MEMÓRIAS

7 CAPÍTULO 6 - Como se eu já conhecesse você



Sarah demorou exatamente três dias para aceitar a proposta da Cullen & Black.

Durante esses três dias, fez o que sempre fazia quando precisava tomar uma decisão importante.

Analisou salário.

Benefícios.

Responsabilidades.

Possibilidades de crescimento.

Estrutura do departamento.

Cláusulas contratuais.

Riscos.

Horários.

Exigências.

Leu a proposta duas vezes, marcou observações, pesquisou processos envolvendo a empresa e chegou até a montar uma lista com vantagens e desvantagens.

O problema era que nenhuma dessas coisas explicava por que, desde que saíra daquele edifício, continuava pensando em voltar.

Aquilo a irritava.

Sarah gostava de decisões racionais.

E não havia nada racional na sensação de que alguma coisa a puxava para a Cullen & Black.

Na quarta manhã, entrou na cozinha com o contrato na mão.

Harry estava tomando café.

Sue preparava uma torrada.

Sarah colocou os papéis sobre a mesa.

— Vou aceitar.

Harry ergueu os olhos.

— A Cullen & Black?

— Sim.

Sue sorriu imediatamente.

— Eu sabia.

Sarah sentou-se.

— Como?

— Porque você falou da empresa durante três dias.

— Falei do trabalho.

— Falou de Emmett.

— Porque ele é engraçado.

Sue colocou a torrada no prato.

— Falou de Edward.

— Porque ele é estranho.

Harry sorriu.

— E falou bastante do presidente.

Sarah pegou uma fruta.

— Não falei bastante de Jacob.

Harry e Sue se entreolharam.

Sarah percebeu.

— Não façam isso.

— Isso o quê? — Sue perguntou.

— Essa conversa silenciosa de pais.

— Não fizemos nada.

— Fizeram.

Harry tentou esconder o sorriso atrás da xícara.

Sarah apontou para ele.

— Principalmente você.

— Só estou tomando café.

— Com uma expressão.

— Tenho apenas uma expressão.

Sue riu.

Sarah balançou a cabeça.

— Jacob Black é meu futuro chefe.

— Eu não disse nada — Harry respondeu.

— Nem precisa.

Ela mordeu a fruta.

— Aliás, ele é insuportável.

Sue levantou uma sobrancelha.

— Você o conheceu por vinte minutos.

— Vinte e três.

Silêncio.

Sarah parou de mastigar.

Harry olhou para Sue.

Sue olhou para Harry.

— Não.

Sue sorriu.

— Eu não disse nada.

— Vocês são impossíveis.

Sarah pegou o contrato.

— Vou trabalhar.

Saiu da cozinha.

Harry esperou ouvir os passos subindo a escada.

Então olhou para a esposa.

— Vinte e três minutos.

Sue tomou café.

— Ela contou.

— Contou.

— Interessante.

Os dois sorriram.


Quando o e-mail de aceitação chegou, Emmett entrou na sala de Edward sem bater.

— Ela aceitou.

Edward levantou os olhos do computador.

— Quem?

Emmett apenas o encarou.

Edward voltou ao computador.

— Sarah.

— Exatamente.

— Ótimo.

— Essa foi sua reação?

— Qual reação você esperava?

— Alguma emoção.

— Estou trabalhando.

Emmett sentou-se.

— Ela começa segunda.

Edward parou de digitar.

— Segunda?

Emmett sorriu.

— Você se importou.

— Não.

— Parou de trabalhar.

— Porque você está falando.

— Não costuma impedir.

Edward respirou fundo.

— Emmett.

— Está bem.

Ele levantou-se.

— Vou contar para Jacob.

Edward imediatamente olhou para ele.

— Talvez não seja uma boa ideia.

— Por quê?

— Você viu como ele reagiu quando mencionei...

Emmett perdeu parte do sorriso.

— Eu sei.

Nenhum dos dois pronunciou o nome.

Não precisavam.

— Mas Sarah Clearwater vai trabalhar aqui — Emmett disse. — Ele vai ter que lidar com isso.

Edward assentiu.

— Só não force.

— Eu nunca forço nada.

Edward olhou para ele.

— Você literalmente trouxe Sarah até a sala dele contra a vontade dos dois.

— Detalhes.


Jacob recebeu a notícia sem levantar os olhos.

— Ela aceitou.

— Ótimo.

Emmett esperou.

Nada.

— Segunda-feira.

— Ouvi.

— Jurídico corporativo.

— Emmett.

— O quê?

Jacob finalmente ergueu a cabeça.

— Você quer que eu faça uma festa?

— Não. Quero saber por que está agindo como se ela ter aceitado fosse uma péssima notícia.

— Não estou.

— Está.

— Tenho trabalho.

Emmett aproximou-se da mesa.

— Jacob, aquela conversa...

— Acabou.

— Eu sei.

— Então não volte ao assunto.

Emmett observou o amigo.

— Você está evitando até falar o nome dela.

— Sarah Clearwater.

Jacob pronunciou com frieza.

— Satisfeito?

Emmett suspirou.

— Muito maduro.

— Sai da minha sala.

— Ela não é...

Jacob ergueu os olhos.

Emmett parou antes de completar.

— Eu sei — disse apenas.

Jacob voltou aos documentos.

— Segunda-feira ela começa.

— Eu ouvi.

Emmett caminhou até a porta.

— Tente não assustar nossa nova advogada.

— Emmett.

— Já estou saindo.

Quando a porta fechou, Jacob largou a caneta.

Sarah Clearwater.

Precisava começar a pensar nela pelo nome inteiro.

Não Sarah.

Sarah Clearwater.

Filha de Harry e Sue Clearwater.

Advogada.

Vinte e três anos.

Uma desconhecida.

Jacob repetiu mentalmente até parecer verdade suficiente.


Na segunda-feira, Sarah chegou às oito e dez.

Seu horário começava às nove.

Emmett a encontrou no corredor.

— Você tem algum problema?

Sarah parou.

— Bom dia para você também.

— São oito e dez.

— Eu sei ler relógio.

— Você começa às nove.

— Primeiro dia.

— Você chegou cinquenta minutos antes.

— Quero conhecer os sistemas.

Emmett colocou a mão no ombro dela.

— Sarah, venha comigo.

— Para onde?

— Café.

— Não quero café.

— Não importa. Precisamos conversar sobre equilíbrio emocional.

Ela riu.

— Você está me dando conselhos sobre equilíbrio?

— Eu sou um homem muito centrado.

— Rosalie discorda.

— Rosalie me ama.

— Isso não melhora seu argumento.

Foram andando.

— Edward já chegou? — Sarah perguntou.

— Claro.

— E Jacob?

Emmett olhou de lado.

Sarah percebeu.

— O quê?

— Nada.

— Você fez uma cara.

— Vocês precisam parar de perceber minhas caras.

— Responde.

— Jacob provavelmente chegou antes dos seguranças.

— Ele trabalha sempre assim?

— Sim.

Sarah ficou pensativa.

— Ele parece...

— Infeliz?

Ela riu.

— Eu ia dizer intenso.

— Minha palavra é melhor.


Sarah passou a manhã mergulhada em documentos.

Ao meio-dia já conhecia metade da equipe e havia feito tantas perguntas que o diretor jurídico começava a suspeitar que, em algumas semanas, ela conheceria os contratos melhor do que ele.

Foi Edward quem apareceu à porta.

— Vai almoçar?

Sarah levantou os olhos.

— Eventualmente.

— Que significa?

— Quando terminar.

Edward olhou para a pilha.

— Isso vai levar horas.

— Talvez.

— Então agora.

Sarah arqueou uma sobrancelha.

— Você sempre dá ordens para pessoas que conheceu há quatro dias?

Edward ficou parado.

A pergunta o atingiu de maneira estranha.

— Não.

— Então por que comigo?

Ele realmente não sabia.

— Porque você precisa comer.

Sarah sorriu.

— Minha mãe diria a mesma coisa.

Edward sentiu alguma coisa apertar dentro dele.

— Vem.

— Está bem.

Ela pegou a bolsa.

— Mas só porque estou com fome.

— Claro.


O restaurante escolhido ficava perto da empresa.

Emmett já estava lá.

E não estava sozinho.

— Sarah!

Rosalie levantou-se.

Sarah abriu um sorriso.

— Finalmente alguém normal.

Emmett colocou a mão no peito.

— Isso está se tornando ofensivo.

Sarah abraçou Rosalie.

Foi então que percebeu a mulher sentada ao lado de Edward.

Bonita.

Cabelos escuros.

Olhar atento.

Edward aproximou-se.

— Sarah, essa é Isabella Swan.

Sarah sorriu.

— Prazer.

Isabella apertou sua mão.

— Prazer.

Edward sentou-se ao lado da namorada.

Sarah ao lado de Rosalie.

— Então você é a famosa Sarah — Isabella comentou.

Sarah olhou para Emmett.

— Famosa?

— Não fui eu — ele respondeu.

Isabella sorriu.

— Edward falou de você.

Sarah virou-se para Edward.

— Falou?

Ele pareceu desconfortável.

— Comentei sobre a contratação.

— Mais de uma vez — Isabella acrescentou.

Rosalie percebeu o tom.

Emmett também.

Sarah não.

— Espero que bem.

— Muito bem — Isabella respondeu.

Edward pegou o cardápio.

— Bella.

— O quê? É verdade.

Sarah sorriu.

— Fico feliz.

A conversa mudou.

Por alguns minutos tudo pareceu normal.

Até Sarah pegar o copo e quase derrubá-lo ao esbarrar no prato.

Edward segurou imediatamente antes que caísse.

— Cuidado.

Sarah riu.

— Reflexo bom.

— Você sempre foi desastrada assim?

A pergunta saiu espontaneamente.

Sarah parou.

Edward também.

Emmett olhou para ele.

— Sempre? — Sarah repetiu.

Edward percebeu.

— Modo de falar.

— Ah.

Sarah voltou ao prato.

Mas Emmett ficou olhando para o irmão.

Isabella também.


Pouco depois, Sarah tentou alcançar o pão.

Edward passou o prato antes que ela pedisse.

— Obrigada.

Mais tarde, quando o garçom colocou uma travessa quente perto demais dela, Edward afastou.

— Está quente.

Sarah olhou para ele.

— Eu percebi.

— Você ia encostar.

— Não ia.

— Ia.

— Edward, tenho vinte e três anos.

— Eu sei.

— Sobrevivi até aqui.

— Por sorte, aparentemente.

Sarah começou a rir.

Emmett quase engasgou.

— Isso está ficando assustador.

Edward olhou para ele.

— O quê?

— Você.

Isabella colocou os talheres sobre o prato.

— Concordo.

Edward percebeu o tom.

— Bella...

— Não. Estou achando interessante.

Sarah finalmente notou o desconforto.

— Eu fiz alguma coisa?

— Não — Isabella respondeu rapidamente.

Edward colocou a mão sobre a dela.

— Sarah acabou de entrar na empresa.

— Eu sei.

— Então?

Isabella sorriu.

— Nada.

Mas havia alguma coisa.


Depois do almoço, Isabella esperou até ficarem sozinhos.

— Você gosta dela?

Edward parou.

— Sarah?

— Existe outra mulher sobre quem estamos falando?

— Conheço ela há quatro dias.

— Não foi minha pergunta.

Edward franziu a testa.

— Que tipo de pergunta é essa?

— Uma simples.

— Não.

Isabella cruzou os braços.

— Não?

— Não desse jeito.

— Mas de algum jeito.

Edward ficou em silêncio.

Porque sim.

Gostava.

E não sabia explicar.

— Ela é simpática.

— Você não age assim com pessoas simpáticas.

— Assim como?

— Você observa tudo o que ela faz.

Edward pareceu genuinamente confuso.

— Eu não observo.

— Observa.

— Bella...

— No almoço você ficou preocupado porque uma mulher adulta poderia tocar numa travessa quente.

Edward passou a mão pelo rosto.

— Eu nem percebi.

— Esse é o problema.

Ele olhou para ela.

— Que problema?

— Você faz sem perceber.

Edward ficou quieto.

Isabella se aproximou.

— Você olha para Sarah diferente.

— Não.

— Olha.

— Bella, não existe nada entre mim e Sarah.

— Eu acredito.

A resposta surpreendeu.

— Acredita?

— Acredito.

Ela tocou o peito dele.

— Porque você não olha para ela como olha para uma mulher que deseja.

Edward relaxou.

— Exatamente.

— Mas olha diferente.

Ele não respondeu.

Isabella continuou:

— Como?

Edward pensou.

Pensou no corredor.

No carrinho.

No almoço.

Na necessidade inexplicável de saber se Sarah tinha comido.

Na sensação de que precisava protegê-la.

E respondeu com a única comparação que fazia sentido.

— Como se ela fosse minha irmã.

Isabella ficou imóvel.

Edward percebeu o absurdo da frase e quase riu.

— Eu sei como parece.

— Sua irmã?

— Não literalmente.

— Espero que não.

— É uma sensação.

Isabella olhou para ele.

— Você tinha uma irmã.

O rosto de Edward mudou.

— Tinha.

— Sarah.

Silêncio.

— Não faça isso.

— Edward...

— Minha irmã morreu.

— Eu sei.

— E Sarah Clearwater não tem nada a ver com ela.

Isabella assentiu.

— Está bem.

Edward beijou sua testa.

— Não precisa sentir ciúme.

— Não estou com ciúme.

Ele ergueu uma sobrancelha.

— Talvez um pouco.

Edward finalmente sorriu.

— Não existe motivo.

Isabella o abraçou.

Mas, sobre o ombro dele, seu sorriso desapareceu.

Porque talvez não existisse atração.

Mas havia alguma coisa.

E Isabella ainda não sabia se isso a tranquilizava ou a preocupava mais.


Sarah passou a tarde inteira trabalhando.

Às sete e quinze, quase todo o departamento já havia ido embora.

Ela continuava diante do computador.

Foi quando ouviu:

— Você pretende dormir aqui?

Sarah levantou os olhos.

Jacob estava parado à porta.

Terno escuro.

Mangas perfeitas.

Expressão séria.

— Boa noite para você também.

— Seu horário terminou.

— O seu também.

— Eu sou o presidente.

— Existe alguma cláusula trabalhista permitindo que presidentes ignorem jornada?

Jacob quase sorriu.

— Você responde tudo?

— Quando perguntam.

Ele entrou.

— Primeiro dia.

— Sim.

— E já está fazendo hora extra.

— Estou terminando uma análise.

— Pode terminar amanhã.

— Posso terminar hoje.

Jacob olhou para ela.

Sarah voltou ao computador.

Ele deveria ir embora.

Não foi.

— Gostou?

Ela levantou os olhos.

— Da empresa?

— Do trabalho.

— Muito.

Jacob assentiu.

— Emmett estava certo.

— Sobre?

— Você é boa.

Sarah sorriu.

— Isso foi um elogio?

— Não se acostume.

— Tarde demais.

Jacob olhou para o sorriso dela.

E sentiu novamente.

Aquela familiaridade.

Aquela dor.

Desviou os olhos.

— Boa noite, Clearwater.

Sarah franziu a testa.

— Clearwater?

— Seu sobrenome.

— Eu sei qual é meu sobrenome.

— Então?

— Todo mundo me chama de Sarah.

Jacob ficou imóvel.

— Eu prefiro Clearwater.

Ela o observou.

— Por quê?

— Porque é seu nome.

— Sarah também.

— Boa noite.

Ele virou-se.

— Jacob.

Parou.

Ouvir o próprio nome na voz dela produziu uma reação imediata.

Fechou os olhos por uma fração de segundo antes de se virar.

— O quê?

Sarah estudou seu rosto.

— Eu fiz alguma coisa para você?

— Não.

— Tem certeza?

— Absoluta.

— Então por que parece que está tentando manter dez metros de distância de mim?

Jacob sustentou seu olhar.

Porque seus olhos pareciam os olhos de uma menina morta.

Porque seu sorriso o fazia lembrar de coisas que não queria lembrar.

Porque ouvi-la dizer seu nome parecia errado de tão familiar.

Porque havia passado quinze anos tentando aceitar que Sarah estava morta e aquela mulher aparecera fazendo tudo dentro dele duvidar de certezas que não podia perder.

Mas respondeu:

— Sou assim com todos.

Sarah soltou uma risada.

— Mentira.

Jacob arqueou uma sobrancelha.

— Como é?

— Você não é assim com Emmett.

— Emmett é praticamente meu irmão.

— Nem com Edward.

— Também.

— Nem com o diretor jurídico.

— Você está me observando?

Sarah percebeu a armadilha.

— Não.

Jacob sorriu.

— Parece que está.

— Estou tentando entender meu chefe.

— Não precisa.

— Preciso se vou trabalhar aqui.

— Trabalhe bem. É suficiente.

Sarah ficou alguns segundos em silêncio.

— Está bem.

Jacob assentiu.

— Boa noite.

— Boa noite, senhor Black.

Ele deu dois passos.

— Jacob.

Sarah sorriu.

— Você acabou de dizer que prefere sobrenomes.

Jacob percebeu.

Ela havia vencido.

— Boa noite, Sarah.

A palavra saiu baixa.

Sarah ficou imóvel.

Alguma coisa percorreu sua pele.

Aquela voz.

Por um instante...

Desculpa.

Ela perdeu o sorriso.

Jacob percebeu.

— O que foi?

— Nada.

Sarah levou a mão ao peito.

Jacob acompanhou o movimento.

De novo.

— Você faz isso quando está nervosa.

Sarah congelou.

— Emmett disse a mesma coisa.

Jacob também congelou.

— Disse?

— Disse.

Ela olhou para a própria mão.

— Parece que vocês prestam muita atenção nisso.

Jacob não respondeu.

Sarah sorriu.

— Boa noite, Jacob.

— Boa noite.

Ele saiu.


No corredor, Jacob diminuiu o passo.

Você faz isso quando está nervosa.

Por que havia dito aquilo?

Porque sabia.

Não.

Porque vira Sarah Clearwater fazer.

Só isso.

Continuou andando.

Mas uma lembrança antiga surgiu.

Uma menina sentada em sua cama.

Oito anos.

A mão sobre o peito.

— O que você está escondendo?

— Segredo.

Jacob parou no meio do corredor.

O coração acelerou.

Não.

Virou-se.

A porta do jurídico ainda estava aberta.

Poderia voltar.

Perguntar.

Perguntar o quê?

Por que você coloca a mão no peito?

Ridículo.

Jacob passou a mão pelo rosto.

— Chega.

Foi embora.


Sarah desligou o computador às sete e quarenta.

Pegou a bolsa.

Apagou a luz.

Quando entrou no elevador, ficou sozinha.

Olhou para seu reflexo.

— Ele é estranho.

O reflexo não respondeu.

Sarah tocou o peito.

Dessa vez conscientemente.

Retirou a corrente de dentro da camisa.

A pequena lua apareceu.

Passou o polegar sobre ela.

— Por que eu faço isso?

Não sabia.

Nunca soubera.

Guardou novamente o pingente.

As portas abriram.

Sarah saiu.

E, pela primeira vez desde que começara a ter os sonhos, teve uma vontade quase dolorosa de descobrir quem era o menino que passara tantos anos pedindo desculpas dentro deles.


Na manhã seguinte, Jacob entrou no elevador.

Edward já estava lá.

— Bom dia.

— Bom dia.

Silêncio.

O elevador começou a subir.

Edward olhou para o irmão de criação.

— Emmett disse que você ficou até tarde.

— Trabalhando.

— Sarah também.

Jacob olhou para ele.

— E?

Edward quase sorriu.

— Nada.

Jacob voltou os olhos para a porta.

— Não começa.

— Não comecei.

— Está começando.

Edward ficou em silêncio.

Depois perguntou:

— Você ainda acha que é coincidência?

Jacob sabia exatamente do que ele falava.

— Sim.

— Mesmo depois de ontem?

— Principalmente depois de ontem.

Edward assentiu.

— Certo.

As portas se abriram.

Jacob saiu.

Edward veio atrás.

— Jacob.

Ele parou.

— O quê?

Edward hesitou.

— Eu disse uma coisa para Bella ontem.

— O quê?

— Que estar perto de Sarah parece...

Jacob esperou.

Edward terminou:

— Como estar perto de uma irmã.

Jacob ficou imóvel.

Edward continuou:

— Eu sei que é absurdo.

Jacob não respondeu.

— Mas foi a única forma que encontrei de explicar.

Jacob olhou para ele.

— E Emmett?

— Disse que sente familiaridade.

— E você sente que ela é sua irmã.

— Não que ela seja. Que a sensação é parecida.

Jacob desviou os olhos.

— E você? — Edward perguntou.

— Eu não sinto isso.

Era verdade.

O que Jacob sentia por Sarah Clearwater não tinha nada de fraternal.

E isso tornava tudo ainda mais confuso.

Edward percebeu.

— Então o que sente?

Jacob sustentou seu olhar por alguns segundos.

— Nada que seja da sua conta.

Entrou na própria sala.

Edward ficou parado no corredor.

Então sorriu discretamente.

Pela primeira vez desde que Sarah Clearwater atravessara aquelas portas, Edward começava a compreender uma coisa.

Talvez os três sentissem que a conheciam.

Mas Jacob definitivamente não olhava para ela como um irmão.