Lágrimas de Maroto - 1ª temporada

10 Capitulo 10 - A casa dos gritos


Notas iniciais
Olá pessoas! Como vocês estão? Antes de falar sobre o capitulo, tenho um agradecimento especial a fazer: obrigaada a querida da Princesa Mestiça, pela linda recomendação que fez para esta história! Você me fez chorar, me emocionou muito com tudo que escreveu, então de verdade, muito obrigada!! obrigada também pelos comentarios, a Princesa Mestiça e a Ellryn. é graças ao apoio e o carinho de vocês duas que esta fic tem continuado! Agora sobre o capitulo: preparem os lencinhos, esta bem emocionante ( pelo menos na minha humilde opinião, haha). Boa leitura a todos!!

Sirius caminhou até de manhã. Sabia que seria mais fácil se simplesmente aparatasse em um local próximo a Hogwarts, mas precisava pensar em como iria agir, e andar sempre ajudava, deixava sua mente mais clara.

Acabou decidindo criar uma distração, uma pista falsa. Deixar-se-ia ver em algum lugar, o mais longe de Hogwarts que pudesse, assim, as buscas por ele se concentrariam longe da escola, e ele teria mais liberdade para agir, menos vigilância com a qual se preocupar.

Demorou um pouco para escolher o local exato. Pensou Largo Grimmauld, mas era obvio de mais, e muito provavelmente já estariam sendo feitas buscas ali. Poderia simplesmente escolher um lugar ao acaso e deixar que fosse visto...mas essa ideia não chamava sua atenção. Parecia algo tão sem sentido, algo que não soaria como ideia sua. Foi então que lhe ocorreu: iria a Godric´s Hollow,

Não se enganou com essa ideia. Sabia que não seria fácil. Que lhe doeria voltar aquele lugar, que traria lembranças extremamente dolorosas. Ao mesmo tempo, desejava voltar. Ver onde os amigos tinham sido enterrados. Aquela visita não serviria apenas como uma pista falsa, cumpriria também uma outra função: forçar Sirius a aprender a viver com aquela realidade. De alguma forma, faze-lo entender que tudo aquilo era real, que não havia mais volta, apenas a opção de seguir em frente.

Certificando-se de estar sozinho, o maroto voltou a sua forma humana, demorando alguns segundos para se acostumar. Estava com o corpo rijo e os músculos doloridos, parte desta dor proveniente de sua alimentação irregular, a outra, por estar fazendo uma manhã extremamente fria e ele não ter nada que o abrigasse do vento cortante.

Tentou limpar sua mente. Esquecer do frio e do corpo dolorido. Concentrou-se na casa azul e branca e no jardim bem cuidado. Fechou os olhos, deixando que esta imagem preenchesse cada canto de sua mente, e não demorou para que a conhecida sensação de deslocamento e sucção chegasse.

Quando reabriu os olhos, viu-se de frente para as ruinas da casa de James e Lily. Estava igualzinho ao que se lembrava. Por um momento, pareceu a Sirius que a aparatação não havia terminado. Sentiu o chão oscilar sobre seus pés, o ar faltando aos seus pulmões. Sabia que seria difícil, mas não imaginava que doeria tanto.

As lembranças voltaram a sua mente como uma avalanche. Todo o desespero que havia sentido aquela noite submergindo, fazendo a tristeza sufoca-lo. Apesar disso, fez o possível para manter-se firme. Não tinha muito tempo, e ficar ali parado só iria complicar mais as coisas.

Virou as costas para os escombros e recomeçou a andar, procurando pelo cemitério, que ele sabia não ficar muito longe. Torceu para que os amigos estivessem enterrados ali, afinal, não tivera a chance de despedir-se deles como queria.

Não demorou a encontrar o lugar. Era um cemitério pequeno e muito simples. A maioria dos túmulos estava abandonada, provavelmente não restara ninguém para lembrar-se das pessoas que estavam ali, para trazer-lhes flores ou chorar por elas.

Enquanto caminhava por entre as lapides, praguejou contra si mesmo. Ficara tão focado em chegar ali que não se lembrara de trazer flores. Se James estivesse com ele com certeza faria uma cara de falso desprezo, dizendo que Sirius não se importava com ele nem para levar flores ao seu tumulo, que ele era um péssimo melhor amigo, caindo na gargalhada logo depois. Pontas sempre fora assim, arranjava um jeito de rir de tudo.

Sirius não demorou a encontrar o que fora buscar. Era um tumulo conjunto, de mármore branco, onde havia a seguinte inscrição abaixo dos nomes e das datas de nascimento e morte: “Aqueles que nos amam nunca nos deixam de verdade, e sempre poderemos encontra-los, dentro de nossos corações.”.

Os olhos de Sirius embaçaram e ele se deixou cair pesadamente no chão ao lado da lápide. Não importava quanto tempo passasse, nunca iria se acostumar com esta realidade. Seu coração doía, corroído pela saudade e pela culpa.

— Me perdoem, vocês dois. Me perdoem por tudo que fiz a vocês! Lily me desculpe por ter deixado que Harry fosse morar com a sua irmã, prometo que vou tirar ele de lá, vou concertar as coisas! Por favor estejam comigo está bem? Vou precisar da ajuda de vocês para cuidar do nosso menino, e é melhor você estar por perto quando eu acabar com a raça daquele rato imundo, está me ouvindo Pontas?!

A torrente de palavras que saiam da boca de Sirius, atropeladas por soluços, se interromperam de repente. A grama em volta da lapide começou a se esbranquiçar, o ar se tornando frio e pesado. Estava na hora, alguém havia delato sua presença.

Sem olhar para trás, Sirius saiu em disparada, correndo por entre os túmulos, sentindo o frio aumentar a sua volta, não tinha muito tempo. Parou para tomar folego atrás de um grosso carvalho que estava plantado quase no fim do cemitério, e fechando os olhos, tudo que conseguia pensar era que precisava sair dali, agora. O primeiro lugar no qual conseguiu pensar foi a casa dos gritos. Quando reabriu os olhos, se encontrava na frente do velho casebre.

— Mas que ótimo Sirius. Como sempre, você conseguiu fazer tudo errado. Que ideia foi essa de aparatar na casa dos gritos? – o maroto repreendeu-se mentalmente. Tinha planejado chegar a Hogwarts de forma cautelosa, sem chamar a atenção, e agora, veja só, tinha simplesmente aparatado na casa dos gritos. Realmente brilhante, só faltava agora colocar um abacaxi na cabeça, talvez assim chamasse menos atenção.

Por pura sorte, os arredores pareciam desertos. Agradeceu pela reputação de mal-assombrada que a casa tinha. Se não fosse isso, aquela altura já haveria uma horda de dementadores a sua volta.

Retomou a sua forma canina, adentrando a casa dos gritos. O lugar estava exatamente como ele se lembrava, horrível é claro. Móveis quebrados e cobertos de poeira se espalhavam por todos os cômodos. A escada ainda rangia a cada passo do cão, como que reclamando por estar sendo incomodada.

Por mais estranho que possa parecer, aquele lugar lhe trazia excelentes recordações. Memorias de um tempo em que os Marotos eram tudo que lhe importava, sua verdadeira família.

Quando chegou ao quarto principal, sua mente estava borbulhando, recheada de lembranças. Passara por muitas aventuras enquanto estivera em Hogwarts, e muitas delas tiveram inicio naquela casa, incluindo a sua transformação em um animago.

Tudo havia começado com os misteriosos sumiços de Aluado, que uma vez a cada mês inventava uma desculpa diferente e sumia por alguns dias, voltando ao convívio dos amigos com uma aparência doente.

Como não poderia deixar de ser, os amigos acabaram descobrindo que o amigo ia todos os meses para a casa dos gritos, e confrontaram o amigo, até que este lhes revelasse a verdade por trás de seus sumiços. Sirius se lembrava com exatidão de cada palavra daquela conversa.

Flashback:

— Remus, precisamos falar com você, e tem que ser agora. – James, Sirius e Pedro adentraram o dormitório todos de uma vez, falando todos juntos. Remus estava deitado em sua cama, com uma cara de quem decididamente não estava afim de conversa.

— Desculpem pessoal, mas não pode ser outra hora? Realmente não estou me sentindo bem. – a voz do garoto soou fraca, como se até o ato de falar lhe causasse desconforto.

— Nada disso. – foi Sirius quem respondeu. – Você vai nos dizer o que está acontecendo, e vai nos contar a verdade!

— Eu não tenho nada para contar Sirius. Vocês sabem o que aconteceu. Meu pai ficou doente e minha mãe pediu que eu voltasse para casa para ajudar a cuidar dele, só isso. Estou me sentindo mal porque devo ter comido alguma coisa estragada. Querem saber, acho que vou até a ala hospitalar, talvez Madame Pomfrey possa me ajudar. – e dizendo isso o garoto se levantou, dirigindo-se a porta do dormitório. Antes que ele alcançasse, no entanto, a voz de James o fez estacar:

— Nós sabemos que isso é mentira! Vimos você indo para a casa dos gritos. Sabemos que esteve lá todos estes dias, e queremos saber porque você está mentindo pra gente.

— eu não...eu não... – Remus queria responder, dizer que não estava mentindo, que ele realmente estivera em casa, mas não conseguiu. As palavras ficaram presas em sua garganta. Os amigos estavam certos, não estava sendo verdadeiro com eles, mas como poderia? Tinha certeza que eles o rechaçariam se lhes contasse sobre sua condição...

— Ande Remus. Conte logo! – a voz de Sirius soava urgente, ele estava preocupado com o amigo, e também bravo por este estar escondendo coisas do restante do grupo. Eram amigos, não eram? Remus devia saber que podia confiar neles, que podia contar o que fosse.

— Pode confiar na gente Remus. Somos seus amigos, só queremos ajudar! – emendou James, que percebia o conflito interno pelo qual o amigo estava passando.

— Desculpem gente, mas realmente não posso contar. Não quero que vocês tenham que carregar esse fardo junto comigo. Além do mais, tenho certeza que não vão mais querer ser meus amigos se eu contar.

— até parece que você não nos conhece. O que de tão grave está acontecendo para você achar que deixaríamos de ser seus amigos? – foi à vez de Pedro falar. – você tem que aprender a confiar nas pessoas Remus, e deixar que elas te ajudem a carregar seus fardos, é para isso que servem os amigos.

— Rabicho está certo. – disseram James e Sirius juntos. – Você tem que aprender que ode confiar na gente para qualquer coisa! Agora anda, desembucha logo. – terminou Almofadinhas.

— Vocês não vão deixar essa história de lado não é? – perguntou Aluado, que voltara a se sentar em sua cama; uma sombra de sorriso perpassando seu rosto.

— Não! – responderam os três garotos em uníssono.

— Sou um lobisomem. – despejou Remus, falando as três palavras muito rápido, como se as cuspisse pra fora.

—O QUÊ???? – ouviu-se o murmúrio de exclamações. James, Sirius e Pedro ostentavam caras de surpresa e assombro. Quando foram falar com Aluado, sabiam que havia algo de errado com o amigo, mas com certeza não esperavam por isso.

James foi o primeiro a se recuperar do choque. – Como isso aconteceu? – perguntou, dirigindo-se a Remus.

— Eu tinha seis anos na época. Estava de férias com meus pais em uma cidadezinha do interior. Fazia muit calor naquele dia, e meus pais decidiram que seria uma boa ideia se saíssemos para pescar em um lago que havia nas proximidades. Quando estávamos voltando, um grupo de lobisomens atacou aquela parte da cidade, e eu acabei sendo mordido. Meus pais tentaram de tudo, mas não há antidoto para mordida de lobisomem. Eu acabei me transformando. É por isso que todo mês vou para a casa dos gritos, para que possa me transformar sem que haja o risco de eu ferir alguém. Vou para lá para que possa dar vazão a minha monstruosidade sem causar danos aos outros.

— Você devia ter nos contado isso antes! – disse Sirius, que finalmente conseguira se livrar do efeito que aquela revelação lhe causara.

— Eu não podia. Vocês são meus únicos amigos, não queria perder a amizade de vocês por ser um monstro! Não queria que tivessem medo de mim e se afastassem. – respondeu Remus, olhando triste para os amigos.

— Quem aqui falou em monstro? – resmungou James.

— E quem foi que te disse que essa sua condição lupina ia fazer a gente te odiar?? Somos seus amigos Remus! E não tem transformação nenhuma que vá mudar isso! – emendou Sirius.

— Vamos te ajudar a passar por isso! – continuou Pedro. – você não tem que lidar com essas transformações sozinho.

— exatamente! – exclamaram James e Sirius. – Estamos com você nessa Aluado! Vamos dar um jeito de te ajudar! – emendou James.

Remus estava extasiado de alegria. Definitivamente não esperava aquela reação dos amigos. Enganara-se redondamente em achar que eles se afastariam. Pelo contrario, os marotos pareciam estar ainda mais unidos.

— obrigada por isso pessoal. E me desculpem por ter escondido este segredo de vocês, mas....como exatamente pretendem me ajudar? – perguntou, curioso.

— Daremos um jeito. – disse James, com um sorriso de quem já tinha um monte de ideias mirabolantes e perigosas fervilhando em sua mente.

Flashback off

Lembrar-se daquele dia aqueceu o coração de Sirius. Sentia muita falta dos amigos, e a lembrança deles lhe ajudava a lidar com as longas horas solitárias e tediosas que teria pela frente. Ainda faltavam alguns dias para que o ano letivo recomeçasse, e antes que isso acontecesse ele não teria muito o que fazer, a não ser esperar.

Notas finais
E então?? o que acharam? se emocionaram? amaram? odiaram? impressões? ideias? Por favor comentem!!!! a opinião de vocês é extremante importante para mim!! Beijokas e até o proximo capitulo!!