MALANDRA
12 Capítulo 12 -
Eu tinha combinado com a Mel de ir estudar depois da aula na casa dela e dormir por lá, o que não fazia muito sentido já que éramos vizinhas e nenhuma de nós estava sem condição de ir para a casa, mas eu precisava de alguma informação. Eu não tava afim de estudar, mas prometi que ia ajudar ela, então era o que eu estava tentando fazer, mas a garota era impossível. Estudar com Mel era uma missão... Qualquer coisa era desculpa para parar. Eu tive que ter a paciência de um monge, mas deu tudo certo. Depois do jantar com os pais dela, que eram bem mais reservados que os do Ariel, subimos para o quarto dela para ver uns filmes. Depois do primeiro filme, já era meio tarde, então decidimos colocar nossos pijamas antes de assistir o próximo. Eu troquei o meu no quarto dela mesmo, mas ela foi ao banheiro se trocar... Talvez tenha sido pelo mal entendido de dias atrás que ela achou que eu estava espionando-a. Mel saiu vestindo um robe preto do banheiro. Caminhou até a porta do seu quarto ignorando a minha presença, então a trancou. Fiquei sentada na ponta da cama só observando tudo. Ela retornou até a lateral da sua cama, parou lá e começou a desfazer o laço do seu robe bem devagar. Tirou-o. Então eu pude observar seu corpo, suas curvas... ela usava só uma lingerie preta bem provocativa. A minha reação foi rir, não sei porque... talvez fosse de nervoso. Ela corou e ficou um pouco desconsertada.
— Você está tentando me seduzir, Mel? — perguntei me recuperando, mantendo apenas um sorriso pretensioso.
— Por que? Funcionou? — ela respondeu em forma de pergunta sentando-se bem próxima a mim. Aproximei meu rosto do dela. Nossas bocas quase se tocando. Então respondi:
— Nenhum pouco!
— Droga! Falhei na missão! — ela falou um tanto infantil se jogando na cama. Ela arrumou seu corpo e foi para debaixo do lençol — Vem, vamos ver logo esse filme! — Vem, vamos assistir logo esse filme! — ela deu a ordem, então eu deitei ao lado dela com meu pijama beeeem infantil. Se for comparar nossas personalidades, estávamos praticamente em uma inversão de roupas.
— Não é que eu não sinta atração por você, Mel, é que nós somos amigas... não quero estragar isso por nada, sabe!? — falei depois do silêncio imenso que estava preenchendo a noite. Eu não podia ficar com ela, perder a amizade dela, e ai arriscar todo o plano. Mel não era como Ariel. Ela era inconstante e a infantilidade em pessoa quando queria. Ficar com ela seria uma bomba relógio, por mais que a garota fosse gatinha. Afinal, com meu coração de pedra, me apaixonar não seria uma opção.
— Já entendi que você não quer, tudo bem... Vida que segue! Hoje é você, amanhã é outro/outra crush
— Isso aí! — concordei com ela e finalmente pudemos escolher um filme. Antes do final, Mel já estava apagada nos meus braços, bem grudada mesmo. Desliguei a tv quando terminou e fiquei mexendo no celular para não dormir. Queria ter certeza que todos na casa estavam dormindo antes de descer. Três horas da madrugada, imaginei que não restara dúvida de que todos estavam apagados. Tirei Mel de mim com toda cautela possível, mas ela dormia feito uma pedra. Na pontinha dos pés sai do quarto, desci as escadas e fui para o escritório do pai dela. Mexi em todas as gavetas. Fotografei todas as folhas que vi pela frente. Tudo, mas tudo mesmo. Quando estava colocando de volta no lugar ouvi um barulho e congelei. Apaguei a lanterna do celular e me escondi debaixo da mesa. Não consegui ver o que era. Mas fiquei lá por uns bons minutos até sentir que poderia sair de lá engatinhando. Assim que estava no corredor, fiquei de pé e caminhei para a cozinha normalmente. Se tinha alguém embaixo, eu precisava de alguma desculpa para estar lá também e voltar para o quarto tranquila. Quando entrei no cômodo, dei de cara com o pai dela devorando um sanduíche. Congelei por um segundo. Então forcei a minha voz a sair:
— Desculpa, senhor, não queria atrapalhar... queria só um copo de água
— Não atrapalha de forma alguma, fica a vontade... Quer comer alguma coisa? — ele ofereceu tentando ser gentil.
— Essa hora não... muito obrigada! — fui educada, então me apressei para servir meu copo d'água e correr de volta para o quarto de Melissa — Vou lá, boa noite!
— Boa noite! — ele respondeu e eu sai andando o mais rápido que pude, meu coração estava prestes a sair pela boca. Ele podia ter me pegado. Podia, mas deu tudo certo. A adrenalina foi tanta que perdi o sono. Sentei na poltrona de Mel próxima a janela e fiquei lá esperando o sono voltar. Eu não vi o tempo passar... Eram tantos pensamentos que eu me perdi em mim mesma e naquele céu estrelado. Onde essa minha vida louca iria me levar? Era isso que eu queria ou era o que eu estava programada pra fazer? Foi então que sai do transe...
— Clara... — ouvi a voz sonolenta me chamar.
— Oi? — respondi sem me virar.
— Vem deitar — ela pediu e eu não tive como recusar, era tão fofinha, dizer não para Mel sonolenta era quase um crime, e eu já tinha cumprido a minha cota da noite. Ela ficava incrivelmente encantadora a luz da lua.
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