MEMÓRIAS
8 CAPÍTULO 7 - Antes que eu pudesse pensar
Sarah descobriu, em menos de duas semanas na Cullen & Black, que existiam três tipos de pessoas dentro de uma grande empresa.
As que resolviam problemas.
As que criavam problemas.
E as que marcavam reuniões para discutir os problemas que outras pessoas deveriam resolver.
Irina Volturi pertencia, segundo a classificação particular de Sarah, a uma quarta categoria.
As que faziam as três coisas ao mesmo tempo.
— Ela pediu o contrato completo?
Sarah ergueu os olhos do computador.
O diretor jurídico parecia preocupado.
— Pediu.
— Com os anexos?
— Sim.
— Pareceres?
— Também.
Ele suspirou.
Sarah fechou a pasta.
— Algum problema?
— Senhora Volturi quer uma reunião às duas.
— Ótimo.
— Com você.
Sarah levantou uma sobrancelha.
— Melhor ainda.
— Sarah...
— O quê?
— Irina não costuma convocar advogados recém-contratados para reuniões particulares.
Sarah sorriu.
— Então estou avançando rapidamente na carreira.
— Não é brincadeira.
— Eu sei.
Levantou-se.
— Por isso estou brincando.
O homem balançou a cabeça.
— Quer que eu participe?
— Ela pediu você?
— Não.
— Então não.
— Sarah...
Ela pegou a pasta.
— Se eu precisar de reforço, grito.
Às duas em ponto, Sarah bateu à porta.
— Entre.
Irina estava atrás de uma mesa ampla.
Aro ocupava uma poltrona próxima à janela.
Sarah não esperava encontrá-lo.
— Senhora Volturi.
— Sarah.
Irina sequer a convidou para sentar.
Sarah permaneceu em pé.
— Pediu para me ver.
Irina apontou para a pasta.
— Você analisou o contrato europeu?
— Analisei.
— E fez observações.
— É meu trabalho.
Aro levantou os olhos.
Irina cruzou as mãos sobre a mesa.
— Algumas bastante... contundentes.
Sarah abriu a pasta.
— Porque encontrei problemas.
— O contrato foi elaborado por profissionais experientes.
— Profissionais experientes também erram.
Irina estreitou os olhos.
— Você trabalha aqui há menos de duas semanas.
— O contrato não sabe disso.
Aro escondeu um sorriso.
Irina não.
— Você é sempre tão insolente?
Sarah respirou fundo.
— Não considero uma divergência técnica insolência.
— Eu não pedi sua opinião sobre a estrutura societária da operação.
— O departamento jurídico pediu uma análise completa.
— E você decidiu questionar decisões que já foram tomadas.
— Decisões empresariais podem ter consequências jurídicas.
— Eu sei como uma empresa funciona, senhorita Clearwater.
Sarah sustentou seu olhar.
— Imagino que sim.
A resposta era educada.
O tom também.
Ainda assim, Irina sentiu-se provocada.
— Você parece muito segura para alguém tão jovem.
— Minha idade não altera o conteúdo do parecer.
— Não.
Irina levantou-se.
— Mas talvez altere sua compreensão de hierarquia.
Sarah fechou a pasta.
— Se houver algum erro jurídico no que escrevi, terei prazer em corrigir.
— E se o problema for sua postura?
— Então precisamos definir exatamente qual postura a senhora espera de uma advogada.
Aro finalmente interferiu.
— Irina.
— Não.
Ela caminhou em torno da mesa.
— Essa jovem entrou nesta empresa há poucos dias e já parece acreditar que pode questionar decisões do conselho.
Sarah permaneceu calma.
— Não questionei o conselho. Analisei um contrato.
— Que envolve uma decisão do conselho.
— Então seria irresponsável ignorar o risco porque alguém hierarquicamente superior participou da decisão.
Silêncio.
Irina aproximou-se.
— Cuidado, senhorita Clearwater.
Sarah não recuou.
— Com o quê?
Irina ficou a poucos passos dela.
— Com a maneira como fala comigo.
Sarah abriu a boca.
A porta se abriu.
— Algum problema?
Jacob.
Sarah virou-se.
Irina também.
Jacob estava parado na entrada.
Não parecia irritado.
O que, para quem o conhecia, era pior.
— Estamos em uma reunião — Irina respondeu.
Jacob entrou.
— Percebi.
— Particular.
— Também percebi.
Olhou para Sarah.
Depois para a pasta.
— Por que Sarah está aqui?
Irina reparou imediatamente.
Sarah.
Não Clearwater.
Sarah também percebeu.
— Eu a convoquei.
Jacob voltou os olhos para Irina.
— Para?
— Discutir o parecer sobre a operação europeia.
— Esse parecer foi solicitado por mim.
Irina ficou imóvel.
Sarah olhou para Jacob.
— Por você?
— Sim.
Ele não tirou os olhos da tia.
— Pedi ao jurídico uma revisão independente.
Irina cruzou os braços.
— E colocou uma advogada de vinte e três anos para revisar uma operação dessa dimensão?
Sarah respirou fundo.
Jacob respondeu antes dela.
— Eu coloquei uma advogada qualificada.
Sarah olhou para ele.
Irina também.
— Jacob...
— Existe algum erro no parecer?
— Não estamos discutindo isso.
— Então o que estão discutindo?
Irina ficou em silêncio.
Jacob percebeu.
— Sarah?
Ela poderia deixar que ele conduzisse.
Não deixou.
— A senhora Volturi considera que ultrapassei minhas atribuições ao questionar pontos do contrato.
Jacob olhou para Irina.
— Não ultrapassou.
Resposta imediata.
— Você nem ouviu tudo — Irina disse.
— Não preciso.
— Jacob.
— Eu pedi uma análise completa. Foi isso que ela fez.
Irina deu um passo em direção a ele.
— Você está defendendo uma funcionária que conhece há poucos dias sem sequer saber o teor desta conversa.
— Estou esclarecendo a autoridade que ela recebeu para fazer o trabalho.
— Isso não explica a maneira como ela se dirige a mim.
Sarah falou:
— Se fui desrespeitosa, posso...
— Você não foi.
Sarah virou-se para Jacob.
Irina também.
Dessa vez, o silêncio foi diferente.
Jacob percebeu tarde demais.
Não estivera presente.
Não sabia tudo o que havia sido dito.
Mesmo assim, havia respondido.
Instintivamente.
— Como sabe? — Irina perguntou.
Jacob sustentou o olhar.
— Porque conheço Sarah o suficiente para saber que ela não seria desrespeitosa sem motivo.
Sarah quase sorriu.
— Essa defesa piorou no final.
Aro soltou uma pequena risada.
Jacob olhou para ela.
— Não ajudou.
— Desculpa.
Irina observou os dois.
Aquilo a incomodou.
Muito.
A facilidade.
A cumplicidade que não deveria existir.
A maneira como Jacob se colocara, quase imperceptivelmente, entre ela e Sarah.
Irina notou antes dele.
— Você pode sair, Sarah.
Jacob virou-se.
— Ela fica.
Agora Sarah arregalou discretamente os olhos.
Irina endureceu.
— Eu a convoquei.
— E eu preciso dela na reunião das três.
— Ainda são duas e vinte.
— Então começaremos mais cedo.
— Jacob...
— Alguma objeção?
Irina encarou o sobrinho de criação.
— Muitas.
— Sobre o parecer?
Silêncio.
— Porque se forem técnicas, podemos discutir todos juntos.
Irina voltou para a mesa.
— Não.
Jacob assentiu.
— Ótimo.
Olhou para Sarah.
— Vamos.
Sarah pegou a pasta.
— Com licença.
Passou por Irina.
Jacob esperou.
Quando Sarah chegou à porta, ele saiu logo atrás.
Irina observou.
E alguma coisa fria cresceu dentro dela.
Sarah caminhou em silêncio pelo corredor.
Jacob ao lado.
Esperou dez passos.
Vinte.
Trinta.
Então parou.
— Você está louco?
Jacob também parou.
— Como é?
— Você entrou na sala da sua tia como se fosse prender alguém.
— Não exagere.
— Você praticamente me sequestrou de uma reunião.
— Você queria ficar?
Sarah pensou.
— Não.
— Então.
— Não é esse o ponto.
Jacob voltou a caminhar.
Sarah o acompanhou.
— Como você sabia onde eu estava?
— Perguntei.
— Por quê?
— Precisava do parecer.
— Poderia mandar um e-mail.
— Poderia.
— Então?
Jacob não respondeu.
Sarah estreitou os olhos.
— Emmett contou?
— Contou o quê?
— Que Irina tinha me chamado.
Jacob continuou andando.
— Talvez.
Sarah sorriu.
— Ele contou.
— Sarah.
Ela parou outra vez.
Jacob virou-se.
— Obrigada.
A irritação desapareceu um pouco do rosto dele.
— Não precisa agradecer.
— Preciso.
— Você não precisava de mim.
— Eu sei.
Jacob ficou em silêncio.
Sarah sorriu.
— Isso foi quase um elogio.
— Foi uma constatação.
— Mesmo assim.
Ela voltou a andar.
Jacob ficou parado por um segundo.
Então a acompanhou.
Sarah estava certa.
Ela não precisava dele.
Conseguia enfrentar Irina perfeitamente.
Então por que, quando Emmett mencionara casualmente que Irina a havia chamado sozinha, Jacob levantara da cadeira antes mesmo de perceber que estava fazendo isso?
Emmett estava na sala de reuniões quando eles entraram.
Olhou primeiro para Sarah.
Depois para Jacob.
Depois para o relógio.
— A reunião não era às três?
— Antecipei — Jacob respondeu.
Emmett olhou para Sarah.
— O que aconteceu?
— Seu irmão me resgatou das garras da sua tia.
Jacob fechou os olhos.
— Não diga assim.
Emmett abriu um sorriso enorme.
— Como é?
— Não aconteceu nada.
Sarah sentou-se.
— Ele entrou na sala e praticamente anunciou: “largue a advogada”.
— Sarah.
Emmett estava encantado.
— Eu preciso ouvir isso inteiro.
— Você não precisa.
Edward entrou exatamente naquele momento.
— Ouvir o quê?
Emmett abriu os braços.
— Jacob salvou Sarah de Irina.
Edward parou.
Olhou para Jacob.
— Salvou?
— Ninguém salvou ninguém.
Sarah abriu a pasta.
— Concordo. Eu estava indo muito bem.
Jacob apontou para ela.
— Obrigado.
— Até ele aparecer.
— Sarah.
Ela sorriu.
Edward sentou-se.
— O que Irina queria?
Sarah explicou rapidamente.
O humor de Edward desapareceu.
— Ela questionou sua idade de novo?
— Entre outras coisas.
— O que mais?
— Edward...
— O quê?
Sarah percebeu.
A mesma coisa.
Aquele tom protetor.
— Nada que eu não pudesse responder.
Edward assentiu, ainda contrariado.
Emmett observou os três.
Depois começou a sorrir sozinho.
Jacob percebeu.
— O que foi?
— Nada.
— Emmett.
— Estou só apreciando.
— O quê?
Ele apontou para Edward.
— Esse fica indignado porque Irina falou com ela.
Depois apontou para Jacob.
— Esse atravessa o prédio para buscar ela.
Apontou para si.
— E eu sou o único normal.
Sarah começou a rir.
Edward olhou para ele.
— Você colocou Sarah atrás de você porque um carro passou rápido.
Emmett perdeu o sorriso.
— Traidor.
Sarah arregalou os olhos.
— Você fez isso?
— Instinto.
Ela olhou para os três.
— Vocês são muito estranhos.
Jacob abriu a pasta.
— Podemos trabalhar?
Sarah continuou olhando.
— Muito estranhos.
A reunião durou quase duas horas.
Sarah apresentou os riscos que havia identificado.
Jacob fez perguntas.
Edward acrescentou observações.
Emmett, apesar das brincadeiras, conhecia profundamente a operação.
Em determinado momento, Jacob percebeu que estava observando Sarah explicar uma cláusula.
Ela gesticulava quando se empolgava.
Franzia o nariz quando discordava.
Mordia discretamente o interior da bochecha quando pensava.
E tocava o peito quando ficava tensa.
Pequenas coisas.
Jacob conhecia pequenas coisas.
Não aquelas.
Não exatamente.
Mas o corpo dele insistia que conhecia.
— Jacob?
Ele piscou.
Sarah estava olhando para ele.
— O quê?
— Perguntei se concorda.
— Com?
Emmett abaixou a cabeça para esconder o sorriso.
Sarah cruzou os braços.
— Você não ouviu nada do que falei nos últimos dois minutos.
— Ouvi.
— Então responde.
Jacob olhou para a página.
Improvisou.
— Concordo com a alteração da cláusula de responsabilidade, mas não com a retirada integral da garantia.
Sarah o observou.
— Você ouviu.
— Eu disse.
— Achei que estivesse distraído.
— Não estava.
Emmett tossiu.
— Mentira.
Jacob lançou um olhar mortal.
Irina não esqueceu.
Naquela noite, sentada diante de Aro, voltou ao assunto.
— Ele a protegeu.
Aro serviu uma bebida.
— Jacob protege funcionários.
— Não daquele jeito.
— Você está exagerando.
— Eu conheço Jacob desde criança.
Aro sentou-se.
— Então o que acha que está acontecendo?
Irina ficou em silêncio.
Não sabia.
E odiava não saber.
— Ele entrou naquela sala preparado para confrontar comigo antes mesmo de saber o que havia acontecido.
— Talvez Emmett tenha contado.
— Contou.
— Então?
— Não é isso.
Irina apertou os dedos.
— Foi a maneira.
Aro observou a esposa.
— Você continua incomodada com essa garota.
— Sim.
— Por quê?
Irina se levantou.
— Eu não sei.
Caminhou até a janela.
— Ela me lembra alguém.
Aro ficou atento.
— Quem?
Irina fechou os olhos.
O gesto.
Aquela forma de sustentar o olhar.
A maneira de responder sem levantar a voz.
Esme.
Mas não apenas Esme.
Havia outra coisa.
Alguma coisa que ainda não conseguia alcançar.
— Ninguém.
— Irina.
Ela se virou.
— Eu disse ninguém.
Aro não insistiu.
Mas Irina tomou uma decisão.
Passaria a observar Sarah Clearwater.
No fim do expediente, Sarah saiu do elevador e encontrou Irina no estacionamento.
As duas pararam.
— Senhora Volturi.
Irina não respondeu ao cumprimento imediatamente.
— Você parece ter conquistado defensores rapidamente.
Sarah entendeu.
— Não pedi que ninguém me defendesse.
— Não?
— Não.
Irina aproximou-se.
— Jacob não costuma interferir nos meus assuntos.
Sarah sorriu educadamente.
— Talvez porque normalmente os seus assuntos não sejam funcionários sob responsabilidade dele.
— Você acha que foi isso?
Sarah ficou séria.
— Acho que deveria perguntar a ele.
Irina estreitou os olhos.
— Cuidado.
Sarah suspirou.
— A senhora gosta muito dessa palavra.
— E você parece precisar ouvi-la.
— Por quê?
— Porque algumas pessoas confundem atenção com importância.
Sarah sustentou seu olhar.
Entendeu perfeitamente a insinuação.
— Se está falando de Jacob, não existe nada entre nós.
— Ainda.
Sarah quase riu.
— Isso é realmente uma conversa que estamos tendo?
— Estou apenas evitando mal-entendidos.
— Então permita que eu evite um também.
Sarah aproximou-se um pouco.
— Eu vim para esta empresa trabalhar. Não quero ações, influência, sobrenome ou posição de ninguém.
Irina ficou imóvel.
Sarah continuou:
— E se Jacob resolveu interferir hoje, essa é uma questão que a senhora deve discutir com Jacob. Não comigo.
— Você é bastante segura.
— A senhora já mencionou.
Sarah fez um pequeno aceno.
— Boa noite.
Virou-se.
— Sarah.
Ela parou.
Irina observou seu perfil.
Por um instante, alguma coisa apertou seu peito.
Uma lembrança antiga.
Esme virando-se exatamente daquela maneira.
Irina endureceu.
— Nada.
Sarah franziu a testa.
— Boa noite.
Foi embora.
Irina ficou olhando.
Jacob estava entrando no estacionamento quando viu Sarah.
Ela caminhava sozinha.
Irina estava alguns metros atrás.
Seu corpo reagiu antes da razão.
Acelerou o passo.
— Sarah.
Ela se virou.
— Jacob.
Irina também olhou.
Jacob chegou perto.
— Está indo embora?
— Essa costuma ser a finalidade de vir ao estacionamento no fim do expediente.
— Engraçadinha.
— Às vezes.
Ele olhou para Irina.
Depois para Sarah.
— Aconteceu alguma coisa?
Sarah percebeu imediatamente.
— Não.
— Tem certeza?
— Absoluta.
Irina começou a caminhar na direção deles.
— Boa noite, Jacob.
— Irina.
Ela passou.
Antes de entrar no carro, olhou novamente para os dois.
Sarah percebeu.
Jacob também.
— O que ela disse? — ele perguntou.
— Nada importante.
— Sarah.
— Jacob.
— O que ela disse?
Sarah cruzou os braços.
— Você sempre é assim?
— Assim como?
— Protetor.
A pergunta o pegou desprevenido.
— Não estou protegendo você.
Sarah olhou para trás.
Depois para ele.
— Você acabou de verificar se sua tia me atacou no estacionamento.
— Não achei que ela tivesse atacado você.
— Interrogado?
— Também não.
— Ameaçado?
— Sarah.
Ela sorriu.
— Está bem.
Jacob ficou sério.
— Ela falou alguma coisa sobre mim?
Sarah ergueu uma sobrancelha.
— Por que acha isso?
Ele conhecia Irina.
— Porque conheço minha tia.
Sarah pensou.
— Disse que algumas pessoas confundem atenção com importância.
O maxilar de Jacob endureceu.
— Ela disse isso?
— Disse.
— E?
— E eu respondi.
— O quê?
Sarah sorriu.
— Isso fica entre mim e ela.
Jacob não gostou.
— Sarah...
— Eu sei me defender.
— Eu sei.
A resposta veio imediata.
Ela ficou surpresa.
Jacob continuou:
— Eu sei que você não precisa que ninguém fale por você.
— Então por que faz?
A pergunta ficou entre os dois.
Jacob não tinha resposta.
Sarah esperou.
— Eu não faço.
Ela riu.
— Fez duas vezes hoje.
— Situações específicas.
— Claro.
— Sarah...
— Relaxa.
Ela se aproximou do carro.
— Eu não estou reclamando.
Jacob ficou olhando.
Sarah abriu a porta.
Antes de entrar, virou-se.
— Na verdade...
Hesitou.
— É bom.
— O quê?
Ela sorriu.
— Saber que alguém está olhando.
Jacob sentiu o peito apertar.
Uma voz infantil atravessou sua memória.
Você sempre cuida de mim.
O rosto dele mudou.
Sarah percebeu.
— Jacob?
Ele piscou.
— Nada.
— Tem certeza?
— Vai para casa.
— Isso foi uma ordem?
— Foi.
— Então provavelmente vou ficar mais meia hora.
Jacob finalmente sorriu.
— Vai embora, Clearwater.
Sarah entrou no carro.
— Boa noite, Black.
Fechou a porta.
Jacob permaneceu parado enquanto ela saía.
Só depois percebeu uma coisa.
Não tinha chamado Sarah de Clearwater durante todo o dia.
Irina observava do interior do próprio carro.
Viu Jacob esperar até o automóvel de Sarah desaparecer pela saída.
Viu a maneira como ele olhava.
Aquilo não era simples gentileza.
Não era comportamento de presidente.
E não era apenas atração.
Havia alguma coisa mais profunda.
Mais instintiva.
Irina apertou o volante.
Sarah Clearwater chegara havia menos de duas semanas.
Emmett gostava dela.
Edward a protegia.
Jacob a defendia.
Os três.
A mesma mulher.
Por quê?
Irina fechou os olhos.
E, pela primeira vez, uma pergunta verdadeiramente incômoda surgiu.
Não uma conclusão.
Não uma suspeita concreta.
Apenas uma pergunta.
Quem era Sarah Clearwater?
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