terminou? — perguntou Emma que amarrava a última bexiga ao arco que completava os enfeites perto da mesa do bolo.
— Sim. Você acha que Henry vai gostar?
— Regina, é o aniversário do Ben 10 que ele tanto queria. É claro que ele vai! Agora vamos nos arrumar. Logo estarão todos chegando.
— Hmmmm — Regina olhou ao seu redor e foi conferindo — Bolo: ok. Brigadeiros: ok. Enfeites: ok. Salgadinhos: ok. Presentes: ok. Pudim de chocolate: ok. Jogos: ok.
— Não esquecemos de nada, amor. Só de perder o convite do Robin.
— Você sabe que eu não posso fazer nada quanto a isso. É o pai dele. E vai trazer o Roland. Henry vai ficar contente.
— É, eu sei. Mas se já não bastasse eu ter que ficar de olho naquele fi — Emma reprimiu o palavrão quando viu a cara feia de Regina — fi.. figurante, tenho que me preocupar com a sua mãe também. E nos 8 monstrinhos que vão vir da escola com o Henry. E se ele não se divertir? Ou não gostar dos presentes? Ou tiver problemas com as outras crianças?
— Emma! Respira! Eu sei que esse é o seu primeiro aniversário como mãe, mas… Olha só tudo o que você já fez! — assegurou estendendo os braços e evidenciando a decoração — Nos revezaremos para ficar de olho no Henry. E quanto aos nossos convidados, você fica de olho na minha mãe e eu vou vigiar o Robin.
— Nem pensar! Lembra do que aconteceu quando ele esteve aqui na última vez? Robin é sinônimo de confusão!
— Por isso mesmo que eu não quero ele perto de você. Para vocês não criarem nenhuma cena! — advertiu ela
— Eu nunca faço cena!
— Algumas vezes você faz sim… — Afirmou Regina lembrando-se dos eventos na boate. Suspirando, ela se aproximou e enroscou sua mão direita nos cabelos de Emma e a enlaçou pela cintura com a esquerda — Comporte-se hoje, Swan! — dizendo isso, ela a beijou avidamente.
— Você sabe como fazer uma garota se sentir bem após uma advertência, srta. Mills — ironizou Emma recuperando seu fôlego.
— Que bom! Porque estou querendo deixar o recado mais… marcante.
Regina começou a despi-la lentamente, enquanto a beijava na boca e no pescoço. Emma passou a mão por dentro da blusa que ela usava e acariciou um dos mamilos entumecidos, fazendo-a gemer com ardor.
— Deveríamos ter esse tipo de conversa mais vezes… Não me importo em ser repreendida assim — gracejou Emma.
— Eu gosto das nossas conversas — murmurou roucamente — mas falar é a última coisa que eu quero agora.
—--------------------------------------------
— Não tem nada demais, Cora! — censurou Henry quando Cora fez novamente um comentário sobre o relacionamento da filha com Emma.
— O que eu não faço pelo Henry… — bufou Cora sentando-se na sala perto da lareira. A tarde estava gostosa. Não fazia tanto frio como era de se esperar.
Ela queria negar, mas ficou feliz quando Regina ligou avisando sobre a festa. Apesar de tudo, ela era sua única filha e realmente queria a felicidade dela e de seu neto.
Repassando a última conversa que elas tiveram, Cora percebeu que fora muito precipitada em julgar aquele relacionamento. Sim, aquilo a incomodava, mas era só porque não estava habituada com situações daquele tipo.
“Eu só queria que ela tivesse o melhor...” refletiu enquanto observava a filha distribuir chocolate quente para as crianças. Talvez, Regina tenha encontrado sua liberdade de fato. Ela havia rompido todas as amarras que tanto ela, Cora, quanto a sociedade haviam imposto para poder ficar com Emma. E Henry parecia de acordo também.
Emma agarrou Henry quando ele correu para beijá-la com o intuito de lambuzá-la com seu bigode de chocolate.
— Que bigode bonito, sr. Henry! — brincou Emma.
— Obrigada, minha jovem! — disse Henry Mills perto dela.
— Não vovô! É do meu que ela está falando!
Eles riram.
— Logo eu levo a pipoca — disse Emma beijando Henry, que subiu para o quarto onde elas haviam preparado os jogos de tabuleiro e a exibição de filmes.
Aquela demonstração de carinho fez Cora sorrir. Um sorriso discreto que surpreendeu a ela própria. "Eles parecem felizes” concordou relutante. Ser feliz era o que Regina queria e ela quase arruinara aqueles momentos de alegria.
Por um tempo, ela achou que se associar a Robin fosse fazer com que a vida de todos ficasse melhor, principalmente a dela. E Henry precisava ter o pai por perto. Mas agora, ali, ela percebia que Robin não poderia conceder para Henry e Regina aquela solidez e júbilo que eles emitiam desde que Emma havia chegado.
Felizmente, Regina tinha tido uma percepção e uma coragem que ela mesma nunca teve. As palavras duras dela, porém sinceras e realistas, ajudaram Cora a entender o quão levianamente ela estava conduzindo sua vida, a do marido e a da filha. E definitivamente era tempo dela mudar suas atitudes com eles, principalmente com Regina e o neto, senão iria perde-los.
“Maldição!” praguejou baixinho quando viu Robin chegando com Roland e Marian. Vê-lo parado ali com arrogância e repulsa no rosto fez com que Cora se recriminasse incontáveis vezes por tê-lo ajudado. Como ela pode ser tão cega e ambiciosa?
Ainda observando de longe, ela viu Regina recebe-los cordialmente e chamar Henry para agradece-los pelos presentes. Henry e Roland correram para o quarto disputando qual filme iriam ver primeiro, e Marian e Robin aceitaram o chocolate quente. Certamente não tinha bebida alcoólica, e a constatação fez Cora sorrir internamente, principalmente quando ela permitiu-se chamar este simples ato de 'a vingança de Regina'.
Por um bom tempo, tudo correu bem. Cora conversou com alguns pais que estavam ali ajudando a cuidar das crianças e ficou observando tudo. Ela percebeu que Emma frequentemente a procurava com os olhos, mas não pode definir se era por cautela ou por alguma outra coisa. Levantando-se, ela se dirigiu até a loira, que conversava com um grupinho de mulheres.
— Você sabe que eu não preciso de babá, certo? — começou ela sem rodeios quando Ariel, Ruby e Alexa se afastaram ao vê-la chegar.
— Eu sei. Mas Regina não quis que eu ficasse perto do Robin…. Na última vez nosso encontro não terminou muito bem. Justamente por isso, minha maior preocupação é ele. E se você está aqui, então não está bolando nada com ele. E, assim, eu não fico tão inquieta e posso parar de me preocupar um pouquinho.
— Entendo… — concordou simplesmente. E ela de fato entendia. — Acho que ainda não fomos apresentadas formalmente: Cora Mills — disse estendendo sua mão para cumprimentá-la.
Cora pode ouvir Emma expirando pausadamente enquanto sua surpresa passava, mas aceitando o aperto de mão.
— Emma Swan.
Um silêncio incômodo pairou sobre elas por alguns instantes.
— Estou me esforçando, Emma. Por Regina e por Henry. Mas não posso dizer que estou bem com a situação, porque não estou. Ainda não compreendo todas estas modernidades. Contudo, está evidente que quanto mais comum isso se torna, menos eu posso condenar. Quanto ao assunto do Robin, agradeço por você ter ficado ao lado de Regina. Às vezes as pessoas fazem grandes bobagens. Mesmo aquelas que se gabam por serem inteligentes têm seus momentos de estupidez. E eu sou uma delas…
Emma sorriu complacente.
— Eu sei. Eu realmente tinha esperanças de que a senhora não fosse tão mesquinha. Afinal de contas, Regina é sua filha e ela é uma pessoa maravilhosa. Obrigada por ter vindo. Ela está muito feliz, apesar de não deixar transparecer. Os dois sentem sua falta.
Cora somente aquiesceu, sem revelar nada.
— Com licença — pediu Emma saindo com o semblante carregado. Cora virou-se para onde ela direcionava seu olhar e viu Robin e Marian seguindo Regina para a cozinha.
—--------------------------------------------
— Regina, acho que não há problema algum. Roland adora Henry e vai ser bom para ele ficar um pouco com o irmão. É só uma noite. — persuadiu Marian.
— Não há problema dele passar a tarde com Roland. Ou aqui ou na sua casa, Marian. Mas dormir lá não — disse Regina firme.
— Roland não vai ficar aqui com você e a sua mulherzinha. Já basta um filho meu convivendo com duas sapatões! — advertiu Robin.
Regina engoliu sua raiva e foi em direção a Robin ameaçadoramente.
— Abaixe sua voz. Você está na minha casa, falando sobre o meu filho e sobre a minha namorada. Se você não quer deixar o Roland aqui, tudo bem. Henry não vai passar a noite com vocês devido as restrições da guarda.
— Eu sou o pai dele, Regina! Eu tenho esse direito! — Robin não gritava mais, embora seu rosto ainda estivesse vermelho. Marian havia se colocado atrás de Robin, a fim de evitar ficar entre ele e Regina. Ambas sabiam o quão violento ele podia ser quando contrariado.
— Sim, você é. Mas nunca facilitou a vida dele ou a minha. Agora que estamos bem, não venha impor sua desgraça sobre nós. Você perdeu os direitos que tinha quando quis bancar o esperto e tirá-lo de mim.
— Eu segui o caminho que a sua mãe garantiu que a faria perceber a indecência que você está cometendo. — cuspiu Robin com despeito.
— Como se você sempre tivesse ouvido o que a minha mãe tem a dizer… Você, Robin, já foi melhor do que isso. Ou eu estava muito cega.
— Suas vagabundas! Vocês não vão ficar com o meu filho. Eu não acredito que você teve a audácia de deixar aquela mulherzinha ficar perto dele. Vocês me dão nojo! — Robin estava visivelmente alterado. A probabilidade dele ter bebido antes de ir para o aniversário estava em alta.
Ao ouvir aquelas palavras grosseiras, Regina não pensou. O que se seguiu foi puro instinto regado à indignação e raiva agindo. O tapa na cara de Robin estalou em meio ao silêncio. Todo o rancor, toda a mágoa, toda ira de Regina pelo que ele tinha feito e no que tinha se transformado, ficou impregnado através do vermelho deixado em seu rosto.
— Você me ofendeu de todas as maneiras possíveis, Robin. Saia da minha casa. Meu filho tem sorte de não saber quem você realmente é !
— Ele também é meu filho, Regina! — gritou Robin, que levantou sua mão para revidar o tapa.
Regina esperou pelo calor e pela ardência em sua face, mas eles não vieram.
— Não sabia que, além de idiota e bêbado, você também estava ficando surdo. — afirmou Cora com todo seu sarcasmo segurando a mão de Robin. — Saia! Você está estragando o aniversário do menino.
— Sua bruxa! Você me enganou! Você fez tudo isso para ajudar ela! Vocês não prestam! — Cora o largou com um safanão que Emma não sabia que ela era capaz.
Quando deixou a sala, não percebeu imediatamente que Cora a seguia. Elas ficaram no corredor escutando a conversa deles. Ambas sabiam que nenhum diálogo com Robin seria pacífico. Emma correu e fechou as portas entre a sala de jantar e a cozinha para abafar o som, pensando no desastre que seria se os convidados os ouvissem.
O coração de Emma disparou quando viu Regina se aproximando de Robin com ódio faiscando em seus olhos. Não torne tudo pior, Emma. Não faça uma cena. Não faça uma cena. Ela assistia a tudo concentrada, tentando resistir ao impulso de ir ajudar Regina.
Ao ouvir o som do tapa, ela fez questão de entrar no cômodo. Mas Cora a impediu com um braço bloqueando seu caminho e com um olhar conspirador, entrando no cômodo na hora certa. Aflita, Emma foi apenas capaz de observá-los.
Avaliando Regina da porta da cozinha, ela notou que estava tudo bem. Que o medo que via na face dela era apenas da dor física. Ela agradeceu silenciosamente quando Cora fulminou Robin com o olhar exigindo que partisse.
— Vai buscar Roland, Marian! Nós nunca mais entraremos aqui. — disse Robin dando as costas para elas e se dirigindo para a porta sem parar ou olhar para os lados.
— Se você quiser ficar, você sabe que pode — disse Emma quando Marian passou por ela — Você não é obrigada a seguir ele.
— Eu devo acompanhá-lo, Emma. Mas agradeço sua preocupação. — disse saindo.
Emma balançou a cabeça contrariada. Ela nunca entenderia como alguns tipos de relacionamento poderiam ser tolerados.
E pensando em relacionamentos, ela se aproximou de Regina.
— O que você acha que estava fazendo? — perguntou Regina sobre Cora enfrentar Robin.
— Não é óbvio? — perguntou com voz modulada e energética — Escolhendo um lado.
— Ele estava certo, mãe? Você planejou tudo?
Envergonhada, Cora abaixou sua cabeça e demorou um momento para responder.
— Seria muito fácil dizer que sim, Regina. Mas nós duas sabemos que meu plano não era te ajudar. Embora, eu fique feliz que tudo tenha dado certo.
— “Tudo está bem quando termina bem” — declarou Emma tentando amenizar a tensão que surgiu com o silêncio citando Shakespeare. Mas elas a ignoraram.
— Eu conversei com Emma, Regina. Ela te contará depois, creio eu. Entretanto, deixe-me ser clara sobre isso. — disse séria apontando para as duas — Eu não aprovo esse relacionamento que vocês têm. Mas isso não me impede de ser educada e tentar entender.
— Obrigada, mãe. — declarou Regina entre desapontada e esperançosa. Aquilo era um progresso, não era? Mas não parecia muito promissor.
— Não agradeça a mim. Agradeça à Emma, que me chamou de mesquinha. — Regina engoliu sua surpresa e arregalou seus olhos para Emma. — Esse pode não ser o caminho que eu queria pra você, mas pelo menos essa moça tem fibra. E coragem de dizer na minha cara o que pensa de mim. Poucas pessoas são sinceras assim.
Cora olhou divertida para as duas. Regina a encarava chocada e Emma parecia mortificada. Talvez aquela situação acabasse benéfica para ela. Bem, de tédio pelo menos não morreria.
— A propósito, — voltou-se antes de sair da cozinha e voltar para a festa — obrigada por ter me convidado.
Regina não disse nada, mas Cora não esperava por uma resposta mesmo.
— Você chamou minha mãe de mesquinha? — exaltou-se Regina com Emma, quando recuperou-se do que tinha ouvido — Você ficou louca?
— Eu não vejo onde errei. Ela não queria dividir você com mais ninguém e se preocupava somente com o que afetava ela. Eu apenas disse a verdade.
— Sem pensar, como sempre! — rebateu Regina com raiva. Mas não de Emma. Ou de Cora. Ela estava apenas com raiva.
— Quando se trata de você e Henry, eu frequentemente não penso muito. — garantiu — E Cora disse que iria considerar a nossa relação pela minha franqueza. Então, pontos para mim! E para de implicar comigo, Regina! Nós duas sabemos que não é isso que está te irritando…. — reconheceu Emma enquanto tirava o bolo da geladeira e o colocava na bancada de mármore.
— Como você é pretensiosa, Swan! Poderia ser muito bem com você!
— Mas não é! — sorriu Emma abraçando-a pela cintura e lhe dando um beijo casto na boca. — Você foi muito corajosa, amor. E muito tola também. Se ele tivesse te encostado um dedo, eu não sei o que teria feito com ele. Nada bonito, pode ter certeza.
— Sorte que minha mãe estava aqui, então. Eu só queria que.. que ele não condenasse Henry por causa de mim. Ou que nos insultasse da maneira como faz. Ou que não fosse tão difícil — desabafou ela com a testa encostada na de Emma.
— Regina, olhe pra mim. Henry sabe a mãe maravilhosa que tem. E o menino é esperto, ele não é tão iludido com o pai quanto você pensa. Logo ele será capaz de julgar por si mesmo, então não se preocupe tanto em impor um Robin que não existe para ele. Você é a prova de que mesmo quando nos decepcionamos com nossos pais, não jogamos fora tudo o que já vivemos. Mesmo que não sejam só frutos bons que tenhamos colhido. Não se esqueça do clássico: “Nada que vale a pena é fácil”. E sobre a gente, não seja você pretensiosa — gracejou Emma — em pensar que somos as únicas que sofrem com comentários maldosos e depreciativos. Isso não define quem nós somos, Regina. Você sabe. E Robin é um fanfarrão! O que você acha que ele sabe sobre damas como nós?"
Regina a beijou. Robin tinha um poder incrível em lhe estragar o humor. Porém, para sua sorte, Emma tinha ainda mais força em lhe trazê-lo de volta.
— Você é uma palhaça, Emma! — murmurou ela carinhosamente entre beijos.
— Palhaça é você que diz que não é pra criar cena e no fim cria uma com direito até a tapas!
— Eu disse que você não deveria criar nenhuma cena. Eu estava livre desse compromisso — constatou Regina rindo.
— Você, Regina, é a pessoa mais trapaceira, teimosa e linda que existe — disse Emma retribuindo os beijos dela.
— Acho que você não deveria começar nada que não pretenda terminar.
— Mas eu pretendo! Só que mais tarde… Agora, eu devo atender aqueles monstrinhos que estão esperando por este bolo.
Com isso, Emma voltou para a sala de jantar gritando “hora do parabéns”. Sentindo-se mais aliviada, Regina a seguiu levando as bandejas com os docinhos.
—--------------------------------------------
— Henry! — chamou Regina da porta do quarto — Vamos cantar parabéns! Temos aquela vela que acende de novo após apagar!
As crianças já haviam descido, só faltava Henry.
— Por que meu pai e o Roland foram embora? — indagou Henry sem se importar com a vela, erguendo os braços pra ser pego no colo.
— Seu pai e eu brigamos, Henry. Ele queria te levar embora. E eu não poderia deixar, meu amor. Você é tudo o que tenho. — confessou Regina olhando seu filho nos olhos, que tinha aquela inocência e tom castanho claro, quase cor de mel, que ela adorava. Fisicamente, havia pouco de Robin nele. E Regina iria fazer todo o possível para que não houvesse nada que o ligasse a Robin na personalidade.
— Eu sei, mamãe. Roland me contou que o papai xinga você e a Emma. E que ele anda brigando muito com ele. A mãe dele não é como as minhas. Roland queria ficar aqui, mas a mãe dele não deixou.
Regina suspirou aliviada pela compreensão do filho. Mas só por um momento. Como Robin ousava xingar ela e Emma perto de uma criança? E Marian estava mais cega do que Regina fora.
— Não fica triste, meu anjo. Eu prometo que vamos combinar de brincar com o Roland toda semana, está bem? — respondeu simplesmente guardando as preocupações para mais tarde.
— Obrigada, mãe.
— Vamos, Henry! Eles estão te esperando! Tá na hora de crescer, garoto! — chamou Emma da escada.
— Mas eu já cresci!
— Já mesmo! Aproveita porque seu tempo de ser pego no colo está acabando! Vai ser muito divertido apostar corrida pelas escadas!
Dizendo isso, Emma incendiou o garoto. Ele pulou do colo da mãe e foi seguir Emma. Ela o segurou pela mãozinha e começou a descer rapidamente a escada.
— Eu ganhei! — gritou Emma.
— E quem vai apagar as velas primeiro sou eu! — disse Regina dando uma corridinha e indo para a sala de jantar onde todos esperavam conversando animadamente
— Não!!! — gritaram Henry e Emma juntos.
—--------------------------------------------
Às cinco horas, o sol já havia desaparecido e estava escuro. Os convidados agradeciam as anfitriãs e beijavam Henry antes de ir embora. Emma interrompeu o abraço que Ariel dava em Regina com a desculpa de se despedir dela. Alexa e Rubi se aproximaram e conversaram um pouco com Emma e Regina antes de se despedirem também.
Regina havia ido buscar os pais para a festa e, quando todos já haviam partido, ela os levou. Cora e Henry Mills ainda estavam em uma situação difícil, analisando o que poderiam fazer em relação aos 25 anos de casamento que tinham. Regina havia concordado em ficar de fora, embora ela tivesse uma opinião forte sobre o destino do relacionamento dos pais.
— Gostou da festa, garoto? — perguntou Emma quando Henry sentou-se do seu lado para ver tv.
— Você viu o tanto de brinquedos que eu ganhei, mãe?
— Não sei nem como você vai conseguir brincar com tantos!
— Ah, eu vou sim!
— Hmmm…. Henry? Agora que você tem muitos brinquedos novos, você não gostaria de dar os velhos para as crianças que não tem nenhum?
— Eu posso dar os que não gosto?
— Pode. Desde que eles não estejam quebrados e que não sejam só dois. Porque eu te conheço Henry Mills. Nada de manter os que você acha que pode brincar depois.
— Mas mãe, eu posso querer brincar com eles depois, sim!
— Você não brincou até agora, então não vai fazer diferença, não acha?
— Tá bom, mãe. — concordou ele contrariado.
— Depois você me ajuda a separar eles, então?
— Ajudo. Mas você brinca comigo quando a gente acabar?
— Combinado, garoto! — Emma estendeu a mão para ele. Quando Henry a apertou, ela o puxou para um abraço e começou a lhe fazer cócegas.
— Mãe! Para! Para! Eu estou sem ar!
Ela parou sorrindo e ele ainda ria.
— Acabou o descanso, Henry! — chamou levantando-se em um pulo — Vamos deixar tudo isso limpo pra quando sua mãe chegar.
Henry soltou o corpo enquanto Emma lutava para puxá-lo.
— Eu não quero, mãe!
— Hey! Quanto mais rápido a gente for, mais rápido a gente termina. Vamos fingir que somos formigas e ver quem trabalha mais rápido.
— Eu sou a formiga mais rápida! — gritou Henry esquecendo a preguiça e indo recolher os copos plásticos.
Emma guardou o que restou dos doces e do bolo agradecendo por ter Regina e Henry para dar cor aos seus dias cinza de inverno.
Fale com o autor