Lupos

3 Xadrez


pov: Ryan

Lá vinha ela, finalmente, pela rua com Nick. Estava rindo de alguma coisa, não pude imaginar do que, e conversando com ele.

Fazia quase uma hora que eu estava na varanda de casa esperando que ela voltasse, para ver se voltaria e se estaria bem, já que, para mim, Nick não era nada confiável.

Eles estavam se despedindo, pude ouvir, quando ele a beijou no canto da boca, provocando a ela...e também a mim. Ele sabia que eu estava olhando, claro que sim, e aproveitou a oportunidade de me irritar. Não pude evitar e acabei me apoiando na grade da varanda.

Dakota corou automaticamente quando me viu depois de ele sair, já completamente molhada, e começou a caminhar de volta em direção a sua casa. Mas ela não estava andando direito, parecia prestes a cair! Sem nem notar, comecei a ir em direção a rua, mesmo sabendo que ela não iria querer ajuda, mas eu não podia e nem iria deixá-la cair ali. Ela estava já a meio caminho do chão quando consegui pega-la, o que pareceu assusta-la, já que ela virou rapidamente e ficou me encarando, com a respiração falha. Ela quis protestar, mas "tentando" ser delicado, interrompi e falei com firmeza o "plano". Ela se acalmou ou dormiu, eu não sabia bem.

Por dentro a casa era muito parecida com a minha, então pude facilmente me orientar (embora tenha entrado em dois quartos errados até achar o dela, e vamos ignorar o fato de haverem apenas três quartos).

Quando a coloquei na cama já ia conferir sua temperatura quando ela começou a abrir os olhos.

–Onde...?–olhou em volta–Como cheguei...?– e, finalmente, me viu– Ryan?

Ela tentava se levantar enquanto eu, gentilmente, empurrava-a de volta para o travesseiro.

–Você desmaiou uns dois minutos atrás, eu te trouxe aqui para cima.–expliquei–Sabe, o melhor é ficar deitada.

–Mas eu estou me sentindo bem!–disse ela, certamente não gostava de ficar deitada.– Eu quero levantar! Pare de me empurrar!

–Esto tentando te manter parada! Não é bom se levantar agora. Você, como filha de quem é, deveria saber disso!

Droga! Eu, como sempre, falando mais do que devia. Esperava que ela pensasse em utra coisa. Por sorte, foi o que ela fez.

–Como sabe que minha mãe é médica?

–Você deve ter dito em algum momento...–comecei, mas fui interrompido.

–Não, eu não disse.–falou, pensativa, antes das acusações.–Desde aquele dia na livraria você não fala comigo. E não estou falando de dizer um "oi"!–explicou quando me viu abrir a boca para protestar–Estou falando de conversar de verdade. Nos falamos pouco e me lembro de tudo, e não lembro de ter dito nada sobre minha mãe.

Eu não podia explicar, ela não entenderia, mas uma coisa que falou me ajudou a mudar de assunto, Não pude evitar um sorriso malicioso enquanto me aproximar, fazendo-a recuar de testa franzida.

–Lembra de tudo? De cada detalhe?

Ela corou, sabia que tinha se entregado.

–C-como eu disse, conversamos pouco, claro que lembro.–gaguejou um pouco.

Eu sabia que ela estava estável, mas continuei me aproximando.

–Tem certeza? Absoluta?– Eu já estava bem perto quando ela finalmente se deitou, minhas mãos estavam uma de cada lado acima de seu ombros para que eu não caísse em cima dela.

Meu sorriso apenas aumentava a medida que ela ficava mais e mais vermelha. Dakota sabia que e estava fazendo.

–A-absoluta.–gaguejou.

Coloquei a mão em seu peito e senti seu coração, estava acelerado.

–Tente dormir, Dakota. Ficarei aqui até sua mãe chegar, só para garantir que nada ruim aconteça, certo?

Ela assentiu com a cabeça.

Levantei lentamente e me sentei na cadeira do computador, puxando-a para mais perto da cama, mas sem desencostá-la da parede. Ela ficou me olhando, zangada, e acabei rindo um pouco. Ficou claro que, embora eu tivesse pedido, ela não ia dormir, principalmente por eu ter pedido.

–Ok!– cedi. –Se não quer dormir, o que quer fazer?–perguntei enquanto me levantava.

Acendi a luz do quarto e sentei ao seu lado na cama. Dakota estava com o mesmo sorriso vitorioso que eu tinha poucos segundos antes, levantando-se.

–Eu vou tomar banho e me trocar. Não desapareça!

Explorei o quarto enquanto ela estava no banheiro e encontrei um tabuleiro de xadrez, jogo no qual eu era extraordinariamente bom. Deixei o notebook dela na cama, puxei a mesa e coloquei uma cadeira de cada lado, com o tabuleiro já pronto em cima. "Que os jogos comecem", pensei.

*

pov: Dakota

Saí do banheiro me sentindo bem melhor, água gelada sempre me acalmava. Vesti roupas próprias de ficar em casa, short jeans confortável e um suéter de lã preto,meu cabelo estava solto, caindo em cascatas de fogo até minha cintura.

Quando saí Ryan me olhou de cima a baixo, os olhos arregalados, fiz uma pose, de brincadeira, e sorri maliciosa.

–Pode bater uma foto se quiser.

Ele saiu do transe e sorriu. Havia afastado a mesa para o centro do quarto, uma cadeira de cada lado e meu tabuleiro de xadrez em cima. Sentei-me em uma das cadeiras e apoiei o queixo nas mãos, sentindo nostalgia ao ver o velho jogo.

–Está tudo bem?–perguntou ele, preocupado.–Eu não sabia se podia ou não pegar...desculpe.

–Calma, não tem problema...é só que eu costumava jogar isso com meu pai, antes de...bem, você deve saber, as coisas aqui se espalham rápido.

–É verdade...–admitiu.

–Apostas?–mudei de assunto, tentando esquecer daquilo, Ryan não reclamou.

–Pensei que não ia querer, mas...vamos lá! –disse,mas pelo seu tom de voz notei que era exatamente o que ele queria. –Se eu ganhar você faz o que eu quiser por uma semana e, se você ganhar, eu faço o que você quiser por uma semana. Fechado?

O que ele poderia me pedir para fazer? O que eu poderia pedir? Bem, só havia um jeito de descobrir..

–Fechado!–Seu sorriso ficou ainda maior quando apertamos as mãos para fechar o acordo, era...lindo.

–Conhece as regras?–perguntou ele.

–Vamos ver.

–Só um aviso prévio, eu nunca perdi.–disse ele, gabando-se.

–Eu também não.

E começamos.

Notas finais
Esse parece ter ficado pequeno, porque se eu colocasse o resto ficaria MUITO grande por não ter mais onde acabar.