Lutte
12 Vérités découvertes part.2
Notas iniciais
Capítulo 12 — Vérités découvertes part.2
Ter visto o loiro maior chorando daquele jeito e tão frágil no vídeo me dilacerou, eu nunca pensei que ele poderia ter passado o mesmo que eu e por tanto tempo, como que ninguém nunca percebeu o que acontecia com o menor? Ou será que sabiam e não faziam nada? Por que a Hanji não escondeu o loirinho na casa dela e denunciou o marco? Por que ninguém nunca fez nada por tanto tempo?
Eu não conseguia pensar em outra coisa, foi pensando nisso que eu me separei dos braços de meuá amigos e me desviei dos olhos que eu tanto queria.... Fui em direção à porta de saída do refeitório, eu precisava falar com a menina e seria agora. Fui determinado à procura da menina, mas nada no mundo seria suficiente para me preparar para os que viria. Eu sentia na pele que o dia estava só começando, sentia que seria um dia conturbado.
E de fato seria, eu vi o marco sendo agredido por alunos, e tendo policiais o protegendo e colocando-o dentro de uma viatura algemado, os policiais fingiam que não viam o moreno ser agredido ao mesmo tempo que tentavam “segurar” alguns alunos apenas para não ficar tão na cara que eles queriam o moreno linchado e quiçá morto. A cada passo que eu dava eu sentia a minha cabeça pensando tanto pelo que acontecia quanto pelos olhares complacentes que eu recebia de amigos e desconhecidos. Eu podia ler em seus olhos a pena e a compaixão que alguns sentiam quanto o asco e ódio que outros sentiam de mim... Era claro que alguns achavam que o que aconteceu comigo foi pouco.
Eu queria saber o porquê de a menina não ter protegido o loiro quando pôde. Eu precisava de respostas para perguntas que não me diziam respeito. Meu celular vibrou descontrolado em meu bolso. O peguei só para olhar para o visor e decidir se ignoraria ou não a pessoa ligando. Era a Carla.
–Agora não posso falar te ligo mais tarde Carla. – Disse com uma voz distante até para mim mesmo. Não dei chance para a mulher responder. Desliguei o aparelho guardando-o no bolso.
Minha intuição me dizia que eu não acharia a morena na escola, muito menos o loiro que há essa hora já estava dentro de outra viatura sendo escoltado por policiais. Pude ver muitos dos alunos que falavam com os policiais me apontando, não demorou para logo ter um em minha frente.
– Você é Eren Jaeger? — O policial me perguntou com olhos complacentes, que só me irritaram. – Sim. — Foi tudo o que eu consegui responder. – Preciso que venha comigo à delegacia, precisa relatar o que aconteceu para que a acusação seja completada e os culpados possam ser devidamente punidos. – O homem em minha frente parecia irredutível. – Desculpe, mas agora eu só quero encontrar a mulher que prestou as queixas e que expos o vídeo. –Disse serio já me retirando e indo em direção à saída da escola. – Hanji disse que você diria isso. Ela está te esperando na delegacia. — O homem disse, finalmente conseguindo a minha real atenção. Sabendo que a menina estaria lá, eu não hesitei em seguir o homem para dentro de outra viatura aonde iria sozinho. Sentia-me frágil, mas não daria para trás agora. Eu precisava saber. Precisava que a justiça fosse feita.
Passados uns 20 minutos de pura dúvida e agonia dentro daquela viatura nos finalmente chegamos à bendita delegacia. Eu tinha tantas perguntas sem respostas que me sufocavam. Assim que a viatura parou eu desci, não esperei abrirem a porta já indo direto para dentro da delegacia.
Assim que a Hanji me viu ela veio me abraçar, mas eu estava possesso. Não aguentei e dei-lhe um tapa bem dado no rosto. Ela me olhou incrédula e antes que ela dissesse alguma coisa eu já fui logo dizendo: — por que não o ajudou? Por que o deixou sofrer Hanji?!- quando a compreensão tomou conta da menina ela simplesmente se encolheu e chorou.
–Ela não podia fazer nada Eren. – Me virei completamente na direção da voz, vendo um loiro de rosto inchado de chorar. – Eu pedi para ela. Eu tinha medo que ele viesse atrás de nós. – O loiro me olhava com olhos carinhosos, e de certa forma devotados e contentes por eu ter “defendido” ele.
O loiro veio em minha direção, passando direto por mim e se ajoelhando e passando as mãos algemadas por cima da cabeça da menina a abraçando e acalmando. –Eu tive medo Eren. – A menina começou a dizer tremula. — Eu tive medo de perder o Erwin. Eu achei que o Marco cumpriria a promessa se soubesse que eu sabia. Que eu tinha visto tudo. – A menina chorava. – Eu fui egoísta Eren! O Erwin era só uma criança, e pela primeira vez na vida alguém precisava de mim. – A menina parecia desesperada enquanto relatava. Seus olhos estavam nublados pelas lembranças. – Eu o vi lá, violentado, e só pude ir e ajuda-lo a chegar na minha casa. Cuidei dele, mas não tinha coragem de fazer o certo e dizer a polícia sobre o que aconteceu! Não até você ser vítima dele. Eu não poderia o deixar fazer isso de novo, ele se destruiria de vez! – Conforme a menina falava eu via a dor nos olhos do loiro maior, ele chorava enquanto acolhia a menina que parecia tão pequena e frágil em seus braços.
–Ela só fez o que achava melhor para mim Eren.... Ela achava que estava me protegendo, e estava. Eu só sobrevivi porque ela cuidou de mim todas às vezes! Ela sempre esteve lá. Eu não vou te pedir para me perdoar, porque se fosse eu no seu lugar eu não perdoaria. Mas não culpe a Hanji pelo que aconteceu comigo, ela foi à única pessoa que me estendeu a mão. — O loiro parecia falar com ele mesmo ao invés de comigo, mesmo falando meu nome.
–Não fale mais nada Erwin! – Foi um homem de terno que falou duro com o loiro. — Só está dando munição para ele. – Aparentava ser o advogado do loiro.
–Ele precisa saber. Vou aceitar a punição que me derem. – O loiro parecia tão imponente simplesmente aceitando o que aconteceria consigo.
Eu não sabia o que fazer nem o que pensar eu não poderia simplesmente ignorar os pedidos do loiro, como não poderia simplesmente perdoa-lo do nada. Fui tirado dos meus devaneios quando uma mulher entrou correndo e gritando dentro da delegacia.
–Onde está o meu filho? Cadê o Eren? — Pude ver a Carla em pânico, seria cômico se não fosse à situação em que estávamos... – Aqui Carla. – Eu disse indicando onde estava. –Eren! – Ela veio literalmente correndo na minha direção, e me abraçou apertado como há anos não fazia. E eu? Eu não aguentei e finalmente deixei as malditas lagrimas caírem mais uma vez naquele dia.
–Filho, por que não me disse? — Ela me perguntou como se fosse à coisa mais normal do mundo. Eu não consegui responder, eu estava indignado e puto ao mesmo tempo. Meu olhar bastou para que a Marie finalmente se anunciasse.
–Carla dê espaço para o menino! — Marie disse parecendo encabulada com o ocorrido dessa manhã. –Oi Marie. – Disse com um sorriso fraco.
–Eren, eu sei que não fui muito presente, e que falhei como mãe várias vezes, mas pelo amor de Deus! Você não podia ter passado isso sozinho! Eu teria tem ajudado, Deuses eu sou sua mãe e te amo! – Ela praticamente explodiu. Nunca tinha a visto ter um ataque assim antes. Ela olhou para o loiro e quase voou no pescoço dele, sendo impedida por mim e por incrível que pareça pela Marie.
–Me deixem matar esse filho de uma puta! Ele machucou o meu bebe! O Meu Eren! – Ela parecia possuída. –Hanji, tira ele daqui não vamos conseguir segurar a Carla por muito tempo! – A menina mais que dês pressa pegou o loiro e se escondeu/trancou em uma das salas que eram usadas de interrogatório. Nenhum dos guardas fez menção de tentar impedir a Carla, ela era muito famosa e poderosa econômica e politicamente. Nenhum deles queria se meter com ela brava. Mesmo com os dois atrás da porta ela ainda queria arrombar a sala e matar o loiro.
Marie simplesmente soltou a Carla e deu-lhe um tapa na cara, que me pegou de surpresa. – Não é hora de matar o loiro Carla, deveria se envergonhar e fazer o certo! Deveria estar cuidando do seu filho! Ele é a prioridade aqui! — A matriarca do Levi parecia enfurecida, eu não esperava um apoio tão claro vindo dela. As palavras de Marie fizeram a Carla cair na real e me abraçar e chorar compulsivamente.
–Eren! Me desculpa! — Eu achei que ela pedia desculpar por não estar comigo na hora. – Eu nunca te protegi mesmo contra o Grisha. Eu nunca estive La para você. Eu.... Eu.... Me perdoa filho! –Ela chorava no meu ombro como se o adolescente fosse ela e não eu. Eu simplesmente a abracei de volta, mas me mantive imóvel. Não seriam só por uns pedidos de desculpas que a minha vida e meu passado seriam apagados.
–Chega Carla. – Eu disse firme. – Está tudo bem. Meus amigos já fizeram o seu papel. – Eu disse seco. E recebi um olhar ferido dela. Ela me soltou e se “auto abraçou”. Eu podia ver nos olhos dela que ela estava destruída. E que dessa vez eu tinha dado um golpe certeiro onde mais doía. O pior era que eu não sentia remorso de vê-la chorar. Ela nunca tinha me dado muita bola e agora queria bancar a boa moça. Eu sabia que por trás desse teatrinho tinha alguma coisa.
–Moleque imprestável, cuidado com o que diz para sua mãe! — Pude ouvir a voz de Grisha vindo de trás de mim, ele me ignorou completamente e foi abraça-la, protegendo-a de mim. Que irônico.
Olhei com ódio e sorri sarcasticamente para ele. – Não venha bancar o bom marido porque isso você nunca foi! – Eu praticamente cuspi na cara dele as palavras. Ele pareceu puto e veio em minha direção levantando a mão para mim, porem sendo impedido pela Marie.
–Não pode bater nele! Você não tem esse direito! – A mulher parecia puta com o decorrer da situação. – Não seja hipócrita Marie, foi usando o meu dinheiro que essa peste cresceu. – O Grisha disse ríspido como sempre. – Mesmo assim Grisha! Ele não é seu filho, não pode toca-lo! – Ela devolveu no mesmo tom, parando e se auto assustando com o que soltou sem querer.
–Como assim o Grisha não é meu pai? — Antes que eu percebesse o pensamento se transformou em palavras. Marie olhou para mim como se pedisse desculpas por ter soltado a informação. Carla parecia petrificada no lugar, branca como a parede atrás de si. –Eren. — Ela disse vindo na minha direção e antes que eu percebesse eu já tinha ido para trás me afastando dela.
–É melhor que o moleque saiba logo Carla, quem sabe assim ele não aprende a ter um pouco de respeito e gratidão. — O homem disse presunçoso como se fosse o dono do mundo. –Ou o que? – Eu disse já sentindo aquela veiazinha pulsando na minha testa. –Ou você vai ter que continuar sendo a puta que é para poder pagar a escola! – Ele disse zombeteiro, mas a sua palavra era carregada de um veneno real. Ele realmente pensava que eu era uma puta, que tinha desejado ser violentado pelo loiro.
Olhei para o homem que a vida toda chamei de pai, com olhos magoados, e por um único segundo eu pude ver ele vacilar, mas agora já era tarde o estrago estava feito. – Talvez eu vire a puta que você prega não é pai, mas pelo menos eu não fui o corno que criou o filho de outro em baixo do meu teto! – Eu estava puto, me doía ver as pessoas que eu mais amei me julgado e esfregando na minha cara que eu não era querido. Que não passava de obrigação. Ou caridade. O que era terrivelmente pior.
Com a minha fala não teve Marie que conseguiu segurar o homem, que possesso veio em minha direção, mas eu jamais deixaria ele me machucar fisicamente, afinal ele já tinha aberto um rombo no meu peito, não precisava de um hematoma para me lembrar. Então quando ele veio com um soco de direita por cima eu simplesmente me esquivei pela esquerda só o suficiente para que ele não me acertasse, mas sem realmente sair da frente dele.
Continuei o encarando com uma proximidade no mínimo intimidante, eu pude sentir ele se contraindo quando focalizou meus olhos e teve a visão dos mesmos exalando ódio, um ódio incontido, ele já tinha me visto assim antes e sabia do que eu era capaz, em parte pelo menos. Afinal eu tinha me aprimorado esses meses que fiquei na Marie.
Ao contrário do que todos me pensavam simplesmente sai de perto dele, indo em direção à saída. Pude ver pelo vidro espelhado da sala de interrogatório que eu levaria um soco do homem que chamei de Pai. Deixei que ele me acertasse, senti a dor nas minhas costelas já machucadas, sabia que tinha acabado de quebrar uma costela, mas eu não gritei, nem me movi. Mas ele percebeu o que tinha feito. Simplesmente olhei para trás e dei um sorriso de lado fraco. –Não é a primeira vez que me machuca pai, mas será a última. – Eu disse tão baixo que só ele era capaz de ouvir.
Pude ver os olhos esbugalhados dele. Não dei espaço para ele dizer nada, simplesmente sai de lá, indo em direção ao advogado do loiro. –Não se preocupe, eu não vou por seu cliente na cadeia, ambos já tivemos nossas punições há muito tempo. – Eu disse melancólico. O que pegou o homem desprevenido. – Por favor, de início ao pedido de cancelamento do caso. Mantenha só o caso do Erwin e do Marco, caso necessário eu irei depor a favor do Loiro. – Eu disse sério, saindo em seguida.
–Eren, não pode deixar isso assim! Ele tem que pagar pelo que fez! — Eu podia ouvir a voz da Carla atrás de mim. Como eu não respondi só foi em direção à saída ela continuou- se não o processas, processo eu! – Ela disse definitivamente. – Você fez de mais Carla, não acha? – Eu disse ácido.
–Eren. — Eu podia sentir a dor que ela sentia através da voz dela. Mas eu não tinha engolido a estoria do Grisha. E não estava pronto para falar sobre isso sem meter a mão na cara dela ou coisa pior.
Sai da delegacia querendo encontrar aquele nanico de olhos azuis. E mais nada.
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