Luz e Escuridão

19 Luz nas Trevas


Notas iniciais
Tomado pela escuridão, mas isso não significa que nunca ouve luz.

Bom gente, má noticia, a estoria esta acabando infelizmente se não me engano faltam uns dois capítulos, então boa leitura, meus anjitos ^^

Sofia estava perdida em seus pensamentos durante a aula de religião, hoje teriam a tão esperada, por alguns, aula pratica. Que a professora Miles tanto falava. Ela não se via como iria conseguir participar de uma aula pratica, pelo simples fato de nem saber que tipo de anjo ela era, se é que era...

Depois do ocorrido na noite passada, ela não parava de pensar em que tipo de batalha era essa que estava por fim, e logo após isso, percebeu do porque das tais aulas praticas, ela devia se dedicar ao máximo, não queria ser um peso para Enrique. Muito menos depois de ouvir o tanto que ele passou, ela se sentia culpada pelo fato de ele ter virado um demônio, em sua cabeça ainda era por sua causa, mesmo depois de ele ter negado, mesmo a menina não dizendo nada, ele de alguma forma leu sua mente... Ele não tinha culpa, ele a conhecia havia anos.

“Não esta entendo algo Sofia? Parece tão confusa...”, indagou a professora.

“Não professora, obrigada. Eu apenas estava pensando em como seriam as aulas praticas...”.

“Não há nada de impressionante e extraordinário, vera em breve”, disse a professora sorrindo, e continuou com tom de advertência. “Agora preste atenção na aula, por que não vou perguntar o que estava pensando na hora da prova”.

Sofia ficou em silencio e tentou prestar atenção na aula. A professora Miles, falava sobre os arcanjos e ela viu se lembrando de Enrique e Castiel. A professora falava como eles lutavam em causas contra Lúcifer e contra o apocalipse e a destruição de todo o mundo. Ela os descrevia extremamente frios, como guerreiros, não combinava muito com os arcanjos que ela conhecia.

Ela não conseguia entender como alguém que lutava contra Lúcifer se alia a ele, mas Enrique não fazia muito sentido em tudo que havia em relação a ele. Na verdade ela não sabia quase nada sobre ele, o que fazia suas escolhas ficassem parecendo vagas, mas há muito motivo por trás de todas elas, ele realmente sabia tomar decisões, talvez por isso Sofia se sentisse bem com ele, ela era completamente insegura de si, via capacidades nos outros, mas não via nela, às vezes brincava dando a impressão que era muito confiante, mas era tudo um fingimento, tudo não passava de uma mentira... Ela realmente virou uma moçinha muito mentirosa, mentia toda hora, mesmo que não fossem motivos fortes, ela fazia isso achando que assim ficaria mais segura, e por um certo lado era verdade.

A professora trocou o slide. Agora mostrava a imagem de dois arcanjos batendo num outro anjo com apenas as estruturas ósseas das assas, era um anjo mais bonito que os outros dois que o atacavam com lanças com uma aparecia de chicote de ferro, como uma arma de esgrima, eles tentavam acertar o peito do anjo mais bonito, que esbanjada um sorriso no rosto.

“Como estão vendo, esse é uma imagem dos guerreiros do céu, arcanjos, combatendo Lúcifer... Amo essa pintura, é bem convincente”, dizia Sra.Miles apontando o slide com uma régua. “Lúcifer seria esse aqui”, disse ela mostrando o anjo mais bonito da pintura, “O da túnica prateada, sim meninas ele era bonito, assim é como é retratado e eu tive o desprazer de conhecê-lo... Ele era o favorito, acho que ate hoje, seria o filho obediente, mas não durou muito tempo, acho que o poder subiu para sua cabeça. ‘O Portador de Luz, Estrela da Manhã’, entre outros, mas nunca o achei lá essas coisas não, perfeito demais, ate para um anjo... Bom, ele era extremamente orgulhoso e arrogante, e isso o destruiu... A outros assim hoje em dia, anjos que Ele aposta cartas e que o traem a confiança, trocando de lado. Ou será que aquele sempre foi o lugar deles? Demônios inúteis...”, disse a professora com um riso sarcástico olhando fixamente para Enrique.

“Como caíste do céu Lúcifer, tu que ao ponto do dia parecias tão brilhante? Ele não era um fracassado ele realmente tinha potencial, apenas queria o livre árbitro... Anjos são muito barrados, mas isso acabou mudando um pouco ele, o ciúme exesivo, mas ele não era uma má pessoa, se não Meu Pai não teria visto potencial nele”, disse Enrique sorrindo e olhando para Castiel que parecia impressionado e assim que percebeu que foi visto, virou o rosto rapidamente.

“Com seu incrível jeito de falar Miles, parece que os demônios são bonzinhos e nos anjos somos malvados...”. Falou Castiel com pouco causo.

“Acho que ninguém tem ficha limpa, talvez eu seja um dos anjos mais ciumentos, mas você não fica muito atrás, não é mesmo menino da lapidação?”, disse Miles em tom irônico.

Sofia já ouvia isso antes, mas não se lembrava de onde...

“Como se sente vendo sua filha passar fome, por anos, sendo pisada? Ela não era a garota da profecia? Ah, espera, você não esta nem ai para ela, não é mesmo?”, Enrique ganhava com o tom de ironia.

“Imundos relam seus lábios e ela permite amo minha filha, mas não tenho tempo para ficar matando serviço e ficar ‘cuidado dela’”.

“Serio Miles? Mas para torturar o demônio você tem, ou era serviço? Eu ouvi que você levou uma bronca por isso, não havia provas por nada, e digamos que adiantou algum andamento de lá de dentro que eu não entendo...”.

“Melhor não saber, seu lixo, como você pode sentar do meu lado por séculos? Você nunca foi digno de nada, sempre se metendo no que não era chamado...”.

“Chega, cansei de vocês dois! Ate quando vão agir como crianças?! Estou farto disso, eu quero paz, vocês não me deixam em paz! Você não a ama Miles, você nunca esteve nem ai para ela! Cassiel!! Eu sei me defender sozinho, entendeu??!!!”, gritava Castiel,interrompendo Miles, ele havia ficado de pé, sua cabeça baixa,parecia segurar as lagrimas.

“Você é pior que seu irmão. Não mande em mim, moleque! Você era apenas um mero humaninho de merda, que por causa do irmão bonzinho virou um anjinho. Que lindo. Eu não sei por que, aceitei de você ser o companheiro de minha filha, mas se arrependimento matasse... Sabe, você é muito mais demônio que o próprio demônio, agora eu vejo isso, e ninguém acredita em mim Castiel, um dia, quando era Raziel, você era diferente, mas depois que seu irmão virou um demônio de merda, e você foi nomeado também Castiel, o poder lhe subiu pela cabeça...Você é desumano, você não daria sua vida pelo seu irmão, sabe o porquê? Você não esta nem ai para ele...Ao contrario dele, não é? Ele deu a vida dele por você, vocês viraram anjos, bonito, ai ele não queria te desapontar ou te destruir, mesmo amando a garota que era destinada a ficar com você, então ele virou um demônio, ele se matou como anjo basicamente, e tenho certeza que nessa guerra que esta por vir, não importa o lado dele, ele daria sua vida por você...Ele só não sabe ainda que é você que ele tem que matar!”

“Nunca mataria meu irmão, você é completamente louca, não é assim que as coisas funcionam...”, disse Enrique de cabeça baixa.

“E o seu amor? Ira deixa-la por causa dele? Ele já não é grandinho?”.

“Você não entende de nada! Eu amo ela, e eu o amo, vou proteger os dois, eles são tudo que eu tenho! Ele não aceitaria me matar se pedissem, não é Raziel?”.

“Você nunca teve ninguém Enrique...”, murmurou Castiel entre dentes.

“Você não fez isso?”,perguntava Enrique sabendo a resposta, mas não querendo acreditar no que o irmão havia feito.

“Que comece o Apocalipse”, disse batendo palmas Miles, com um sorriso no rosto.

“Você tem dois dias, Demônio”, disse Castiel se levantando e saindo da sala, enquanto a professora gargalhava.

“Como se sente sabendo que vai morrer pela terceira vez?”, disse a professora no meio dos risos.

“Cala a boca!”, disse Enrique por fim, se levantou foi ate Sofia e lhe disse baixo “Vamos sair daqui”

“Mas e a aula?”

“Não é importante”, disse ele por fim, puxando o braço da garota e eles saíram, não antes dele chutar a mesa de Vitoria e fazer um sinal com a mão.

Eles foram em direção ao lugar de costume, o que eles estavam protegidos. Ele tirou do bolso a chave prateada e abriu a portinha de madeira e os três entraram, o lugar estava com um aspecto diferente. O chão limpo, com gramas crescendo, deixando alguns lugares com a terra ainda amostra. A arvore estava cheia de botões de uma cor rosa claro, e as rosas estava cheias de ramos novos e de alguns botões vermelhos. Estava mais limpo, mais renovado, mas bonito. O lago mais claro e paravam alguns pássaros que cantavam em diversos cantos do lugar.

“Uau, o que aconteceu com aqui?”, perguntou Vitoria maravilhada.

“O nosso demônio não é ruim, e esta feliz, então aqui fica bonito. Acho que vai lutar não é Bad Boy?”, perguntou Ariel, o velho que parecia ter 70 anos ate alguns dias atras, estava com uma aparência de um homem na faixa dos 40, com um terno risca de giz preto e uma camisa social roxa. Sentado no banco de madeira que parecia novo, de pernas cruzadas. A brisa não desarrumava seus cabelos pretos com tons de grisalho, bem penteados para trás.

“Não quero machucar meu irmão, de todos ele é o que eu menos queria machucar...Irônico não? Estamos interligados, mas ele não pensa da mesma maneira...”

“Irônico é o arcanjo que nos ajuda a desapegar, e nos livrar do sofrimento e desgosto nesse estado...”.

“Não sei o que fazer, sou um demônio, meu irmão me traiu, eu...”.

“O contemplador de Deus, guia de Abraão, príncipe dos Tronos, o anjo que rege o nosso destino e que reúne sua extraordinária força de purificação e transformação que aqui se apresenta como misericórdia Divina...Já ouviu falar desse arcanjo, amo ele como se fosse o meu filho, a pessoa que foi capaz de me magoar, pela primeira vez e ultima, mas ainda o amo, o Trono é testemunha de minhas lastimas por Cassiel. Lute, te conheci lutando e quero se um dia deixar de tê-lo ao meu lado, quero que seja do mesmo jeito que o conheci”.

O menino ergueu a cabeça e sorriu.

“Eu vou lutar, e vou lhe proteger Sofia, nem que custe minha vida”, disse ele sorrindo para a garota. Ela apertou a mão dele, e virou a cabeça para que ele olhasse nos olhos dela.

“E eu vou te proteger, sou filha de Miles não é mesmo, um arcanjo é um guerreiro e eu vou ficar do seu lado custe o que custar”. Ela conseguiu arrancar um sorriso do rosto do rapaz.

“Como odeio Castiel, como ele pode ser tão mesquinho e prepotente, poxa você é irmão dele alem de tudo”, falava Vitoria incrédula, “Cupidos são bons com o arco e flecha, estou com vocês”, disse ela sorrindo.

“Ele não é ruim Vitoria, Castiel é, Raziel não, meu irmão esta perdido ali dentro em algum lugar, vocês não o conhecem...Poderia ensina-las, mas não acho que vai ser necessário, não é Castiel, pode entrar.”

Castiel entrou no lugar que permaneceu em silencio. Ele não encarava o irmão.

“Demorou muito”. Falou Enrique por fim e ele apenas olhou.

Sob o céu nublado, os arcanjos andam em círculos, olhando um nos olhos do outro.

Anjo e demônio.

Bem e mal.

Luz e Escuridão...

Mas quem ao menos uma vez, falou que não há luz na escuridão e há escuridão na luz?