Luz da Lua
1 1. Colar da Lua.
Notas iniciais
Os sombrios olhos negros de Henry me seguiram por semanas. Na escola e quando eu ia para casa. Estava cansada de fingir, ser uma humana normal voltando para casa que não estava sendo perseguida por um sociopata de áurea maligna. Como eu sabia disso? Posso sentir sua áurea negra a metros de distância. Mas ser sensitiva não foi uma escolha minha, Sandy sempre disse que puxei isso de minha mãe. Já estou muito a fim de prensa-lo na parede e perguntar o que eu tinha que ele queria tanto.
Pensei em meu colar da Lua, mas por mais que ele não fosse um humano qualquer, apenas eu e minha irmã sabíamos sobre o colar.
Apressei o passo e meu gato que me seguia a quase todo momento, como de costume, apressou também. Suas pequenas patinhas negras eram muito ágeis.
Faltavam apenas dois becos e uma rua para chegar em casa e o que Henry acha? Que sou cega? Surda? Que não o perceberia.
Agora faltando cinco ou dez passos para chegar na porta do prédio. Enquanto eu estava atravessando a rua uma luz forte, cegou-me por alguns segundos. “Uma caminhão” pensei. Não, mas era pior do que isso, eu devia estar maluca ou algo assim, mas vi um cão enorme do tamanho de um urso correr em minha direção rapidamente. Segundos antes de ele me alcançar fui empurrada para escada da faixada do prédio.
Henry. Ele havia me empurrado. Estava parado no meu antigo posto com seus cachos caindo sobre os olhos. Desarmado. Pelo menos não vi nenhuma arma visível. E o animal monstruoso pronto para cravar-lhe as garras do tamanho de minha mão em seu peito.
–Melanie, corra! –Gritou. Foi à primeira vez que ouvi a voz dele.
Pensei por um segundo. Nada posso fazer. Ficar olhando o bicho matar Henry, depois me comer como sobremesa e usar meu gato Luke, para palitar os dentes. Acho que não. Abri a grande porta dupla e bati na primeira porta que vi enlouquecidamente.
Um cara forte, vestindo uma regata estampada com um emblema de academia, abriu a porta com os olhos arregalados. O que eu iria dizer? “Hey, tem um cachorrão gigante comendo um cara maluco da minha escola.”
–Ahm... Meu amigo está sendo atacado por um cão. Preciso de... Alguém forte para me ajudar!!! –Tentei estupidamente convence-lo. –Por favor!
–Hmm... Tudo bem...
Puxei a mão dele o levando para rua.
Chegando lá Henry não estava mais. E o cão também não. Henry foi comido? Meu queixo caiu e o cara me encarou como se eu fosse louca. Talvez eu fosse mesmo.
–Ahn... Quer saber... me desculpe. Ele... Ele deve ter corrido.
Eu devia estar cansada, apenas isso. Tirei meu único 30 reais da mochila e entreguei ao cara.
–Foi mal por te atrapalhar e desperdiçar seu tempo...
Coloquei o dinheiro na mão dele e entrei. Subi cada degrau me sentindo uma grande idiota. Com os braços moles e cabeça baixa.
Girei a chave no quinto andar e abri a porta. Sandy, minha irmã, estava na lanchonete do Tio Kellan, trabalhando. Já eram meia noite ela ficaria lá até as 3:00 da madrugada hoje. Eu devia estar sozinha até que ela chegasse. Luke entrou primeiro e sibilou para o sofá. Ao levantar a cabeça olhei para frente e vi Henry desmaiado no sofá, com sua camisa rasgada pelas garras da fera. Deixei minha chave cair ao me sobressaltar. Então foi real, não sou louca!
Fiquei receosa de me aproximar, mas ele estava ferido, precisava de ajuda ou podia morrer de hemorragia. Várias perguntas inundaram minha mente, mas tive de agir.
Vasculhei meu cérebro procurando minhas aulas de primeiros socorros q tive no judô e algumas dicas de programas da Tv. Peguei alguns utensílios que seriam necessários. Coloquei-o no chão delicadamente do melhor jeito possível sobre o tapete. Rasguei sua camisa e a tirei. Lavei as mãos. Com água e sabão limpei suavemente seu peito e abdômen definido delicadamente.
Não esperava que por baixo de seus moletons que costumava usar na escola, Henry fosse tão... Tão perfeito e atlético... Com um pano limpo, estanquei o sangue, o corte não foi tão profundo quanto imaginei, ele dera sorte. Limpei novamente e sussurrei:
–Não me odeie.
Coloquei a agulha em sua pele. Ele fez uma careta ainda de olhos fechados. Não sabia se ele estava acordado, mas torci para que não estivesse. Terminei de dar os pontos.
De repente ele segurou minha mão e tirou a agulha de seu peito. Fiquei parada perplexa olhando em seus olhos, assustada. Ele tirou um frasco do bolso do jeans preto e tomou uma gota de um liquido dourado.
–Obrigado. –Ele disse roucamente.
Não deixei de reparar, o ferimento em seu peito havia cicatrizado. Fiquei ainda mais espantada.
–O que? O que? – Foi apenas o que consegui balbuciar.
–O tempo está acabando. Tenho que lhe dizer logo... Mas não posso... Não posso assusta-la. –Henry falava sozinho enquanto andava de um lado para o outro.
–Assustar?! Acho que aquele cãozinho já conseguiu faze-lo hoje.
Ele me encarou por um instante. Não queria ter ele andando por minha casa por mais nenhum segundo, mas ele tinha explicações para me dar.
–Você é a pertencente do colar da lua...
–Ah, não! Espera ai. É só um colar. Ele brilha às vezes, sim. Mas
não tem nenhum valor, além do sentimental. Na boa.
–Você não sabe sobre a profecia do colar?
Franzi o cenho.
–Te digo o que quiser sobre meu colar se me explicar o que aconteceu lá embaixo. –Disse ainda nervosa.
Ele parou para pensar em sua resposta.
–Ele queria seu colar.
–E precisava tentar me matar?
–De preferencia.
–Porque um cão imenso iria querer meu colar? E como você sabe disso? –Perguntei rapidamente.
–Não temos muito tempo, o portal fechará em dois dias. Estou criando coragem, para te solicitar a dias... Não encontrei um modo mais simples de te dizer. –Ele sentou no sofá. –Me responda logo o que sabe do colar.
–Você é doido! Sai da minha casa! –Disse furiosa a ele. Estava começando a ficar com medo.
–Não sou doido, Melanie. Você não viu meu peito? –Ele passou a mão sobre a cicatriz. –Este liquido é da minha terra. Da fonte das Ninfas.
–Fonte das Ninfas? Há! Quero conhecer Jack Sparrow. –Em minha voz transbordava o sarcasmo.
–Que Ártemis me ajude. –Murmurou ele. – Mande seu gato se revelar.
–Meu gato o que? –Olhei para Luke que pulou no meu colo fitando ariscamente Henry. –Se você continuar com essas loucuras chamarei a policia. –Eu não faria isso, tampouco chamaria alguém, para ele sumir de novo e eu ficar como louca. –Espera! Como você subiu aqui.
–Escada de incêndio. Melanie, por favor. Seu colar. O que sabe dele?
–Que ele era de minha mãe e ela o deixou pra mim antes de morrer. Só isso.
–Sua mãe não está morta! Ela vive e para toda a eternidade. –Ele pareceu ofendido com minha resposta. Como se fosse obvio o que ele acabara de dizer.
–Não brinque com isso! –Levantei.
–Não estou mentindo e posso provar. Mas você terá que vir comigo para a viagem. E vai me ajudar a salvar meu reino, precisamos da força do colar para destruir Davi .
A ideia de ver minha mãe novamente fez com que surgisse um nó em minha garganta.
–Vá embora. Não vou falar novamente.
Henry se virou e pulou a janela. Corri até ela e olhei para baixo.
Ele estava de pé na estrada olhando para janela. Virou para frente e correu.
Limpei as coisas no chão e me dirigi ao quarto. Luke pulou na cama. A luz estava fraca. Mergulhei para debaixo dos cobertores e abracei Luke desejando que tudo não tivesse passado de alucinações malucas.
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