Luz do Luar
4 Receita de Assassinato IV
No dia seguinte fui para o colégio mais tarde que o normal.
Na hora que entrei na sala, a maioria dos colegas estava presente. É claro que a Youko estava entre eles.
Enquanto ia pro meu lugar, secretamente olhei para ela. Ela estava arrumando sua carteira. Ao menos para os outros isso parecia uma ação completamente normal.
Não pra mim.
“Bom dia, Youko.”
Cumprimentei-a como sempre. Ela parou de olhar para a carteira, inclinou sua cabeça e olhou para mim usando o pequeno dedo dela para tirar seu elegante, grande cabelo da sua face.
“Bom dia, Nonomiya.”
Ela mostrou um sorriso maduro como sempre.
Normalmente, nossa conversa teria terminado ali. Nós só se conhecíamos o suficiente para se cumprimentar.
“Você está procurando por algo?”
Mas, nessa manhã eu não queria terminar ali. Minha curiosidade estava me incomodando, pois eu suspeitava que ela estivesse procurando a “Receita de Assassinato”.
Eu olhava intensamente para ela, sem querer perder um movimento.
“Não, eu só estou arrumando minha carteira.”
Infelizmente, o seu sorriso continuava o mesmo.
Eu disse para ela, “Entendo,” e fui para meu lugar, pensando como a realidade era tão chata comparada à imaginação.
“Mas...,” ela de repente me chamou de costas, “por que pensou que eu estaria procurando por algo?”
Eu estava desesperado em não ficar com um largo sorriso.
Era um sentimento de como se a presa tivesse pulado facilmente na minha armadilha. Qualquer que seja o sentimento dela, eu estava ficando animado só por esperar um desenvolvimento divertido.
“Não, nenhum motivo em particular,” eu virei para ela, bancando o idiota. “Mas me deixe retornar a pergunta: por que perguntou?”
Eu decidi explorar pouco a pouco.
“Eu também não tenho algum motivo.”
“Percebo.”
Na minha frente só tinha o sorriso maduro sem mudanças. Senti o desejo de fazer o sorriso congelar, mas não pretendia chegar a falar sobre o núcleo ainda. Pensei que era melhor deixar meu trunfo para o final.
“Mas se...,” comecei “se estiver com problemas, fique à vontade para perguntar algo caso precise de ajuda.”
“O que foi, Nonomiya? Eu não lembro de você ser tão gentil?”
“Sou mais gentil do que você pensa, isso eu garanto.”
“Eu peço seu perdão. Da próxima vez me lembrarei.”
“É claro que o fator decisivo é fazer uma garota de tanta popularidade ficar endividada comigo.”
Youko deu uma risadinha.
“Obrigada. Então vou diretamente consultar você, Nonomiya, caso eu esteja com algum problema.”
Youko sorriu com seus olhos quase fechados.
Não parecia que ela estava escondendo algo. Não vou negar a influência do meu pensamento positivo nesse assunto.
Nossa conversa terminou porque o professor apareceu na sala.
Meu humor até que esta bom hoje. Genji e seus amigos foram chatos quando vieram perguntar sobre a minha conversa com a Youko no intervalo, mas considerei isso uma boa colheita porque descobri o quanto pode ser emocionante e divertido conversar com ela.
Bem, na verdade era só eu saboreando a emoção produzida pela minha própria fantasia.
Ainda assim, era bem melhor que a chata realidade.
Sem nenhum progresso ou uma nova informação, minha rotina pacífica continuou e quando percebi duas semanas haviam se passado desde que achei a receita de assassinato.
Como não tinha nada para animar minha imaginação, minha excitação chegou ao fim e eu estava para esquecer a própria existência da receita.
Porque estava segurando meu trunfo, o jogo parou quietamente e lentamente. Realmente era uma situação patética.
Mas, uma mudança aconteceu repentinamente.
Quem sabe... O jogo ainda nem começou.
Fui para a escola como sempre e a sala estava barulhento. Mas a Youko não estava em lugar algum. A cadeira dela estava vazia.
Estava confuso, mas a resposta não demorou a chegar.
“Ei, 'Nono'! Você ouviu?”
Era o Genji.
“Não posso dizer que escutei.”
É claro que não tinha ideia sobre o que ele estava falando porque a frase dele não tinha o objeto.
“Alguém da família da Youko morreu.”
Senti meu batimento acelerar.
“Quem?” perguntei suprimindo a excitação.
“O pai dela, pelo que parece. Foi em um acidente de trânsito. Youko tem minhas simpatias...,” respondeu a Chizuru com um rosto triste.
“Realmente, sinto pena dela. Pra perder um pai nessa idade, é...”
Diferente do seu comportamento normal, até mesmo o Genji demonstrou um ar pesado. Isso deve ser a reação normal.
“...Certamente. Vamos todos apoiar ela.”
Mas, respondi com diferentes emoções dos outros. Youko, acidente de transito, morte – esses eram as palavras-chaves que me ligaram diretamente a receita de assassinato.
Suprimindo desesperadamente o sorriso que ia fazer.
Está ficando interessante.
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