Luz e Escuridão
8 Um Encontro Nada Amistoso, na Enfermaria
Notas iniciais
As coisas estão começando a ficar claras, mas nada é realmente o que parece...
Ela estava no refeitório, onde seria realizada a cerimônia de abertura. Estava morrendo de frio, enquanto ouvia o diretor da escola falando das regras e de como a escola era rígida e boa... Quando sentiu algo quente e felpudo no seu corpo, e algo pesou em seus ombros. Ela olhou para o lado e viu Enrique todo molhado, a camiseta preta estava colada no corpo e ele estava sem as luvas que não tirava por nada, mas escondia as mãos, e estava descalço. Quando ele viu que ela estava o olhando, sorriu e voltou a olhar para frente.
Depois de toda a cerimônia de abertura, ela tentou falar com ele, mas não o encontrou em local algum. E Castiel apareceu chamando a para fazer algo com ele, quando ela negou, ele olhou para o sobre tudo que ela estava usando e depois olhou em volta, de cara feia.
Desde desse dia, já fazia dois dias que ela não via Enrique. Castiel bateu em sua porta em uma noite de sábado para poderem assistir alguns filmes que ele havia levado. Depois de uma longa discutição com Vitoria decidiram que iam assistir filmes de ação. Sofia não gostava de filmes de ação, mas não disse nada. Ela estava ocupada pensando em onde Enrique estava como ele estava. Por que estava pensando nisso, ela gosta de Castiel, não era?
“Ola, Sofi, esta tudo bem? Vitoria já foi, coloquei o filme, mas parece que você não esta muito a fim de assistir... quer que eu troque o filme?”, Castiel era um rapaz doce. Seu cabelo loiro curto combinava muito bem com seu sorriso largo. Ao contrario de Enrique, ele parecia um anjo, não passava terror nem quando estava bravo.
Ele se inclinou para frente e seus lábios quase se tocaram, mas ela virou o rosto e ele ficou sem graça e voltou a assistir o filme sem dizer uma palavra.
Por que ela havia desviado do beijo que ela tanto queria, e aquele dia com Enrique ela parecia esperar tanto por ele? Queria estar com ele agora, mesmo achando que gostava de Castiel. Foi interrompida pelo bater na porta e ela foi atender. Quando estava abrindo a porta, uma mão segurou a porta, abrindo o mínimo possível.
“Esta bem?”, sussurrou.
“Estou, onde esteve todos esses dias? Estou preocupada com você...”.
“Não pude vir. Sofia, eu vou embora, vim me despedir...”.
“Não vai não, onde você estava querendo ir?”
“Querendo não, eu vou...”.
“Não, não vai”.
“Por que se importa tanto, Castiel deve estar moscando num sábado desse, vai atrás dele, talvez ele marque alguma sessão de filme...”.
“Estamos assistindo filme nesse momento...”.
“Viu, vai ficar bem. Agora tenho que ir, se cuida”.
“Você não esta nem bem... Esta mais pálido que o de costume e seus olhos estão tão fundos. Seu cabelo esta todo bagunçado”, disse ela mexendo no cabelo dele tentando arrumar, ate que ela foi surpreendida por Enrique pegando e beijando as costas de sua mão e sorriu.
“Não se preocupe comigo, se preocupe primeiro com você”, ela ficou nas pontas dos pés e o abraçou bem apertado e ele abraçou de volta.
“Sofia, esta acontecendo alguma coisa? Ah, é você Enrique...”.
“Oi Castiel, estou indo já. Só vim me despedir...”, disse ele tirando os braços de Sofia que estavam envolvendo seu pescoço, e indo para trás meio bambo e segurou na parede para não cair. “Tenho que ir...”.
“Você não esta bem, não seria melhor ir à enfermaria?”
“Estou ótimo”, disse ele sorrindo.
“Ora seu maluco, o que aprontou?”, disse Castiel tentando pegar no braço de Enrique.
“Não rela, por favor,”, disse ele tentando desviar o braço.
“Miles? Por isso seu cabelo esta molhando. O que ela fez?”
Os olhos dele começaram fechar e de repente ele desmaiou na frente dos dois.
“Agora temos que leva-lo para a enfermaria”, disse Castiel pegando e passando o braço de Enrique pelo seu pescoço e começou a descer com ele pelas escadas.
“Deixa eu te ajudar?”
“Melhor não, pode nos acompanhar se quiser...”.
Quando chegaram na enfermaria, chamaram a enfermeira e ajeitaram-no em uma maca. Uma sala separada só para ele, depois que Castiel chamou a enfermeira e conversou alguma coisa longe de Sofia. A enfermeira arrumou o quarto pequeno, e colocou o soro no braço dele, depois de o medico vir e conversar com Castiel. Sofia não saiu de perto de Enrique por nem um segundo, e mesmo perguntando para Castiel o que estava acontecendo, ele apenas a olhava triste e falava que Enrique ia ficar bem logo.
Depois de um longo tempo, enquanto Castiel ainda falava com o medico do lado de fora do quarto. Sofia sentou em um banquinho de madeira perto da maca e pegou na mão de Enrique, e sentiu-o apertando a mão dela de volta. Ela olhou para cima e viu ele com um sorriso fraco.
“O que esta fazendo aqui? Desculpa estragar seu filme...”.
“Vou cuidar de você, seu bobo. O que aconteceu realmente? O filme estava chato...”.
“Era filme do que?”
“Ação”
Ele riu
“Mas você odeia filme de ação”
“Exatamente o que eu pensei... Espera como sabe?”
“Esta na sua cara isso. Não estou te machucando?”
“Am?”
“Nada, senti tanto sua falta...”, ele não conseguiu acabar a frase, e desmaiou, quando ela sentiu algo no chão, como se fizessem jogado água em baixo da cama. Quando ela olhou viu o liquido vermelho e grosso que descia da cama e pingava no chão.
“Ai meu Deus!”, disse ela tampando a boca. Ate que correu ate a porta e abriu e começou a gritar pedindo socorro. O professor de Historia, veio correndo junto com Castiel.
Castiel quando viu o sangue levantou o corpo do rapaz e viu que saia das costas.
“A coisa esta feia senhor Files”
“Castiel... Tira daqui... Tira ela”, falava falhadamente Enrique.
“Ok. Ouviu o rapaz, né mocinha? Depois você volta, por favor,”.
“Mas”
“Por favor”
“Depois eu volto”
Sofia saiu e ficou no corredor aflita. Logo depois que ela saiu o professor fechou a porta e ficou olhando para Castiel. Enrique olhou para ele e ergueu a cabeça, logo depois disso Castiel saiu de perto meio que correndo. Ele deitou novamente na cama e pareceu mais relaxado quando algo cobriu a sala. Enrique tinha asas. Mas não era asas de anjo. As penas compridas e afiadas como laminas cobriam a sala. As pontas eram negras e a parte de cima era branca. O negro não parava de subir como fogo e ia escurecendo e queimando onde tocava, e de lá ia descendo o sangue.
“Estou cansado”, disse ele sorrindo.
“Do seu teatro de bom samaritano?”
“Ora, eu sou um cara legal...”.
“Esta mais para garotinho mal”
“Assim você corta meu barato, Ariel”.
“Não venha com essa, moleque, o que pensa que esta fazendo? Deve ter aprontado uma para Miles ter te dado esse tratamento de choque...”.
“Se fosse de choque estava bom, aquela velha nojenta ficou me torturando com aquele palitinho de dente dela, porque me recuso a dizer que aquilo é uma arma”.
“Rick, da um tempo cara. Sabe como ela é, tem que tomar cuidado. Sua situação só esta piorando...”.
“Espera eu melhorar que eu quebro a cara dela...”.
“E como vai ficar quando Sofia descobrir o que você é?”
“Não precisam ficar me lembrando disso”, disse ele virando de lado e puxando o lençol tampando o rosto e guardando as asas que já haviam parado de queimar. “Quero ficar sozinho”
“Menino, eu sei como se sente, e a culpa é toda minha não devia estar passando por isso...”.
“Sai daqui! A culpa é toda minha e de mais ninguém! Sai daqui seu velho e você também seu esnobe metido a besta, não sei por que me ajudaram, sumam daqui!”
“Rick, espera a gente...”.
“Ela te ama, cuida dela. Agora, vão embora”.
“Pode deixar que eu cuido. Vamos Ariel”.
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