MEMÓRIAS
45 CAPÍTULO - 45 Quatro anos depois
Sarah apagou o quadro inteiro.
Não parcialmente.
Não deixando a T-6 num canto.
Não preservando setas para Irina, Aro, Robert ou Salvatore.
Apagou tudo.
Jacob estava sentado no sofá do escritório quando ela terminou.
Emmett e Edward chegaram pouco depois.
Billy veio por último.
Sarah escreveu no alto:
QUATRO ANOS DEPOIS.
Abaixo:
JACOB — 10 ANOS.
EMMETT — 10 ANOS.
EDWARD — 8 ANOS.
SARAH — 8 ANOS.
Virou-se.
— Antes de qualquer coisa, isso fica fixo.
Emmett olhou.
— As idades?
— As idades e a sequência.
Sarah apontou para cada nome.
— No acidente das mães, vocês dois tinham seis e nós dois tínhamos quatro.
Olhou para Jacob e Emmett.
Depois para Edward.
— Quatro anos se passaram.
Apontou novamente.
— Na emboscada, Jacob e Emmett tinham dez. Edward e eu, oito.
Billy assentiu.
Sarah escreveu mais uma linha:
ACIDENTE DAS MÃES → 4 ANOS → EMBOSCADA / MORTE DE CARLISLE / DESAPARECIMENTO DE SARAH.
— Não misturamos mais as duas noites.
Edward cruzou os braços.
— Mas sabemos que existe uma ligação.
— Sabemos que Carlisle estava investigando a T-6 pouco antes da emboscada. Isso é fato.
— E Charlie ia encontrá-lo por causa disso.
— Também é fato.
Sarah respirou.
— Agora precisamos descobrir quanto dessa investigação levou diretamente ao ataque.
Jacob observou o quadro.
— Sem preencher o que falta.
Ela olhou para ele.
— Exatamente.
Emmett suspirou.
— Vocês estão ficando assustadoramente iguais.
Jacob sorriu.
— Obrigado.
— Não foi elogio.
A primeira resposta estava numa pasta particular de Carlisle.
Billy a guardara por quinze anos.
Já a abrira.
Já olhara os documentos.
Já procurara alguma explicação.
Mas nunca soubera o que exatamente deveria procurar.
Agora sabiam.
A pasta foi entregue para tratamento adequado antes de qualquer análise nova.
Dentro havia contratos.
Correspondências.
Anotações.
Fotografias das crianças.
Papéis da empresa.
E uma folha escrita seis dias antes da morte de Carlisle.
Charlie ainda tem cópia.
Abaixo:
Robert confirmou retirada.
Depois:
A.V. sabia.
A sala ficou em silêncio.
Edward foi o primeiro.
— Aro.
Sarah respirou.
— Provavelmente Aro.
Emmett apontou para ela.
— Você sabe que é Aro.
— Eu sei que as iniciais são compatíveis e o contexto aponta para ele. Isso não me dá direito de apagar a palavra “provavelmente”.
— Você é cansativa.
— Obrigada.
Jacob aproximou-se.
— Robert confirmou a retirada da T-6?
— Parece.
— E Carlisle descobriu que Aro sabia.
Sarah assentiu.
Escreveu:
SEIS DIAS ANTES DA EMBOSCADA: CARLISLE RETOMA FORMALMENTE A TRILHA T-6.
Billy ficou olhando.
— Ele não me contou.
Sarah virou.
Billy não estava bravo.
Estava ferido.
— Eu era o melhor amigo dele.
— Era.
— Sócio.
— Sim.
— Criávamos quatro crianças juntos.
Sarah aproximou-se.
— Talvez justamente por isso.
Billy olhou.
— Você já tinha perdido Sarah Black. Ele tinha perdido Esme. Se Carlisle começou a acreditar que as duas não tinham morrido num acidente...
Ela parou.
— Talvez não quisesse colocar você no meio antes de ter alguma coisa concreta.
Billy abaixou os olhos.
Jacob falou:
— Ou estava tentando proteger todos nós.
Billy olhou para o filho.
Quatro crianças.
Jacob.
Emmett.
Edward.
Sarah.
Naquela época, Sarah ainda corria pelos corredores daquela família.
Ainda discutia com os meninos.
Ainda estava ali.
Billy respirou.
— Ele sempre achava que podia proteger todo mundo sozinho.
Sarah olhou para a folha.
Talvez esse tivesse sido o último erro de Carlisle.
Outro documento estava dobrado dentro de uma agenda.
Era uma cópia parcial de movimentação administrativa do Volturi & Associados.
Data: poucos meses depois da morte de Esme e Sarah Black.
Código:
T-6.
Anotação:
“encerrar assunto / documentação centralizada A.V.”
Sarah leu duas vezes.
— Isso não diz destruir.
Edward assentiu.
— Pode ser procedimento administrativo.
— Pode.
— Mas Carlisle guardou.
— Sim.
Emmett perguntou:
— Porque achava suspeito?
— Provavelmente.
Jacob apontou para a primeira folha.
— “A.V. sabia.”
Sarah assentiu.
— Carlisle estava tentando estabelecer quando Aro soube e o que fez depois.
Havia também um envelope.
Vazio.
Na frente:
C.S. — original.
Charlie Swan.
Sarah sentiu um arrepio.
— Chamamos Charlie.
Charlie chegou naquela tarde.
Sarah já não sentia estranheza ao vê-lo.
Quinze anos antes, aquele homem encontrara três meninos depois que o mundo deles desmoronara.
Primeiro Edward e Emmett.
Depois Jacob.
E procurara Sarah durante horas.
Não a encontrara.
Mas tentara.
Charlie sentou diante deles.
Sarah colocou uma imagem do envelope sobre a mesa.
— Reconhece?
Charlie ficou imóvel.
— Sim.
— O que era?
Ele respirou.
— Um documento que Carlisle queria comparar com uma cópia minha.
— Sobre a T-6?
— Sim.
— O que mostrava?
Charlie pensou antes de responder.
— Que documentos ligados à movimentação da peça tinham sido retirados do fluxo normal do escritório Volturi.
— Por ordem de quem?
— A autorização que eu tinha apontava para Aro.
Edward se inclinou.
— Antes ou depois do acidente?
— A movimentação que eu investigava começava antes. A centralização documental vinha depois.
Sarah escreveu imediatamente.
— Precisamos manter essas duas coisas separadas.
Charlie assentiu.
— Carlisle também dizia isso.
Sarah sorriu de leve.
— Gostei dele.
Emmett soltou uma risada triste.
— Ele ia enlouquecer com você.
— Provavelmente.
Billy respondeu:
— Ia ficar orgulhoso.
Sarah ficou quieta.
Charlie contou que Carlisle o procurara na semana da emboscada.
A anotação antiga de Charlie já registrava:
C.C. ligou.
Disse que alguém mexeu nos arquivos antigos.
Perguntou se ainda tenho cópia T-6.
Pediu encontro. Não por telefone.
Sexta. Estrada velha.
Levar cópias.
Não envolver crianças.
Sarah apontou para a última linha.
— Isso é importante.
Charlie assentiu.
— Muito.
Jacob franziu a testa.
— Porque nós acabamos envolvidos.
— Sim.
— Então por que Carlisle estava conosco?
Charlie olhou para Billy.
Billy respirou fundo.
— Porque alguma coisa mudou naquele dia.
Billy deveria ficar com as crianças.
Os quatro.
Isso estava planejado.
Carlisle iria sozinho ao encontro com Charlie.
Mas, no fim da tarde, Billy recebeu uma convocação urgente relacionada à empresa.
— Horário? — Sarah perguntou.
— Não lembro com segurança.
— Documento?
— Talvez exista.
Encontraram.
Entrada de Billy na empresa:
16h17.
Motivo registrado:
reunião extraordinária — questão societária.
Solicitante:
Volturi & Associados.
Sarah ficou imóvel.
— Quem fez a solicitação?
O documento trazia autorização:
A.V.
Aro.
Jacob olhou para o pai.
— Então você saiu.
— Sim.
— E nós ficamos com Carlisle.
— Sim.
Sarah escreveu:
PLANO ORIGINAL: CARLISLE VAI SOZINHO / BILLY FICA COM AS QUATRO CRIANÇAS.
ALTERAÇÃO: BILLY É CHAMADO À EMPRESA.
CARLISLE FICA RESPONSÁVEL POR JACOB, EMMETT, EDWARD E SARAH.
Edward perguntou:
— Por que ele simplesmente não cancelou o encontro?
Charlie respondeu:
— Essa é uma das coisas que eu nunca soube.
Sarah olhou para a anotação.
Não envolver crianças.
Carlisle não pretendia levá-los.
Mas alguma coisa fizera com que considerasse o encontro urgente demais para adiar.
Ou perigoso demais para voltar atrás.
Aro foi confrontado com a convocação de Billy.
Admitiu tê-la autorizado.
— Por quê?
— Irina pediu.
— Existia questão societária urgente?
Aro demorou.
— Não.
— Então a reunião foi um pretexto.
— Sim.
— Por que Irina queria Billy ocupado?
Silêncio.
Aro respirou.
— Ela sabia que Carlisle estava mexendo novamente nos documentos antigos.
— Como sabia?
— Eu contei.
Sarah fechou os olhos quando recebeu a transcrição.
De novo.
Aro.
Sempre Aro entregando informação suficiente para Irina agir.
Depois dizendo a si mesmo que não sabia o que ela faria.
— O senhor sabia que Carlisle procurara Charlie Swan?
Aro hesitou.
— Sabia que ele tinha procurado alguém da investigação antiga.
— Sabia que era Charlie?
— Acho que descobri depois.
Sarah marcou:
INCERTO.
— Irina sabia?
— Não sei.
Outro:
INCERTO.
Nada seria preenchido apenas porque parecia lógico.
Charlie foi então convidado a reconstruir somente o que viveu na noite da emboscada.
Sem hipóteses.
Sem informações descobertas depois.
Sarah colocou uma folha em branco diante de si.
— Começa quando você estava indo encontrar Carlisle.
Charlie assentiu.
— Eu estava indo para o ponto combinado.
— Sozinho?
— Sim.
— Carlisle deveria estar sozinho?
— Sim.
— Você sabia que as crianças estavam com ele?
— Não.
Sarah escreveu.
CHARLIE NÃO ESPERAVA CRIANÇAS.
— O que aconteceu?
Charlie respirou.
— Antes de chegar ao ponto exato, ouvi motores.
— Quantos?
— Mais de um, acho. Não posso afirmar número.
Sarah assentiu.
— Depois?
— Um som de freada.
Pausa.
— E tiros.
A sala ficou imóvel.
Jacob segurou a mão de Sarah.
Ela continuou.
— Você viu os disparos?
— Não.
— Viu quem atirou?
— Não.
— Viu Carlisle ser atingido?
— Não.
— Então o que sabe diretamente?
Charlie olhou para ela.
— Que ouvi disparos. Quando cheguei à região, encontrei o veículo de Carlisle.
Sarah respirou.
— E as crianças?
Charlie fechou os olhos.
— Não estavam junto do carro.
O silêncio mudou.
Porque agora entravam na parte que todos conheciam em fragmentos.
Sarah escreveu:
CARLISLE MANDA AS QUATRO CRIANÇAS CORREREM.
Olhou para os irmãos.
— Isso vem de vocês.
Emmett assentiu.
Edward também.
Jacob fechou os olhos.
— Eu lembro.
Sarah não pediu detalhes imediatamente.
Edward falou primeiro.
— Ele mandou correr.
Emmett completou:
— Todos nós.
— Juntos? — Sarah perguntou.
Emmett pensou.
— No começo.
Edward assentiu.
— Acho que sim.
Sarah registrou:
INÍCIO DA FUGA: QUATRO CRIANÇAS PARTEM DA MESMA REGIÃO.
Depois:
— O que acontece?
Edward fechou os olhos.
— Floresta.
Emmett respirou.
— Galhos.
— Não tentem completar um ao outro.
Os dois assentiram.
Edward falou:
— Eu lembro do Emmett me puxando.
Emmett olhou para ele.
— Eu lembro de segurar você.
Sarah registrou.
Depois olhou para Jacob.
— E você?
Ele estava muito quieto.
— Você.
Sarah sentiu o coração bater mais forte.
— O que lembra sem usar nada que contamos depois?
Jacob fechou os olhos.
— Sua mão.
Silêncio.
— Eu segurava sua mão.
Sarah registrou.
DURANTE A FUGA: EMMETT + EDWARD PERMANECEM JUNTOS.
JACOB + SARAH PERMANECEM JUNTOS.
Essa era a divisão.
Não acontecera no carro.
Não acontecera antes de Carlisle mandar correr.
Os quatro começaram a fugir da mesma ameaça.
A separação ocorreu durante a fuga pela floresta.
Charlie continuou.
— Eu ouvi movimento no mato.
— Depois de encontrar o carro?
— Sim.
— Foi atrás?
— Sim.
— Quem encontrou primeiro?
Charlie olhou para Emmett.
Depois Edward.
— Eles.
Emmett abaixou a cabeça.
Edward apertou os lábios.
— Juntos?
— Sim.
Essa parte estava firme.
Charlie encontrara Emmett, 10 anos, e Edward, 8 anos, juntos.
Assustados.
Escondidos.
Emmett tentava manter Edward quieto.
— O que fez? — Sarah perguntou.
— Tirei os dois dali.
— Para onde?
— Para um ponto mais protegido, fora da linha da estrada. Eu precisava saber se havia mais gente procurando.
— Eles falaram de nós?
Charlie assentiu.
— Falaram de Jacob e Sarah.
Emmett fechou os olhos.
— Eu lembro de perguntar.
Charlie olhou.
— Você perguntou várias vezes.
Emmett passou a mão pelo rosto.
Sarah tocou seu braço.
— Você tinha dez anos.
Ele assentiu.
Charlie deixou Edward e Emmett protegidos e voltou a procurar.
Não encontrou Jacob imediatamente.
Não encontrou Sarah.
E essa ordem importava.
Sarah escreveu:
1. CHARLIE CHEGA À REGIÃO APÓS OUVIR MOTORES/DISPAROS.
2. ENCONTRA O VEÍCULO DE CARLISLE.
3. LOCALIZA EDWARD E EMMETT JUNTOS.
4. PROTEGE/ESCONDE OS DOIS.
5. CONTINUA BUSCANDO JACOB E SARAH.
Jacob olhou para a próxima linha ainda vazia.
Já sabia.
Sarah também.
Jacob e Sarah haviam continuado correndo.
Sozinhos.
Duas crianças.
Dez e oito anos.
Ele segurando a mão dela.
Ela tentando acompanhá-lo.
Floresta.
Escuro.
Medo.
Até o terreno mudar.
Até o rio.
Até o penhasco.
Jacob fechou os olhos.
— Eu lembro daqui.
Sarah largou a caneta.
— Não precisa.
— Preciso.
Ela olhou para ele.
Jacob respirou.
— Você escorregou.
Sarah sentiu o peito apertar.
— Eu segurei sua mão.
A voz dele falhou.
— Você disse...
Parou.
Sarah já sabia.
As palavras tinham atravessado quinze anos.
Não me deixa cair.
— Eu prometi que não ia deixar.
Sarah apertou sua mão.
Jacob continuou:
— Sua mão começou a escapar.
Lágrimas surgiram.
— E você disse que eu tinha prometido.
Sarah não tentou corrigir a memória.
Essa parte já havia sido reconhecida por ambos muito antes.
— E eu não consegui.
— Jacob...
— Você caiu.
Silêncio.
Ele respirou.
— E eu gritei desculpa.
Sarah segurou seu rosto.
— Você tinha dez anos.
— Eu sei.
— Diga.
Ele fechou os olhos.
— Eu tinha dez anos.
— De novo.
— Eu tinha dez anos.
Sarah encostou a testa na dele.
— E não soltou porque quis.
— Não.
— Não escolheu deixar minha mão escapar.
— Não.
— Você tentou me segurar.
Jacob começou a chorar.
— Tentei.
— Eu sei.
Charlie esperou.
Quando Jacob conseguiu respirar novamente, ele continuou.
— Eu encontrei Jacob depois.
Sarah voltou ao quadro.
6. JACOB É ENCONTRADO POR CHARLIE DEPOIS DA QUEDA DE SARAH.
— Como ele estava?
Charlie olhou para Jacob.
— Molhado.
Sarah franziu a testa.
Jacob explicou:
— Eu tentei descer.
Charlie assentiu.
— Ele estava em choque. Queria voltar para o rio.
Jacob fechou os olhos.
— Você me segurou.
— Sim.
— Eu queria procurar ela.
— Sim.
— E você disse que ia procurar.
Charlie respirou.
— Eu prometi.
Jacob olhou para Sarah.
A palavra promessa parecia perseguir aquela noite.
Uma promessa de criança.
Uma promessa de adulto.
Nenhuma capaz de controlar o rio.
Charlie continuou:
— Eu precisava tirar Jacob dali primeiro.
— E depois?
— Voltei.
— Procurou Sarah?
— Por horas.
Sarah sentiu lágrimas.
— Até onde?
— O máximo que consegui naquela noite. Depois a busca continuou.
— Corpo?
Charlie balançou a cabeça.
— Nunca encontramos.
Porque ela não estava morta.
O rio a levara.
Quilômetros adiante.
Até Harry Clearwater.
Sarah terminou a sequência no quadro:
7. CHARLIE RETIRA JACOB DA ÁREA DO PENHASCO.
8. CHARLIE RETORNA E PROCURA SARAH.
9. SARAH NÃO É ENCONTRADA.
10. RIO A LEVA PARA OUTRA REGIÃO.
11. HARRY CLEARWATER A ENCONTRA PRESA ENTRE GALHOS E A RESGATA.
Essa era a cronologia.
Não havia homem perseguindo especificamente Sarah comprovado.
Não havia prova de que Carlisle entregara algo a ela.
Não havia ainda razão para transformar a queda numa perseguição direcionada.
Sarah olhou para todos.
— Essa parte fica assim até aparecer evidência que permita acrescentar alguma coisa.
Edward assentiu.
Emmett também.
Jacob olhou para a mão dela.
— Nós nos separamos deles durante a fuga.
— Sim.
— Não antes.
— Não.
— E Charlie encontrou eles primeiro.
— Sim.
— Depois me encontrou.
— Depois da minha queda.
Jacob assentiu.
A ordem estava certa.
Finalmente.
Então voltaram à investigação.
Se a emboscada tinha ligação com os documentos de Carlisle, precisavam provar sem inventar a execução.
A primeira evidência concreta veio dos registros de Carlisle.
No dia anterior à morte, ele fizera uma cópia autenticada de determinados documentos.
Entre eles:
movimentação da T-6;autorização ligada a Aro;anotações de Robert;correspondência relacionada ao primeiro acidente.Mas a pasta física não foi encontrada entre os pertences recuperados do veículo.
Charlie confirmou.
— Eu procurei.
Sarah olhou.
— Porque sabia que Carlisle levaria?
— Sim.
— Encontrou?
— Não.
— Então a pasta desapareceu.
— Sim.
Sarah escreveu:
PASTA QUE CARLISLE PRETENDIA ENTREGAR A CHARLIE NÃO FOI RECUPERADA DO VEÍCULO.
Isso era fato.
Agora tinham um possível objetivo para a interceptação.
Não sabiam ainda quem a retirara.
Os registros financeiros do Volturi & Associados mostravam uma despesa extraordinária naquela mesma semana com uma empresa privada de segurança e transporte documental.
Sarah recusou-se a saltar imediatamente para a conclusão.
— Primeiro precisamos saber se há relação com a estrada.
A empresa havia fechado anos depois.
Os registros remanescentes eram incompletos.
Havia veículos registrados.
Escalas parciais.
Serviços para vários clientes.
Nada, naquele primeiro momento, provava que seus funcionários estivessem na emboscada.
Emmett olhou decepcionado.
— Então nada.
Sarah virou.
— Não. Temos uma linha investigativa.
— Que é uma maneira jurídica de dizer “talvez”.
— Exatamente.
Edward riu.
Aro foi novamente questionado.
— O senhor sabia que Carlisle pretendia se encontrar com alguém naquela noite?
Aro demorou.
— Sabia que ele estava tentando recuperar documentos antigos.
— Sabia que estava com as crianças?
— Não.
— O senhor ajudou Irina a afastar Billy?
— Sim.
— Por quê?
— Ela disse que queria falar com Carlisle.
— O senhor sabia que ela pretendia interceptá-lo?
Aro fechou os olhos.
— Eu sabia que ela queria impedir que ele entregasse documentos.
Silêncio.
— Como?
— Não perguntei.
Sarah fechou os olhos quando leu.
A mesma doença moral.
Não perguntar.
Não querer saber.
Permitir espaço para a pior resposta e depois alegar que nunca a ouvira.
— O senhor autorizou alguma contratação?
— Autorizei uma despesa.
— Para quê?
— Irina disse que precisava de pessoas para recuperar documentos.
— Pela força?
— Ela não disse.
— O senhor perguntou?
— Não.
— Sabia que Carlisle poderia resistir?
Aro demorou.
— Sim.
— Sabia que a situação poderia se tornar violenta?
Silêncio.
— Sim.
Sarah fechou a transcrição.
Jacob estava diante dela.
— Então ele sabia que iam atrás de Carlisle.
— Sabia que Irina pretendia impedir a entrega e que havia pessoas contratadas para recuperar documentos.
— E mesmo assim...
— Sim.
Ela não precisou terminar.
Aro ajudara a criar o cenário.
Ainda faltava estabelecer quem estava na estrada.
Quem disparou.
Quem deu cada ordem.
Mas a alegação de ignorância absoluta já não existia.
Charlie trouxe uma última informação.
— Carlisle me disse uma coisa ao telefone.
Sarah olhou.
— O quê?
— Eu não coloquei nas anotações porque na época achei que fosse paranoia.
— Charlie.
— Ele disse: “Se eu estiver certo, não é só sobre Esme e Sarah.”
Silêncio.
— O que ele quis dizer?
— Perguntei.
— E?
Charlie olhou para Billy.
Depois para os quatro filhos daquela história.
— Ele disse: “É sobre a empresa também.”
Sarah sentiu o estômago apertar.
Cullen & Black.
A empresa que Irina e Aro tentariam controlar depois da morte de Carlisle e do desaparecimento de Sarah.
Edward percebeu.
— Então havia dois motivos.
Sarah imediatamente corrigiu:
— Possivelmente dois interesses convergentes.
Emmett suspirou.
— Você não consegue evitar.
— Não.
Ela escreveu:
POSSÍVEIS INTERESSES:
1. IMPEDIR EXPOSIÇÃO DO PRIMEIRO ACIDENTE.
2. CONTROLE / PODER SOBRE CULLEN & BLACK.
Billy olhou para a segunda linha.
— Com Carlisle morto...
Edward completou:
— E Sarah presumida morta...
Sarah ficou imóvel.
O testamento.
Os herdeiros.
Billy como guardião.
Irina com participação.
A empresa.
Mas isso era outra camada.
Ainda não uma resposta.
Naquela noite, Sarah ficou sozinha no escritório por alguns minutos.
O quadro agora mostrava duas tragédias.
Separadas por quatro anos.
Mas conectadas por documentos.
Jacob entrou.
— Todo mundo foi embora.
— Eu sei.
— Você vem?
— Já vou.
Ele parou atrás dela.
Sarah olhava para os quatro nomes.
JACOB — 10.
EMMETT — 10.
EDWARD — 8.
SARAH — 8.
— É estranho — ela disse.
— O quê?
— Eu consigo reconstruir onde cada um estava.
Jacob aproximou-se.
— E ainda não lembra?
— Pedaços.
Ela olhou para ele.
— Mas acho que finalmente entendo uma coisa.
— Qual?
Sarah pegou sua mão.
— Você não estava sozinho comigo desde o começo.
Jacob franziu a testa.
— Não.
— Nós quatro corremos.
— Sim.
— Em algum ponto, Emmett ficou com Edward.
— Sim.
— E você ficou comigo.
— Sim.
Sarah apertou os dedos dele.
— Até o fim.
Jacob sentiu os olhos encherem.
— Até onde eu consegui.
Ela balançou a cabeça.
— Não.
Aproximou-se.
— Até onde uma criança de dez anos conseguia.
Jacob respirou.
Sarah beijou sua mão.
A mesma mão que um menino estendera sobre um penhasco.
A mesma que quinze anos depois ela escolhera segurar.
— Eu amo você.
— Eu amo você.
Ele a abraçou.
Por alguns segundos, Sarah deixou o quadro desaparecer.
Depois o telefone tocou.
Ela fechou os olhos.
— Claro.
Jacob riu baixo.
— Seu grande rival.
— Eu devia terminar com ele.
Sarah atendeu.
Ouviu.
Seu corpo ficou imóvel.
— Repete.
Jacob parou de sorrir.
Sarah ouviu novamente.
— Tem certeza de que a data é da semana da emboscada?
Pausa.
— E o nome?
Outra pausa.
Sarah foi até o quadro.
Pegou a caneta.
— Manda para as autoridades. Não para mim primeiro.
Desligou.
Jacob aproximou-se.
— O que acharam?
Sarah escreveu uma nova linha.
TRÊS DIAS ANTES DA EMBOSCADA — PEDIDO DE CÓPIA DO TESTAMENTO DE CARLISLE.
Jacob franziu a testa.
— Quem pediu?
Sarah olhou para ele.
— Volturi & Associados.
— Irina?
— O pedido foi feito pelo escritório.
— Quem assinou?
Sarah respirou.
E escreveu:
I.V.
Jacob ficou em silêncio.
Sarah olhou novamente para a segunda hipótese no quadro.
CONTROLE / PODER SOBRE CULLEN & BLACK.
Talvez Carlisle não tivesse sido atacado apenas porque estava prestes a provar o que acontecera com Esme e Sarah Black.
Três dias antes de sua morte, Irina também estava verificando exatamente o que aconteceria com a empresa se ele morresse.
E, naquela noite, quatro crianças haviam corrido pela floresta.
Três voltaram.
Uma desapareceu.
O problema agora já não era apenas descobrir quem organizara a emboscada.
Era descobrir se, antes de ela acontecer, alguém já estava calculando quem restaria depois.
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