Luz do Luar

13 No Café IV


Nosso café não era muito grande: tinha oito mesas e seis cadeiras no balcão. O pessoal era composto por 5 pessoas, duas atendiam a clientela enquanto os outros trabalhavam na cozinha. Mas eu gostava muito daquela atmosfera tranquila e confortável.

O astral daquele café era mantido pelas antigas mesas e cadeiras devidamente escolhidas. As variadas decorações de bom gosto aparentemente haviam sido selecionadas pela esposa do gerente. A propósito, o nome do café fora tirado do nome dela.

Como o Victoria era localizado no primeiro piso de um edifício de vários andares próximo à estação e tinha um interior que agradava às mulheres, vinham aqui, comparativamente falando, muitas jovens, como secretárias e colegiais.

Quando fui pegar seu pedido, Youko me examinou da cabeça aos pés.

"Seu uniforme de garçon é muito elegante."

"Garçom" deveria ser o termo correto para se referir a este cargo considerando que o café era projetado no estilo Britânico, mas a versão em frânces, "garçon", aparentemente era mais comum aqui.

Já que julgara isso muito trivial para corrigi-la, apenas a agradeci casualmente com um sorriso.

"Obrigado", e adicionei: "O café combina com você."

Youko sorriu e respondeu:

"Obrigada."

Eu estava sendo honesto. Uma bela garota em um café sempre faz um bom cenário.

"Os funcionários são bem animados, não são?"

Ela olhou para a cozinha.

"Dava pra ouvir o barulho daqui? Isso com certeza é um problema para uma cafeteria ou restaurante."

Coloquei um copo de água e uma toalha úmida sobre a mesa.

"Mas parece divertido."

"Não estou tão certo quanto a isto. Alguns começam até mesmo a chorar de vez em quando. De qualquer forma, eu confio no nosso estabelecimento. E nenhum dos nossos pratos deixa a desejar."

"Entendo. Então eu vou querer uma xícara desse café. E, por favor, adicione um confeitado que você recomende ao pedido."

"Então, que tal nosso prato da casa mais uma torta de maçã feita a mão do dono?"

Já que Youko concordara, me inclinei respeitosamente e disse:

"Certamente."Eu repassei o pedido para o pessoal da cozinha.

"Você certamente é um cara hostil." Suenaga fazia caretas em vez de comida.

"Você acha? Na verdade eu estou tentando ser o mais amável possível quando atendo os clientes."

"E quando isso acontece? Para mim, não tem diferença nenhuma. Sério, o que a faz gostar de um cara como você?"

Sua sobrancelha levantou-se enquanto ela ceticamente checava Youko.

"Esqueci de mencionar, mas ela não é minha namorada."

"Ela não é?"

"Não. Apenas uma colega."

"Então me diga o que o que essa bela colega quer de você."

"Não de mim, do café. Aparentemente ela é fã de cafés." Uma vez que não existiria mérito nenhum em contar-lhe a verdade, eu apenas inventei algo.

"Só por isso? Que chato."

"Como sempre, você é tão egocêntrica que quase chega a ser animador. Eu tinha plena certeza de que você ficaria irritada mesmo se ela fosse minha namorada."

"É animador porque sou honesta! Para começo de conversa, eu acho que deve ter algo de errado com aqueles que ficam contentes pela felicidade dos outros. Eles, ou são hipócritas, ou então devem estar planejando alguma coisa."

"Uma opinião adorável carregada de preconceito, devo dizer." No entanto, eu não era tão indiferente quanto aparentava. Sendo sincero, na minha mente eu até que concordava com ela. Seria por causa da minha personalidade distorcida?

Senti a vontade de perguntar a ela o que era “certo” na sua opinião e que era “errado” do ponto de vista de qualquer outra pessoa a respeito de um determinado assunto.

"Suenaga, posso a perguntar uma coisa?"

"O que é?"

"O que você pensa de uma pessoa que não lamenta sua própria infelicidade?"

"Soa estranho para mim" respondeu rápida e ríspida, como um tiro. "A infelicidade é chamada assim porque faz você ficar triste, não é? Se você não fica triste, então não pode chamar isso de infelicidade."

"Entendo."

Dessa vez realmente mostrei como estava de acordo com palavras. Lancei um olhar de soslaio para Youko.

Cansada de esperar ou simplesmente interessada na decoração do café, ela olhava a loja ao seu redor. Aparentemente, o conjunto de gatos de cerâmica branca e vidro escuro estava ao seu gosto. Ela se levantou e foi examinar mais de perto.

Quem no café iria supor que ela era na verdade uma desafortunada garota que perdera seu pai recentemente? Acredito que ninguém.

Ninguém jamais conseguiria vê-la emocionalmente instável. Ela sempre parecia calma e madura.

Não sei se ela propositadamente controlava seus sentimentos ou se simplesmente não era do tipo de pessoa que os mostrava, mas, para mim, ela não parecia triste de forma alguma.

É claro que não era impensável que ela simplesmente não queria preocupar as pessoas ao seu redor e estava desesperadamente escondendo sua tristeza. Ou talvez que isso fosse uma reação normal para uma garota que passa por esse tipo de choque. Afinal de contas, o finado não retornaria, e ficar de luto para sempre não pode ser chamado de saudável.

Mas esses eram apenas fragmentos de teoria. É realmente possível alguém lidar com seus sentimentos em tão pouco tempo? Especialmente com a tristeza?

Eu relembrei das palavras da Suenaga. De fato. Isso parecia suspeito.