Luzes da Rebelião

8 Capítulo 8 - A lição do "Sangue".


Gus estava ansioso para saber muitos outros detalhes sobre a vida de Petro e Cassie agora que descobrira que eram irmãos. Petro não quis falar cobre isso, todavia prometeu que conversariam mais sobre isso quando fosse oportuno.

Cassie se sentia feliz por poder estar ali com seus dois familiares. Sentia que a família havia aumentado de fato e isso era bom.

Aquele momento, com certeza seria eternizado em suas mentes, se lembrariam deste momento muitos anos depois.

O clima entre eles estava muito bom e Gus não queria estragar tudo, mas sabia que Jacó havia morrido e quis saber detalhes do que tinha acontecido. Explicou que sentia-se culpado pelo ocorrido. Cassie, talvez a mais empática entre eles e por sua natureza feminina, entendia-o bem melhor.

—Conte-me Petro. Deixe-me saber o que houve, pediu.

—Bem, vou contar-lhe.

Assim que saímos daqui, eu, Jacó e Leo entramos no carro. Jacó estava ao volante naquele dia, eu me sentei atrás e Leo no banco dianteiro do carona. Tinhamos como propósito voltarmos à sede o mais rápido e tranquilamente possível, mas no meio do caminho, quando já estávamos na estrada fomos interceptados por alguns agentes da Firma. Juro, eu juro que tentei impedí-los. Eles, noinício apenas nos seguiam, mas subitamente invetiram sobre nós, lançaram a Range Rover preta insulfilmada contra a lateral do carro, nos fechavam o tempo todo. Queriam tirar-nos da rodovia a qualquer custo. Foram quilometros aguentando suas investidas. A lateral esquerda do carro já estava seriamente danificada. Jacó se mostrou exímio motorista, tentava escapar ao máximo das colisões sucessivas a fim de conseguirmos escapar. Como havia muitos carros na rodovia e consequentemente adormecidos, não podíamos produzir afeitos de qualquer maneira, precisávamos ser cautelosos e fazer com que tudo parecesse corriqueiro. Eu pedi para que Jacó mantivesse os olhos na estrada enquanto Leo atirava na sua direção, para que nos de alguma maneira conseguíssemos escapar. Um, dois, três tiros em vão. Eu me concentrei por um instante e tentei causar uma pane em seu motor. Eu até que consegui e conseguimos nos distanciar um pouco, mas quando olhei para trás eles ainda estavam em nosso encalço.

—Entre na cidade, Jacó, disse a ele.

Na primeira entrada possível Jacó nos tirou da estrada. Achei que conseguiríamos despistá-los, mas não. Rua após rua, da esquerda para a direita e vice-versa. Fugíamos alucinados. Mais uma vez tentei causar uma pane, furei um dos pneus apenas com a minha vontade, Na ponta do meu dedo. Sim, nós os atrasamos um pouco. Jacó havia saído para a região rural da cidade e quando achei que havíamos conseguido, o motorista acelerou o carro que mesmo sem um dos pneus se aproximou de nós.

O carona, abriu a janela e apontou o cano da arma para Jacó. Antes de acionar o gatilho olhou em seus olhos chamo-o de traidor e atirou. Nosso carro perdeu o controle e acabamos batendo no guard rail e paramos sob uma árvore à beira da estrada. Leo ficou atônito com o que aconteceu, queria fazer algo para trazê-lo de volta. Não queria deixá-lo lá sozinho. É claro que trazer alguém de volta não é algo tão simples, isto é algo que deve ser feito por alguém que domine Vida a tal ponto que seria capaz de fazer seu coração voltar a bombear o sangue e trazê-lo de volta.

Gus olhou para Valquíria por um momento. Em sua cabeça estava claro que ela podia ter sido chamada e operar a mágika, mas agora já era tarde. Entedia isso. Sentiu-se ainda mais triste. Um amigo havia perdido sua vida e não podiam fazer nada mais para reverter isso.

—Acho que vocês deveriam ficar conosco esta noite, disse Valquíria, Talvez vocês possam nos ajudar com o ritual de amanhã. Gus receberá a sua segunda lição e para isto é imprescindível que uma triade seja estabelecida em torno do iniciado.

Cassie já tinha ouvido falar deste ritual. Segundo soube era algo maravilhoso para o iniciado. Mas que o poder podia ser sentido por todos participantes do ritual. Sentiu-se entusiasmada em participar.

—Petro, vamos ficar, não vamos?

—Edward vai sentir nossa falta fora da sede. Se precisar de nós.

—Mas é só por uma noite Petro, além do mais você tem que me obedecer.

Cassie era visivelmente mais nova que Petro e Gus achou que tinha entendido mal. Ficou curioso e tentado a perguntar-lhes o porque Cassie estava falando daquele jeito como se fosse mais velha que Petro, mas acabou se segurando e decidiu tocar no assunto em outro momento.

—Ok, disse Petro, mas só por essa noite. Acho que não tem nada demais.

Mas vou ligar para o Leo para avisar onde estamos.

Ao ouvir o nome de Leo, Gus quis saber como estava se sentindo com a perda do amigo e Petro lhe assegurou que Leo era durão e o luto necessário estava de alguma maneira lhe fazendo bem.

As acomodações foram estabelecidas e depois disso todos foram para seus quartos.

Como o local era poderoso, assim que Cassie, Petro e Gus se deitaram caíram num sono profundo e reparador. Não sonharam aquela noite e quando despsrtaram sentiam-se como se tivessem dormido por umas doze horas.

Túnicas alvas como as nuvens haviam sido deixadas nos quartos e assim que estavam todos prontos deixaram seus aposentos e se encontraram na grande sala envidraçada.

A brisa que entrava no ambiente era fresca e convidativa. Os três, sem trocarem uma única palavras sabiam perfeitamente bem para onde irem. Assim que se viram com os pés descalços no caminho, nada mais viram ao redor. Os irmãos seguiam caminhos difernetes e tinham experiências diferentes, mas rumavam para o mesmo ponto. Uma clareira bem maior do que aquela em que Gus havia tido a primeira lição.

Cassie seguia por uma alameda na qual, lindas e coloridas flores exalavam perfumes exóticos e inebriantes. As borboletas revoavam alegres pousando nas azaléias e as abelhas colhiam o polem. O colorido do caminho era contrastado pelo azul mais lindo do céu sem nuvens e o sol majestoso brilhava sobre sua cabeça. Cassie sorrindo colheu uma flor e colocou no cabelo. Fez para si uma coroa com miosótis. Aquela era a mais profunda representação da vida que se cristalizara.

Petro sentia uma desilusão terrível. Sentia como se tudo fosse acabar. Seu caminho não era fácil, havia lama por toda parte. A imundície o assolava. Ouviu sons de terríveis bombas explodirem. No caminho encontrava corpos mutilados de pessoas mortas. A angústia que jazia em seu peito era algo que nunca antes havia sentido. Fuligem pairava no ar fétido de pólvora. Canhões eram acionados, tanques avançavam pelo terreno massacrando inocentes que suplicavam pela vida. Subitamente, diante de si havia alguns soldados, todos empunhavam fuzis na sua direção. Um segundo depois ouviu um estampido, um clarão, sentiu seu corpo cair inerte no solo, mas não estava morto, olhou novamente e em seguida o campo coberto de sangue e fuligem renascia. As plantas voltavam a brotar, o ar era purificado e crianças brincavam ao redor. Essa era para si a representação da vida.

Gus estava sozinho, o que lhe acometia era uma avalanche de pesares. Sentia a falta dos pais. Sentia-se novo demais e inseguro demais para seguir sozinho. Queria os pais ali ao seu lado, lhe dando apoio, mas não os tinha. Estava diante de uma escada ladeada por espinhos, os degraus eram cobertos de sangue de outros que tentaram seguir por ali. Um cranio humano jazia ali a pelo menos um milênio. Arbustos espinhosos cresciam ao redor, ferindo-lhe, rasgando-lhe as vestes. Seu corpo ensanguentado já não sentia mais dor. Quando chegou ao topo da escada encontrou a clareira. Nela havia três sarças de fogo. Uma delas era âmbar, a outra rósea e outra vermelha. Daquela sarça ardente na cor âmbar em sua frente saiu Valquíria, estava usando um vestido branco muito bonito.Ela se aproximou dele. Olhou em seus olhos e perguntou se estava preparado. Intimamamente sabia da resposta e quando deu por si seus lábios já haviam pronunciado a palavra “SIM”. Sentiu como um cortar de faca em seu peito. Olhou para para si, e percebeu que estava nu suas roupas haviam caído pelo caminho. A pele sangrando a escorrer-lhe pelo corpo. As lágrimas escorriam pela face vermelha e suja. Valquíria o abraçou, o sangue que antes estava só nele, agora ela comungava. Eles se uniram, um beijo profundo em seus lábios ele sentiu. Seus corpos se uniram e a partir daquele momento eram um só. Ao longe passou a ouvir as vozes dos irmãos repetirem o que lhe pareceu um encantamento

“ A vida surge da vida. A vida transborda fecunda.

O sangue carrega a vida. A dor é vida. A alegria é vida. A vida renasce do caos.”

Quando Gus voltou a si. Havia um ferimento como um corte de faca que cobria-lhe o torso. Latejava muito, mas não sangrava. Levou a mão ao peito nu e só então percebeu que em seu peito havia encrustada uma pedra, pedra preciosa, vermelha como o sangue, em seu interior podia ver chamas infinitas.

Valquíria se aproximo dele com uma faca de lâmina antiga. Com a ponta retirou dali a pedra. Uma dor lancinante o acometeu.

Ela levou a pedra a um peqeuno altar que ali havia. Em uma bandeja de prata colocou o artefato. Abandeja se contorceu com o feitiço de manipular a materia e em seguida havia ali um perfeito anel.

Ela o pegou, levou até Gus e colocou em seu dedo.

De agora em diante você entende a esfera da VIDA como um vedadeiro Verbena. Este é seu anel, use-o sabiamente. Toda vez que precisar fazer um efeito complexo use-o para extrair seu próprio sangue para que a mágika se torne poderosa. Todavia lhe alerto. Somente em locais de poder poderá restabelecer as propriedade de seu anel. Este bosque é um deles. Mas aqui só poderá entrar quando for convidado.

Minha missão com você está cumprida Gus.

Petro tinha um semblante austero, de fato pode sentir todo o poder que emanava do ritual de sangue. Cassie estava arrepiada com o que sentiu. Estava repleta de tudo o que é bom. Sentia-se completamente em paz e feliz. Os irmãos se juntaram e juntos seguiram Valquíria pela rudimentar e estrada que cortava o vale até chegarem à casa.

Gus sabia que sua estada ali havia chagado ao final e depois de recolher os poucos pertences que trouxera para aquele lugar se despediu da dama Verbena com carinho. Ela sorriu para ele e se despediu com alegria.