Lupos
4 Encontro
Acordei com minha mãe chamando-me.
–Dakota?–sussurrou enquanto balançava meu ombro.– Querida, se vista logo, tem uma pessoa te esperando para ir o colégio.
Respondi com minha voz rouca pelo sono:
–Quem?–não foi bem uma resposta.
–Aquele vizinho da casa em frente, Ryan.
–O QUE?–gritei, acordando por completo. Minha mãe pôs a mão na boca para segurar o riso e beijou minha testa antes de sair do quarto.
Vesti a primeira coisa que vi no armário, uma calça preta e blusa com estampa de zebra, além de um par de botas também pretas, peguei minha bolsa e desci correndo as escadas.
–Tchau mãe!–gritei. Ela respondeu alguma coisa que não pude entender, mas interpretei como um "tchau".
Lá fora estava Ryan, o cabelo negro jogado para o lado pelo vento, caindo sobre os olhos...estranho, a poucos dias seu cabelo estava mais curto, ou ao menos parecia, mas ignorei aquilo, devia ser minha imaginação. Seus olhos eram dourados, brilhantes, e as roupas pretas como sempre, o capuz do casaco abaixado.
–Aconteceu alguma coisa?–perguntei. "Por que ele estaria ali? Será que algo acontecera com Rebekah?", pensei.
–Não, mas te devo uma semana fazendo o que você quiser, então decidi dar ideias e ir com você hoje para o colégio, já que você disse ontem que eu nem falava mais com você desde aquele dia.– Lembrei da noite passada, quando ganhei dele no xadrez.
–E se eu não quisesse?
–Aí eu teria que fazer o que você quer e me distanciar, pegando um atalho pela floresta.– explicou.
–E nós podemos pegar esse atalho, tipo... agora?–perguntei, torcendo para receber um "sim".
Pude senti-lo hesitar um pouco, antes de sorrir e confirmar com a cabeça.
–Siga-me.
Nos dirigimos para a parte de trás de minha casa, onde a floresta tinha início e Ryan adentrou como se fosse sua casa, sempre afastando galhos e folhas para permitir nossa passagem. Ele parecia seguir uma trilha que era invisível aos meus olhos.
De repente, ele parou, respirou fundo e fez um gesto para que eu esperasse, depois andou três passos para frente e quando olhou para o lado vi sua postura e expressão mudarem. Ele estava ereto e tenso, seu sorriso, antes divertido, era agora irônico e os olhos ferozes.
–Vejam só quem encontramos aqui!–disse um voz conhecida.– Onde está o resto do bando, Ryan?– era Nick.
O que seria esse bando?
–Eu não ando com eles, apenas quando preciso resolver alguns problemas, ou colocar pessoas em seu lugar.–disse Ryan, debochado.
–Sem o bando, sem Rebekah ao seu lado para te ajudar...–disse outra voz, essa feminina e enjoativa. Eu já havia ouvido aquela voz, mas onde? –Sabe quão fácil seria para nós te matar agora?
–Realmente não sei. O que sei é que já derrotei cada um de vocês separadamente, e facilmente acabaria com todos juntos, não pensem que porque fomos do mesmo clã por um tempo vou chegar a hesitar. E se vocês tocassem em mim agora, bem... sabem como é minha irmã, se algo acontecesse comigo, ela saberia como se vingar. Mas... –finalizou Ryan, estendendo a mão para mim. –Eu não arriscaria deixar Dakota sozinha aqui.
Mesmo confusa peguei a mão dele, poderia fazer perguntas depois, naquele momento só tinha que sair dali. Ryan me puxou para perto dele e, quando me viram, todos arregalaram os olhos por um fração de segundo, antes de disfarçar.
Entre eles reconheci dois, o primeiro era Nick, e logo ao seu lado estava a menina dona da voz enjoenta, Rebekah havia me dito o nome dela, era uma das patricinhas...Clea. Não sabia quem era o outro garoto, e nunca o havia visto.
–Dakota? Você...Ryan?– Nick parecia furioso e deu um passo a frente, vindo em nossa direção.
–Pare com isso! –Clea ordenou e ele parou, olhando dela para nós como quem diz: "Como assim não posso ir?". Ela o ignorou e dirigiu-se a Ryan. –Não me preocupo, na hora certa ela irá para o nosso lado, esperamos um bom tempo por... bem, você deve saber pelo que.
–Quer dizer que ela...?–começou Ryan.
– Sim, é ela.–respondeu a pergunta antes de ser concluída, o que me deixou ainda mais curiosa.
–Suspeitei, mas é ela que escolhe o lado em que quer ficar, se quiser se juntar ao Gamas, a escolha é dela, resta a nós aguardar quem e qual ela vai escolher.
Por fim, ele sorriu e saiu, puxando-me consigo enquanto contornava os três, que continuaram imóveis nos encarando.
Era tudo tão estranho. Eles diziam aqueles nomes como se fossem grupos da escola, e Ryan disse "gamas" como se fosse o pior de todos. O problema é que era difícil entender quando eu não sabia nem qual era a base da discussão.
–Do que eles estavam falando? Do que você estava falando?– ele não parou de anda rápido e em zigue-zague pela floresta. Parei de andar e puxei minha mão da sua, fazendo-o parar e me olhar.–Ryan! Quer responder alguma coisa?
Ele me encarou, os olhos dourados e ferozes me fizeram recuar um passo.
–Sinto muito, Dakota.–pediu, o tom suplicante, mas sua expressão não mudou. –Por favor, você poderia ignorar isso só até o fim da aula?
Como eu poderia ignorar aquilo? Teria que tentar, ele com certeza não diria nada no momento.
–Mas depois você vai até minha casa? Vai explicar tudo?–ele assentiu– Jura?
–Bem, ainda te devo uma semana fazendo o que você quiser.–respondeu, o tom suavizando.– Estarei na porta da sua casa, tenha um bom dia.
Ele se afastou dois passos para o lado e pude ver a escola a poucos metros de distância.
–Você não vem...?– Comecei, mas quando olhei para o local onde ele estava não havia ninguém lá.
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