Método Único
8 Capítulo 6 continuação
Mia
Ok. Mochila pronta. Barras de cereal, garrafa de água e o mapa. Papai, mamãe, hoje, depois de tanto tempo, vou voltar para a “cachoeira mágica”!
Olhei em volta, a maioria já tinha saído para a excursão para o lago. Ainda bem que era do lado oposto de onde queria ir. Me sinto mal de mentir para o David e a Sra. Park, mas ainda bem que sou menina e eles acreditaram que eu estava com cólica.
Eu queria que o David viesse comigo, mas ele ficaria bravo se eu o convidasse. Só porque eu não tinha certeza aonde era a cachoeira. Também, fazia muito tempo desde a última vez...
Mas eu tinha um mapa! Não tem como errar, é uma trilha tão fácil e nem é longe daqui. Estaria aqui de novo antes deles retornarem.
VAMOS LÁ!
Érick
Como eu pensava, não teria descanso aqui. Jogamos basquete ontem, agora é futebol. Mas por que eles sempre inventavam de jogar em um horário tão quente?
Bem, pelo menos fiquei no gol e aqui até que tem um pouco de sombra.
Um bando de “fominhas” estava vindo na minha direção. Alguns dribles até estarem cada vez mais perto. Um cara se prepara para chutar.
Sério que ele vai chutar de bico? Se ele fizer isso, a bola vai...
— MERDA! – reclamou puto.
...voar para longe.
E pra quem sobra pegar? — Pode deixar, eu pego.
Caramba, esse cara chutou forte mesmo. Será que a bola tinha vindo mesmo pra cá... Ah, achei.
No meio de algumas árvores, vi Mia parada olhando para um papel amarelado, parecendo bem concentrada.
— Ei!
Ela continuou a andar. Estava me ignorando ou só não tinha escutado mesmo?
— Ei, Mia! – fui atrás dela.
Finalmente se virou. — Sensei?
— O que faz aqui?
— Ah, eu sou do clube de música. Ei, eu não sabia que o Sensei era do clube de basquete.
— Sim, mas... Por que está aqui? Cadê seu grupo?
De repente ela desviou o olhar por detrás dos meus ombros e arregalou os olhos.
— Ei, estou falado com você.
Petrificada.
O que ela está olhando?
Quando me virei, vi uma raposa olhando para nós com os olhos famintos.
Olhei para Mia de volta. Não parava de tremer e seus olhos nem piscavam. Vi algumas lágrimas caindo.
— Não... se mexe.
— A-aham.
A raposa deu dois passos. Isso foi o suficiente para ela sair correndo.
Droga!
Comecei a correr logo em seguida, mas por ela ser lenta a alcancei rápido. Peguei sua mão para tentar fazer com que corresse no meu ritmo. A raposa estava logo atrás da gente.
Droga, droga, droga.
Tentei correr mais rápido. Ganhar mais distância para subir em alguma árvore.
— Consegue subir rápido em uma árvore? – perguntei ainda correndo.
Ela não respondeu. Provavelmente estava assustada demais para falar.
O que eu faço, droga...?
Ela de repente parou.
— O que você-
A raposa tinha sumido.
Mia começou a voltar um trecho do caminho.
— Ei, ei, ei, o que está fazendo? – a segurei pelo braço.
Então escutei um barulho estranho, parecia um choro de cachorro. Ela continuou andando e dessa vez a acompanhei.
A raposa tinha caído em um buraco.
— O chão se desmanchou. Eu mesma vi. Ai ela caiu.
Chão se desmanchou? Ah, uma armadilha. Observei ao redor. Tínhamos passado bem perto, por sorte não fomos nós que caímos.
— Será que ela está machucada? – ela se inclinava tentando ver, parecia preocupada, mas ainda estava com cara de assustada.
— Ei, idiota. Assim é você que vai cair.
Ela se afastou rapidamente.
Ainda bem que tinha essa armadilha. Nunca me senti tão aliviado. Olhei em volta. Havia árvores para todos os lados.
Só o que me faltava... estamos perdidos.
Mia
Na correria acabamos nos perdendo. Sensei disse que eu não deveria ter começado a correr. Mas eu me assustei quando ela começou a andar na nossa direção.
Ah, eu sou uma idiota. Por minha causa estamos perdidos agora.
E se aparecer mais raposas? Ou bichos ainda maiores? Ouvi falar que aqui tem ursos. Ursos! Eu os achava fofos, mas depois do filme “O regresso” nunca mais os vi com os mesmo olhos.
— Está com seu celular aí? – perguntou, me tirando da minha crise interna.
Confirmei e lhe entreguei de imediato, que sem perder tempo discou um número e deixou no viva voz.
— Pô, cara! Onde se meteu?
— Pauls, presta atenção. Tô no meio da floresta e não faço ideia de onde.
— A bola foi para tão longe assim? (risadas)
— Paul, é sério.
— Foi mal. Pode deixar, aviso ao professor. Vê se...
Silêncio.
— Paul? Alô, Pau?
Ele olhou para a tela e pareceu irritado.
— Claro. – riu irônico – Sem sinal. – e me devolveu o parelho.
— Pelo menos alguém já sabe. – disse tentando ser otimista.
Sensei me lançou um olhar assustador, certamente me culpado. Mas...a culpa era minha mesmo. hehe
— Ah, eu tenho um mapa! – lembrei, remexendo na mochila – Ah, não... Ele caiu. Eu deixei cair!
Comecei a olhar em volta, automaticamente, mas nem sinal.
Como vou chegar a cachoeira agora? Por que fui soltar aquele mapa? Argh, eu sou uma idiota!
Comecei a andar de um lado para o outro.
— Ei...
— Eu tenho que achar!
— Ei! – Sensei segurou meus ombros – Se acalma! Não adianta um mapa se não sabemos aonde estamos.
— Sim, eu sei disso. Mas aquele mapa era importante, eu...
— Tá bom, já entendi! – completou impaciente – Relaxa, é só comprar outro.
Eu poderia explicar que não era tão simples, já que o lugar foi nomeado pelos meus pais, era um nome que não teria em nenhum outro mapa. Mas deixei pra lá. O importante agora é voltarmos para o acampamento, depois voltarei para procura-lo.
Érick
Estávamos tentando voltar por conta própria, quando escutei um barulho de água caindo.
Ah, ainda bem... Se for o que estou pensando, já estava na hora. Estou morrendo de sede.
Fui seguindo o som, e mais a frente, dei de cara com uma “cortina” de folhas, que escondia uma cachoeira.
Mia saiu correndo na frente, e começou a observar o lugar fascinada, com um sorriso enorme no rosto. Tudo bem que o lugar era bonito, mas nada muito diferente de outros que já conheci. Ela escalou umas pedras, e quando estava na última antes de começar a “piscina” natural que se formava no pé da cachoeira, sentou-se e fez sinal para que eu também fosse até lá.
Fui, mas com a intensão só de matar a sede.
— O que está fazendo? – perguntou ela no alto da pedra, quando me agachei para pegar a água.
— Estou com sede. – disse me virando de volta, tentando fazer uma concha com as mãos, mas era mais difícil que em filmes.
Era gargalhou, o que chamou minha atenção para algo tão sem motivo.
— Eu trouxe comida.
Hesitei um pouco, mas estava com fome. Não queria dar a entender que demoraríamos muito ali, só o tempo de comer e descansar um pouco.
Mia abriu sua mochila, tirando dela dois pacotes de salgadinho e uma lata de refrigerante.
— Ah, eu só tenho uma. – disse decepcionada – Mas tenho dois canudos!
— Você... Pensa em trazer dois canudos, mas em uma lata extra?
— Sim, assim vem mais refri. – respondeu como se fosse óbvio.
Cada uma...
***
Olhei para ela, que comtemplava a queda d’água depois de comer tanto.
— Não é lindo? – ela virou para mim, sorrindo e com o mesmo brilho nos olhos desde que chegamos ali.
— Sim, surpreendente.
— Sério? O que mais te surpreendeu, Sensei?
— Han? Ah... – pigarreei – Eu... Acho melhor irmos, não quero andar por aí a noite.
— Ah, sim. – e começou a juntar tudo, pondo o resto do salgadinho na mochila de volta, mas parou por um instante, olhando algo lá dentro – Só preciso fazer uma coisa.
De repente, ela pulou, deu meia volta, e começou a contornar as outras pedras. Eu a acompanhei. Não entendi o caminho que estava fazendo, parecia procurar por algo entre as rochas.
— Se está atrás de uma lixeira, duvido...
— Ah, achei! – e correu até perto de duas pedras menores, e se agachou.
Percebi que havia algo escrito nelas, e me curvei para ler.
“A vida só não escolhe por você, se estiver preparado para enfrentá-la e correr atrás de seus sonhos”.
Isso era algo bem profundo.
E na outra: “Se quiser ser feliz no presente, não viva o passado e não pense no futuro, aproveite o agora”
Levantei, me sentindo estranho, meio invadido.
Essa frase...
Mia me tirou dos meus pensamentos, quando, inesperadamente, e sem hesitar, começou a cavar com as mãos.
O que essa doida está fazendo?
Tirou de dentro da mochila um troféu, e o colocou no buraco que fez no chão. Ela o olhou por um tempo, e depois o enterrou ali.
Realmente... Uma garota estranha.
Mia
— Como sabe? – perguntou ele, relutante em me acompanhar.
Eu conhecia aquele lugar e lembrava de fazer aquela trilha com meus pais, talvez aquele caminho poderia nos levar de volta para o acampamento.
— Só sei, quer dizer, não tenho certeza, mas acho que... – e olhei em volta. Podia jurar que era aquela.
Ele suspirou. — Bem, já estamos perdidos mesmo... – e começou a andar na frente.
Já tinham passado alguns minutos, e o sol já estava indo embora.
Espero que a gente esteja perto, porque eu morro de medo do escuro...
Ouvi um barulho vindo das árvores, e quando olhei para cima, levei um susto tão grande, que cai no chão.
— O que foi?
— U-u-uma cobra! – disse apontando para cima.
— Isso aqui? – ele pegou a suposta cobra na mão e a puxou.
Haha...Era apenas um cipó. Eu tinha até me jogado no chão para escapar de um pedaço de planta. Haha... Onde posso enterrar minha cara?
Sensei me estendeu a mão e me ajudou a levantar. Percebi que estava rindo.
Nada legal...
No mesmo momento que meu corpo retornou a exercer força sobre meus pés, pude sentir a dor. Era como se tivessem enfiado uma faca no meu tornozelo.
— Você está bem? – ele parou de rir.
Talvez seja aquelas dores de torção que passa só depois de um tempo.
— Aham. – confirmei.
— Então vamos continuar.
Érick
Ela é tão lenta! Não consegue acompanhar meu ritmo, fica sempre lá para trás e eu nem estou andando rápido.
Observei-a discretamente de canto de olho, então percebi que estava mancando com o pé direito.
Sabia...
Fui direto até ela, que ficou sem entender, parecendo surpresa.
— Você se machucou?
— Não, não. Eu estou bem.
— É mesmo? – me abaixei e apertei seu tornozelo.
Ela deu um grito e me empurrou com tudo, por reflexo, suspendendo o pé no ar enquanto se apoiava, desesperadamente, na árvore.
— Foi... mau – não sabia que era tão sério — Idiota, como deixou chagar a esse ponto? Deveria ter dito logo que se machucou.
Ela estava mais branca que o normal e suava bastante também. Com certeza estava bem dolorido, se não estava trincado, ao menos torcido. Ela não conseguiria andar mais nada e a gente não sairia do lugar. Não sairíamos nunca dali, e precisava achar um lugar seguro antes que escurecesse.
Agachei e pedi para que subisse nas minhas costas. Ela teimou um pouco, mas no final me obedeceu.
Enquanto caminhava só conseguia me concentrar no corpo quente dela apoiado nas minhas costas. Podia sentir seus... sua parte da frente (pensei que fosse uma tábua), ela era tão leve e pequena.
Achei um tipo de (gruta?), mas parecia ser segura. Quando ela foi descer, quase tombou. Estava febril. Tinha que esquentá-la.
Deitei- a no chão mesmo e usei sua mochila para que apoiasse sua cabeça. Sem muita consciência, parecia meio mole e sonolenta. Depois de estender seu casaco sobre ela, deitei ao seu lado. Meu corpo relaxou rápido e acabei dormindo também.
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