Luzes da Rebelião

9 Capítulo 9 - O resgate


Os três irmão entraram no carro e assim que estavam fora do alcance da visão de adormecidos, Petro performou uma mágika para deixar o veículo indetectável. O veículo, sutilmente foi recoberto por uma tênue malha de luz e tornou-se invisível. Teve esse cuidado extremo devido o que acontecera com Jacó da última vez que estiveram fora em missão, não toleraria de maneira alguma perder qualquer um dos dois meio irmãos. Sentia-se responsável por eles, o pai sempre o advertiu quanto a isso. Enquanto dirigia ouviu Gus explicar como havia conseguido internalizar os seus primeiros níveis de magia da Vida e seus dois irmão permaneceram em silêncio enquanto ouviam. Cassie se lembrou que já havia conhecido alguns despertos que trabalhavam com a Vida, mas o que Gus lhes estava explicando era algo surreal, estava muito além do que ela estava imaginando. Em pouquíssimo tempo ele havia conseguido atingir um patamar que muitos jamais ousariam pensar em alcançar.

Chegaram à sede e o que encontraram não era bom. As pessoas do complexo estavam nervosas e quando Gus perguntou a um interno o que havia acontecido, este lhe respondeu que havia rumores de que Leo, o aliado externo, havia sido capturado e Edward estava tentando encontrar seu paradeiro para poder pensar num plano de resgate. Aquela notícia os pegou em cheio, se fosse verdade Leo, além de estar preso estava correndo risco de morte. Os três se apressaram para chegar ao escritório do Edward, que estava desligando o telefone quando chegaram.

—É verdade, Leo foi capturado?

—Ao que parece sim. Não sabemos quem o levou, mas depois do que aconteceu a Jacó ele estava visado. A Firma quer seu pescoço. Se não agirmos depressa, nós o perderemos e ele é um excelente aliado. Vou formar uma força tarefa para resgatá-lo. Preciso que recrutem os melhores homens para isso.

—Você não precisa de outros homens, estamos aqui e faremos o que for preciso para trazê-lo de volta.

Somente naquele momento, Edward percebeu que Gus estava ali, devido ao transtorno que estava vivendo com o sumiço de Leo.

—O que está fazendo aqui. Deveria estar sob os cuidados de Valquíria.

— O trabalho dela terminou. Já não preciso estar com ela.

Edward olhou para o jovem com certa desconfiança. Tinha uma pequena noção das capacidades de Gus, mas considerou exagerada a afirmação do jovem.

—É verdade Edward, Valquíria disse que seu trabalho já havia terminado, não há mais motivo para ele continuar com ela. O seu conhecimento na esfera da Vida acontecerá naturalmente. Agora ele é um de nós.

—Muito bem, vou acreditar em você Petro, mas tenho dúvidas que vocês sozinhos tenham condições de cumprir tão importante e difícil tarefa sozinhos.

—Nós faremos, afirmou Cassie com toda convicção.

—Estou aguardando Ohanna chegar. A enviei em uma pequena missão para ver se conseguimos ter uma pista de onde começarmos a procurá-lo. Espero que não seja tarde demais.

Esperaram aflitos por vários minutos até que Ohanna apareceu porta adentro.

—Fizemos uma varredura próximo à sede da Firma, tudo está quieto, mas percebi alterações na Tellurian e segui o padrão. Ele está num local extremamente reservado a aproximadamente cento e cinquenta quilômetros daqui no sentido noroeste do estado, numa área rural. Uma espécie de fazenda.

—Ohanna, precisamos dos seus serviços de rastreamento. Petro, Gus e Cassie vão com você. Resgate Leo e traga-o de volta para nós. Ele nos foi muito útil, não é justo o deixarmos sozinho no momento que mais precisa de nós.

O grupo deixou a sede no maior silêncio possível para não chamar a atenção de possíveis curiosos. Entraram no carro e partiram rapidamente. Ohanna quase não conversava, se concentrava o máximo que podia na intenção de rastrear o local exato onde encontrariam Leo. Gus estava agitado demais e Cassie tentava inutilmente acalmá-lo.

—A adrenalina tomou conta de mim. Meu coração está acelerado, disse Gus.

Petro conduzia o veículo o mais rápido possível, fazia as curvas em alta velocidade e fazia ultrapassagens perigosas como um piloto profissional. Ohanna continuava introspecta e em concentração. Agora era possível ver seus olhos esbranquiçados. Ela parecia em transe. Os cabelos rastafari, mesmo pesados balançavam devido a velocidade empregada pelo veículo. Subitamente ela fez sinal para que fizessem silêncio.

Embalada apenas pelo som do motor do carro apontou a direção.

—Diminua a velocidade, Petro, por favor, disse ela. Gus preciso da sua ajuda. Tente encontrá-lo.

Gus, ainda em silêncio, concentrou-se na face conhecida de Leo. Não tiveram tempo para se tornarem amigos, mas sabia que bastava conhecê-lo para tentar identificar seu paradeiro.

—Não estamos muito longe, disse Ohanna.

Um minuto depois, ainda em concentração, Gus começou a sentir a presença daquele que resgatariam. Em seguida, ouviu dentro do seus ouvidos o fluir de sangue sendo bombado pelo coração. Conforme avançavam com o veículo se aproximavam mais. A presença da Vida podia ser sentida e desta maneira conseguiram rastrear o local exato.

Não tinham pensado num plano exatamente, precisavam além de destreza, contar com a sorte, pois não sabiam o que contrariam. Agora estavam muito próximo. Identificaram o local exato, o portão estava sendo guarnecido por dois seguranças. A propriedade não era muito grande, mas as altas paredes mostravam que ali havia uma pequena fortaleza. Precisariam conseguir entrar primeiro e depois pensariam em algo e fariam uma varredura para tentar entrarem no prédio.

A primeira coisa a fazer era passar pela segurança. Ao longe podiam ver muros altos, com cerca de três metros e para terem acesso ao local era necessário passar pelos pesados portões.

A primeira parte é fácil sugeriu Cassie, posso perfeitamente manipular os sistema de segurança para fazê-los acreditar que há um problema nos muros.

Como você pretende fazer isso?, perguntou Gus. Eu tenho meu brinquedinho.

Cassie tirou do bolso um telefone celular.

—Ah, você vai ligar para eles e avisar, falou Gus ironizando.

—Claro que não novato, espera só para ver.

Ela deslizou o dedo pela tela, desbloqueou o aparelho e digitou um código de treze dígitos. Na tela do celular apareceu um cursor. Ela digitou a palavra GPS e com as coordenadas que obteve, fez um sinal com o dedo indicador e um segundo depois ouviu-se um bip e então ela lhe disse:

—Observem a mágika!

A uma distância segura tinham uma visão privilegiada da guarita e puderam ver claramente os dois seguranças que estavam ali correrem para a frente do computador. Em seguida, com um outro movimento, Cassie conseguiu ter o áudio de dentro da cabine, mas estava com certa interferência. Tiveram que fazer o máximo silêncio para conseguirem ouvir.

—Há algo estranho no perímetro, um alerta de falha na cerca elétrica. Pode ser alguém tentando invadir o complexo. Vá até lá para checar.

Ao ouvirem isso esperaram o momento certo para se aproximarem e desta vez foi Ohanna quem desceu do carro e foi falar com o segurança que permaneceu no portão.

Ela sorriu para ele e perguntou algo.

—O que ela esta fazendo, perguntou Gus a Petro.

—Está improvisando, Ohanna tem bom conhecimento sobre a Mente, não será difícil persuadir o segurança.

Ele estava certo. Um minuto depois ela fazia sinal para que entrassem todos juntos.

Ao passarem pelo portão Gus perguntou o que ela havia dito a ele.

—Eu disse que éramos da equipe de desratização predial.

—E ele caiu nessa, perguntou Gus incrédulo.

—Pensei em outro argumento, mas preferi usar o clichê. O bobinho nem vai se lembrar disso depois.

Todos riram e em seguida voltaram a se concentrar na missão.

Havia um pequeno bosque do lado esquerdo e correram para lá. Tinham uma boa visão do prédio de dois andares. Uma entrada principal com recepção e ao lado uma porta basculante de cargas.

—Rastreie nosso objetivo, pediu Petro.

Gus se concentrou por um momento e disse que o som dos batimento do seu coração estavam mais agitados agora e podia senti-lo mais perto.

Depois de algum tempo planejando os próximos passos, já que estavam completamente no escuro e a única informação que tinham é que Leo estava dentro daquele prédio, mas não sabiam ao certo onde, decidiram seguir pelo local que lhes parecia mais isolado e que não chamariam tanta atenção. Seguiram aos pares. Ohanna e Cassie e Petro e Gus.

Petro se preparou para derreter a fechadura e Ohanna materializou uma pistola a partir de uma peça de metal que estava jogada próximo às escadas.

Após respirarem fundo e uma breve contagem regressiva. Petro fundiu o metal da fechadura instantaneamente e Ohanna entrou no local e deu de cara com um segurança que pegou o rádio para anunciar sobre a invasão. Ohanna regateou por um instante, tempo suficiente para o segurança apertar o botão e Cassie subitamente estava ao lado dele, aplicando-lhe um golpe certeiro no peito que o projetou contra a parede.

Ohanna pegou o rádio e o atirou no chão, destruindo-o. Tudo poderia ter sido mais fácil, mas não contavam com a sorte, portanto Cassie foi designada para ir até o terminal e vasculhar as câmeras de monitoramento para ver se conseguiam identificar algo útil para poderem encontrar Leo.

Havia oito monitores ligados, dois deles mostravam imagens duplas. Um monitorava o hall de entrada e recepção, o outro os corredores do primeiro e segundo andar. Havia um corredor no terceiro monitor e os demais mostravam imagens de interiores de escritórios e um laboratório.

Ao analisarem as imagens dos corredores rapidamente viram que havia três portas em cada andar e as imagens internas dos escritórios confirmavam isso. No primeiro andar havia dois escritórios e o laboratório que parecia bem grande o qual a câmera não mostrava completamente. Leo poderia estar neste local.

No corredor mostrado no terceiro monitor havia apenas uma porta ao fundo onde podia-se ler “MANTENHA DISTÂNCIA”, mas nada sabiam sobre o interior daquela sala. Agora já conheciam algumas possibilidades a seguir e isso já era alguma coisa.

Como havia funcionários naquele andar. Decidiram atrair um deles para fora e isolá-lo e só depois invadirem o escritório e quem sabe usar o outro funcionário como réfem ou escudo.

Enquanto olhavam para os monitores não perceberam que o segurança nocauteado havia acordado e mesmo atordoado estava se levantando. Gus ao notar a movimentação do segurança correu até ele, fechou o punho e desferiu em seu rosto o maior soco que havia dado em alguém. Devido a falta de prática sentiu uma dor lancinante em seu dedo e viu que havia quebrado.

—Acho que quebrei o dedo, porra!

—Então conserta, disse Petro ao meio irmão.

—Mas como, perguntou o Verbena inexperiente sem nenhuma prática sobre seus próprios poderes.

—Se vira, o cara da Vida é você.

Um pouco envergonhado por ter deixado passar este detalhe e por ter agido como um tolo; passou a mão boa sobre o dedo quebrado e mentalizou o dedo em perfeitas condições. Ouviu um barulho característico de osso indo no lugar. Ainda estava dolorido, mas ao menos não teria problemas futuros.

Cassie emitiu um bip que soou no escritório do primeiro andar e em seguida ouviu o funcionário que viram pelas câmeras se dirigir até o telefone.

—O que foi?, disse a voz masculina.

—Precisamos de sua ajuda aqui na mesa de controle, disse Petro o mais naturalmente possível.

O indivíduo no escritório não reconheceu a voz pelo telefone e antes de sair da sala abriu uma gaveta e armou-se com um revólver.

—Ele está armado, disse Cassie, Tenham cuidado.

Ohanna empunhando sua arma, assoprou a boca do cano e assim que o homem abriu a porta e apontou a arma na direção dela, ela disparou sua arma e nenhum som foi ouvido. Os irmão viram o homem cair morto no chão com o jaleco ensopado de sangue.

—Vamos, agora. Sibilou Ohanna tomando a dianteira.

Petro, Gus e Cassie a seguiram. Entraram no escritório e o que se seguiu poderia ser visto num filme. Ohanna lançou-se contra o outro homem, desferindo contra seu rosto um forte soco e em seguida girou no ar atingindo o rosto dele com a lateral de seu pé esquerdo.

Gus olhava a mulher lutar, e aos poucos foi absorvendo cada detalhe de seus movimentos, observando-a com admiração.

O homem a agarrou pelos longos cabelos e bateu sua cabeça contra mesa uma, duas vezes. Ohanna precisava de ajuda e Petro foi em seu auxílio.

—Vigiem a porta!, disse ele.

Os dois irmão correram para a porta enquanto ele se juntava à luta.

Um soco forte nas costelas fez com que o homem a largasse. Em seguida se voltou contra Petro que estava preparado.

Um golpe depois do outro e por duas vezes Petro se esquivou.

Era um homem robusto e estava preparado para lutar por muito tempo.

Se não tivessem ajuda não conseguiriam sair dali com Leo, sem serem capturados.

Gus olhou na direção do forte homem e com apenas um movimento, e sabedor da anatomia humana, quebrou os ossos do ante-braço do oponente que sentiu uma dor enorme e desprevenido levou golpes de Petro e Ohanna quase simultaneamente. Afinal seu conhecimento adquirido nas aulas da faculdade lhe tinham sido úteis. O homem foi neutralizado e desmaiado, foi trancado em um armário.

Seguiram pelo corredor e abriram as outras duas portas, na sala ao fundo onde havia o laboratório não encontraram ninguém, mas Gus encontrou uma solução de ervas. Ao lado havia a receita da poção e Gus ao vê-la a reconheceu imediatamente, pois já tinha estudado sobre ela na biblioteca da sede dos despertos.

—Petro, venha até aqui, chamou ele mostrando ao irmão a receita e a poção.

—Gargântua!

—Sim, prepararam-na para ministrá-la em Leo, querem que ele abra a boca. Que nos delate.

Sim, é muito provável. Temos que achá-lo imediatamente.

Decidiram se dividir;

—Vocês vão por aqui e eu e Cassie subimos, disse Petro. Nos encontramos aqui mesmo o mais rápido possível.

Ohanna e Gus se dirigiram para andar abaixo enquanto Petro e Cassie correram escada acima.

Assim que chegaram ao ínicio do corredor no subterrâneo, Ohanna parou por um instante analisando. Gus estava ao seu lado e foi ele quem avistou uma feixe de luz vermelha que vinha do alto da parede.

—E um raio laser. Se passarmos por ele vão nos encontrar em questão de segundos.

—O que vamos fazer, perguntou Gus.

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—Fica na retaguarda, Cassie e presta atenção. O papai jamais me perdoaria se algo acontecesse com você.

—Não se preocupe comigo, aqui você é o irmão caçula.

Abriram uma porta, o local estava vazio. Abriram uma porta mais e se surpreenderam com que havia ali.

Sobre uma das mesas havia um mapa do complexo onde viviam os despertos.

—Será que Leo já nos entregou à Firma?

—Espero que não Cassie, caso contrário nossa missão terá sido um fracasso.

—Mas se não foi ele, isso quer dizer que temos um espião entre nós.

Aquelas palavras acertaram Petro em cheio. A irmã podia estar certa.

Petro pegou o mapa de cima da mesa e correu para a porta. Invadiram o escritório contíguo e assim que o pesquisador percebeu a sua presença, correu até a parede e apertou um botão vermelho fazendo soar o alarme. Petro e Cassie lutaram bravamente o mais que puderam, Petro levou vários socos no rosto, mas os irmão sabiam que não poderiam perder tempo. Muito a contragosto, Petro se viu forçado eliminar o indivíduo. Num lance entrópico, fez as chances aumentarem para que os objetos que estavam na sala se amontassem impedindo que o homem os alcançassem.

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—Veja, o feixe de luz está se movendo.

—Sim, ele corre da frente para trás enquanto o canhão se move da esquerda para direita sobre o trilho sobre a porta e depois cobre a parede oposta no mesmo sentido.

—Só há um jeito de passarmos sem sermos descobertos, disse Gus e prosseguiu falando. Veja, quando o scanner chega ao seu limite de um lado, o bloco muda de posição para rastrear a outra parede. Temos um segundo para conseguirmos alçançar o meio do corredor e depois seguir livremente, mas tem que ser rápido.

—Sim, entendi.

—Você poderia performar Correspondência para alcançarmos o local exato. Disse Gus.

—Mas para isso teria que usar muito da minha força no momento, meu nível de quintessência não está cem porcento. E vamos precisar de tudo o que tivermos se quisermos tirar Leo daqui. Teremos que correr. Olha, o bloco do scanner está quase chegando ao limite do lado esquerdo. Então teremos que seguir por esse lado até o meio do corredor o mais rápido possível.

Assim que o luz vermelha começou a mudar de direção, se lançaram numa corrida hercúlea para alcançar o ponto exato a salvo. O corredor lhes pareceu bem mais longo do que realmente era devido a adrenalina que sentiam. Alcançaram o ponto exato um segundo antes do scanner rastrear a parede oposta. Exatamente no ponto onde se encontravam.

Foram até o fundo do corredor e pararam diante da porta que tinham visto pelas câmeras de monitoramente, até que o feixe de luz mudasse novamente de posição e tivessem a chance de entrar na sala.

Assim que abriram a porta e olharam para dentro ,viram Leo sentado em uma cadeira com as mãos amarradas às costas. Um homem alto e forte estava fazendo a sua segurança. Precisavam enfrentá-lo. Um segundo depois o alarme soou e correram na direção do homem.

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—Corra Cassie. Falou Petro guardando o mapa do bolso. Não temos tempo a perder.

Cassie correu assim que ouviu o irmão. O som do alarme era ensurdecedor. Os dois seguiram pelo corredor no sentido das escadas. Ohanna e Gus não estavam ali.

—Será que eles o encontraram?, perguntou Cassie

—Espero que sim. Mas tive uma ideia, não teremos outra chance de saber a verdade se Leo é o delator ou não se não tivermos a poção Gargântua.

Os dois se olharam e rapidamente correram até o laboratório onde estava a poção. Petro pegou-a e colocou-a no bolso. Correram para a saída e à porta encontraram um segurança que falava pelo rádio.

—Eu os encontrei no primeiro andar. Depressa, preciso de reforços.

—Eu o atraso Cassie, corra até a mesa de monitoramente e cele as portas para que ninguém mais entre.

Cassie desviou da pegada do segurança por um triz e correu até a mesa. Sabia exatamente o que fazer. Petro por outro lado correu na direção do segurança que lhe deu ordens para parar. Não se renderia com facilidade. Muita coisa estava em jogo. Não era de seu feitio acabar com um ser humano, mas se fosse preciso o faria.

Aproveitando-se de um momento de hesitação por parte do segurança que estava convicto que ele se renderia, Petro lançou-se no ar na direção do homem, atingindo o seu peito com os dois pés. Quando o homem caiu no chão entraram em luta corporal e Petro teve sorte em conseguir segurar a mão com a qual o homem segurava a arma. Um, dois estampidos foram ouvidos passar muitíssimo próximo do seu ouvido.

O segurança socava Petro que se defendia o melhor que podia e também o socava sempre que tinha chance. O segurança e Petro lutavam agora pela pose da arma. Petro foi arremessado para trás e o segurança teve a oportunidade de atirar mais uma vez. O tiro atingiu o braço de Petro de raspão, incapacitando-o até certo ponto, mas precisava persistir. Mesmo machucado foi ao encontro do homem que não acreditava no que estava vendo, não acreditava na força daquele homem que lhe aparentava frágil demais. Foi o excesso de confiança que o traiu. Petro conseguiu agarrar-lhe a mão da arma e aos poucos foi forçando o cano dela na direção do próprio segurança e assim que Petro viu que teria sucesso, acionou o gatilho. O tiro atingiu a mandíbula do homem de baixo para cima seguindo cabeça adentro. Um segundo depois o segurança estava morto.

Petro se levantou ofegante e cambaleante devido o seu ferimento. Sentia pesar por ter finalizado a vida daquele homem. Não era assim que os despertos agiam. Cassie o amparou e procurou algo para estancar o sangramento.

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Assim que o homem viu a presença de Ohanna e Gus na sala, apontou a sua arma para Leo que estava todo ensanguentado e os hematomas lhe cobriam o rosto. Havia apanhado muito, estava em frangalhos.

—Nem mais um passou ou eu atiro, disse ele.

—Gus parou por um segundo, mas Ohanna atirou no homem ao mesmo tempo em que ele atirava em Leo que devido ao fato do homem ter sido atingido milésimos de segundos antes havia já se desequilibrado e o tiro atingiu suas costas.

Leo caiu com cadeira e tudo. O sangue jorrava sem parar empapando sua roupa já rasgada e escorrendo pelo chão.

Os dois correram até ele e conseguiram cortar a corda que o atava cadeira. Pegaram-no cada um de um lado e correram para fora da sala e através do corredor até a escada.

—Petro, Cassie, precisamos de ajuda, gritou Gus com urgência.

—Eles estão vindo, disse Cassie ao irmão. Você fica aqui por um segundo que eu vou ajudá-los.

—Leve isso, disse Petro, estendendo a mão com a arma para ela.

Cassie pegou o objeto com certa aversão, mas entendia a necessidade.

—Caso encontre alguém no caminho deles, atire.

—Não se preocupe irmão, eu farei.

Correu o mais que pode escada abaixo, encontrou Ohanna e Gus amparando Leo.

—O que aconteceu com ele?, perguntou.

—Foi atingido por um tiro, está perdendo muito sangue. Se não formos rápido vamos perdê-lo.

Cassie se juntou a eles e conseguiram juntos subir o lance de escadas e se encontrarem com Petro que tinha o braço amarrado com um trapo velho.

—O que aconteceu com você, preocupou Gus.

—Fui atingido de raspão, só isso, vou ficar bem.

—Não temos como sair por onde entramos. Celei a entrada. Há outra maneira de sairmos.

—Para o telhado, sugeriu, Gus.

—Não há uma saída para o telhado da parte interna Gus, estamos presos aqui.

—Não, não estamos, disse Ohanna resoluta.

Todos olharam para ela.

—Limpem nossos rastros para que nem a Firma nem a polícia nos encontre. Eu cuido do resto, disse Ohanna.

Petro e CAssie, por já terem prática se imcumbiam de fazer suas mágikas para que os rastros fossem encobertos e um minuto depois tudo estava

—Fiquem juntos de mim, vou tentar levar a gente até o carro.

Ouviram som de pessoas se aproximando lá fora.

A seguir Ohanna esforçou-se o máximo. Uma aura de luz começou a se formar em torno dela. Seus olhos ficaram esbranquiçados, isto significava que estava conseguindo. Que estava usando o máximo que podia de seus poderes para conseguir transportar todos eles. Ouviram uma forte batida na porta, ouviam muitos homens do lado de fora gritando e em seguida outro baque.

A luz azulada e forte engolfou-os no exato momento em que conseguiram arrombar a porta. O portal se fechou diante deles e se abriu em seguida estavam ao lado do carro, todos amontoados.

Cassie ajudou Gus a colocar Leo dentro do carro. Petro sentou-se no banco do passageiro e Ohanna era quem conduziria o veículo.

Gus ficou no banco de trás com Leo e a irmã.

—Ele vai morreu, disse Cassie em pânico.

—Não, não vai, exclamou Gus. Não se depender de mim.

Em seguida usou o seu anel para fazer um profundo corte em seu próprio braço a ponto de verter o sangue. A dor pungente levou de si a consciência por um único segundo. Em seguida buscou o ferimento de Leo com uma das mãos e o projétil que ali se encontrava foi extraído, mas não sem dor.

Leo gritou absurdamente conforme o objeto de chumbo era expelido do corpo. Caiu na mão de Gus que em seguida conseguiu estancar o sangue evitando a hemorragia.

—Conseguimos, disse Cassie entusiasmada.

—Sim, por enquanto, respondeu Gus. Mas ele precisa de maiores cuidados.

Apressaram-se para voltar à sede. Ohanna parou o veículo e quando saiu do carro, Petro correu pegar seu lugar.

Não vamos entrar com você Ohanna, Avise ao Edward que Leo está conosco, vamos cuidar dele.

—Vão levá-lo ao médico, suponho.

—Sim, mais ou menos isso. Só assegure que Edward não se preocupe por enquanto com isso. Encontramos um mapa da nossa sede naquele local. Deve haver um espião entre nós, Diga ao diretor que redobre a segurança. Nos veremos em breve.

Se despediram assim e pelo retrovisor viu a mulher parada na calçada por um instante e em seguida entrar pelas portas da Pó Arcano.