Notas iniciais
Olá pessoas :3 Bom, essa semana eu recebi uma surpresa maravilhosa nessa fic, e fiquei tão feliz q to felizona até agora. Tanto que deixei a fic que eu não estava conseguindo escrever para voltar para cá. Agradecimentos especiais a quem me deu esse presente, Blue Bird. Você não tem ideia do quanto isso me reanimou a escrever tudo que eu escrevo, não só aqui ♥ E espero que goste desse tanto quanto gostou dos outros ^~^

Na segunda, de volta à escola, tudo parecia ter voltado ao normal. Conversei antes do início das aulas com as meninas, comentando da peça e recebendo todos os elogios com um sorriso no rosto. Se eu quisera me provar uma estrela, ao que parece eu tinha conseguido. E me sentia muito bem por isso, para ser sincera.

Castiel parecia um pouco melhor quanto ao humor. Ele estava no banco do pátio na hora do intervalo, quando fui falar com ele. Só de não ter ouvido que era para eu cair fora, já parecia melhor que nunca.

─ Seus pais já viajaram de novo?

─ Graças a Deus. Achei que ia me matar com aqueles dois na minha casa.

─ Eles não me pareceram tão ruins. Na verdade, tive a impressão de que eles se esforçam bastante por você.

─ Agora que eu não preciso de ajuda? Sim, obrigado por nada.

─ Bom, é bom te ver de bom humor, então acho que foi uma coisa boa eles terem ido embora.

─ Você nem sonha. Acabou de investigar meu fim de semana?

─ Por que? Quer começar logo a investigar o meu?

─ Interesse nulo. Mete o pé.

─ Sim, senhor, Cassy.

E sai antes que ele tivesse tempo de reagir, mas tenho certeza de que ele estava pronto para cometer um crime de ódio. E que eu estava achando graça daquilo. Por outro lado, quando eu entrei no grêmio, a graça desapareceu. Fechei a porta e fui para perto dele.

─ Nath?

─ Hum? Ah, oi, Anna. Precisando de algo?

─ Não, só vim te ver. ─ Ele desligou a música eletrônica que escapava pelos fones de ouvido que eu retirara de suas orelhas. ─ Como passou o fim de semana?

─ Ah, foi tranquilo. Parado.

─ Ah é?

─ Está tentando arrancar alguma confissão, é?

─ Eu prefiro ouvir o relato original para concluir minha teoria.

─ Não foi dos melhores. Ouvi um belo sermão depois da briga com Castiel.

─ Ah, ainda bem. Eu mesma te passaria um se não tivesse ido embora. ─ Cruzei os braços, fechando a cara. Ele riu e deu um tapinha na minha perna.

─ Fica quieta. Se não vai ajudar, não atrapalha.

─ Nath. ─ Ele voltou a me olhar, tirando o sorriso do rosto ao notar que eu não estava mais brincando. ─ Foi realmente só um sermão?

─ Como assim?

─ Não se faz de desentendido, você sabe muito bem do que eu falo.

─ E sei também que alguém prometeu deixar isso de lado.

Descruzei os braços, suspirando. Nathaniel era tão teimoso que me irritava. E olha que na maioria das vezes quem dava aquele trabalho era eu. Quando ele passou a me ignorar e colocou seus fones de novo, eu deixei o grêmio e voltei para a sala de aula. Eu tinha prometido que ia deixar o assunto de lado, é? Lamento dizer, eu menti.

Só que ele claramente não ia me dizer nada. E a única pessoa que poderia me ajudar, nesse caso, seria...

─ Não acredito que vou mesmo fazer isso. ─ Suspirei, ouvindo o sinal tocar e os alunos voltando para as salas de aula. Vi meu alvo entrando com suas duas amigas e a pose de madame. Eu realmente tinha que amar muito aquele menino para estar pensando naquilo.

Depois de uma eternidade escutando algo bem chato na aula de geografia, o sinal tocou, nos libertando. Juntei minhas coisas lentamente, dizendo para Rosa que precisaria ficar para estudar alguns assuntos com Nathaniel. Ela concordou, acenando enquanto ia embora com Alexy. Suspirei.

─ É por ele, você consegue. ─ Coloquei a mochila nas costas e fui atrás dela. Realmente, não era difícil encontrar Ambre se você parasse por alguns instantes e ouvisse. A voz escandalosa ecoava pelos corredores agora vazios, denunciando sua localização. Entrei na sala de aula e ela parou o falatório na hora. Maravilha.

─ Que foi? Quer um autógrafo?

─ A estrela da escola sou eu, querida. Preciso falar com você.

─ E o que te faz pensar que eu quero ouvir?

─ Porque pode ser bom para você também, no fim da história.

─ Esperem aqui, meninas, eu já volto. Não demorem a me socorrer se eu berrar.

Revirei meus olhos. Realmente, eu até tinha a vontade de socar aquela carinha rebocada dela até ela apagar, mas não era a melhor forma de resolver meus assuntos. Menos ainda agora, que eu estaria à mercê da bruaca. Ela esperou que eu saísse da sala para me seguir, batendo os saltos pelo piso da escola. Aquele barulho me irritava.

─ Então, o que foi?

─ Preciso que me convide para dormir na sua casa.

Okay, isso merece uma pausa. Logo que eu falei aquilo, o rosto de Ambre pareceu bem mais humano. Ela não sabia se franzia o cenho ou se erguia as sobrancelhas e abria a boca, então ela ficou alternando entre os dois, até consegui falar de novo.

─ Como é?

─ Longa história. E eu estou disposta a fazer algo que você queira em troca do favor. Os dois lados ganham, fim.

─ Nathaniel é seu amigo, não eu.

─ Ambre, vai querer ou não? Fala seu preço.

Eu sabia que ela ia acabar interessando na proposta. Fazer com que eu a obedecesse por livre e espontânea vontade? Aquilo era demais, até pros sonhos dela. Cruzei os braços, esperando, enquanto ela pensava. E confesso ter me arrependido por um segundo quando ela sorriu e soltou.

─ Quero que pare de falar com Castiel.

─ Que?

─ Desde que você chegou na escola, ele não presta mais atenção nas minhas investidas. Então te quero fora do jogo.

─ Não acho que o problema seja minha presença, primeiro de tudo, e segundo...eu não estou nem um pouco interessada nele.

─ Ou para de falar ou nada feito.

Eu me senti mal por realmente considerar a oferta. Nathaniel sempre fizera parte da minha vida, Castiel não. Mesmo assim, para alguém que morria de medo de ser substituída, trocar um amigo pelo outro me soou bem errado. Neguei com a cabeça.

─ Sem chance. Eu já não me dou muito bem com ele. Isso seria enterrar uma amizade.

─ Então, sem convite.

─ Você tem outro preço, eu sei.

─ Pode tentar, te garanto que só cedo com isso.

Droga. Tentei pensar em qualquer outra coisa, mas nada me ocorreu. Tentei de novo, enquanto ela fingia não me ouvir e estudava as unhas impecavelmente pintadas.

─ Maquiagem, roupa, sapatos, sei lá. Alguma coisa.

─ Não uso maquiagem barata, minhas roupas estão bem longe da sua condição, igual aos sapatos. Por que complicar?

─ Ambre...É pelo seu irmão. ─ Apelar para a humanidade dela era realmente muito desespero. Acreditar que funcionaria era mais ainda. Ela cruzou os braços e jogou o cabelo por cima do ombro. ─ Por favor. Eu faço qualquer outra coisa.

─ Eu não devia fazer isso, mas minha alma caridosa não suporta te ver assim. Te convido se fizer meus deveres do mês. E que eles tenham notas altas.

─ De todas as matérias?

─ Sim. Agora sim, não mudo mais. Castiel te daria muito menos trabalho...

─ Faço todos os trabalhos. Trato.

─ Pois bem. Vou falar com meus pais que vou levar uma amiga. Amanhã, sim?

─ Obrigada. ─ Ah, achei que eu fosse pegar fogo naquele instante. Agradecer Ambre era muito para meu orgulho. E era pior ainda que ela soubesse daquilo, pois me deu um sorriso brilhante, como se acabassede ganhar o dia. Que ódio.

─ Agora, se puder sair do meu caminho… ─ Dei um suspiro e anotei mentalmente para nunca mais pedir um favor para aquela criatura. Ainda assim, já estava feito. Agora eu só podia esperar que tudo funcionaria.

Fui embora, pronta para avisar minha mãe que dormiria fora. Como eu não planejava mentir e muito menos contar para Rosa daquele plano absurdo meu, eu disse que ia dormir na casa do Nathaniel. Ela até agradou da ideia, mas meu pai ficou incomodado.

─ Ele nunca tinha te convidado antes.

─ Os pais dele nunca gostaram de crianças em casa, lembra? E nós dois teríamos incendiado a residência. Agora eles já viram que estou mais tranquila.

─ Pare de implicância, Phillipe. Sua filha tem juízo o suficiente.

─ E ele, tem?

─ Pai, relaxa, okay?

─ E por que no meio da semana, então?

─ Porque nós temos que estudar, e quanto mais tempo, melhor.

─ Phillipe, amor…

─ Okay, Lucia, okay. Você pode ir, mas tenha juízo.

─ Podem deixar, a gente vai jantar, estudar um pouco, rir e dormir. Não no quarto dele.

─ Ótimo. ─ O ciúme que meu pai sentia sempre me deixava dividida, dependia da situação. Naquele caso eu achava divertido, porque era a cabeça dele inventando cenas que ele nunca queria ver. Quando ele ficava ainda mais sério, como na visita à escola quando os gêmeos estavam brincando comigo...naquele caso já era um pouco mais irritante.

─ Muito bem, eu vou fazer meu dever agora, e vou dormir depois.

Dever. Olhei a lista gigante de exercícios de matemática e lembrei do meu acordo com a bruaca. Não sabia se aquele já contava, mas fiquei ansiosa. Se meu próximo mês fosse se resumir a fazer dois deveres por dia, eu passaria o dia trancada no meu quarto.

─ Não pensa assim, vai valer a pena. ─ Peguei a lapiseira, repetindo aquele mantra infinitamente dentro da minha cabeça, enquanto lia uma das questões. Estava tão concetrada nas duas coisas que quase tive um infarto quando o celular vibrou no meu colo.

Nathaniel. Suspirei. Ele ia ficar tão bravo quando descobrisse que eu ia para a casa dele. Sem a permissão dele, propriamente dito. Abri a mensagem, antes que começasse a me arrepender.

“Como era mesmo aquela música? O nome dela.”

“Qual música, doido?”

“Você sabe, aquela que você me mostrou semana passada...”

“Ah, Carpet. Achei que não tinha gostado.”

“Ainda prefiro as minhas, mas algo normal de vez em quando faz bem.”

“Huh, bobo. Era só isso?”

“Ocupada.”

“Não faço deveres com mil anos de antecedência.”

“Okay, se precisar de mim...”

“Te chamo, pode deixar.”

Suspirei de novo. Droga. Eu sabia que só estava fazendo aquilo tudo pelo bem dele, mas ainda assim me sentia mal por estar agindo contra sua vontade. Acho que alguns casos precisam de intervenções como aquela, sim?

Olhei o porta retrato perto de mim, para o loiro bonitinho que encarava a câmera que o amigo segurava, com os braços cruzados e a cabeça tombada pro lado. Se existia qualquer chance de eu fazer com que ele voltasse a sorrir daquele jeito sincero...valeria o sacrifício.

Voltei ao meu dever, um pouco mais tranquila. Tudo ia dar certo.

Notas finais
Sigam o exemplo da colega e me deixem comentários também, meus queridos. Amo vocês ♥