Lutte
8 Aidez-moi
Notas iniciais

Depois da Mikasa me tirar daquele maldito quarto, fomos em direção aos dormitórios femininos, naquele momento eu não pensava em mais nada... Eu só podia me sentir imundo e querer desaparecer da face da terra. Ah, se eu soubesse que isso ia acontecer nunca teria deixado o loiro me tocar...
Como se pra aumentar a minha desgraça enquanto eu era auxiliado pela Mika-chan pude ver um ser baixinho vindo em nossa direção... Comecei a entrar em pânico. Se esse nanico tivesse ficado de boca fechada eu não estaria assim!
– o que aconteceu?- o nanico me perguntou, parecia aflito. E meio incrédulo- o Erwin que fez isso? – eu não conseguia falar, tanto pela dor na garganta quanto pela humilhação que eu sentia. Só fiquei lá olhando pra ele com medo, dor e principalmente com nojo de mim mesmo.
Eu vi seus olhos de um azul cinzento ficando cada vez mais escuros, não entendia porque ele se importava, ele não era nada meu. vi ele chegando mais perto, vindo me amparar. E eu... Eu recuei com medo e vergonha, já tinha tido humilhação o suficiente por uma vida. Não seria amparado por esse desgraçado. Mikasa percebeu a minha aflição em relação ao pequeno, e me ajudou a me afastar dele.
Ele ia comentar alguma coisa, mas subitamente se calou. Ele olha adiante por cima do meu ombro, eu tive medo de me virar e ver ele não suportaria isso. vi o nanico passar por mim, em um silencio sepulcral, Mikasa acompanhou todos os movimentos do corpo do nanico, não perdendo uma única respiração que fosse, sabia que depois ela me contaria sobre a cena que eu não tinha coragem de ver, que eu não queria ver.
–o que ainda faz aqui Levi? – ouvi a voz do loiro maldito e me corpo entrou em alerta máximo, todos os meus músculos foram retesados, eu estava com medo, me sentia um filhotinho sendo perseguido por um tigre. Não houve resposta, só o som de um tipo de corrida e o barulho de pele contra pele, alguém tinha apanhado e temi que o loiro pudesse vir a machucar o Levi. Continuei a ouvir o som, não queria virar o rosto e comprovar aquela cena, mas a Mikasa retesou todos os músculos, sabia que teria que a deixar intervir, então retirei meu braço esquerdo de seu ombro, apoiando completamente meu próprio peso em minhas pernas debilitadas pelos maus-tratos.
Quase instantaneamente em que sai do contato com a minha irmã, a mesma correu em direção a um Erwin desacordado montado por um Levi, que se não tivesse sido impedido pela Mika-chan teria no mínimo continuada a socar a cara do loiro em um desespero silencioso, mas palpável... Assim como o Erwin não teve dó de mim, Levi não teria do para com o loiro. Minha irmã não conseguiria segurar o menor por muito tempo, ele parecia insano.
Juntei todas as minhas forças, e fui em direção ao menor, podia ver o loiro recobrando a consciência, isso pareceu piorar a cólera¹ do moreno menor. Soltei meu peso sobre as pernas permitindo que as mesmas se flexionassem e então deixando meu corpo tão dolorido ir ao chão mais uma vez aquela noite, agarrei seu braço direito impedindo mais um soco que seria desferido contra o loiro. Levi parecia fora de si, mas quando percebeu que era eu quem o impedia ele me olhou interrogativo, como se me perguntasse o porquê de eu proteger o loiro.
–chega Levi, me tira daqui, por favor. – pedi deixando toda a minha dor transparecer por meus olhos, sabia que mesmo minimamente o menor me entendia. Precisava sair de lá, eu só queria dormir, queria minha mãe, queria um colo. E naquele momento eu não poderia ter nada, afinal eu não permitiria que tocassem alguém sujo como eu.
–por que Eren?- pude ouvir o loiro perguntar. – com medo do que pode te acontecer? – disse com aquele sorriso sínico, o monstro de há pouco voltando à tona. Senti todos os meus músculos retesarem, todo meu ser me mandava correr, e nunca mais voltar. Mas eu não poderia fazer isso nem que eu quisesse, não podia andar direito, quem dirá correr...
–não vou deixar o Levi encostar-se a um lixo como você! – disse juntando toda a minha magoa, e olhando pra ele com todo o ódio que eu sentia, se alguém iria machucar ele, seria EU! Mas não seria assim, o machucaria como ele me machucou, seria doloroso e torturante pra que ele quisesse morrer como eu quis, pra ele implorar por ajuda e ninguém vir. O mataria como ele me matou, faria ele sentir o que eu senti.
vi os olhos do loiro se tornarem negros de ódio, suas narinas inflaram. Ele me mataria ali, se tivesse a chance. – sua puta! Todos saberão quem você realmente é!- o que ele poderia fazer? Postar um vídeo na net? Se ele fizesse isso, ele mesmo se entregaria.
vi ele tentando se levantar e tirar o nanico de cima de si, mas o Levi foi mais rápido e acertou um soco potente de baixo do queixo, deixando o maldito loiro desacordado novamente. O moreno simplesmente levantou e me levantou com ele, passou a mão esquerda por trás da minha coxa direita e puxou a mesma, me fazendo sentir dor, passou a mão direita acoplando-a a minha bunda me puxando pra cima, não precisei de mais que 2 segundos pra entender que ele queria que eu enlaçasse minhas pernas em torno dele. Não sei por que mais eu obedeci, e assim que ele sentiu as minhas pernas ao redor de seu corpo ele colocou a mão que antes estava na minha bunda em baixo da minha coxa esquerda, estabilizando meu corpo.
Me sentia seguro em seus braços, mesmo podendo sentir seu corpo tremer de ódio, me sentia bem em seu colo. Me deixei ser levado por ele, encaixei minha cabeça na dobra do pescoço dele, agarrando sua camisa e deixando lagrimas sôfregas escorrerem mais uma vez pelo meu rosto, sentindo os machucados arderem em contato com o liquido salgado, que escorria por meus olhos...
–pra onde vai levar o Eren?- pude ouvir a voz da Mikasa, mas ela não parecia preocupada, e sim aliviada pelo menor estar comigo. Nunca vi a Mika assim, ela nunca foi de confiar fácil nos outros, ainda mais em se tratando de mim. Mas eu podia sentir a confiança que ela depositava no nanico. Isso me acalmava. Simplesmente me deixei descansar em seus braços, adormecendo.
Acordei em um lugar que me era desconhecido, o quarto era bem grande, muito maior que os dormitórios da escola, eu podia ouvir o barulho do chuveiro ligado. Sentia o vapor que vinha do cômodo acoplado com o quarto através da porta aberta. Tentei me levantar e ir lá, mas eu sentia muitas dores e não tinha força, nem vontade de me mexer... Esperei pacientemente a pessoa sair do banheiro, e pude ver um Levi irritado, molhado e com uma toalha branca enrolada na cintura. Seria uma imagem dos deuses se não fosse à situação em que estávamos... Desconforto era quase palpável, dava para ver os músculos definidos e tensos do menor, se contraindo enquanto ele caminhava em direção a um armário, logo escolhendo uma cueca boxer vermelha e colocando a mesma. Pude vislumbrar sua linda e redonda bunda por poucos instantes, logo a cueca foi coberta por um moletom cinza escuro. vi aquelas costas definidas sendo cobertas por uma blusa fina igualmente cinza. O mesmo se virou de frente pra mim.
– o que houve com você Eren?- ele perguntou tão baixo, que eu quase não pude ouvir. –não me faça dizer isso Levi. – disse inclinando a cabeça pra baixo, de forma que minha franja escondesse meus olhos. –ele te estuprou não foi? – Levi parecia mais desesperado a cada palavra.
Não consegui dizer que sim com palavras, era humilhante de mais, então simplesmente acenei com a cabeça positivamente. Me assustei com braços rodeando meu corpo o que me fez me encolher. – isso foi culpa minha!- petrifiquei quando ouvi o choro vindo dele, não imaginei que ele choraria. Não sabia por que, mas não queria ele chorando, doía ver ele assim. Então o confortei, o abracei de volta e disse: — não foi culpa sua Levi! A culpa é só do Erwin! Ele é doente. –disse, mas sabia que ele e eu tínhamos tanta culpa quanto o loiro. Afinal nos provocamos a fera, só não esperávamos que os dentes fossem tão afiados e grandes.
Juntei toda a minha coragem e me afastei minimamente dele só o suficiente pra poder olhar em seus olhos... Tão lindos, porem marejados pelo choro. Não queria ver ele assim, e eu nem ao menos entendia o porquê. Como eu poderia gostar de alguém assim do nada? Ele nem era nada meu. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa o mesmo me sentenciou:
–durma Eren! Amanha será um dia cheio... Vamos falar com a Hanji, ver no que ela pode nos ajudar, sei que ela vai pensar em alguma coisa. — o menor disse firme, tinha se decidido. Iria fazer alguma coisa contra o loiro, e eu também. Amanha veríamos a louca das cuecas rosa de ursinho.
–fica comigo. – disse fraco, não queria ficar sozinho naquele quarto enorme. Achei que o menor negaria meu pedido, mas ele não respondeu, só foi até o interruptor e apagou a luz. Em poucos segundos eu senti a cama se afundar ao meu lado. O menor tinha se deitado ao meu lado, de costas pra mim. Eu só me virei pra ele e encostei minha cabeça em suas costas, agarrado a sua camisa. Passados um segundos, eu pude ouvir o baixo ressonar da sua respiração, ele tinha adormecido. E ao som de sua respiração eu me permiti adormecer.
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