Luz e Escuridão
17 O Plano de Vitoria
Notas iniciais
E me desculpem só estar postando agora...
Feliz dia das crianças! Porque todos nos somos eternas crianças lol
Bjos ate a próxima.
Já era dez da manha, Sofia estava deitada de bruços em sua cama com a cara no travesseiro, balançando as pernas lentamente. Vitoria estava sentada de pernas cruzadas enquanto pintava suas longas unhas da mão de preto.
“Fale de novo, dessa vez levanta essa cabeça do travesseiro, talvez assim eu entenda o que você esta falando”, dizia a amiga tentando não perder a paciência com Sofia.
“Ontem estava com Enrique, e ele não é o que parece ser eu não conheço aquilo que ele é, eu...”.
“O que tem de mais dele ser um demônio? Você gosta dele afinal, eu me lembro daquele quiz como se fosse hoje... Simplesmente você é gamadinha por ele, fiquem juntos logo”.
“Qual o problema em ele ser um demônio? Todos, ele é um demônio, e não é só isso, acho que ele estava estranho, eu gosto de Enrique não daquilo que ele virou”.
“Ai, que menina problemática. Você acha demais, sabia?”.
“Não entendo por que esta do lado de Enrique agora, você sempre foi do tipo que torcia para Castiel”.
“Você disse certo, torcia, não torço mais para ele, você e Enrique foram feitos um para o outro, esses olhos de cupido não mentem”.
“Não te entendo... A outra parte seria que Castiel me beijou, na verdade eu deixei... Sinto-me tão culpada por causa disso... Não devia ter deixado talvez eu esteja gostando dele, mas eu gosto tanto de Enrique, mas não do que Enrique virou. Ahhhhhhhhhhh”, disse Sofia abafando o som dos gritos e das duvidas no travesseiro. “Quero meu gato”, disse ela fazendo bico enquanto apertava o mais o travesseiro.
“Ai Sofi, não chora”, disse ela se levantando e sentando na cama da amiga, ainda com os dedos abertos, já havia acabado de passar os esmaltes e aguardava que eles secassem enquanto soprava.
“Eu rasguei o vestido que fez para mim, esta brava comigo?”. Disse Sofia fazendo mais bico ainda, com os olhos cheios de água.
“Eu faço outro depois, meu Deus, não chore, não posso te abraçar ainda. Espera uns 5 minutos, ai pode”.
Isso fez Sofia rir e ela abraçou a amiga.
“Minhas unhas já secaram, tenho um presente para te fazer melhor”, disse ela mexendo em seu baú, pegando um vestido xadrez rodado, vermelho vinho e preto. “Sua cara, e a costureira foi de primeira, posso garantir”, disse ela piscando, “Se troca que temos que sair...”.
“Não quero ir à aula hoje!”.
“Quem disse que vamos para a escola...”.
“Deixar eu por este vestido”, Sofia disse levantando, foi ate o banheiro do quarto, e colocou o vestido, que lhe caiu muito bem, colocou seus all star vermelhos, pois os pretos estavam cobertos de lama. E saiu com a amiga em um passeio, para ela, sem destino definido.
Andaram, por um caminho que Sofia nunca havia visto antes, era um lugar bonito, e fechado e Vitoria conhecia muito bem ali, pois para Sofia parecia tudo igual. Ate que chegaram onde havia muito mato e Vitoria passou a mão na parede coberta de folhas e achou uma porta de madeira, tirou uma corrente do bolso da calça jeans cheia de spikes, e abriu a porta. Ela passou e pegou no braço de Sofia e a puxou. Sofia estava com um mau pressentimento sobre aquilo, mas ficou quieta.
“Aqui estamos, é um lugar incrível, não?”, disse ele sorrindo e colocando a chave por dentro do decote da camiseta vermelha, “Para falar a verdade, acho esse lugar macabro, e horrível, mas o céu a noite é lindo, não posso negar isso”.
“Obrigado”, disse uma voz rouca, que Sofia conhecia muito bem, mas rezava para que não fosse quem ela estava pensando.
“O que estamos fazendo aqui?”, perguntou ela olhando para os lados e reconhecendo o lugar, era o mesmo lugar em que Enrique a havia levado. Por que ela estava ali? Por que Vitoria havia uma chave daquele lugar? O que estava acontecendo?
Sem pensar duas vezes, Sofia se viu batendo na porta desesperada, com a esperança de sair dali. Mas tudo estava sendo em vão. Ela começou a bater e gritar por socorro. E a amiga falava para que ela parasse de gritar, e escutar. Mas não estava dando muito certo. Ate que ela sentiu um aperto forte dos braços, ela bateu a mão se soltando, e virou para frente, com a esperança de correr para o outro lado do lugar, mas logo foi pega pelos braços novamente e foi forçada na parede.
“Por favor, pare, nos escute. Não precisa me escutar, mas pelo menos escute Vitoria, pode confiar nela, não estou forçando-a a falar nada sobre mim, mas ela fez questão de te trazer aqui. Então-lhe dei a copia da chave, mas não pense que é outra coisa”, sua cabeça estava baixa, fazendo com que Sofia não visse o rosto do rapaz, mas ela conhecia aquela voz rouca e serena. E as roupas escuras.
Sofia estava corada, havia se lembrado da vez que foi beijada pelo rapaz, na noite passada, queria tê-lo por perto, mas ao mesmo tempo odiava a ideia. Talvez Vitoria estava certa, ela não devia parar de gostar dele, só pelo fato dele ser um demônio. Mas aquilo ainda soava esquisito
“Como você sabe onde era o esconderijo de Enrique?”
“Estava passando com Luca, em uma tentativa inútil, te tentar fazer com que ele me percebesse. Ele é ocupado demais olhando as outras nefilim ao redor. Ate me disse de uma que ele esta apaixonado, mas voltando. Estávamos passando e ouvimos barulho de choro, então eu consegui entrar, mas Luca não...”.
“Por que Luca não conseguiu entrar?”.
“Ariel, é um anjo da guarda, é totalmente impossível à entrada dele aqui, o que por usar uma grande contida de poder, acaba que impedindo quaisquer outros anjos da guarda”, explicou o demônio.
“Bom, continuando a estória... Entrei e Enrique estava aos prantos, me contou uma estória sobre o passado, de vários passados por sinal, e acabei que ficando do lado dele na estória toda. Quis ajuda-lo por isso, falei que iria trazer você aqui, para que pudessem conversar, mas Ariel achou o lugar e não sei como, conseguiu entrar aqui...”.
“Ora, ele já sabia onde ficava, e estou meio fora de forma, por isso ele conseguiu entrar...”.
“Mas ate Luca não conseguiu entrar, de tão forte que estava o encantamento, como ele conseguiu...”.
“Eu deixei Sofia, eu deixei”, disse o rapaz apertando mais os braços da garota.
“Por que deixou? Esta abatido o que ele fez com...”.
“Nada, apenas falou algumas coisas, não que eu já não sabia de tudo, mas...”, Sofia viu uma lagrima do garoto molhar os seus all stars vermelhos. Ela não sabia o porquê, mas não queria deixa-lo chorar, e a sensação era diferente da que ela havia sentido por Castiel, na noite passada. Não era aquele sentimento de pena do amigo, de culpa. E sim uma dor no peito, sem explicação, como se ela quisesse pegar a dor dele para ela.
“Não esperava ouvir dele...”Completou ela.
“Isso” confirmou o garoto a Sofia, soltando um pouco seus braços e erguendo a cabeça, permitindo que a garota o olhasse. Seus cabelos negros estava curtos. Mostrando suas sobrancelhas escuras e arqueadas estava erguidas, como se ele estivesse surpreso. Seus olhos estavam vermelhos, como se ele estivesse chorando por muito tempo, e o verde de seus olhos parecia mais intenso. Sofia sentiu uma sensação nostálgica quando viu aquilo. Algo que ela não sabia explicar direito.
“Eu te conheço!”
“Claro que me conhece Sofia, ora. Estuda comigo, e me beijou ontem, se é que se lembra disso...”.
“Não Enrique, eu te conheço e não é daqui...”.
“É, o menino que te ajudou com os cadernos quando era pequena...”.
“Não é isso Enrique!Eu sei que tem algo mais...”.
Ele parecia assustado, e com certo receio pela agitação da menina...
“Talvez, seu gato...”.
“O que???Você é meu gato? O tanto que eu te abracei e o fato de ter me arranhado, ora seu...”.
“Sem raiva por favor, queria ficar perto de você...E eu te protegia, olhando de perto...Depois que me proibiram...”.
“Espera, o que você disse?”
“Que não é para você ficar com raiva?”
“Não, depois disso...”.
“Ah...Queria ficar perto de você?”
“Depois”
“Que eu te protegia, te olhando de perto?”
“É isso, você ficava na minha escola, eu já te beijei antes, há muito tempo atrás...”.
“Foi na bochecha”, disse ele sem graça.
“Mas beijei”
“Para tudo, como assim? Você é o gato dela? E como assim essa estória de ela te beijar??”, perguntou Vitoria pulando, querendo saber detalhes das estória dos dois.
Eles se conheciam há muitos anos, e Sofia nunca soube.
Ele sempre esteve ao seu lado.
Ele a protegia.
Ela tinha um demônio da guarda e nem ao menos sabia.
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