MALANDRA

9 Capítulo 9 - BALADINHA TOP


Noah havia se tornado um grande "parceiro" de vida. A gente se divertia horrores. Mas sempre durante o dia e Ariel estava junto em 90% dos nossos rolês, então decidimos marcar uma balada sem a presença do gêmeo. UMA BALADA LGBTQIA+ e todas as letras que tem direito. Eu me permiti ir toda extravagante, toda brilhante, e quando Noah chegou na porta da minha casa, todo estiloso, mas normal... Fiquei bem decepcionada. Eu esperava definitivamente uma drag queen, mas ele só fazia o estilo bicha poc. Já que íamos ficar loucos, a melhor opção era ninguém dirigir, então chamamos um uber. Encontramos os amigos dele na porta da balada e descemos para um bar para fazer um esquenta. Eu iria pedia uma caipirinha ou um mojito, mas o garçom me indicou uma batida de morango, e eu decidi experimentar. Era maravilhoso! Quase não dava pra sentir o gosto de álcool, o que me fez perder a conta de quantas bebi e de como isso iria me subir a cabeça mais tarde. Estávamos um pouco alterados quando subimos para a balada, tanto que Igor me levou de cavalinho. Eu tinha adorado eles... Chegamos na pista já rebolando ao som da música e ficamos lá curtindo por um bom tempo... Então, fui ao banheiro com Daniel, que teve a brilhante ideia de ir no banheiro debaixo para evitar uma fila imensa. Descemos a escada quase rolando de tão bêbados, mas tudo era engraçado para a gente.

— Você está IN CRI VEL! Sério, amei o look — falou ele enquanto estávamos na fila. O lugar tinha um teto de vidro, que nos permitia ver o céu e também diversas plantas e árvores, num tema bem tropical. Tinha um som ambiente e meia luz. Diversos pufs espalhados pelos cantos... Era um bom lugar para descansar ou ter um momentinho com o crush...

— Obrigada — agradeci dando uma voltinha e tudo girou umas três vezes mais, como se eu tivesse acontecendo um terremoto.

— Eu acho que aquela menina tá de olho em você, só um palpite — ele comentou de forma bem discreta se aproximando de mim.

— É, eu percebi... Ela é gatinha, né!? — concordei encarando a garota.

— Uuuu, girl, então você fica com meninas também? — ele perguntou em choque.

— Me respeita — falei meio inconformada colocando a mão na cintura.

— Gosto assim... vai lá, sua vez, a gente se encontra aqui — ele me alertou me mostrando que não tinha mais ninguém na minha frente.

Fui ao banheiro rapidinho, lavei a minha mão e parei um pouco no espelho para retocar minha maquiagem, que estava um pouco derretida depois do tanto que pulei e bebi. Dani estava me esperando onde me disse que estaria. Ele pegou a minha mão e foi me arrastando para cima. Eu não sei o que me deu, mas quando passei perto da garota que estava me encarando, roubei um selinho bem rápido dela e segui o caminho.

Peguei mais uma bebida para manter o grau do álcool e fiquei lá dançando com Igor e Dani, já que Noah estava se agarrando com um boy bem do nosso lado. Foi divertido, fizemos até fez coreografia de algumas músicas... Eu dancei no pole dance da balada. O tempo passa rápido quando estamos nos divertindo. Lembra da menina que eu roubei o selinho? Então, ficamos juntas por alguns momentos, mas o santo não bateu, o beijo não encaixou, então fui beber mais. Consequentemente, precisei ir ao banheiro de novo... E enquanto esperávamos nossa vez, fizemos um ensaio fotográfico exótico com todas as plantas do lugar. Não queiram ver essas fotos. Finalmente, chegou a minha vez... e quando sai do banheiro, meio perdida, percebi que o clima estava meio pesado. Eu não sei como aconteceu, o que aconteceu, mas Noah estava brigando com um garoto, a briga teve direito a segurança.

— Gente, eu acho que vou embora, não estou no clima para ficar mais não — ele falou quando tudo já estava resolvido. O garoto estava com um olho vermelho, e um corte na boca que sangrava um pouco.

— Ai, bicha, sério!? — Dani falou um tanto impaciente.

— Sério mesmo... pra mim já deu, mas fiquem ai, se divirtam, vocês não tem nada com isso — ele falou em um tom de despedida e já veio nos dando beijinhos de adeus.

— Ah, eu vou com você então... parceiros até o fim — falei e me despedi dos meninos. Então, pagamos nossas comandas e fomos embora, mas antes de pegarmos um taxi, paramos no bar da esquina para comprar mais bebida.

Eu fui para casa conversando com ele, com motorista, rindo... Bêbados, por que tão sociáveis? Coloquei até a cabeça para fora da janela sem me preocupar com meu cabelo. O vento cortava meu rosto de uma forma gelada e deliciosa. Quando finalmente chegamos na minha casa, o papo estava tão bom, que Noah decidiu ficar... Pagamos o taxista e literalmente descemos engatinhando do carro e nos jogamos no jardim. Ríamos muito da nossa inabilidade de andar. Ficamos ali rolando na grama de um lado pro outro igual dois bobos, rindo de tudo... achando a noite maravilhosa. Foi quando um ser em pé apareceu. Era ela...

— Ah, oi, vizinha, veio rolar com a gente? — perguntei entre risadas para a garota de pijama.

— Gente, vocês são loucos, a noite tá mega fria! — ela falou como uma estraga prazer. Eu me sentei. Peguei a nossa sacola de bebidas. Tirei uma cerveja para mim, uma para Noah e entreguei uma para ela. Ela pegou e se juntou a nós sentada.

— Esse é o Noah... Noah, essa é a Mel — introduzi os dois.

— Seu namorado mudou de nome? — ela perguntou meio confusa enquanto abria a lata de cerveja.

— Sim, eu sou o namorado muito macho da Clara — ele concordou me dando uma cotovelada de leve e caindo na risada.

— Vocês dois parem de falar que a gente está namorando... — eu disse sem dar muito importância para o assunto. Estava bêbada e ficar discutindo o título da minha relação com Ariel não mudava nada. — E Noah é irmão gêmeo dele...

— Falando em irmão, Clara, eu estava com a boca ocupada, mas eu vi... Você com aquela menina. Pobre Ariel, já com chifres na cabeça... — meu amigo relembrou a cena mais cedo da balada.

— Só é traição se você tem um relacionamento com a pessoa, o que não é o nosso caso — me defendi

— Onde vocês estavam? — perguntou Mel curiosa e por um segundo até pude sentir uma pontada de ciúmes na sua voz.

— Ah, a gente foi numa baladinha — explicou Noah bebericando sua cerveja.

— Mas dai esse cara aqui ficou com um menino que namora e deu ruim, por pouco não fomos expulsos — contei a história entre risos. Só ele para se meter nessas roubadas, as coisas nessa cidade eram mais animadas do que eu pensei. Noah estava colocando a garrafa gelada de cerveja no seu olho.

— Ele falou que eles tinham um relacionamento aberto, tá!? Eu como uma alma pura e inocente, acreditei — disse ele um pouco inconformado com a situação e não tivesse culpa nenhuma.

— Mas, eai, vizinha, por que você está acordada essa hora? Me diz que estava fumando maconha, me diz que estava acordada ficando chapadona, me diz que eu estava certa — falei toda empolgada. Quando eu vi Melissa, achei ela com uma cara de maconheira sem limites e essa foi a única explicação que eu encontrei para ela estar acordada aquela hora da madrugada a nos ver chegar. Devia tá brisando olhando pela janela.

— Só estava sem sono e vocês chegaram rindo tão alto que daria pra ouvir vocês do japão... e eu não fumo maconha — ela negou bem sem graça.

— Chaaata — exclamei revirando os olhos de tédio.

Ficamos no jardim conversando até as cervejas acabarem. Então, disse pra Noah dormir na minha casa, ele aceitou logo de cara, estávamos muito loucos... Fomos para cozinha e comemos um monte de besteira antes de ir dormir. Apesar da casa ter uns 50 quartos de hóspedes, chamei o garoto para dormir comigo, minha cama era imensa, cabia nós dois e ainda sobrava muito espaço. Infelizmente, eu não tinha nenhuma roupa para oferecer para ele dormir, nossos tamanhos eram beeeeem diferentes, e não me importei dele dormir de cueca, afinal, éramos só amigos, e eu confiava nele. Enquanto nos arrumávamos para deitar ele disse:

— Dá pra sentir de longe a tensão sexual entre você e a vizinha... Ariel que se cuide — ele comentou de forma despretenciosa caminhando em direção a cama e se deitando. Eu ainda estava em pé vestindo meu pijama e enrolando minha roupa suja para colocar para lavar. Fui até a minha mesa, peguei um post it e escrevi: "Ele não é o Ariel, é o irmão gêmeo gay dele, não transamos!". Colei no lado de fora do meu quarto e a fechei, então corri para a cama e me juntei ao garoto.

— E eu e a Mel? Nem pensar, ela é só uma colega, não vai acontecer... não tem tensão sexual nenhuma — tentei tirar essa ideia da cabeça de Noah antes que ele se prendesse muito a ela e soltasse alguma piadinha para Ariel, e ele começasse a implicar com a minha relação com Melissa. Era melhor evitar problemas...

— Uma colega que claramente está a fim de você... — rebateu ele.

— Eu S A B I A que não estava louca! Também achei isso esses tempos, mas ela negou e eu desapeguei dessa ideia... mas eu to de boa de ficar com ela, não quero não — a gente sente quando tem alguém a fim da gente, por mais que a pessoa tente disfarçar, e Melissa não era muito boa em disfarçar, pelo menos não quando estava meio alcoolizada. Mas para mim ela era só mais um alvo... e eu já estava com Ariel, não sou louca o suficiente de me envolver com dois alvos de uma vez só. Era muita insanidade até para mim. E outra, ela era novinha demais, novinhos definitivamente não fazem meu tipo. Imagina só... Eu ficando com uma garota de 17 anos. Tinhamos nada menos que 4 anos de diferença... não iria acontecer, nem pelo bem maior do plano.

— Talvez ela não queira estar — ele constatou depois de alguns segundos e fazia sentido.

— Pode ser... — concordei.

— Só toma cuidado pra não magoar o Ariel, ele pode ter concordado com esse negócio de ficarem com quem vocês quiserem, mas ele não é tão de boa assim com essas coisas, ele é todo quadradão

— Ai já não é problema meu — falei me virando para apagar a luz. — Boa noite! — completei.

— Boa noite! — ele disse.