Lá E De Volta Outra Vez
34 Brincando
Notas iniciais
Ouvi o texto de Charlotte, começando a apresentar o que seria mostrado. Kim estava sentada no chão, como se estivesse encostada na árvore do papelão, tomando cuidado pra não derrubar nada com seu peso. E eu estava abaixada perto dela.
A cortina se abriu pelo serviço do professor Faraize e eu olhei um segundo pra frente antes de começar meu trabalho.
– Essa história você já contou. Conta outra.
– Ora, Alice, você nunca está satisfeita.
– A culpa não é minha se achei chato.
– Pois então procure outra coisa para fazer. Cansei de você. Vou descansar.
– Vai dormir de novo? Então eu vou explorar.
Sai andando como se fosse sair de cena, quando Lysandre entrou correndo, sempre olhando o relógio de bolso preso ao casaco. E repetindo a famosa frase.
– Ah, como estou atrasado. Já está tarde, já está tarde.
─ Aquilo era um coelho? E falando sozinho, ainda por cima? ─ Segui-o, fingindo correr.
─ Tarde, já está tarde.
─ Espere, senhor coelho. Para que está tão atrasado?
─ Para o chá! Olhe só, vê quão tarde é?
Meu coração disparou por um segundo. Lysandre passou seu braço pelos meus ombros e apontou seu relógio, muito sério. Fiz de desentendida e continuei a atuação. Aquilo também tinha acontecido durante os ensaios, então eu já conseguia disfarçar. Tudo corria normal. Fiz a atuação de quem caia no buraco e logo em seguida falei com Peggy, a lagarta.
Fiquei com medo de errar as falas, pois tinha sido uma das cenas com alterações, mas tudo correu bem. Logo em seguida, a cena do chá. Armin conseguiu me parecer tão alucinado que cheguei a ficar assustada. Kentin, para somar ao personagem, fazia sempre que estava coçando suas orelhas. Segui para os jardins da rainha de copas, briguei com Li e Nathaniel, Castiel teve que me ajudar a me livrar deles. Até mesmo o rabugento do Castiel conseguiu soar um pouco menos amargo para seu papel de Cheshire.
O final. Para tentar inovar, quando eu estivesse voltando para a cena com Kim, Iris mudaria os cenários ao contrário rapidamente, enquanto eu fingia estar sendo puxada de costas. Funcionou bem. Sentei no chão e olhei pros lados, confusa. Kim fez que acordou e me perguntou o que eu tinha feito. Charlotte então, encerrou a narrativa e fecharam-se as cortinas. Sorri.
Cortinas abertas novamente, nosso elenco se juntou todo e agradeceu, aplaudindo uns aos outros. Pude ver minha mãe gravando tudo e com o rosto todo molhado, enquanto meu pai sorria. Acenei, antes de seguir os outros para os vestiários de novo.
─ Foi maravilhoso, meninas. Parabéns. ─ Sorri, deixando meu corpo cair sobre um dos bancos que tinha no meio dos armários. Kim sorriu pra mim, tirando o vestido na mesma hora e o enfeite de cabelo. Assim como Peggy se livrou da roupa de lagarta e foi perguntar aos pais sobre a peça. Pouco a pouco, o vestiário foi esvaziando.
Até ficar sozinha. Aproveitei o momento pra relaxar. Não tinha reparado que estava tão tensa até então. Fechei os olhos e, como se eu tivesse chamado algo pelos meus pensamentos, senti as duas mãos massageando meus ombros. Primeiro pensei em Rosa, mas ela estaria me abraçando e não massageando.
E no vestiário feminino, não havia muito mais opções. Menos alguém que não ligaria para as regras se não fosse da escola. Ergui a cabeça e dei de cara com o sorriso encantador do Dake. Tão de cara que eu assustei com a proximidade.
─ Dake, minha nossa. ─ Fiquei de pé num pulo, enquanto ele ria. Aquele cara ficava cada vez mais gostoso a cada dia que eu o via, meu Deus. Não que eu devesse prestar atenção naquilo. ─ Quanto tempo.
─ Mais do que eu queria. ─ Ele se aproximou, como eu devia imaginar que faria e passou a brincar com o relógio pendurado no meu pescoço. Engoli em seco. Direto como sempre. ─ Ficou linda de principal, sabia?
─ Obrigada. Eu estava bastante nervosa.
─ Nasceu pra brilhar, já devia ter se acostumado.
─ O que você veio fazer aqui?
─ Meus pais me mandam visitar meu tio sempre que se cansam de mim. Acontece bastante.
─ Deve dar bastante trabalho, sim?
─ Nada que cause danos. Eles só não têm paciência. ─ Era até meio compreensível. Pelo menos eu já sabia que ele não gostava de beber, então não devia ser só pelas festas. Um trabalho a menos. ─ Mas falando do presente…
─ Presente, claro. Bom te ver.
─ Eu também acho. ─ Não que eu achasse que Nathaniel fosse invadir o vestiário, mas aqueles dois juntos não daria certo. E Dake não ia me deixar em paz tão cedo, a não ser que eu me livrasse dele ali.
Claro que ele tinha que ser mais rápido que eu. Ele me puxou com cuidado pelo relógio e, escorado no armário, olhou pra mim daquele jeito. Aquele. Que fazia meu coração parar e esperar por algo mais. Merda.
─ Não quer matar saudade?
─ Falando assim parece que pensa em mim quando está em casa.
─ E quem disse que não?
─ Oh. ─ Ponto pra ele. Eu não ia perder aquela guerra, não hoje. ─ Hoje não é o melhor dos dias.
─ Ah, mas eu acho que não tem hora melhor que essa…
─ Não, mas…
─ Não quer que suas amigas me vejam, é?
─ Hum, mais ou menos. ─ Ele riu. Não imagino que ele tenha entendido o que eu quis dizer. As chances de eu sair desfilando com ele pela escola eram nulas, muito menos com Nathaniel ao redor. E realmente, as meninas podiam não entender muito bem a presença dele.
─ Nunca te tomei pela ciumenta. ─ Ai, a mordida na orelha. Socorro. Quis sorrir e desfazer o mal entendido, mas ele já tinha feito a bobagem de me agarrar pela mão e sair me arrastando. ─ Todo mundo sabe que sou seu.
O primeiro encontro foi o que eu mais estava fugindo. Nathaniel estava conversando sobre seu figurino com Rosalya, quando me viu. Tentei fingir de besta, mas o olhar assassino me pegou na hora. E o de Rosa também.
─ Estrela, vem cá. Oi, tudo bem? ─ Ela deu um sorriso daqueles simpáticos pro loiro ao meu lado, acenando de leve.
─ Como vai? ─ Era incrível. Dake podia ser absolutamente narcisista e cheio de si, mas ainda assim era tão educado...um lorde metido.
─ Rosalya.
─ Dakota. Pode chamar de Dake.
Então o olhar de quem já entendeu tudo. Quase supliquei por ajuda enquanto ela sorria pra mim. Por sorte, ela aceitou me ajudar. Tomou meu braço do dele e inventou uma desculpa sobre como eu precisava conversar com a diretora lá dentro. E me levou embora.
─ Então, só queria fugir do confronto ou do boy num geral?
─ Os dois? Não vou desfilar com ele por ai. Vai que eu bato nos meus pais, não. Sem chance. Fora que Nathaniel vai ficar muito puto e Lysandre também já não simpatiza com a criatura. Ai depois ele vai embora e quem fica com o mau humor sou eu.
─ Lys?
─ É, na corrida de orientação Dake apareceu e queria que eu largasse o Lys pra ir com ele. Só que eu dispensei, óbvio. Ainda assim, ficou bem claro que o Lysandre achou ele um tipinho…
─ Bonitinho, mas ordinário?
─ É.
─ Bonitinho é apelido, né? O cara é gostoso e bonito.
─ Estamos falando de quem?
─ Alexy, puta merda. Bate na porta.
Tínhamos entrado numa das salas e continuado a conversa sem nem notar o ambiente. Alexy riu e me abraçou pelos ombros, daquele jeito fofo, depois de encostar a porta.
─ E perder essa carinha de susto? Quem era o loiro te dando mole?
─ O peguete de praia.
─ Mentira, ele é aquele deus? Garota, que sorte, em?
─ Menos que ela fugiu dele. Quer evitar conflito. Nathaniel não gosta, Lys não simpatiza…
─ E a gente considera a opinião do Lysandre agora, é?
─ Não começa, Alexy. O cara é meu amigo, não custa evitar deixar ele chateado, poxa.
─ E por qual motivo ele ia desgostar do rapaz sem conhecer antes? Não é ele mesmo que diz que não podemos julgar ninguém sem base?
─ Você já olhou pra cara do Dake por mais de cinco segundos? Ele berra “BABACA” com aquele olhar dele.
─ Uhum. Bom, já que você não quer...Mas ele é mega gostoso, menina.
─ Não fica me lembrando disso. Nossa, aquela boca, menino de Deus.
Ele riu da minha cara, para logo em seguida lembrar que não tínhamos muito tempo antes da tal gincana da diretora. Ah é. Eu ainda tinha aquilo. Pedi licença e voltei sorrateiramente até o vestiário para voltar ao meu figurino habitual. A calça jeans e a camiseta simples.
Finalmente, alguns minutos depois, encontrei meus pais, conversando animados com os pais dos gêmeos. Alexy parou ao meu lado, dizendo que ele e o irmão iam ser as estrelas do jogo. A diretora se posicionou entre nós para começar a falar.
─ Obrigada, muito obrigada. Meus mais sinceros agradecimentos aos professores responsáveis pelo teatro e aos alunos por seu esforço nesse projeto. Nossa própria Alice, vejam só. Aplausos. ─ Sorri, acenando para quem apontava para mim depois disso. ─ Bom, vamos agora iniciar a segunda parte do nosso dia. A caça ao tesouro.
Meu pai já sorria de uma orelha a outra. Ele era ótimo nesse tipo de jogo, parecia que tinha um radar interno para objetos escondidos. Minha mãe já não parecia tão animada, mas íamos sobreviver. Ela passou as regras do jogo. Teríamos que encontrar uma trinca de objetos para encontrar a resposta do enigma que nos seria dito após apresentar todos os objetos. Faraize e Boris estavam nas bancadas para ajudar. Peguei a folha e entreguei pro meu velho.
─ Comecem.
E com o sinal da diretora, começamos nossa caçada. Os três primeiros itens, um cacto, um relógio e uma pipa. Meu pai me perguntou da organização do prédio e expliquei da melhor forma que pude o lugar de cada coisa. Ele concordou.
─ Eu acho que sei onde fica o cacto. Achem os outros dois, okay? ─ E sai correndo sem resposta. Parecia o mais óbvio, estaria no clube de jardinagem. E eu estava certa, apesar de não ter sido fácil localizá-lo. Peguei o pequeno vaso escondido dentro de um arbusto e corri de volta. Não perguntei onde eles acharam os deles e corri até Faraize.
─ É um dos objetos. Posso ser o sol, areia e também um pássaro.
─ Como é?
─ Calma, mãe. Cacto não faz sentido, pipa com areia também não...relógio.
─ Aqui, os próximos três. ─ E somou pontos aos nossos nomes. Sorri e esperei meu pai ler. Um cachimbo, uma flor marrom e um pedaço de madeira. Só corri e sai caçando em todas as salas possíveis. Nathaniel tentou me atrasar quando me viu perto do pai dele, mas eu escapei rindo. E com um cachimbo.
─ De volta, já? Okay. O que está retratado na imagem de René Magritte, A Traição das...
─ Um cachimbo. ─ Minha mãe respondeu, deixando Faraize um pouco chocado. Ela cruzou os braços. ─ Sou uma grande apreciadora das artes.
─ Eu notei. Bom, a última lista. Boa sorte.
Um clipe, um triângulo e uma flauta. Vou pular essa parte porque foi realmente devastador. Eu tive que fugir de Castiel enquanto carregava a flauta, que ele queria tomar de mim. Aquele moleque tem uma agilidade assustadora. A parte importante é que conseguimos chegar em Faraize e acertar a resposta, sendo assim a primeira família a completar a gincana e então, os vencedores.
─ Ah. Uau. Castiel roubou minha alma lá dentro, caramba.
─ Respire fundo e tudo ficará bem, querida. ─ Acredite ou não, ela estava tão fofa que até me arrumou uma garrafa d’água. Melhor mãe não há, desculpem amigos. Sorri para ela, tomando metade numa golada só.
Não demorou muito mais, a diretora encerrou o evento e nos deixou saborear do buffet servido no ginásio. Sorri mais ainda. Comida. Incrível. Segui meus pais até a mesa, trombando sem querer em Ambre. A mãe dela estava logo atrás, me encarando com os olhos gelados. Cobri a boca acabando de engolir e me pronunciei.
─ Eu não devia, mas sinto muito.
─ Fazendo teatrinho pros seus pais, é?
─ Eu que o diga, né? Boa tarde.
E fugi pra perto da pessoa mais próxima no momento, Castiel. Ele até assustou quando eu agarrei o braço dele e entrei na conversa olhando pra mãe dele. Ela sorriu, curiosa. Ele continuava me encarando, calado.
─ Gato comeu a língua ou você só perdeu a educação que te deram?
─ Anna, meus pais. Pais, Anna.
─ Essa é a garota de quem você falou, sim?
─ A intrometida.
─ Que fez alguém enxergar que foi feito de otário, mas não vamos entrar nessa parte, né querido?
─ Fica quieta.
─ Você parece sua mãe, eu acho.
─ Obrigada. Cassy nunca concorda quando eu digo isso.
─ Cassy?
─ Você pense em fazer isso e nem sonha com o que eu vou te fazer.
─ Calma, só achei fofo. Vou te dar licença, querido. Beijos.
Acho dispensável comentar que ele quis me dar um tiro com o “querido”, mas eu já estava acostumada. Consegui conversar com os gêmeos e Kentin, antes de Dake vir falar de novo comigo. Lysandre viu a cena de longe, mas dessa vez eu nem consegui escapar porque Alexy literalmente me empurrou para cima do “estrangeiro”.
Consegui me manter numa posição em que eu via o ginásio mas ainda assim ficava relativamente escondida. Meu Deus como era difícil me controlar na frente daquele sujeito. A gente não deu mais do que uns três beijos antes de eu fugir de novo e ele dizer que teríamos mais chances. Aproveitei a deixa de um grito na multidão e sai de perto.
Quando cheguei no círculo, Nathaniel e Castiel estavam quase se pegando na porrada. O pai do loiro quase espumava de ver o filho agindo de uma forma tão agressiva, enquanto o pai de Castiel apenas tentava controla-lo. E no meio da bagunça, Kentin agarrado em Nathaniel e Lysandre prendendo os braços de Castiel. Aquela cena estava ficando tão comum na minha vida que eu estava cansada. Meus pais olharam Nathaniel, já familiarizados com a explosão.
Pelo que consegui captar entre os xingamentos e tentativas de apartar a discussão, a briga era sobre os pais. Algo que um disse ao outro em tom de deboche e boom, terceira guerra armada. Meus pais quiseram ajudar, mas eu dei um jeito de sair dali e ir para o carro. Realmente, cansada.
─ Não vai mesmo fazer nada, meu bem?
─ Mãe, eles já são bem grandinhos e já tem gente demais no circo.
─ Você quem sabe. Prenda o cinto.
Assim que cheguei em casa, subi pro meu quarto e peguei o porta retrato do trio. Suspirei, pensando em tudo que Nathaniel estava gritando no ginásio. Viktor teria ficado lá e ajudado a acalmar a situação. Só que eu não tinha aquela paciência. Suspirei e fui trocar de roupa.
Rosalya e Alexy até me ligaram e ficamos conectados por uma meia hora, falando sobre a treta. A opinião de Rosa era simples, os dois deviam ter ficado quietos. Não era como se algum deles vivesse na família perfeita. Uma rígida demais, a outra longe demais. Eu concordei, dando de ombros.
─ Gente, eu liguei pra falar de coisa boa. ─ Alexy interrompeu, erguendo as mãos na tela. ─ Me conta o que rolou depois que você sumiu com o gato.
─ Não acredito, você ainda fugiu com o Dake? Poderosa, gosto assim.
─ Foi nosso querido amigo aqui que me empurrou pra cima dele. Ai eu aproveitei a chance e me escondi perto do vestiário, mas não rolou muita coisa.
─ Mas beijou, não beijou?
─ Beijei, Alexy, como beijei.
─ Ah, danada, sabia.
Depois de mais alguns minutos, numa conversa bem mais tranquila, Armin pulou na tela de Alexy e começou a se intrometer. Ri dele e disse que precisava desligar. Acho que Armin era um dos meus amigos mais próximos, mas falar de quem eu pegava com ele? Sem chance.
Arrumei minha cama e, já cansada pela correria do dia, consegui dormir.
Meu fim de semana foi tranquilo. Ou quase isso. Assim que recebi minha mesada com o acréscimo das poucas horas de trabalho na livraria, tive uma urgência à la Alexy e sai pra torrar tudo. Comprei umas roupas novas com Leigh, peguei um CD novo pra mim, tomei sorvete, até croissants pros meus pais eu comprei. Minha mãe estranhou a atitude, mas não questionou.
Já no dia seguinte, Armin e Alexy se convidaram pra ir passar a tarde comigo. Aceitei, depois que meus pais confirmaram que iam passar um tempo a sós, num passeio. Os dois chegaram por volta das duas, depois de comprar um pote de sorvete. Ficamos no meu quarto. Alexy olhava fotos antigas minhas enquanto eu e Armin jogávamos no meu DS.
─ Uh, preciso do banheiro. Posso usar o seu, ou...?
─ Só tenta não destruir minha louça.
─ Credo, garota.
Armin riu, no entanto, o que me fez perder a concentração e perder. Assim que o moreno tomou meu console e Alexy fechou a porta, a conversa mais bisonha do mundo tomou forma.
─ Amizade colorida? E você lá faz isso, Armin? Tome tento.
─ Só depende da amiga.
─ Porque você tem várias. ─ Ele deu de ombros e sorriu de lado. Ordinário. ─ Quer que eu pergunte, seu safado.
─ O que?
─ Sério?
─ Você quem sabe.
─ Okay. Eu seria uma das alternativas?
─ Depende. Isso foi uma proposta? ─ Aquele sorriso bobo. Dei uma surra nele com meu travesseiro e tomei o videogame das mãos dele, deixando-o rindo largado no chão. Alexy saiu e ficou olhando pra gente, sem reação.
─ Nem quero saber. E pela hora, já tá ficando tarde. Irmãozinho querido, vamos embora?
─ A gente nem acabou com o sorvete.
─ Ora.
─ Ele tem razão. Anda, quem chegar primeiro come mais.
Foi a deixa pra ele sair correndo do quarto e eu conseguir completar para Armin meu raciocínio.
─ Você é tão bonitinho que eu até te beijaria, pena que só fala bobagem.
─ Que calúnia.
E sai correndo também, enquanto ele me perseguia. Depois de terminarmos o sorvete, eles realmente me deixaram só e tomaram o rumo de casa. Ainda assim, um ótimo dia. Tranquei a porta e subi pro meu quarto, arrumando a cama. Pensei de novo em Armin.
─ É, garoto, pena que tem alguma coisa que não encaixou pra mim.
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