Luz do Luar

3 Receita de Assassinato III


Depois da reunião mensal dos representantes de classe eu olhei a representante feminina sair da sala com pressa e voltei pra nossa sala.

Chegando na sala vazia, me preparei para sair. Como eu não estava em nenhum clube, não tinha nada pra fazer na escola. O que faltava era ir pra casa e se preparar para o meu trabalho de meio período.

Quando levantei da minha cadeira, notei um caderno universitário no chão. Imediatamente vi de quem era. Na pagina frontal havia escrito “Youko”.

Eu olhei pros lados, mas ela não estava. Decidi colocar na carteira dela antes de sair.

Mas quando ia colocar, vi um pedaço de papel um pouco fora do caderno. Peguei o papel, pensando nada e puxei.

“...agora isso é inesperado,” Eu falei sem querer.

Era uma folha A4 dobrada. O “título” escrito não combinava com a Youko que todos falavam e nem com a minha imagem pessoal dela.

Depois de ter certeza que ninguém estava olhando, guardei na minha mochila. Fiz isso porque pensei que ia demorar um tempo para ler o texto bem escrito.

Pode-se dizer que não resisti a tentação.

Não, naquele momento não senti nenhuma culpa. Era apenas pura curiosidade.

Eu não tinha nada contra vinho. Pra começar, não podia julgar sem ter tomado um gole. É minha ligação com a bebida familiar que me fez perder a cautela com a bebida desconhecida.

Resumindo, eu só estava interessado no vinho que todos elogiavam.

“Certo, agora que tipo de segredo nossa ídolo podia ter?”

Sai da sala como sempre fiz.

Era pouco depois das 10 da noite quando cheguei em casa depois do trabalho na lanchonete.

Quando cheguei, tinha me esquecido sobre o papel. Estava ansioso pra ler o conteúdo, mas os diversos estímulos na lanchonete fizeram a existência ficar no canto da minha memória.

Gostava de observar as pessoas. Até pode-se dizer que é meu hobby.

Parte do motivo que eu trabalhava em uma lanchonete era certamente porque gostava de café, mas mais do que isso era eu poder encontrar diferentes tipos de pessoas que eu achava interessante.

Uma mulher jovem que sempre senta no mesmo lugar e fica olhando pra fora. Um homem no ápice de sua vida que troca a garota ao seu lado em toda visita. O relacionamento caloroso de um casal que está apaixonado por meio ano. E muitos outros.

Era algo que exaltava minha imaginação – meu passatempo preferido.

Porém na realidade, eu não era diferente do Genji e companhia. Eu, também, era um jovem ordinário de 17 anos. Eu não queria saber a verdade. Simplesmente queria desfrutar as minhas fantasias.

Estava relaxando, no banho quente, quando lembrei da folha que peguei no colégio.

Com meu corpo ainda quente deitei na minha cama e desdobrei o papel. Enquanto me segurava para não apressar as coisas, lentamente olhei para o título.

“Receita de Assassinato”

Parecia que estava lendo um livro de mistério de um autor famoso. Talvez era por causa do título que parecia ser de um livro.

Um pedaço de papel que estava no caderno da pessoa que todos falavam—Youko.

Os rumores sobre a vida amorosa dela não tinham fim, mas sua imagem ainda permanecia a mesma. De jeito nenhum a palavra “assassinato” combinava com ela.

Quem sabe esse foi o fato que me deixou curioso. Contrastes como esse têm um tipo de magia que atrai você – seja por bem ou por mal.

Meu olhar estava absorvido no texto. Fiel ao seu título “Receita de Assassinato”, introduzia várias formas de matar alguém.

Percebi que partes do texto estavam apagadas e corrigidas, indicando que a receita foi revisada várias vezes. Eu praticamente podia sentir a respiração da pessoa que escreveu essas letras bagunçadas. Tinha algo vívido, por assim dizer.

Lendo, descobri que todas as formas de matar tinham algo em comum.

O principal objetivo era eliminar o alvo sem sujar suas mãos. Não era um texto de um humano louco pra matar – e sim que colocava o ato de matar na mais alta prioridade.

“...ela realmente está querendo ser uma autora de mistério?”

Esses pareciam exatamente truques de uma estória de mistério. Mas, eles eram mal escritos e eram longe da perfeição.

Para ver um exemplo: tinha um jeito de matar chamado “A Receita de Assassinato, Simulando um Acidente de Trânsito”. O conteúdo era bem simples.

Em uma estrada na serra.

Distrair o motorista de algum jeito.

Fazê-lo perder controle do carro.

Estava escrito em asteriscos desse jeito. Tinha asteriscos adicionais como “Ligar para o motorista para fazê-lo perder a concentração?” ou “Colocar um obstáculo na estrada?” que eram colocados espalhadamente.

Como se pode ver, as chances de dar certo são bem baixas. Talvez ela ainda estava coletando várias idéias, tentando aperfeiçoar?

O risco era reduzido para o mínimo, mas não via chances de dar certo. Podia ver ela tentar, mas esse era um plano fraco se ela realmente fosse matar alguém.

Joguei o papel na mesa.

Tendo altas expectativas, a decepção foi grande. O conteúdo infantil da receita matou meu interesse.

“Isso estragou meu tempo depois do banho.”

Depois de reclamar, fui à minha estante pegar um verdadeiro livro de mistério e remover mau gosto.

“...não, espera um pouco.”

Mas parei minha mão e comecei a pensar. Um novo pensamento levantou meu espírito novamente.

Quem era o dono da “Receita de Assassinato”?

Era a Youko.

E se, hipoteticamente falando, ela tenha escrito porque ela queria matar alguém...? Isso fazia o texto bagunçado parecer um pouco realístico.

Deixando de lado o motivo, tinha uma pessoa que a Youko queria matar e ela desesperadamente escreveu um plano para isso acontecer.

A Youko tinha! A perfeita, estilosa, bonita, inteligente “Youko” que todos adoravam.

E ela tinha mudado um plano imaturo, várias e várias vezes.

“...ora, isso não é adorável?”

Se isso fosse verdade, eu imediatamente seria um fã dela.

Minha imaginação estava trabalhando. Comecei a pensar em todos os tipos de perguntas, como quem era a pessoa que ela queria matar, um potencial motivo e sua verdadeira personalidade. Fiquei pensando nesse jogo até o sol nascer do leste