Luz e Escuridão
7 Recompensa
Notas iniciais
O dia foi longo, as duas ficaram em baixo da arvore, ate por volta das três horas, que foi quando começou a chover. Voltaram para o quarto e tomaram banho. E pelo jeito, no outro dia teria aula. Então Sofia foi dormir cedo, ou pelo menos tentar. Mas não deu muito certo. Ficou com a briga de Enrique, e os flertes de Castiel, na cabeça. Ela nunca havia visto Enrique tão seco e intimidador como naquele dia. Ele parecia encher a sala de raiva e seus olhos matavam, só de olha-los.
Talvez ela estivesse pensando de mais, talvez ela estivesse certa de fazer isso. Ele era seu único amigo afinal. E o que realmente havia acontecido noite passada que Castiel, disse que Enrique havia falado? Ela precisava falar com Enrique. Mesmo que o problema fosse com ele, ela devia falar com alguém. E Vitoria não era a mais indicada, pois já dormia e disse para ela nunca mais falar com Enrique, pelo jeito não iria falar nada da descuçao de mais cedo. E Castiel... Bom, ela não se sentia tão à vontade falando com ele, as palavras fugiam de sua cabeça, mesmo ela conseguindo falar com ele, ainda havia muita vergonha e muro entre os dois.
Ela pegou os tênis que estavam em baixo da cama de Vitoria e foi para o jardim de fininho para não acordar a amiga. Se houvesse um lugar que poderia encontra-lo seria esse, mesmo ela não sabendo muito bem o motivo. Quando chegou ao jardim deu de cara com o garoto deitado na arvore.
“Ora, ora. Tenho visitas. Ah que devo a honra, senhorita?”
“Não sei ao certo, apenas posso falar com você. Sinto- me bem falando contigo...”.
“Lembrou-se do que eu te disse ontem então”, disse ele mostrando um sorriso e logo o desmanchando.
“Não ao certo, o que disse- me ontem?”
“Talvez que eu seja seu amigo, e que sei que esta longe do seu gato...”.
“Agora lembro- me”
“Ainda bem, é vergonhoso repetir tudo isso novamente...”.
“O que aconteceu hoje, mais cedo. Entre você e a Vitoria?”
“Nada de mais”
“Não me venha com essa, disse que vai me ajudar quando eu precisar, então deixe- me te ajudar também...”.
“Por que se preocupa tanto com isso? Quer me ajudar então volte para seu quarto, e vai dormir...”.
“Se não falar- me, não conseguirei dormir...”.
“Realmente problemática”, disse ele pulando da arvore e sentando em baixo dela, tirou as folhas secas que estavam do seu lado e bateu no chão, “senta aqui...”.
“Minha roupa é branca...”.
“Então a tire e sente”
“Ora, pare de ser pervertido”, disse ela se sentando do seu lado.
“Não estou sendo, só acho que você mente muito mal. Sei que não se importa com esse tipo de coisa, não queira bancar à patricinha agora”.
“Você não conhece- me, não fale como se conhecesse há tanto tempo...”.
“Esta errada, mas isso não importa. O que quer saber?”
“Já fiz a pergunta, senhor sabe tudo”.
“Ok, não é da sua conta. Agora vai dormir”.
“Você não é assim, ate ontem você estava sendo tão bom para mim e agora isso?”, disse ela com os olhos cheios de lagrimas, “Vou para o meu quarto, não apareça mais na minha frente...”.
“Isso a deixaria feliz?”
“Você não sabe como”
“Então que seja. Não apareço mais, mas pare de chorar e prometa não entrar no meu caminho...”.
“Não estou chorando, seu idiota”.
“O que é isso saindo do seu olho então?”
“Não enche”, disse ela virando o rosto, ele puxou o rosto dela para frente e secou as lagrimas com as costas da mão.
“Para de chorar, sua otaria. Odeio ver você chorando. Por que esta chorando afinal? Não posso te falar porque discutia com Vitoria, entenda isso...”.
“Não é por isso”, disse ela soluçando.
“Por que foi então?”
“Eu não sei, seu idiota. Pare de agir como se eu fosse seu bichinho de estimação. Você disse que seria meu amigo, mas esta me tratando mal, escondendo tudo de mim”.
“O que esperava de mim? Não te falaram para não conversar comigo? Ora, cada coisa”, disse ele puxando ela para perto dele e abraçando e ela abraçou de volta, “Vou te recompensar por isso”, sussurrou.
“Como?”
“Amanha eu recompenso, por que não vai dormir agora? Se não vai ficar muito cansada amanha, e ai não vai aguentar a escola...”.
“Fica mais um pouco?”
“Esta bom, só dessa vez, mas não se acostuma”.
Ela ficou abraçada dele ate dormir, o que não demorou muito, então, ele teve que repetir todo o ritual da noite passada, dessa vez com mais cuidado para não acordar Vitoria.
Já era manha do outro dia, e Sofia estava indo para a escola junto com a amiga. Não conseguiu descobrir nada, nem resolver nada da noite passada. E que tipo de recompensa Enrique havia falado afinal? Ela não estava com muitas roupas sem estarem molhadas ainda. Então colocou um vestido laranja e florido que o pai havia lhe dado de aniversario.
“Quero ir para casa, tempo quente é bom para não ir à escola...”.
“Você diz o mesmo quando esta frio”
“Tempo nenhum é bom ir à escola... Vamos ouvir musica?”
“Talvez depois, e hoje não teremos nem as aulas da tarde então pare de drama Vitoria... Realmente”.
“Vai sair com o Castiel?”
“Ele não chamou- me para nada... Disse algo para você?”
“Disse que ia te chamar, Luca vai estar na escola hoje, isso não é ótimo?”
“Quem é esse?”
“O menino que chamou- me para dançar na festa do Enrique, nossa sala... esta lembrada?”
“Você sabe que não me lembro de ninguém da nossa sala...”.
“Também, ficou ocupada com aquele idiota...”.
“Não vou falar nada, o Luca. E não fiquei ocupada, ele é meu amigo”.
“Besta. Deve prestar atenção nas suas amizades, Enrique é muito irritante”.
Entraram na sala de aula e sentaram em suas carteiras, logo depois que chegaram um figura de sob-tudo passou pela porta e quando viu Sofia mostrou um sorriso de lado. O cabelo preto estava escondendo os olhos verde esmeralda, cansados, mas ele parecia mais feliz que na noite passada. Quando ia se sentar ao lado de Sofia, Vitoria sentou e mostrou um sorrisinho falso, ele apenas ignorou e sentou atrás dela, quando a professora entrou.
Hoje teriam apenas as duas aulas de religião, de acordo com a professora, a mulher que recolheu os pertences na entrada do colégio, na verdade eram quatro aulas com ela, mas ela começaria as aulas de treinamento especial na próxima semana.
A professora realmente era estranha, ela passou um texto na lousa e depois distribuiu livros para todos, menos Enrique, que pareceu não se importar. E de dois em dois minutos ela o encarava e depois voltava ao livro.
Ate que um bilhete caiu na mesa de Sofia, e ela já sabia muito bem de quem ele havia sido mandado.
Irritante, essa com toda certeza é a pior aula. E ira piorar com essas praticas...
Lembra-se do que disse ontem?
Sofia pegou o papel e escreveu no verso
Recompensa?
O que seria?
E tacou em sua mesa, ate que o quarto sinal bateu, não revelando a resposta que estava de certa maneira a torturando. Alguém colocou as mãos pesadamente em sua mesa. Mãos pálidas, com luvas pretas, que cobriam só a metade da mão. Quando olhou para cima viu o rosto de Enrique.
“Vem comigo”, sussurrou puxando seu braço e a levando para longe dali.
“O que vamos fazer?”
“Tour pela escola, eu sei que você não sabe onde fica as coisas por aqui...”.
“Ok”
Saíram da sala de aula e ele continuou puxando-a
“Vem logo, antes que alguém perceba”.
“Mas não estamos sem mais aulas nesse período, e as aulas da tarde não foram cancelada?”
“Sim, mas ninguém quer que você fale comigo, esta lembrada? Pronto aqui já esta longe o bastante. Vamos começar agora. Ali vimos um refeitório que só serve comida ruim, mas pode conseguir com alguns contados... Lembra-se de Marlene?”, disse ele apontando para trás onde estada o refeitório, com os dedos formando uma arma e depois que ele abaixou o dedão voltou a olhar para Sofia rindo. “Agora senhorita, ah exatamente... Quantos graus da mesmo?”, disse ele de frente para o lado de Sofia com os braços abertos e com a mão direita formando outra arma.
“180°?”
“Olha, ela sabe. Mesmo sendo ótima em matemática, aquela prova de graus que você fez as suas notas foram horríveis...”.
“Eu estava na sétima serie, agora eu aprendi...”.
“Sei, Sei. Temos a biblioteca. É enorme e tem livros de tudo que pensar... só não te levo lá agora porque a nossa querida professora Miles, de religião, é quem toma conta de lá. E como já reparou, ela me odeia...”, ele fez cara de choro depois começou a rir, o que fez Sofia rir. “Agora os dormitórios”, disse ele movendo o braço esquerdo, que estava apontando reto e deixando-o passar por trás do corpo de Sofia A exatamente, 90°, é lá que você vai achar um cara bacana que fica no quarto 46, não se esqueça de visita-lo, todos falam que ele não é gente boa, mas ele é sim... Ou não”, disse por fim rindo, “lá você também vai encontrar uma menina muito chata, irritante, que não é tão boa com graus e que é completamente linda, a pessoa mais carinhosa que conheço, acho que é quarto 44... mas ela é irritante, então só vizita o garoto”, Sofia ficou vermelha e ele continuou andando, “vem logo, ou vai perder o tour...”, disse ele pegando na mão de Sofia. “mesmo não dando para ver do outro lado, a 180°, do dormitório fica as salas de aula, e bem aqui onde estamos é o ponto 0, bom, aqui é um ginásio. Quer entrar?”
“Sim”
“Ok”, ele olhou para os lados e subiu a escada cheia de lodo e cheia de ramos de rosas, e puxou Sofia, mas falou para ela tomar cuidado para não se machucar, ele tentou abrir a porta que parecia emperrada então tirou um canivete com lamina escura do bolso e passou pela viga da porta. Depois puxou a porta que era de correr e entrou. Sofia olhou horrorizada e ele colocou o dedo na boca e sorrio como se pedisse para ela nunca contar nada daquilo para ninguém.
A sala era grande e havia uma imensa piscina no centro, cheia de estatuas de anjos e crianças rechonchudas. Algumas ate com anjos com lanças derrotando demônios.
“Gosta deste tipo de arte?”
“Não diria que gosto, acho interressante. Mas algumas são meio violentas não acha?”
“Arcanjos são violentos, não são cupidos, se bem que cupidos não são tão mansos...”.
“Esta certo, eu acho”, disse ela tirando os tênis e sentando na beira da piscina e puxar o vestido laranja para não molhar e batendo os pés delicadamente na água. “Achei que a água estaria fria, mas...”, ela foi interrompida pelo barulho de um zíper batendo no chão, e quando olhou para o lado viu Enrique já tirando a camiseta preta, exibindo seus músculos torneados, que pareciam ter sido formados apenas com esportes. Ele começou a abrir o cinto e tirou a calça jeans escuro e colocou sobre um montinho de roupa, ficando apenas de samba calção cinza quadriculado. Quando ele percebeu que ela estava olhando, ficou olhando para o chão e pulou dentro da água.
Depois de um longo mergulho ele voltou à cabeça para fora da água e se aproximou de onde ela estava e colocou as mãos na borda da piscina, perto da dela. Não antes de jogar a franja para trás deixando a mostra suas sobrancelhas pretas e compridas e seus olhos verde esmeralda tristes e penetrantes. Sofia o achou mais bonito ainda com o rosto mais a mostra.
“O que foi?”
“Por que esconde tanto o rosto?”
“Não sei, prefere assim?”
“Não prefiro nada”, disse ela ficando vermelha e olhando para o lado o que o fez sorrir.
“A água esta boa, não vai entrar?”
“Não tenho roupa de banho...”.
“Que conhecidencia, nem eu”, disse ele rindo.
“Bobo. Sabe, isso é um encontro?”
“Pense o que quiser”
“Se é um encontro, esta errado. Fui há um esses dias e acho que devia falar que eu estou bonita...”.
“Não preciso falar isso, você tem espelho no seu quarto e sabe o quanto é linda. Como é linda quando acorda como é linda quando fica nervosa, como é linda quando fica preocupada, como esta linda com essa roupa, como fica linda quando fica envergonhada e como é maravilhosa quando sorri, quando sorri para mim, essa sua luz ilumina meu coração negro. Não preciso falar que esta linda, você já é.”
“Não sei o que te falo”
“Não precisa falar nada. Não sou o Castiel, Sofia. Sou diferente, bem diferente. Vou fazer o oposto de tudo que ele fizer às vezes você ira gostar disso, às vezes não. Quem decide é você. Vai entrar na água?”, disse ele sorrindo.
Sofia tirou o vestido laranja e pulou na água, ainda estava envergonhada e ficou um bom tempo de baixo da água tentando fazer o corpo voltar à temperatura normal. Quando finalmente tirou a cabeça da água escorregou no lodo na piscina e Enrique segurou seus braços contra o peito dele.
“Já aconteceu isso antes...”, disse ele rindo.
“Mas tinha mais roupa...”.
“Mas também foi molhado...”, ele envolveu o braço na cintura de Sofia e com a outra mão ele colocou em seus cabelos loiros e a perdeu lá. E foi descendo lentamente a boca rosada para perto da de Sofia, junto com os olhos quase fechados. Quando ouviram um barulho na porta e ela se abriu, os dois se largaram e se distanciaram, quando a senhora Miles apareceu na porta, clareando a sala escura do ginásio com a luz fraca do sol do dia nublado.
“O que estão fazendo?”
“Nadando...”
“Cerimônia de abertura. Os dois para o refeitório. Francamente, vou falar com você depois senhor Santorski. Sofia você pode indo na frente, não me desaponte menina.”
Ela acenou a cabeça confirmando. Já havia saído da piscina e colocado o vestido e os tênis, e saiu correndo para a cerimônia de abertura.
Fale com o autor