MEMÓRIAS
49 CAPÍTULO 49 - O envelope azul
Rosalie não telefonou para o pai imediatamente.
Sarah percebeu.
Todos perceberam.
Ela continuou sentada, imóvel, olhando para a última frase da carta de Sarah Black.
“Se acontecer alguma coisa comigo, procure o envelope azul de Robert.”
Emmett segurava sua mão.
— Rose?
Ela respirou.
— Eu preciso pensar.
Sarah assentiu.
— Então pensa.
Rosalie levantou os olhos.
— Você não vai me pressionar?
— Não.
— Sarah...
— Seu pai não é suspeito só porque pode ter recebido um envelope do seu avô.
Rosalie engoliu em seco.
— Mas pode ter uma prova.
— Pode.
— Que ficou guardada por dezenove anos.
— Talvez.
— E se ele soubesse?
Sarah não respondeu imediatamente.
— Primeiro descobrimos o que ele tem. Depois descobrimos o que ele sabia sobre aquilo.
Emmett apertou a mão da namorada.
— Eu vou com você.
Rosalie olhou para ele.
— Não.
Emmett pareceu atingido.
— Rose.
— Não porque eu não quero você comigo.
Ela tocou seu rosto.
— Porque é meu pai.
Sarah compreendeu.
— Você quer perguntar primeiro como filha.
Rosalie assentiu.
— Sim.
— Então faça isso.
Edward olhou para Sarah.
— E se ele destruir?
Rosalie ficou pálida.
Sarah pensou.
— Temos referência contemporânea ao envelope. Se houver risco concreto, isso muda a abordagem. Mas não vou tratar o pai de Rosalie como alguém prestes a destruir prova sem qualquer indício disso.
Rosalie fechou os olhos, aliviada.
— Obrigada.
Sarah apontou para ela.
— Mas não toque no envelope se ele existir. Não abra. Não traga no porta-malas. Não dobre. Não fotografe página por página.
Emmett sorriu.
— Voltou.
Sarah ignorou.
— Se ele confirmar que ainda está com o envelope, paramos e fazemos a preservação corretamente.
Rosalie assentiu.
— Entendi.
Emmett levantou a mão.
— Posso pelo menos dirigir?
Rosalie olhou.
— Pode.
Ele ficou satisfeito.
— Tenho função.
Edward murmurou:
— Motorista.
— Cala a boca.
Por alguns segundos, o peso diminuiu.
Então Rosalie e Emmett saíram.
Michael Hale recebeu a filha na própria casa.
Sessenta e dois anos.
Filho de Robert.
Pai de Rosalie.
Não trabalhara diretamente na oficina do pai e nunca tivera participação relevante na Cullen & Black.
Era arquiteto.
Uma vida inteira construída longe de motores, peças e empresas automobilísticas.
Rosalie perguntou primeiro sobre Robert.
Depois sobre os documentos deixados quando ele morreu.
Só então mencionou o envelope azul.
Michael ficou em silêncio.
— Onde você ouviu falar disso?
Rosalie sentiu o coração acelerar.
— Então existe.
— Rosalie.
— Pai.
Ele levantou.
Foi até uma estante.
Não pegou nada.
Apenas ficou diante dela.
— O que está acontecendo?
Rosalie respondeu com cuidado.
— Estamos revisando documentos do vovô relacionados ao acidente de Sarah Black e Esme Cullen.
Michael virou lentamente.
— Por quê?
— Porque não foi um acidente.
O rosto dele mudou.
Emmett, que permanecera em silêncio, observou.
— Quem disse isso?
Rosalie respirou.
— Irina admitiu que mexeu no carro.
Michael sentou.
Simplesmente sentou.
— Meu Deus.
Rosalie ajoelhou diante dele.
— Pai?
— Ele sabia.
— Quem?
— Meu pai.
Silêncio.
— O vovô sabia que alguém tinha mexido?
Michael fechou os olhos.
— Ele suspeitava.
Rosalie apertou as mãos dele.
— E o envelope?
Michael abriu os olhos.
— Está comigo.
Rosalie não pediu para ver.
Lembrou de Sarah.
Não toque.
Não abra.
Não transporte.
— Onde?
— Cofre.
— Aqui?
— Banco.
Rosalie respirou.
— Pai, não mexe nele.
Michael pareceu confuso.
— Eu não mexo há anos.
— Preciso que ele seja preservado exatamente como está.
— Rosalie...
— Por favor.
Michael olhou para Emmett.
— Você sabe do que ela está falando?
Emmett assentiu.
— Sei.
— Isso envolve sua família.
— Envolve.
Michael ficou em silêncio.
— E minha filha está no meio.
Emmett respondeu sem hesitar:
— Então eu vou fazer tudo para que ela não carregue uma culpa que não é dela.
Rosalie olhou para ele.
Michael também.
Depois assentiu.
— Certo.
O envelope foi formalmente preservado antes da abertura.
Sarah não estava presente quando retirado.
Rosalie também não.
Nenhum deles precisava estar.
Quando finalmente receberam o inventário do conteúdo, estavam todos reunidos.
Billy.
Jacob.
Edward.
Emmett.
Rosalie.
Sarah.
Charlie participava por chamada.
A primeira informação surpreendeu.
O envelope não continha uma única prova.
Continha cópias de vários documentos.
Sarah Black estivera investigando.
De verdade.
Não apenas desconfiando de Irina.
Investigando.
Sarah olhou para Billy.
Ele parecia devastado.
— Ela nunca me contou.
Sarah respondeu baixo:
— Talvez estivesse tentando confirmar primeiro.
Billy fechou os olhos.
— Igual Carlisle.
Jacob percebeu.
— Os dois tentaram proteger você.
Billy riu sem humor.
— E os dois morreram.
Sarah se aproximou.
— Não transforme o amor deles em culpa sua.
Billy olhou para ela.
Ela continuou:
— Sarah Black investigou porque escolheu investigar. Carlisle também. Irina fez o que fez porque escolheu fazer.
Silêncio.
— Essas escolhas pertencem a eles. Não a você.
Billy assentiu devagar.
O primeiro documento era financeiro.
Pagamentos do Volturi & Associados para consultorias ligadas a fornecedores da Cullen & Black.
Nada necessariamente ilegal isoladamente.
Mas havia repetições.
Valores fracionados.
Empresas recém-criadas.
Prestadores que desapareciam meses depois.
Edward analisou.
— Parece desvio?
Sarah respondeu:
— Parece algo que precisa de auditoria. Não vou chamar de desvio ainda.
Emmett suspirou.
— Um dia eu vou conseguir prever todas as suas respostas.
— Nesse dia você estará pronto para a vida adulta.
— Tenho vinte e cinco anos.
— Meu argumento permanece.
Rosalie riu.
Emmett ficou indignado.
O segundo documento era mais importante.
Uma relação manuscrita por Sarah Black.
Datas.
Valores.
Nomes.
No topo:
“Aro / Irina?”
Sarah apontou.
— O ponto de interrogação importa.
Jacob assentiu.
— Ela suspeitava.
— Sim. Não afirmava.
Havia uma empresa repetida várias vezes:
North Security Services.
O silêncio foi imediato.
A mesma empresa que, quatro anos depois, apareceria ligada à interceptação de Carlisle.
Sarah sentiu um arrepio.
— Data?
Edward respondeu:
— Antes do primeiro acidente.
Billy ficou imóvel.
— Eles já pagavam essa empresa?
Sarah aproximou o documento.
— Parece que o Volturi & Associados fez pagamentos para ela antes da morte das mães.
Jacob olhou.
— Para quê?
— Ainda não sabemos.
O terceiro documento respondeu parcialmente.
Era uma nota de Robert.
“S.B. trouxe extratos. Pediu verificar N.S.S. Diz que homens fotografaram casa duas vezes.”
Jacob levantou.
— Nossa casa?
Sarah continuou.
“Carro escuro. Dois homens. Sarah anotou placa parcial.”
Billy ficou branco.
— Eu não sabia disso.
Sarah olhou.
— Ela nunca falou de alguém observando a casa?
Billy demorou.
— Falou de um carro.
Todos ficaram imóveis.
— Quando?
— Algumas semanas antes do acidente.
— O que ela disse?
Billy tentou lembrar.
— Que um carro passava devagar demais.
Sarah anotou.
— Você verificou?
— Sim.
— Encontrou?
— Não.
— Polícia?
— Não.
Billy fechou os olhos.
— Achei que fosse paranoia por causa de Irina.
Jacob virou o rosto.
Sarah imediatamente percebeu.
— Jacob.
Ele respirou.
— Eu sei.
— Diga.
— Meu pai não tinha como saber.
Billy olhou para o filho.
Jacob continuou:
— Você não tinha como saber.
Billy assentiu.
A culpa ainda estava ali.
Mas, pela primeira vez, não se multiplicou.
O quarto documento era uma fotografia.
Sarah decidiu não vê-la antes da descrição.
Edward leu.
— Portão da casa Black. Carro estacionado do outro lado da rua. Dois homens.
— Data?
— Doze dias antes do acidente.
— Placa?
Parcial.
Correspondia a um veículo que, naquele período, estava registrado em nome de uma empresa terceirizada.
A empresa fora incorporada anos depois.
Por North Security Services.
Jacob ficou em silêncio.
Sarah escreveu:
NORTH SECURITY APARECE ANTES DO PRIMEIRO ACIDENTE E NOVAMENTE NA EMBOSCADA QUATRO ANOS DEPOIS.
Emmett olhou.
— Isso não pode ser coincidência.
Sarah respondeu:
— Pode.
Ele encarou.
Ela completou:
— Mas agora é uma coincidência que exige explicação.
— Melhorou.
A investigação dos pagamentos antigos revelou que North Security não fora contratada oficialmente para vigiar Sarah Black.
As notas fiscais traziam descrições genéricas:
análise de risco.
proteção patrimonial.
verificação externa.
Cliente:
Volturi & Associados.
Autorização:
em parte dos documentos, A.V.
Em outros:
I.V.
Jacob fechou os olhos.
— Os dois.
Sarah assentiu.
— Em momentos diferentes.
— Antes da morte da minha mãe.
— Sim.
O quinto item do envelope azul não era cópia.
Era um original.
Uma folha arrancada de um bloco.
Escrita de Sarah Black.
Billy reconheceu antes mesmo da perícia.
Mas ninguém tratou isso como confirmação final.
A análise viria depois.
O texto dizia:
“Robert confirmou: o carro é ligado aos homens de Aro.”
Abaixo:
“Irina perguntou se eu contei a Billy.”
Depois:
“Como ela sabe?”
Sarah sentiu o estômago apertar.
Jacob aproximou-se.
— Ela estava sendo vigiada.
— Há evidência de que pessoas ligadas a uma empresa contratada pelo Volturi observavam a residência.
— Sarah.
Ela olhou para ele.
— Sim. É forte.
Ele assentiu.
Não precisava mais.
A linha seguinte:
“Esme acha que devemos falar com Carlisle amanhã.”
Sarah fechou os olhos.
Esme sabia.
Talvez não tudo.
Mas sabia que Sarah Black estava assustada.
“Robert diz para esperar até confirmar dinheiro.”
Depois:
“Não quero assustar Billy sem prova.”
Billy abaixou a cabeça.
Sarah aproximou-se.
Ele ergueu a mão.
— Eu sei.
Ela parou.
Billy respirou.
— Não é minha culpa.
Jacob olhou para o pai.
Billy repetiu:
— Não é minha culpa.
Sarah sorriu entre lágrimas.
— Não.
Billy fechou os olhos.
— Mas dói.
— Pode doer sem ser culpa.
Ele assentiu.
Havia uma última frase.
Mais forte.
Sublinhada duas vezes.
“Se Irina descobrir que Robert tem as cópias, ela vai atrás delas.”
Rosalie ficou imóvel.
— Meu avô.
Sarah assentiu.
Robert não fora o homem que ajudara Irina a sabotar o carro.
Cada novo documento tornava isso menos provável.
Ele fora o homem a quem Sarah Black confiara suas suspeitas.
E depois passara anos tentando entender o que acontecera.
Emmett segurou a mão de Rosalie.
— Seu avô tentou ajudar.
Ela chorou.
— E carregou isso até morrer.
Sarah respondeu:
— Parece que sim.
Charlie, ainda na chamada, pediu que voltassem ao início.
— Tem uma coisa errada.
Sarah olhou.
— O quê?
— Se Sarah Black descobriu pagamentos para North Security antes do acidente...
Ele parou.
— E quatro anos depois Carlisle estava investigando T-6...
Edward entendeu primeiro.
— Talvez Carlisle também tenha encontrado North Security.
Charlie assentiu.
— Exatamente.
Sarah ficou imóvel.
— Então a emboscada pode não ter sido a primeira vez que Carlisle viu aquele nome.
— Pode não ter sido.
Jacob levantou.
— Meu pai tinha os documentos de Sarah Black?
Billy balançou a cabeça.
— Não.
Rosalie falou:
— Robert tinha.
Todos olharam.
Sarah sentiu o quebra-cabeça se mover.
— E Robert falou com Carlisle antes da emboscada.
Edward completou:
— Confirmou a retirada da T-6.
Emmett:
— Contou sobre Irina.
Charlie:
— E pode ter contado sobre North Security.
Silêncio.
Procuraram novamente as anotações de Carlisle.
Dessa vez não pelo nome completo.
Pelas iniciais.
N.S.S.
Encontraram.
Cinco dias antes da emboscada:
“Robert: N.S.S. / pagamentos antigos / S.B.”
Abaixo:
“verificar com Charlie.”
Sarah sentiu um arrepio.
Carlisle sabia.
Antes de morrer, Carlisle descobrira que a mesma empresa que estivera observando Sarah Black antes do acidente estava ligada ao Volturi & Associados.
E dias depois, essa empresa seria novamente contratada.
Para interceptá-lo.
Edward falou:
— Então ele poderia ter reconhecido os veículos.
Sarah olhou.
— Talvez.
— Na estrada.
— Talvez.
Jacob fechou os olhos.
— Isso explicaria por que mandou todo mundo correr tão rápido.
Sarah ficou imóvel.
Sim.
Carlisle talvez não tivesse precisado esperar o primeiro disparo para entender.
Talvez tivesse visto um carro.
Um rosto.
Um símbolo.
E soubesse.
Mas ainda era hipótese.
Então veio o último conteúdo do envelope.
Um pequeno cartão.
Não era de Sarah Black.
Era de Robert.
Escrito depois do acidente.
“Billy não sabe.”
Abaixo:
“Carlisle também não.”
Depois:
“Eu devia ter contado antes.”
Rosalie chorou silenciosamente.
Sarah continuou lendo.
“Sarah me pediu mais um dia.”
“Ela queria prova.”
E por fim:
“No dia seguinte, ela morreu.”
Ninguém falou.
Robert carregara a mesma culpa.
Billy.
Jacob.
Charlie.
Aro, embora de natureza completamente diferente.
Todos presos em algum tipo de “eu devia”.
Sarah fechou os olhos.
Aquela história estava cheia de pessoas tentando reescrever decisões tomadas sem conhecer o futuro.
E de duas pessoas — Irina e Aro — cujas escolhas não eram erros retrospectivos.
Eram ações.
Essa diferença precisava permanecer clara.
Sarah e Jacob chegaram em casa tarde.
Dessa vez ela não abriu a bolsa.
Não levou os documentos para a mesa.
Deixou tudo na entrada.
Jacob percebeu.
— Evolução.
— Não comenta.
— Estou orgulhoso.
— Jacob.
— Silêncio.
Sarah foi até a cozinha.
Abriu a geladeira.
Ficou olhando.
— Não tem nada.
Jacob apareceu atrás.
— Tem comida.
— Ingredientes não são comida.
— Você cozinha.
— Sou advogada.
— Você sabe cozinhar.
— Isso não cria obrigação jurídica.
Jacob começou a rir.
— Pede alguma coisa.
Sarah fechou a geladeira.
— Pizza.
— Aceito.
— Metade sem aquelas coisas horríveis que você coloca.
— Cogumelos não são horríveis.
— São fungos.
— Tecnicamente—
Sarah virou.
— Não.
— Certo.
Quarenta minutos depois estavam sentados no chão da sala, comendo pizza diretamente da caixa.
Sarah olhou para ele.
— Minha vida está muito estranha.
— Hoje especificamente?
— No geral.
— Justo.
Ela pegou outra fatia.
— Eu descobri que uma mulher que morreu quando eu tinha quatro anos colocou um bilhete secreto no meu colar porque desconfiava da tia que, anos depois, aparentemente participou de uma emboscada contra meu pai biológico, enquanto eu cresci sem saber quem era e acabei trabalhando na empresa da minha própria família.
Jacob mastigou.
— Quando você fala assim, parece complicado.
Sarah jogou um guardanapo nele.
— Idiota.
Ele riu.
Ela também.
Depois o sorriso diminuiu.
— Você está bem?
Jacob pensou.
— Não sei.
— Resposta permitida.
— Minha mãe estava com medo.
Sarah assentiu.
— Sim.
— E ainda assim, nas lembranças que vocês contam, ela continuava brincando comigo.
— Provavelmente porque você tinha seis anos.
— Ela estava tentando me proteger.
— Sim.
Jacob olhou para as mãos.
— Eu queria lembrar dela sem pensar no acidente.
Sarah encostou o ombro no dele.
— Então lembra do que seu pai contou.
— Ela abrindo o capô?
— E humilhando Billy.
Jacob sorriu.
— Essa parte é boa.
— Muito.
— E você?
— Cozinha.
— Lua?
Sarah levou a mão ao peito vazio.
— Lua.
Jacob beijou sua testa.
Depois ficaram em silêncio.
Sarah deitou a cabeça no ombro dele.
Jacob colocou a mão sobre sua coxa distraidamente.
Ela olhou.
Ele percebeu.
— O quê?
— Nada.
— Esse olhar nunca é nada.
Sarah pegou a mão dele e colocou um pouco mais acima, na cintura.
— Melhor.
Jacob sorriu.
— Código Penal?
— Suspenso temporariamente.
— Absolvição?
— Não se empolga.
Ele a puxou para perto.
Sarah beijou-o.
Devagar.
O beijo começou macio.
Quase preguiçoso.
Depois mudou.
Porque as mãos de Jacob tinham aquele problema recorrente de não permanecer inocentes por muito tempo.
Sarah afastou a boca apenas o suficiente para respirar.
— Eu sabia.
— O quê?
— Reincidente.
— Você colocou minha mão aí.
— Circunstância atenuante.
Jacob riu contra sua boca.
— Você é impossível.
— E você gosta.
— Muito.
Ele a beijou novamente.
Sarah passou os dedos pelos cabelos dele.
Por alguns minutos, a investigação ficou no lugar onde deveria ficar naquela noite.
Fora daquela sala.
Não porque deixara de importar.
Mas porque eles também importavam.
Mais tarde, já deitados, Jacob fazia movimentos lentos nas costas dela.
Sarah estava quase dormindo quando falou:
— Jake?
— Hum?
— Se sua mãe estava investigando North Security...
— Sim?
— E Carlisle descobriu isso quatro anos depois...
Ela abriu os olhos.
Jacob percebeu imediatamente.
— Não.
Sarah levantou a cabeça.
— O quê?
— Você acabou de voltar para o trabalho.
— Eu tive uma ideia.
— Amanhã.
— Mas—
— Sarah.
Ela fez uma cara ofendida.
— Isso pode ser importante.
— Vai continuar importante às oito da manhã.
— Sete.
— Oito.
— Sete e meia.
Jacob suspirou.
— Fechado.
Sarah sorriu.
— Você negocia bem.
— Namoro uma advogada.
Ela voltou a deitar.
Cinco segundos.
— Jake?
— Sarah.
— Não é sobre o caso.
— Fala.
Ela ficou quieta.
— Eu gosto disso.
— Do quê?
— De ter alguém que me manda dormir.
Jacob riu baixo.
— Perigoso admitir.
— Não se acostuma.
Ele beijou seus cabelos.
— Dorme.
Sarah fechou os olhos.
— Boa noite.
— Boa noite, amor.
E dormiu.
Às sete e vinte e nove da manhã, Sarah estava sentada na cama.
Jacob abriu um olho.
— Você está brincando.
— Ganhei por um minuto.
— Você é doente.
— Bom dia.
Ela beijou-o.
— Minha ideia.
Jacob cobriu o rosto com o travesseiro.
— Fala.
— North Security observava a casa Black antes do acidente.
— Sim.
— Mas Sarah Black escreveu que Irina sabia coisas que ela não tinha contado.
Jacob tirou o travesseiro.
— Certo.
— Estamos presumindo que a vigilância servia para observar sua mãe.
Ele sentou.
— E se não fosse só isso?
Sarah assentiu.
— Exatamente.
— O que mais?
— As crianças.
Jacob ficou imóvel.
Sarah continuou:
— Sarah Black disse que Irina perguntava sobre nós. Guarda. Sucessão. Onde você ficaria se ela morresse. Depois escreve que Irina olha para mim como se procurasse alguma coisa.
— Então você acha que estavam observando vocês.
— Acho que precisamos verificar se as fotografias da North Security focavam apenas adultos.
Verificaram.
As fotografias preservadas por Robert eram poucas.
Sarah não as viu inicialmente.
Pediu descrição.
Foto um:
portão.
Sarah Black entrando.
Foto dois:
Billy chegando.
Foto três:
Jacob, seis anos, no jardim.
Jacob ficou imóvel.
Foto quatro:
Esme saindo da casa.
Foto cinco:
duas crianças.
Jacob e Sarah Cullen.
Sarah sentiu um arrepio.
— Eu estava lá?
— Sim — Edward respondeu.
— O que estamos fazendo?
Ele descreveu.
Jacob, seis anos.
Sarah, quatro.
Sentados no chão próximo à varanda.
Brinquedos espalhados.
Sarah parecia estar segurando alguma coisa junto ao peito.
Ela não pediu para ver.
— O quê?
Edward ampliou.
— Parece seu pingente.
Silêncio.
Sarah fechou os olhos.
— Não conclui.
— Não.
— Pode ser qualquer coisa.
— Sim.
Mas havia uma anotação no verso.
De Robert.
“S.B. diz que este homem fotografou as crianças.”
Abaixo:
“Por quê?”
Sarah respirou.
Então Edward virou a última fotografia.
E parou.
— O quê?
Ele não respondeu imediatamente.
— Edward.
— Tem outra anotação.
— Leia.
Ele respirou.
“Homem perguntou ao vizinho qual das meninas era Sarah.”
O silêncio foi absoluto.
Jacob levantou.
Sarah não se mexeu.
Emmett ficou pálido.
Billy segurou a mesa.
Sarah olhou para a pergunta que vinha perseguindo a investigação:
POR QUE SARAH?
Agora sabiam uma coisa nova.
Alguém ligado à vigilância contratada pelo Volturi & Associados estava tentando identificar Sarah Cullen antes da morte de Sarah Black e Esme.
Quando ela tinha quatro anos.
Antes da T-6.
Antes da emboscada.
Antes do rio.
Sarah finalmente pediu:
— Mostra a fotografia.
Edward hesitou.
— Tem certeza?
— Já conheço a descrição e a informação. Agora quero ver.
Ele virou a imagem.
Sarah olhou.
Uma menina de quatro anos estava sentada no chão.
Cabelos bagunçados.
Um sorriso enorme.
Jacob criança ao lado.
E a mão da menina segurava a pequena lua sobre o peito.
Sarah sentiu o ar desaparecer.
Não por medo.
Por reconhecimento.
A imagem não criou a lembrança.
A lembrança já existia.
Cozinha.
Duas mulheres.
Metal frio.
Agora você tem uma lua.
Sarah tocou o lugar vazio em seu peito.
Jacob aproximou-se.
— Sarah?
Ela apontou para a fotografia.
— Não era o bilhete.
— O quê?
Sarah olhou para todos.
— Se essa vigilância é anterior ao momento em que Sarah Black colocou o bilhete dentro do pingente, então Irina não podia estar procurando o bilhete.
Silêncio.
Edward entendeu.
— Ela já tinha interesse em você antes.
— Sim.
Emmett franziu a testa.
— Então o que ela procurava?
Sarah olhou novamente para a lua na fotografia.
A resposta ainda não estava ali.
Mas uma hipótese acabara de morrer.
O bilhete não explicava por que Irina observava Sarah Cullen.
O bilhete era consequência dessa desconfiança.
Sarah Black escondera a mensagem porque já percebera que Irina procurava alguma coisa na menina.
Sarah levantou os olhos.
— Nós fizemos a pergunta errada.
Jacob aproximou-se.
— Qual é a certa?
Sarah pegou a caneta.
Riscou:
POR QUE SARAH?
E escreveu abaixo:
O QUE IRINA ACREDITAVA QUE SARAH CULLEN TINHA AOS QUATRO ANOS?
Quatro anos antes da emboscada.
Antes do dispositivo escondido por Carlisle.
Antes de Sarah Black colocar qualquer aviso dentro da lua.
Irina já estava olhando para a menina.
E alguém já estava perguntando qual delas era Sarah.
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