MEMÓRIAS
10 CAPÍTULO 9 - Antes dos oito anos
Jacob não dormira direito.
A pergunta feita na casa de Billy continuara perseguindo-o durante toda a madrugada.
E se ela estivesse viva?
Às três e vinte da manhã, ainda estava acordado.
Às quatro, desistira de dormir.
Às seis e quinze já estava na Cullen & Black.
Trabalho sempre fora a maneira mais eficiente de silenciar pensamentos que não queria ter.
Naquela manhã, não funcionou.
Tentou revisar relatórios.
Leu a mesma página quatro vezes.
Abriu uma planilha.
Fechou.
Respondeu três e-mails e precisou corrigir dois porque percebera que sequer prestara atenção no que escrevera.
Então alguém bateu à porta.
— Entre.
— Bom dia.
Jacob levantou os olhos.
Sarah.
Claro.
Porque aparentemente o universo havia decidido testar exatamente quanto controle ele ainda possuía.
— Bom dia.
Ela entrou carregando duas pastas.
— Trouxe a análise que pediu.
— Já?
— Você disse amanhã.
— Eu disse ontem.
— Exatamente.
Sarah colocou as pastas sobre a mesa.
Jacob olhou para o relógio.
— São oito e vinte.
— Parabéns.
Ele ergueu os olhos.
— Pelo quê?
— Por saber ver as horas.
Jacob tentou não sorrir.
Falhou.
Sarah apontou.
— De novo.
— O quê?
— Você sorriu.
— Não começa.
— Vou marcar num calendário.
— Sarah.
Ela sentou-se.
— Está bem. Trabalho.
Abriu a primeira pasta.
— Eu mantive a garantia que você queria, mas mudei o mecanismo de execução. Também coloquei uma alternativa para arbitragem porque, da maneira como estava, vocês poderiam passar anos discutindo jurisdição antes de chegar ao mérito.
Jacob pegou o documento.
— Isso foi você?
Sarah fingiu indignação.
— Não. Pedi para Emmett fazer.
Jacob soltou uma pequena risada.
— Então definitivamente não foi ele.
— Vou contar.
— Ele sabe.
Começaram a trabalhar.
Durante quase quarenta minutos, discutiram cláusulas, riscos e possibilidades.
Sarah discordava dele com uma facilidade que poucas pessoas dentro daquela empresa tinham.
E Jacob, para sua própria surpresa, gostava.
— Não.
— Por quê?
— Porque sua redação abre margem para interpretação.
— Toda redação abre margem para interpretação.
— Essa abre uma avenida.
— Dramático.
— Realista.
Sarah inclinou-se sobre a mesa.
— Leia o parágrafo inteiro.
— Eu li.
— Leia novamente.
— Sarah...
— Leia.
Jacob a encarou.
— Você está mandando em mim?
— Neste parágrafo, sim.
Ele leu.
Silêncio.
Sarah esperou.
Jacob voltou ao início.
Leu outra vez.
Ela sorriu.
— E?
— Talvez.
— Talvez o quê?
— Talvez tenha razão.
Sarah abriu um sorriso vitorioso.
— Vou mandar emoldurar.
— Não abuse.
— “Sarah Clearwater estava certa e Jacob Black admitiu.” Posso colocar a data?
— Posso demitir você.
— Não por estar certa.
— Encontraria outro motivo.
— Assédio.
Jacob riu.
Sarah também.
E durante alguns segundos não existiram rios, mortes, fotografias antigas ou perguntas.
Eram apenas duas pessoas trabalhando juntas.
Talvez por isso Jacob baixasse a guarda.
Talvez por isso o que aconteceu em seguida o atingisse com tanta força.
Sarah abaixou a cabeça para procurar uma folha.
Alguns fios de cabelo caíram sobre seu rosto.
Incomodada, ela os jogou distraidamente para trás com a mão.
Jacob parou.
Havia uma cicatriz na testa.
Pequena.
Clara.
Parcialmente escondida pela linha do cabelo.
Provavelmente passaria despercebida para qualquer pessoa que não estivesse olhando diretamente para ela.
Mas Jacob estava.
E não conseguiu desviar.
Sarah percebeu.
— O quê?
Jacob não respondeu.
Seus olhos continuavam presos à cicatriz.
— Jacob?
Ele apontou.
— Isso.
Sarah tocou o rosto.
— O quê?
— A cicatriz.
Ela passou os dedos pela testa.
— Ah.
Jacob sentiu o coração acelerar.
— Como conseguiu?
Sarah acariciou a pequena marca e deu um sorriso quase distraído.
— Na realidade, eu não me lembro.
Jacob ficou imóvel.
— Não lembra?
— Não.
Ela continuou passando o dedo pela cicatriz.
— Quando eu era criança, caí de algum lugar e me machuquei.
O ar pareceu desaparecer da sala.
Jacob não se mexeu.
Sarah não percebeu.
Ele tentou sorrir.
— Você devia ser uma criança terrível.
Sarah riu.
— Na realidade, eu só tenho memórias das minhas traquinagens depois dos oito anos.
Jacob parou de respirar.
Oito.
— O quê?
Sarah olhou para ele.
— Minhas lembranças.
Jacob sentiu os dedos esfriarem.
— Por quê?
A pergunta saiu diferente.
Baixa.
Tensa.
Sarah percebeu, mas não deu importância.
— Meu pai me disse que eu sofri um acidente quando era criança. Bati a cabeça e perdi a memória para trás.
Jacob ficou completamente imóvel.
Oito anos.
Acidente.
Queda.
Traumatismo na cabeça.
Amnésia.
Oito anos.
Sarah continuou:
— É estranho, na verdade. Eu consigo lembrar perfeitamente das coisas depois disso, mas antes...
Ela deu de ombros.
— Nada.
Jacob encarava.
— Nada?
— Nada.
— Nenhuma lembrança?
— Não.
Sarah pensou.
— Algumas sensações, talvez. Mas os médicos disseram que isso pode acontecer. Sonhos, impressões, coisas que a gente não sabe se são memórias de verdade ou se o cérebro inventou depois.
Jacob sentiu o estômago se contrair.
— Sonhos?
Sarah percebeu o interesse.
— Às vezes.
— Sobre o quê?
Ela hesitou.
Pela primeira vez, pareceu desconfortável.
— Coisas sem sentido.
— Como?
Sarah sorriu, tentando encerrar.
— Você está fazendo muitas perguntas.
Jacob percebeu.
Recuou.
— Desculpe.
— Tudo bem.
Ela voltou aos documentos.
Jacob não.
Não conseguia.
Seu olhar retornou à cicatriz.
A cicatriz que podia ter sido causada por qualquer acidente.
Milhares de crianças sofriam acidentes.
Milhares batiam a cabeça.
Amnésia existia.
Coincidências existiam.
Mas oito anos?
Sarah Cullen tinha oito anos.
Sarah Clearwater não se lembrava de nada anterior aos oito.
O coração de Jacob começou a bater tão forte que ele teve medo de que Sarah percebesse.
Levantou-se abruptamente.
A cadeira deslizou para trás.
Sarah se assustou.
— Jacob?
— Preciso resolver uma coisa.
— Agora?
— Agora.
Ela olhou para os documentos espalhados.
— E isso?
— Depois.
Jacob já caminhava para a porta.
Sarah franziu a testa.
— Eu disse alguma coisa?
Ele parou.
Não se virou imediatamente.
Quando finalmente olhou para ela, Sarah percebeu que alguma coisa havia mudado.
— Não.
— Tem certeza?
— Absoluta.
— Você ficou estranho.
— Eu já sou estranho. Você mesma disse.
Ela tentou sorrir.
— Isso é verdade.
Jacob não conseguiu retribuir.
— Fica aqui.
— Você está me mandando ficar na sua sala?
— Por favor.
Sarah arregalou os olhos.
— Você disse por favor.
— Sarah.
— Está bem.
Jacob saiu.
Edward estava numa reunião.
Jacob entrou mesmo assim.
— Precisamos conversar.
Seis pessoas olharam para ele.
Edward franziu a testa.
— Agora?
— Agora.
Edward percebeu o rosto dele.
Fechou a pasta.
— Cinco minutos.
Levantou-se.
Jacob já estava no corredor.
Edward o alcançou.
— O que aconteceu?
— Minha sala.
— Jacob...
— Minha sala.
Edward não perguntou mais.
Quando chegaram, Jacob parou antes de abrir a porta.
— Ela está lá.
Edward franziu a testa.
— Quem?
Jacob apenas olhou.
— Sarah?
— Sim.
— Então por que estamos...
— Vem.
Em vez de entrar, Jacob levou Edward para uma pequena sala de reuniões vazia no fim do corredor.
Fechou a porta.
Edward ficou esperando.
Jacob começou a andar.
— Você lembra do penhasco?
Edward perdeu a expressão.
— O quê?
— Daquela noite.
— Jacob...
— Você lembra como Sarah estava antes de vocês se separarem da gente?
Edward ficou sério.
— Por que está perguntando isso?
— Responde.
— Eu não sei. Estávamos correndo.
— Ela caiu algumas vezes.
— Todos caímos.
— Ela bateu a cabeça?
Edward tentou lembrar.
— Eu não sei.
Jacob passou a mão pelo rosto.
— Droga.
— Jacob, o que aconteceu?
Ele parou.
— Sarah Clearwater tem uma cicatriz na testa.
Edward ficou imóvel.
— E?
— Ela não sabe como conseguiu.
Silêncio.
— O pai disse que foi um acidente.
Edward começou a entender.
— Jacob...
— Espera.
Jacob levantou a mão.
— Ela caiu quando era criança. Bateu a cabeça.
Edward não respirava direito.
Jacob continuou:
— E perdeu a memória.
O rosto de Edward mudou.
— O quê?
— Ela não lembra da infância.
— Como assim não lembra?
— Nada antes do acidente.
Edward se aproximou.
— Quando aconteceu?
Jacob olhou diretamente para ele.
— Aos oito anos.
Silêncio.
Edward empalideceu.
— Não.
Jacob riu sem humor.
— Foi exatamente o que pensei.
— Não.
— Sarah Cullen tinha oito anos.
— Eu sei quantos anos minha irmã tinha!
A voz de Edward subiu.
Jacob ficou quieto.
Edward virou-se.
Passou as mãos pelos cabelos.
— Não.
— Edward...
— Não pode ser.
— Eu sei.
— Isso não é...
Ele se virou novamente.
— Cicatriz onde?
Jacob tocou a própria testa.
— Aqui.
Edward ficou olhando.
— Ela disse alguma coisa mais?
— Que só tem lembranças depois dos oito.
— E antes?
— Nada.
— Absolutamente nada?
— Foi o que disse.
Edward começou a andar.
Agora era ele quem não conseguia ficar parado.
— Ela sabe por quê?
— O pai disse que sofreu um acidente, bateu a cabeça e perdeu a memória.
Edward parou.
— Harry Clearwater disse isso?
— Segundo ela.
— Então Harry sabe que ela sofreu um acidente.
— Claro que sabe.
Edward olhou para Jacob.
— Jacob...
— Não.
— Você percebeu?
— Percebi o quê?
— Se ela perdeu a memória aos oito anos...
— Não.
Jacob apontou para ele.
— Não começa.
— Estou apenas pensando.
— Então pensa baixo.
Edward respirou fundo.
— Sarah caiu no rio com oito anos.
— Eu sei.
— O corpo nunca foi encontrado.
— Eu sei.
— Sarah Clearwater tem vinte e três.
— Eu sei!
— Não se lembra de nada antes dos oito.
— Eu sei!
Os dois ficaram em silêncio.
Jacob encostou-se à parede.
— Eu sei.
Dessa vez, a voz saiu quebrada.
Edward olhou para ele.
A raiva desapareceu.
— Jacob...
— Não faz isso.
— O quê?
— Não olha para mim desse jeito.
— Que jeito?
— Como se...
Jacob não terminou.
Edward entendeu.
— Como se ela pudesse estar viva?
Jacob fechou os olhos.
— Não.
— Jacob.
— Não.
Edward aproximou-se.
— E se...
— Não diga.
— Precisamos considerar.
— Não diga!
Edward ficou em silêncio.
Jacob respirou.
— Eu não consigo.
— Eu sei.
— Você não sabe.
Edward endureceu.
— Ela era minha irmã.
Jacob abriu os olhos.
— Eu sei.
— Minha gêmea.
Silêncio.
Jacob baixou a cabeça.
— Eu sei.
Edward respirou fundo.
— Então não diga que eu não sei.
Os dois permaneceram quietos.
Quinze anos de luto estavam naquela sala.
Mas eram lutos diferentes.
Edward perdera a irmã.
Jacob perdera a menina cuja mão prometera nunca soltar.
— Precisamos contar para Emmett — Edward disse.
Jacob imediatamente respondeu:
— Não.
— Ele tem direito.
— Depois.
— Depois quando?
— Quando ela não estiver a dez metros daqui.
Edward concordou.
— Billy?
Jacob passou a mão pelo rosto.
— Também.
Edward olhou para a porta.
— E Sarah?
— Não.
A resposta foi absoluta.
— Ela não vai saber de nada.
— Jacob...
— Você ouviu o que eu disse ontem. Não vamos colocar isso na cabeça dela.
Edward assentiu.
— Concordo.
— Ela acha que Harry e Sue são os pais dela.
Edward ficou imóvel.
— Acha?
Jacob percebeu.
— Foi como falou.
— Talvez sejam.
— Exatamente.
Edward pensou.
— Precisamos descobrir quando aconteceu o acidente.
— Sem envolver Sarah.
— Como?
Jacob não respondeu.
Ainda.
Sarah continuava na sala dele.
Estava tentando trabalhar.
Sem sucesso.
Jacob saíra como se o prédio estivesse pegando fogo.
Depois de ela falar da memória.
Sarah fechou a pasta.
Olhou para a porta.
— Muito estranho.
Levantou-se.
Foi até a janela.
E, sem perceber, passou os dedos pela cicatriz.
Nunca pensara muito nela.
Fazia parte de seu rosto desde que conseguia lembrar.
Harry sempre dissera que fora consequência do acidente.
Ela aceitara.
Por que não aceitaria?
Mas Jacob havia olhado para aquela marca como se ela significasse alguma coisa.
Sarah fechou os olhos.
Por um instante, uma imagem atravessou sua mente.
Escuridão.
Árvores.
Respiração ofegante.
Uma mão segurando a sua.
Sarah abriu os olhos.
O coração disparou.
— Não.
Passou a mão pelo rosto.
Sonho.
Era apenas parte dos sonhos.
Jacob voltou quase vinte minutos depois.
Sarah estava sentada novamente.
Ele entrou.
Ela ergueu os olhos.
— Resolveu?
— O quê?
— A coisa urgentíssima.
— Resolvi.
Mentira.
Sarah percebeu.
— Ótimo.
Jacob sentou-se.
Não conseguia parar de olhar para ela.
Agora a cicatriz estava escondida novamente pelos cabelos.
Sarah percebeu.
— Você está fazendo de novo.
— O quê?
— Me olhando.
Jacob baixou os olhos para os documentos.
— Não estou.
— Está.
— Trabalha, Sarah.
Ela sorriu.
— Você fica mandão quando está nervoso.
Jacob congelou.
— Não estou nervoso.
— Claro.
Sarah inclinou-se para pegar uma folha.
O cabelo caiu novamente.
A cicatriz apareceu.
Jacob desviou os olhos.
— Sarah.
— Hum?
— Seu pai...
Parou.
Ela esperou.
— O quê?
— Nada.
— Jacob.
Ele pensou cuidadosamente.
— Você disse que seu pai contou sobre o acidente.
— Sim.
— Você nunca perguntou detalhes?
Sarah deu de ombros.
— Quando era criança, sim. Depois parei.
— Por quê?
— Porque não mudaria nada.
Jacob ficou em silêncio.
Sarah continuou:
— Harry sempre disse que foi um acidente grave. Que eu fiquei muito tempo no hospital e que os médicos não sabiam se recuperaria a memória.
Jacob sentiu o sangue gelar.
— Muito tempo?
— Algumas semanas, eu acho.
— Você ficou internada semanas?
— Pelo que ele contou.
Jacob apertou a caneta.
— E não lembra do hospital?
Sarah pensou.
— Algumas coisas.
— O quê?
— Luzes.
Ela fechou os olhos.
— Cheiro de remédio.
Abriu.
— Minha mãe segurando minha mão.
Jacob sentiu uma pontada.
Sue.
— Só.
Sarah sorriu.
— Por que esse interrogatório?
— Curiosidade.
— Você é péssimo mentiroso.
— Já me disseram.
— Eu?
— Você também.
Ela riu.
Jacob não.
Sarah ficou séria.
— Jacob.
— O quê?
— Está tudo bem?
Ele olhou para ela.
Olhos verdes.
Os olhos que vira desaparecer quinze anos antes.
A cicatriz.
Oito anos.
Amnésia.
Acidente.
Sem lembranças anteriores.
Jacob sentiu medo.
Um medo diferente de todos os que conhecia.
Porque, pela primeira vez em quinze anos, o impossível começava a parecer menos impossível.
— Está — respondeu.
Sarah sustentou seu olhar.
— Tem certeza?
Jacob assentiu.
— Tenho.
Ela não acreditou.
Mas deixou.
Emmett encontrou Edward no corredor pouco depois.
— Por que você abandonou uma reunião porque Jacob apareceu parecendo um psicopata?
Edward parou.
— Precisamos conversar.
Emmett perdeu o sorriso.
— Isso nunca vem antes de coisa boa.
— Não aqui.
— Edward.
— Hoje à noite. Casa do Billy.
Emmett observou o rosto do irmão.
— É sobre Sarah?
Edward ficou imóvel.
Emmett entendeu.
— É.
Edward baixou a voz.
— Hoje à noite.
— O que aconteceu?
— Emmett...
— Ela está bem?
A pergunta saiu imediatamente.
Edward percebeu.
Mais uma vez.
Proteção.
— Está.
Emmett relaxou.
— Então o quê?
Edward hesitou.
— Jacob descobriu uma coisa.
— Que coisa?
Edward olhou na direção da sala da presidência.
— Uma coisa que pode não significar absolutamente nada.
Emmett conhecia o irmão.
— Mas você acha que significa.
Edward demorou a responder.
— Eu não sei mais o que pensar.
Do outro lado da parede, Sarah recolhia seus documentos.
Jacob a observava.
Quando ela terminou, levantou-se.
— Até mais tarde.
— Sarah.
Ela virou-se.
— Sim?
Jacob ficou olhando.
Queria perguntar centenas de coisas.
Nenhuma poderia ser perguntada.
— Nada.
Sarah sorriu.
— Você faz muito isso.
— O quê?
— Me chama e depois diz “nada”.
— Mania.
Ela riu.
— Todos temos uma.
Sarah levou a mão ao peito.
Jacob acompanhou o movimento.
Ela percebeu.
— Viu?
Sorriu.
— Essa é a minha.
Jacob não respondeu.
Sarah saiu.
A porta fechou.
Ele permaneceu imóvel.
Então abriu a gaveta.
Retirou a fotografia antiga.
Quatro crianças.
Emmett fazendo careta.
Edward sério.
Jacob sorrindo.
Sarah ao lado dele.
Oito anos.
Jacob passou o polegar pelo rosto da menina.
Depois olhou para a porta por onde Sarah Clearwater acabara de sair.
Pela primeira vez, não conseguiu dizer a si mesmo que era impossível.
Só conseguiu fazer uma pergunta.
— Sarah... onde você esteve?
E, naquela noite, quando Emmett, Edward, Jacob e Billy se reunissem novamente, já não estariam falando apenas de olhos, sorrisos, gestos ou de uma batata roubada de um prato.
Pela primeira vez, teriam um fato concreto diante deles.
Sarah Clearwater perdera todas as memórias anteriores aos oito anos.
A mesma idade em que Sarah Cullen desaparecera.
Fale com o autor