Luz e Escuridão

18 Revelando o Passado, Vidas Entrelaçadas.


Notas iniciais
aqui esta o capítulo 18. boa leitura anjos ^^

“Era pequena, e ninguém falava comigo... Mas havia um rapaz que sempre me ajudava, quando tiravam sarro de mim. Achava que era do colegial. Você não mudou nada...”. disse Sofia um pouco sem graça se recuperando da noticia que ele era seu gato.

“Os anos foram gêneros comigo, por séculos, posso afirmar...”. Disse ele com um sorriso cafajeste no rosto, que Sofia amava.

“Então você é assim há anos?”.

“Desde que morri, para falar a verdade...”.

“Anjos morrem???”, ela estava incrédula e ele riu baixinho e continuou.

“Eu não era um anjo, virei depois que morri. Porque acharam minha morte nobre e coisas do tipo, mal sabiam eles que o consagrado ia virar um demônio...”.

“Então... Você é um anjo da guarda? Por isso esta sempre me protegendo? E... Como você morreu?”, disse ela medindo as palavras e tentando olhar nos olhos do rapaz para não entrar em nenhum assunto delicado demais.

“Quem me dera se fosse seu anjo da guarda. Se fosse não teria deixado Castiel te beijar ontem...”, disse o rapaz frustrado o que a deixou vermelha e extremamente culpada. E ele continuou. “Na verdade eu sou, ou melhor, era um arcanjo. Mas depois que desobedeci e teimei de varias maneiras, meio que estavam me forçando a arrumar-me, mas eu decidi virar um demônio, achei que assim ia poder fazer tudo que queria, mas prejudicou ainda mais minha situação. Acho que gostavam muito de mim, eu não sou um demônio qualquer, normalmente demônios perdem as assas, fica apenas a estrutura óssea, mas no meu caso ficaram escuras as penas. Todo o fofinho foi por água baixo, elas cortam mais que qualquer arma afiada. E doem muito, elas sangram... mas o processo demora anos, é bem emocional e não estaria completo se não fosse a Miles. Como eu odeio aquela mulher. Ela me torturou tanto que desandou tudo...”.

“Estou ficando confusa Enrique...”.

“Ok, vou explicar desde o começo para vocês... Eu era humano há séculos atrás, nascido de uma família pobre. E eu tinha um irmão gêmeo que eu amava mais que tudo, ele era mais velho que eu por segundos, mas ele sempre se via competindo comigo, porque as pessoas plantaram isso nele. Não o culpo, o que sinto por ele é muito forte ate hoje, e sei que é o mesmo com ele... Seriamos interligados mesmo, acho que desfrutamos dos mesmos sentimentos, isso é saco às vezes...”, disse ele dando uma pausa, mas logo continuou. “Mas ele tinha um defeito, ele era extremamente rebelde e não fazia nada que nossos pais pediam, ao contrario de mim, foi ai que começou as comparações o que o deixavam fulo, na época eu gostava, porque queria ser comparado com ele, mas à medida que fui crescendo e foram fazendo o mesmo comigo, sentia-me um lixo e odiava isso... Um dia meus pais levaram o até os anciãos da cidade para ele ser julgado. Disseram que ele não os obedecia e que nunca ouvia nem quando o corrigiam. Então eles decretaram que todos os homens da cidade apredejariam o até a morte”.

“Que horror!”, disse sem perceber Sofia cortando Enrique, que a olhou e a fez ficar mais vermelha.

“Desse modo, eliminariam o mal do meio, para não estragar o resto e já serviria de exemplo. Naquela época tinha muito isso, em vez dos pais darem educação eles matavam os filhos com as próprias mãos, a pedradas. Eu não podia assistir aquilo e não fazer nada, o pior foi que me deram uma pedra para tacar no meu irmão, o vendo daquele jeito, caído no chão, eu realmente não podia aguentar aquilo. Foi quando eu entrei na frente dele. Falei que o Deus pelo que eles pregavam não queria aquilo, que eles não sabiam ler as escrituras e acusaram-me de ir contra as vontades de Deus e mataram-me também. Lembro-me de acordar em um lugar onde a musica era calma e o céu era rodeado de nuvens e havia uma luz muito forte vindo de um pedestal. Falaram-nos que haviam interpretado o que ele disse errado e que por isso ele ia nos presentear, disse que fomos corajosos como guerreiros defendendo os valores certos, pois era isso que nos éramos, guerreiros do céu”.

“Por isso o titulo de arcanjo”, disse Vitoria ligando os pontos da estória, “Já sabia sobre a Lapidação, e Enrique me falou um pouco sobre isso, então não é tão sensacional eu falar agora..”, disse ela por fim sorrindo.

“Não se sente mal por falar sobre isso? Se não quiser, nos podemos parar...”, falava Sofia com jeitinho tentando não o magoar.

“Não tem como fugir do meu passado, foram às escolhas que eu fiz, eu estou preso com isso, para o resto da minha vida, não me importo em falar, e acho que já esta na hora de te responder tudo o que você sempre quis saber. Desculpe demorar tanto para falar, mas não sabia como ia aceitar o fato de eu ser um demônio, eu fui obrigado a fingir que não sabia de nada. Mas depois que você soube, eu não posso mais esconder, sei que não posso obrigar seu amor por mim, o certo era ficar com Castiel a final de contas, é seu destino...”.

“Meu destino? Eu faço o que quiser...”.

“Não é assim que funciona, você sabe disso, já lhe disse isso antes há muito tempo atrás, se lembra?”.

“O dia que estava chorando sentado embaixo da arvore...”. disse Sofia baixo, se lembrando.

“Isso o Enrique não me contou, me contem melhor essa estória”.

“Ele sempre me ajudava como falei ate que um dia em que não o vi lá. Nesse dia vi um rapaz de blusa azul escura e calça jeans e coturnos pretos, chorando embaixo de uma arvore... Eu meio que resolvi ver quem era, porque eu tinha a leve impressão que conhecia a pessoa. Quando cheguei perto era o Enrique, ele disse que não estava bem por que ele não podia ficar com a garota que ele amava, porque ela era de outro cara. Eu o perguntei por que ele não ficava com ela, e esquecesse o outro cara, e ele me disse que tudo já tinha um destino, tudo estava escrito só esperando a hora certa de se realizar, e que ele não fazia parte da vida dela...”.

“Então você falou-me, ‘Quem disse que você não pode fazer parte da vida dela? Se não esta escrito no destino, escreva você mesmo’ e deu-me um beijo na bochecha. Eu nunca vou esquecer-me disso, nesse dia eu virei um demônio. Não foi sua culpa, eu que faço tudo por impulso...”, disse ele sorrindo para Sofia, o que a fez lembrar-se do porque gostava tanto de ficar próxima dele. Ela já sabia a resposta, ela o amava, sempre o amou desde o primeiro momento que o viu, mesmo de gato, mesmo de garoto, e ate mesmo de demônio. Não importava como ele estava, ele não mudava o que era por dentro, e era disso que ela gostava dele.

“Sei por que você fica tão em duvida sobre quem gosta Sofia”, disse Vitoria, parecendo que estava lendo os pensamentos da garota, “É tudo culpa de um cupido, que não sou eu por sinal, tudo foi feito para que gostasse de Castiel, mas o que sente por Enrique quebrou o encantamento... É muito forte por sinal, por isso estou torcendo por vocês, e estou do lado de vocês na batalha, porque algo que supera o poder de um cupido experiente não pode ser colocado de lado”, Sofia e Enrique se entreolharam.

“Que batalha?”

“Você esta comigo agora. Então uma batalha acaba de ser travada, e ela vai ser grande, mas vou te proteger, não sou seu anjo da guarda, mas eu lhe amo, e isso já é mais que suficiente para mim”, disse ele com um sorriso no rosto, ele segurou os braços da garota mais forte do que o normal e prendeu-a na parede, e a beijou, prendando seu corpo contra o dela.

A batalha foi travado.

O amor foi revelado.

O passado começa a ser descoberto, e o presente começa a fazer sentido.

O futuro os espera, mas nada é tão fácil para alguém que reescreve o destino com as próprias mãos...

Sem um começo, sem um fim. Como o céu da noite que os cercam, naquele lugar. Onde o demônio promete seu amor a nefelim.

O futuro os aguarda.

Para talvez o tão sonhado destino dois...

Entrelaçados fiquem.