MALANDRA

10 Capítulo 10 - O MELHOR FINAL DE SEMANA DE TODOS


Depois de um final de semana agitado, era hora de relaxar, Ariel iria me levar para passar alguns dias sei lá onde, ele quis guardar segredo e fazer surpresa... Então, eu preparei uma mala imensa com todas as opções possíveis, vários looks para todos os tipos de rolês possíveis, eu tinha que estar linda, né.

Sai de casa arrastando a mala com dificuldade, pois estava muito, mas muito pesada. Ele estava lá bem gatinho encostado no carro me esperando. Sério, depois das minhas dicas de moda, ele era outra pessoa. Pontinhos para mim. Ele ficou um tempinho me encarando para rir de mim antes de correr para me ajudar, então levou minhas coisas para o carro como um cavalheiro.

— Então, para onde vamos? — perguntei um tanto sem paciência já dentro do carro. Não estava gostando dessa história de surpresa, mas eu confiava nele o suficiente para saber que não era um sequestro e se fosse ele estava bem ferrado porque eu sabia me defender.

— Não muito longe, você consegue aguentar mais um pouco — ele falou dando partida no carro.

— Seu all star azul combina com o meu preto de cano alto — ele cantou fofinho após observar o que eu calçava, logo que eu tinha colocado os pés sobre o porta luvas.

— Como você pode ser tão fofo? Eu não estou acostumada com tanta fofura — eu disse empurrando ele pro lado o que não foi uma boa ideia já que ele estava dirigindo.

— É melhor ir se acostumando então — ele falou olhando para mim por um segundo só para me dar uma amostra do seu sorriso.

A gente passou as DUAS horas conversando e cantando. DUAS HORAS de viagem. Ele disse que era perto. Eu não conhecia muito aquela região, mas eu sabia que estávamos em uma cidade praiana, porque ele não conseguiu evitar passar por uma no caminho... Ele entrou em um bairro residencial e parou em frente de uma das casa. Não era imeeeensa, mas era grande. Era toda fechada por fora, como a casa dele, parece que os pais dele eram loucos por privacidade. Mas assim que entramos, tinha um grande jardim com piscina. A casa tinha um andar só. Na sua outra extremidade, ela tinha um deck que dava para a praia. Era uma praia pequena, mas era linda. Acho que devia ser uma praia privada também.

— Tá, você conseguiu superar todas as hipóteses que eu criei na minha cabeça — falei ao sentir ele me abraçar por trás e depositar um beijo bem delicado no meu pescoço.

— Bom saber que consigo te surpreender — ele falou com a voz aveludada bem pertinho do meu ouvido — Mas ainda tenho mais uma surpresinha — ele falou correndo para dentro e eu fiquei observando ele. Não tardou para que Ariel voltasse segurando um violão.

— Um por do sol com música que não seja clássica, isso é sério? Estou sonhando? — falei bem empolgada por ele não ter voltada com um cello.

— Na verdade, eu só sei tocar versões de Vivaldi, essas coisas no violão, então.. — ele falou bem sério e eu não pude acreditar. Caramba, mas não era possível que ele não largava a música clássica por nenhum minuto.

— Você não pode tá falando sério — falei muito, mas muito brava mesmo.

— Não mesmo, eu to só brincando — ele falou rindo por eu ter acreditado — Você deve tá com fome, então... que tal a gente pedir comida japonesa para mais tarde enquanto a gente fica aqui curtindo esse momento?

— Acho perfeito! — concordei me sentando cruzando as pernas feito índio. Ele sentou bem na minha frente e começou tocar violão. Era all star como ele havia cantado mais cedo. Um clichê. E ficamos ali cantando juntos. E cantamos várias outras... E o sol se pôs entre diversas melodias bem executadas por ele, mas não tão bem cantadas pela gente, mas o que importava era que a gente estava se divertindo. Um bom clichê às vezes cai bem...

Quando a comida chegou e estragou o nosso momento, ele foi buscar e pagou. Perguntou de longe se eu já queria comer, e eu disse que não e chamei ele para ficar comigo. Ele se sentou atras de mim e ficamos ali, parados em silêncio aproveitando a vista da noite estrelada sob o mar. Estávamos bem juntinhos, nossas respirações sincronizadas... eu podia sentir o calor do seu corpo. Eu estava tão confortável ali com o encaixe dos nossos corpos que só uma fome insuportável pode me tirar daquele paraíso.

Quando eu estava na cozinha devorando centenas de hot holls, ele já havia se acostumado com o tanto que eu comia, então nada de rodeios por aqui e sem fingir ser uma lady. Eu parei por um segundo e fiquei analisando-o. Ariel não tinha uma beleza idealizada, ele era bonito, muito bonito, mas comum... Ele tinha um algo a mais. Seu cabelo não era mais grande como quando o conheci. E agora tinha um corte bonito, com um dregradê feito na máquina. E ele não vestia sua tradicional xadrez porque estava bem quente, então por isso ele usava só uma regata branca bem cavada. Ele parou de comer por um instante, acho que reparou que eu estava encarando-o. Então corou, suas bochechas ficaram tão rosinhas... até nisso ele era fofo.

— O que foi? Tá sujo? — ele perguntou limpando próximo da boca com as costas da mão um tanto desesperado.

— Não, não é isso... só estava te admirando — tranquilizei o garoto. Repousei o hashi sobre a mesa porque realmente não conseguia comer mais nada. Qualquer grão de arroz me faria explodir.

— Não sou uma pessoa para ser admirada... Se ficar olhando muito pra mim vai sair correndo na primeira oportunidade que tiver — ele foi modesto. Era bastante tímido em certos momentos.

— Ai, cala a boca! — xinguei ele. Agarrei meus hashis sobre a mesa e joguei nele em repreensão. Ele se protegeu com o braço, mas eu tinha jogado com pouca força de qualquer jeito. — Então, você gosta de algo além de música clássica

— O que eu posso dizer? Sou eclético... Aposto que isso você não imaginava

— Não mesmo — neguei. Eu sabia sim, mal sabia ele, que tinha uma pasta inteira só sobre sua vida na minha casa...

Notas finais
CÊS VÃO ME DESCULPAR MUITO, MAS EU SOU MUITO TEAM ARIEL!