Luzata

1 Condolência


Condolência

Ironicamente fazia-se aliuma noite clara, uma luz parecia finalmente emergir depois de toda escuridão que sucederá horas atrás.Aquelapálida luz refletia sobre os corpos frios e vazios espalhados pelas ruas do pequeno vilarejo, ou aquilo que restará dele, todos os edifícios estavam praticamente destruídos ou tomados por chamas, com exceção daqueles haviam resistido a grande batalha que se incidirá ali.

Dentre um dos escombros uma figura começou a emergir.Arrastando-se para finalmente desvencilhar-se das pedras que estavam sobre o seu corpo. Ele tentou se por de pé,contudovoltou ao chão, tomado por uma dor lancinante. Ao buscar a fonte do que o incapacitava de levantar ele notou que suas vestes se encontravam esfarrapadas e tomadas por um tom de rubro. Ele enfim descobriu era sua perna direita, fraturadae seu braço esquerdo com um profundo corte.

O único jeito seriaimobiliza-la e sutura o cortepensou. Arrastando-se ele começou a procurar ao chão algo para improvisaruma tala, foi então que achou com um pedaço de madeira, parecia perfeito pensou.

Depois de colocar a tala em sua perna quebrada, voltou-se ao seu braço. Ele deveria fazer um torniquete para parar o sangramento foi então que chegou perto de um dos cadáveres que preenchiam as ruas da cidade e rasgou um pedaço das vestes e amarrou-as fortemente em seu braço. Afinal servira de alguma coisa todo o tempo que ele passara dando assistência médica dos feridos na guerra anos atrás.

Ele tentou novamente se levantar, agora que já havia improvisado alguns curativos, apoiou-se em um dos muros que resistira a guerra e conseguiu se por de pé. Ele fraquejou por alguns segundos temendo voltar ao chão e começou a andar apoiando-se ao muro sem direção alguma, foi então que veio a sua cabeça, para onde ele deveria ir, afinal de contas agora aquela cidade não passava de escombros. Deveria ele sair em busca de sobreviventes? Será que ele possuía vitalidade suficiente para realizar essa tarefa, ele mal conseguia aguentar o próprio peso sem ficar cambaleando por ai. Foi então que elefez uma muleta a partir de destroços próximos e começou a vasculhar ao seu redor a procura de algum sobrevivente.

Ele passou horas a fio remexendo escombros sem sucesso algum, foi então que frias lagrimas escorreram sob seu pálido e sujo rosto. Estavam todos mortos, ele se depara naquela busca com inúmeros rostos conhecidos, e alguns outros corpos totalmente desfigurados, era tão injusto porque havia ele de sobreviver, por mais abatido que estivesse o desejo de desistir se sua vida não passará por sua cabeça. Exausto decidiu que acharia algum lugar seguro para passaro resto daquela noite soturna.

O jovem continuou cambaleando, caindo algumas vezes, mas sempre voltando a se por de pé. Ele estava sempre atento,seus olhos corriam sobre todos os escombros com cautela receando que alguém estivesse ao seu encalço, provavelmente haveria mercenários saqueando o que sobrará daquele vilarejo, era algo corriqueiro em tempos como esse.

Entretanto por mais que fosse sua atenção e cautela, ele não percebeu que estava sendo seguido. Talvez porque o ser que o seguia não apresentasse nenhuma intenção de machucá-lo. Talvez porque este não possuísse naquele momento um corpo material e estivesse apenas o observando pelas sombras, em forma de uma nevoa fina e quase translucida. Ou talvez por seres como este terem sido apagados da história muito antes deste jovem ter chegado a este mundo.

Os humanos já haviam se esquecido de nós ela pensou, havia mais de um século que tudo acontecerá. Ela não sabia ao certo o motivo daquele humano tê-la deslumbrado tanto a ponto de fazer com que ela continuasse seguindo-o. Ela havia lido a sua aura algum tempo atrás e ela havia o achado realmente peculiar para um homem, ela nunca havia cruzado com um deles com pensamentos tão altruístas como aquele. Ele era um humano fascinante para ela que havia se tornado tão amarga e cética a respeito destes a algumas décadas atrás.

Ela interrompeu seu devaneio quando sentiu uma nova presença, uma presença hostil, alguém com intenções terríveis. Ao entrar em contato com aquela nova e afrontosa aura ela imaginou os calafrios que sentira se estivesse materializada neste momento. Este novo homem que estava ao encalço do jovem tinha uma aura violenta e vil.

Ela começou a pensar o que deveria fazer aquele jovem que ela passara a seguir há algumas horas e a estava fascinando, ele era tão diferente dos outros humanos aos quais ela tinha entrado em contato anteriormente. Ele era uma das auras mais cristalinas que ela havia lido em toda sua existência. Ela se envergonhava por ao vê-lo de relance enquanto passava por aquele vilarejo ter desejado matá-lo em nome de seu povo. Ela havia estado cega pela vingança hátanto tempo, ela agora conseguia finalmente ver o quão manipulador havia sido Demétrius, e o pior de tudo foi ela por ter se permitido manipular. Agora ela finalmente havia despertado, e ela sabia que não era justo ele morrer desta maneira.

No entanto ela estava com medo de intervir no mundo dos homens novamente, ela estava com medo das consequências. A cada segundo que ela hesitava em intervir o homem de aura violenta se aproximavacada vez do mais do jovem. Ela percebeu uma notável diferença na aura do jovem, um terrível temor tomando as suas entranhas, ele havia notado a presença de seu perseguidor, e ele sabia que estava tudo acabado, mas ele relutava em se entregar e então ele começou a se enfiar dentre os destroços e cortar o caminho percorrendo vários becos escuro, chegando em lugares que ela nem imaginava que existiam naquele pequeno vilarejo.

Mesmo ferido e sabendo de sua morte certa ele ainda continuava, e isso a irritava, irritava principalmente porque ela tinha inveja da sua perseverança. E ao mesmo tempo em que ela estava tomada de inveja, ela estava deslumbrada, ele com certeza estava destinado a algo muito maior, ela tinha certeza disso. Contudo o outro homem estava cansado desse pequeno jogo, estava cansado de enfiar-se por estes escuros becos, ele queria apenas a diversão de sentir o jovem implorando pela sua vida, ele então se anunciou segurando firmemente a bainha de sua espada e gritou:

– Chega de correr estamos em um beco sem saída agora e cansei desse seu joguinho, você não vê que é seu fim, pare de fugir como um covarde – Caçoou.

– Quão homem você é por apontar uma espada para alguém que esta ferido.

O homem apenas soltou uma esganiçada gargalhada, aproximando-se lentamente do jovem e sacou sua espada. De repente uma violenta rajada de vento se formou entre eles, seguida por um intenso clarão e dele materializou-se uma estranha figura.

No inicio a intensa e cintilante luz tornava impossível de se ver algo, até que seus olhos aos poucos se acostumaram com a intensa luz e o permitiu ver apenas uma esquia silhueta semelhante a uma jovem mulher, porém a sua tez era praticamente translucida, fazendo com que a pálida luz da lua cintilasse pelo seu corpo.

Ambos os homensforam jogados ao chão. A estranha figura que se materializara diante dos olhos dos dois humanos estava envolvida de uma terrível ventania que fazia com que se levantar fosse uma tarefa exaustiva,ferido o jovem desistiu de se por de pé e apenas rendeu-se ao chão. Era um anjo pensou ele, suas preces foramouvidas, talvez os Deuses realmente existam.

Ao contrário do jovem, o outro homem levantou-se, e em sua face não estava estampado medo algum, mas sim uma imensa satisfação. Estranhamente parecia que aquela situação não era algo inesperado para ele, era como se tivesse pego um raro animal dentro de sua armadilha.

–Sabia que havia um de vocês pelos arredores, eu consigo farejá-los sabe? Só precisa de uma maneira para fazer-la se materializar – dizendo isso ele pegou um pequeno saco de couro em seu cinto, e dentro deste havia uma pequena zarabatana e uma estranha pílula, que ele engoliu assim que a pôs na mãos.

Rapidamente o homem lançou em direção a estranha figura cintilante uma pequena flecha que não teve tempo de desviar e foi atingida. Abalada por alguns, se recuperou contudo a aura mágica ao seu redor parecia ter desaparecido, a tornando apenas uma simples garota.

A garota não parecia assustada, contudo parecia um pouco menos confiante , o jovem não conseguia entender o que estava acontecendo, segundos depois que o homem havia atirado a flecha na garota , ele voltara a empunhar sua espada e corria em direção a garota, que rapidamente desviava de cada uma dos ataques brutos que ele aplicava.

O Jovem percebendo que a garota estava desarmada, ficou receoso porque apesar de que ela estivera desviando notavelmente até agora , até quando conseguiria continuar fazer isso, a áurea que a envolvia a segundos garantiria sua vitoria, contudo parecia que ela não conseguia mais fazer o uso desta.

Contudo a vitoria da garota foi garantida quando o perseguidor ao aplicar erroneamente um golpe na garota , abriu uma grande abertura para que esta conseguisse desarmar-lo e enfim tomar a sua espada. Ela inferiu um corte certeiro na garganta do adversário e ele caiu ao chão debatendo-se por alguns segundos até acabar morto ao chão.

A estranha figura virou-se em sua direção, os cabelos prateados esvoaçantes, seu semblante receoso. Rapidamente caminhou até onde ele jazia ao chão e colocou suas mãos sobre os ferimentos analisando a profundidade deles.

– Quem é você? – Ele se afastou dela assustado.

– Sou alguém que quer apenas o ajudar, o resto não é importante, só fique parado– Ela disse severamente.

– Você me salvou, por quê?– Ele retrucou e desviando-se novamente das mãos dela

– Eu disse que não importa fique quieto pelos Deuses,Marcus– Ela arrependeu-se no mesmo minuto em que cometeu o erro de tocar no nome do jovem.

–Você sabe meu nome? O que é tudo isso, é algum tipo de truque?– Respondeu assustado

– Você acha que é algum tipo de truque?Você pode apenas aceitar ter sido salvo e ficar quieto – Ela vociferou

– Não acredito que seja,eu realmente estou grato por tersido salvo, mas quero entender o por quê?

– Vocês humanos são tão insistentes – Ela brandiu – Você não pode apenas acatar minhas ordens e permanecer em silêncio, estou tentando salva-lo.

Ela estalou os dedos e Marcus cedeu inconsciente aos seus pés. Ela percorreu seus olhos em direção ao corpo ferido do rapaz, e arfou, ela tinha um longo trabalho pela frente.

Notas finais
Ah sei lá , acho que ficou bom agora , dei umas mudadas básicas , como sempre , espero que gostem