Mágica Nerfal
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Mais um capitulo
Tá meio paradinho
mas não deixa de ser importante
Até lá embaixo
Acordei com muita dor de cabeça e tontura, é parecido com ressaca, só que mais doloroso. Pego meu despertador e puta merda! Treze horas? Já? Droga perdi as aulas de hoje, ao menos vou ter tempo de ir na aula de bruxaria agora a tarde. Pego uma calça jeans escura, uma camisa branca de mangas curtas, com uma estampa com o prisma doPink Floyd. Dani é super fã deles, então quando fomos no show dele no ano passado, ela comprou uma dessas camisas para mim, uma pra ela e uma pro Ru... OH MY GOD!!! O Ruan, não acredito nisso. Perdi de acompanhá-lo ao partir, a sua viajem a Escócia, que droga.
Arrastei de baixo da cama meus sapatos vermelhos, que estão desbotando, velhos e surrados. Fui num dos cabides do meu guarda-roupas onde estava um blazer de couro preto pendurado. Deixei as roupas em cima da cama e sapatos no chão, perto da mesma.
Fui ao banheiro, sempre preferi água morna, mas hoje estou me sentindo quente por dentro. Um calor estava me fazendo suar, até as roupas que eu estava usando agora a pouco estão ensopadas, aparentemente meu sangue ainda estava quente, mas diferente de ontem, não sinto ele bombear rápido. Liguei o chuveiro, a água gelada começou a cair em fortes gotas, escorrendo por todo meu corpo. É impossível não notar a fumaça de vapor que se ergue, com apenas o toque do transparente e inodoro líquido com minha pele. É como se minha pele fosse um metal quente e a água apenas estivesse esfriando o tal metal, me senti bem mais calmo depois disso. Ok, não posso me dar ao luxo de relaxar agora. Saí rápido do banheiro, me vesti, me perfumei e segui em direção a aula de bruxaria, ao menos uma das aulas irei assistir hoje. Se não for as aulas de humano que venham as magias haha. Falar em aprender magias, não consigo achar meu grimório, estranho. Aff tanta bagunça nesse quarto e nem tô com paciência de procurá-lo.Bem, agora estou quase atrasado, procuro depois quando tiver mais tempo.
Ao bater a porta de casa, pego meu celular e tento de imediato ligar para o Ruan, " Caixa postal". Suspiro chateado e volta a caminhar. O que realmente aconteceu ontem? Lembro de muita coisa, mas é como se fosse tudo um sonho, como se não fosse eu quem estava fazendo aquilo. Minha cabeça voltou a doer, me forçando dolorosamente parar de tentar lembrar sobre ontem, apesar de eu precisar saber o que aconteceu e me certificar que nada daquilo realmente aconteceu, e em fim ter certeza que tudo foi um terrível pesadelo.
— Ruan ficou super feliz, por você ir se despedir dele hoje!— O sarcasmo entrou em meus ouvidos aumentando a dor de cabeça, como se tivesse aumentado o iphone no máximo e ainda estivesse com os fones de ouvido. Passei a mão direita massageando as têmporas e me virando para direita, vejo a Dani.
— Ok, admito! Foi furada o que fiz!
— Furada? É só isso que você tem a dizer? Ruan é como um irmão pra gente! Droga Rick, você mudou de mais!— Senti a tristeza da D. me atingir cruelmente contra o peito, entretanto minha cabeça só doeu mais. Ela tem razão, eles dois sempre foram minha família, eu só tinha eles e agora me afastei sem dar explicações, a entendo.
— D. ! Podemos conversar depois?— Franzi a testa, ainda esfregando as têmporas com a ponta dos dedos.
— Não! Não podemos falar depois...— Ela eleva o tom e a interrompo.
— Você poderia falar mais baixo?
— Ai meu Deus! Você está de ressaca? Quando começou a beber?— Ela começa com tom preocupado e raivoso.
— Eu não bebi! Podemos conversar depois?— E sério já estava quase sem saco, pra aguentar essa ladainha da Daniella.
— Não! Já disse! Precisamos conversar agora! Qualé Rick, o que tá pegando?— Ela anda em minha direção com passos firmes intimidadores, me fazendo dar passos para trás.— Você tá indo pra onde agora? Por que não posso ir junto? A gente nunca se separava e agora você tá aí, cheio de mistérios!— Antes que ela pudesse me interrogar mais, a encaro nos olhos e falo autoritário.
— Agora não!— Senti meus olhos queimarem como se eu estivesse com sono, e os olhos dela ficaram rosas por alguns segundos, e voltarão ao normal rápido. De repente ela ficou tranquila e sem aquela expressão facial irritada.
— Agora não? Ok, a gente se fala depois então!— D sorriu e andou até a casa dela, sem questionar, sem pestanejar, sem reclamar, nada, apenas obedeceu.
Continuei a caminhar, a praça fica longe, mas dá pra ir andando porque conheço um mega atalho, até a cabana. Acho que deveria contar para D sobre mim, que sou bruxo. Ela parece aguentar a verdade, mas acho que não devo falar sobre as trevas, não ainda. Ela se assustaria e acabaria perdendo ela de vez, e ela é minha melhor amiga, não quero me separar dela.
Outra coisa importante também é ligar para o Ruan, preciso falar com ele. O que tá acontecendo comigo? Sempre fui um ótimo amigo e estou desapontando a todos. Meu pai, Daniella, Ruan, todos que amam estão se infectando com minha estranheza. Mas como poderia ser diferente? Eu sou diferente agora, não? E esses nem são meus problemas de verdade (não os sérios problemas). Estou sendo dominados por forças sombrias e tem um guerreiro das trevas, para mandar de vez pra outra dimensão. Fora o fato de ter que unir dez bruxos para fazer esse maldito ritual que vai mandar o Williams para essa dimensão. Uh, lembrando mais um pouco do que aconteceu ontem, nem sei como o Jhon ficou, meio que desmaiei e só lembro de acordar na minha cama agora pouco. Isso significa que Jhon tá vivo? Provavelmente, a Lexa não tem magia pra me trazer. Pego meu celular e disco o numero dele. Que graças a Deus atendeu.
— Oi Erick!
— Hey Jhon! Como você está?— Pergunto, agora passando no meio de uma cerca de arames farpados. Por sorte os arames já estavam meio velhos e tronchos, fazendo um buraco fácil de passar sem que rasgasse nenhuma peça de minha roupa, principalmente me possibilitando de não ter um corte e pegar tétano.
— Estou ótimo e você? A Lexa me falou o que aconteceu, obrigado Erick sério! Você me salvou!— Sua voz estava com tanto tom de gratidão que sorri.
— Você teria feito o mesmo por mim amigo!— Falei de volta.
— A Lexa me contou tudo que aconteceu, cara que sinistro, queria ter visto!
— Você não sabe o que esta falando! Aquilo foi longe de ser legal, foi perigoso, era como se eu não estivesse mais lá! Mas era eu que estava pensando em fazer o mal!— O sinal do celular já estava começando a ficar fraco, essa região da floresta é uma bosta.
— Eu... Que... Você...
— Alô? Jhon? Droga!— Desliguei.— Merda de sinal!— Quando foi que comecei a falar tantas palavras feias? Nem sou assim, deve ser o estresse.
Guardei o celular no bolso. Eu prefiro o local urbano, mas estando aqui agora no meio da natureza, com tantas árvores e barulhos de pássaros, é realmente bom. Tranquilizado, suspiro o puro ar da floresta, parei de andar um pouco. A cabana não fica a muitos metros daqui, sentei numa gigante árvore caída que estava aqui no meio, por cima de folhas secas e gramas nada cortadas. Não me importando com o estado do velho tronco que estou sentando, que estar cheio de fungos e lodo, de tão úmido que é o local. Apoio minhas mãos no mesmo, me inclinando para trás. Levanto a cabeça e suspiro mais uma vez.
O que falei agora pro Jhon é sério! Preciso fazer essa coisa chamada trevas sair de mim, isso não é brincadeira. Eu sinto o medo das pessoas e isso de alguma forma me fascina, saber que elas podem gritar de dor, me arrepia como se alguém beijasse minha nuca, isso de modo algum é certo. O que me lembra do ritual que faria antes do Ruan sumir, antes de Williams aparecer, antes de tudo ficar tão confuso. O ritual chamado de portões, que o ancião havia sugerido, falarei com ele o quanto antes e farei esse tal ritual. Está decidido colocarei limites nas trevas, ela não vai mais me dominar. Antes que eu pudesse continuar com meus conflitos internos, ouço vozes femininas de não muito longe. Eram na verdade duas vozes femininas, estavam rindo e falando coisas estranhas e pior, conheço as duas vozes que surgem, por entre as árvores. Desci da grande árvore coberta por cogumelos, e segui as vozes conhecidas que não lembro de quem são.
Espiei por trás de uma árvore tão gorda quanto umBaobá, eram a Luce Derdelim e Sophia Liatra. Luce parece menos tímida do que da ultima vez de quando a vi, estava com seus castanhos cabelos presos como sempre, e estava usando as mesmas roupas sem graça e brancas, com os óculos de sempre, mas seu sorriso, seus gestos, era como se fosse outra pessoa. Ela estava segurando seu grimório de cor azul céu, ele estava aberto e ela olhava muito pra ele. Olhando a Luce assim, sorrindo... Ah sei lá alguma coisa naquela garota me chama atenção a mais do que eu deveria ter. Essa simplicidade dela me atrai de certa forma, ela é linda, (sério corei). Sophia também estava perfeita como sempre, ela corria de alguma coisa, mas sorria. Balançando seus ondulados cabelos super vermelhos, com um outro vestido estampa de flores, hoje são girassóis. Ela também estava com seu grimório em mãos, esse que tem a cor verde grama.
— Oi garota?— Surpresas as duas gritam. Mas quando percebe que sou eu cada uma tem uma reação diferente. Luce se fechara novamente, mordendo seu lábio inferior e segurando com força seu grimório com as duas mãos. Sophia ri mostrando seus perfeitos dentes brancos e vindo em minha direção.
— Oi Rick!— Ela puxa meu pulso, me levando pra perto da Luce.— Posso te chamar assim né?
— Claro!— Falei descontraído coçando a nuca.— O que vocês estão fazendo?
— Estamos praticando magia!— Sorri a sempre feliz ruiva, a loira só abaixou a cabeça.
— Parece divertido!— Falei.
— E é! Pegamos emprestado...
— Pegarão emprestado?— Interrompi a Sophia.
— Yeah!— Rimos em trio e a simpática ruiva continuou.— E nele tem magias muito legais!
— Eu poderia ficar vendo?— Perguntei.
— Por que não pratica com a a gente?— Ela perguntou.
— Mas a aula já vai começar!— Luce fala preocupada.
— É verdade!— Falei olhando a hora no celular.— Podemos marcar outro dia?— Me pronunciei.
— Claro! Aliás Rick, não confiamos nos outros, você é o único que confiamos!— A ruiva olha para a tímidaque ajeitava os óculos, mais envergonhada que tudo.
— Confiamos?— Perguntei, numa tentativa de saber se as duas estavam de acordo com isso.
— Sim, a Luce é tímida mas ela adora seu sorriso e seu bumbum!— Rimos. Luce bateu no braço da Sophia bufou algo que não consegui entender e saiu disparada na frente, indo para cabana. Sophia no entanto ficou fazendo uma careta de duvida, estava óbvio que não falou por mal.— O que foi que eu disse? Falei algo demais? Até eu te acho bonito!— Corei e fomos até a cabana.
Hoje o professor Gabriel (o sacerdote), decidiu fazer a aula na outra parte da cabana. Do outro lado, onde tem bancos de madeira e uma estátua de livro. Essa estátua era uma coluna de cimento, erguendo um grande livro também de cimento. Esse o sacerdote usava como apoio, colocava seu grimório por cima, como se fosse uma mesa para professores. Mesmo erguendo os olhos surpreso pro me ver finalmente em uma aula, ele não deixou de soltar seu comentário sarcástico.
— Estão atrasados!— Ele nos olhou de lado, mas fingimos que não escutamos.
Eu iria sentar na ponta deixando a Sophia no meio, mas a mesma me empurrou pra perto da luce, que no mesmo instante, pareceu paralisada e sem vontade alguma de respirar. Então senti um bafo quente nas minhas costas que parecia furioso. Nem precisei olhar para trás, escuto um sussurro bravo do Billy.
— Achei que ajudaria a descobrir o que aconteceu com a Ana!— Meus olhos ficaram grandes e assustados, eu realmente havia esquecido de adicionar este a mais um de meus muitos problemas. Tenho que ajudar o Billy a achar a Ana irmã dele, que aparentemente morreu de forma não natural.
— Me desculpe! Prometo que vou te ajudar, mas tem umas coisas acontecendo!— Inclinei um pouco a cabeça para falar discretamente sem que o professor percebesse nossa conversa.
— Que merda de coisas seriam mais importantes que a minha irmã?— Ele basicamente rosnou.
— Quem sabe a vida da cidade inteira!— Falei irônico.— Olha, sei que te prometi e falei que não precisaria de nada de você, mas isso e muito sério e eu vou precisar da sua ajuda!— Reclamei alterando um pouco a voz.
— Que diabos está acontecendo? A cidade inteira como assim cara?— Billy reclama.
— Estou interrompendo algum assunto importante?— (SIM) Pergunta o professor.
— Não senhor Soliver desculpe!— Falei.
— Não! Pode continuar sua aula!— Fala Billy.— Nos falamos depois então!— Assenti.
— Então como ia dizendo...— Continua Gabriel com tom de professor antigo e chato, como se fosse contar um conto de fadas melosos, onde todos vivem felizes para sempre, obviamente ele não começou com era uma vez. Talvez se tivesse começado assim a aula fosse menos tediosa. Mas até que ele falou uma coisa interessante agora.— Entendam! O sangue é um o líquido vital, é o que faz com que seu corpo seja o que ele é, energizado.Essa mesma energia é utilizada para o feito de magia negra! Sem ele, é impossível completar um ritual ou uma mágica poderosa! Lembrando, fazer magia negra é proibido! Magias negras tendem a deixar rastros das trevas, oque pode atrair o mal, atraindo esse tipo de energia maligna para todos os lugares!
— Que tipo de mal pode acontecer se fizermos magia negra?— Pergunta Danilo Soliver (o filhinho do professor).
— Boa pergunta casulo!— Dessa vez, a palavra casulo saindo da boca dele nem foi tão agressiva. Ele continuou.— Magias negras em grandes quantidades atraem forças além de nossa compreensão! Por exemplo, em 1932 um grupo de bruxos da linhagem Nerfal, se uniram para invocar a magiaTitan!Para criarem um gigante, que seria capaz de proteger a cidade! No entanto eles não eram tão poderosos e obviamente falharam. Deixando um vácuo de mal presságio por terem usado magia negra, a cidade se viu na completa desordem, coisas estranhas aconteceram por todos os lugares! Pessoas sumiam misteriosamente, não haviam colheitas e muita das pessoas morreram de fome, sede e até doenças desconhecidas!— Todos nós estávamos vidrados na história de Mágica Nerfal, fatos que não tem em livros e nunca que humanos, descobriram o porque dessas coisas terem acontecido.
— Agora caro casulos!— O casulo nem foi tão rude, ele vai pedir algo?— Preciso que façam algo para mim!— É ele vai pedir algo.— Preciso que se cortem com as lâminas enfeitiçadas e derramem um pouco de sangue nesses tubos de ensaio!
— Pra quê?— Pergunta Juliana Oivlar (a vadia) que hoje parecia mais vulgar que de costume. Juro que o short jeans dela, mal tinha um palmo, ela estava com o cabelo preso por dois lápis, que davam uma visão de seus ombros pelados e busto, praticamente descoberto. Seus seios enormes,estavam cobertos apenas por um top fino e sim dava pra ver o sutiã transparente dela.
— Vou precisar para começar minha aula sobre importância do sangue na magia!— Ele explicou bufando paciência. Decidido a mudar e finalmente levar a sério isso de bruxo, me levantei.
— Sr Soliver!— Ele virou a cabeça me olhando, já serrando os dentes, jurando que eu iria me recusar a fazer. Mas não fiz o contrário.— Não trouxe minha faca encantada poderia me emprestar alguma não usada?— Ele se surpreendeu e riu.
— Claro meu jovem!— Ele retirou da capa de um grimório não usado uma faca, com o mesmo tipo de lâmina e cabo e me entregou. Fiquei um tempo relutante para cortar minha mão, mas decidido corto logo de uma vez, doeu? Sim. Ardeu? Muito. Mas fiz, derramei um pouco dentro de um tubo de ensaio e os outros se levantaram para fazer o mesmo. Em fim ele tinha seis tubinhos com sangue, que ele guardou em uma sacola de couro marrom.
— Cadê não vai usar o sangue?— Pergunta Billy nervoso.
— Claro!— Disse Soliversorrindo.— Na próxima aula!— Todos reclamaram mas ele tinha razão. O sol já estava quase escondido por entre as montanhas, e tenho que voltar pra casa.
Gabriel veio em minha direção e cochichou.
— Estou feliz que tenha mudado de ideia e tenha vindo assistir minha aula!— Ele sorriu e entrou em seu carro. Me virei para trás e todos estavam sentados ainda no banco, prontos para se levantarem e em fim ir embora. Esperei o Danilo entrar no carro e fui para onde o livro de cimento se encontra.
— Gente! Eu poderia falar um minuto com vocês?— Falei auto chamando a atenção de todos. Preciso de bruxos pra mandar o Williams pra dimensão das trevas, e a oportunidade de falar com eles é perfeita.
Notas finais
Sim essa conversa vai dar o que falar...
Até o próximo capítulo ;)
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