Lupos

2 Primeiro dia


–Dakota! Dakota, acorda logo!–ouvi uma voz feminina me chamar, fazendo-me lembar de minha antiga melhor amiga, quando vinha me acordar, mas agora havíamos nos mudado e tentei reconhecer a voz...Rebekah– Já são nove e meia, você dorme como uma pedra. Vamos lá, até seu irmão já acordou!

Assim, passei o dia todo sendo guiada pela cidade, vendo onde era a escola, livraria, além das lanchonetes onde eu comeria nos próximos dias, já que minha mãe não tinha tempo de cozinhar.

No fim do dia fomos jantar na casa dela, já que minha mãe havia ido a escola fazer a matricula de Jason, que estudaria em tempo integral. Só a mãe deles estava em casa, nem mesmo Ryan.

–Então querida, está gostando da cidade?–perguntou a mãe deles.

–Claro, senhora Broswer, é tudo muito bonito e aconchegante. Todos parecem se conhecer.–respondi.

Depois de vinte minutos com o bombardeio de perguntas sobre o motivo de termos nos mudados para lá, Ryan chegou. Quase não o vi, ele não disse nada, apenas começou a subir as escadas até que me viu e desceu novamente.

–Vejam quem está aqui! Alguém vai ficar famosa rapidinho.–disse, sorrindo torto.

–Na verdade, eu já estava de saída.–falei, virando-me para sua mãe.– O jantar estava ótimo senhora Broswer, obrigada.

–De nada, volte quando quiser.–respondeu ela, simpática.

Antes de sair virei-me para Rebekah.

–Nos vemos amanhã,certo?

Ela assentiu, feliz da vida, e finalmente saí. Eu estava cansada e as aulas já começariam no outro dia! Aproveitei até que estava com Bekah para comprar todos o material necessário.

Entrei em meu quarto e, pela janela, vi Ryan na varanda de sua casa com algo longo e brilhante nas mãos, limpando com um pano. Devo admitir que, por um segundo, achei ser algum tipo de arma de fogo, mas não tinha o formato de uma e era muito fino, nunca caberia uma bala ali. Bem, parei de checar, tomei banho e deitei na cama, demorando menos de um minuto para dormir.

Cheguei no colégio, no outro dia, e encontrei Rebekah na entrada, me esperando. Ainda bem, ela era realmente muito legal, o tipo de amiga que todos querem ter.

Fomos juntas para todas as aulas e, no intervalo, ela ia me apresentando as outras pessoas, dizendo seus nomes e personalidades, enquanto apontava.

–Aquela ali é Clea, patricinha mimada, odeio ela...aquele ali é o Kevin, ele é até legal, mas não para de falar nem por um segundo e aqueles são o pessoal da banda do colégio, eles que organizam os bailes e outras festas...–ela dizia, enquanto eu tentava absorver tudo e decidir as pessoas com as quais eu me identificava.

Na última aula o professor (de física) marcou lugares temporários para nós enquanto os definitivos não chegavam e acabei ficando entre dois garotos, um deles era Ryan e o outro se chamava Nick, um garoto de olhos azuis e cabelos loiros penteados para cima, que como todo mundo, puxou conversa comigo sobre o motivo de eu ter me mudado para "Fim de Mundo".

–Sua história é bem legal e, se quer saber, acho que você vai gostar muito daqui.–disse ele no final da aula, passamos a aula inteira conversando, assim como todo o resto da sala.

–Estou até gostando. É bom ter tudo perto, principalmente para mim que não gosto de ficar o tempo toda presa dentro de casa.

Ele sorria mais a cada palavra, como se confirmasse uma hipótese formada em sua cabeça, mas o que podia ser? Talvez fosse apenas minha imaginação correndo solta.

–Então o que acha de sairmos?–perguntou, finalmente. Será que eu tinha parecido muito oferecida quando disse que gostava de sair?

–Para onde? Quando?–perguntei.

–Onde você quiser, quando você puder. Quer uma ideia? –assenti, me animando com a ideia–Tem um filme ótimo estreando hoje. O que você acha? Podemos ir direto daqui e...

–Ai! Desculpa...–interrompi quando esbarrei em alguém. Ryan.–E-e não estava prestando atenção.

–Agora estamos quites.–disse ele antes de piscar e sair.

Nick, que havia me segurado para não cair perguntou, levantando as sobrancelhas:

–E então...?

–O que de pior pode acontecer?–perguntei, fazendo o mesmo movimento.

Ele aproximou a boca do meu ouvido e, sorrindo, disse:

–Vamos descobrir.

Saímos juntos depois de guardar os livros no armário, já que não havia tido nenhuma tarefa de casa, e de me despedir de Rebekah.

–Temos que aproveitar a última tarde livre dessa semana.–disse Nick, andando de costas para me encarar –Logos a temporada de chuva vai chegar, aqui as estações são confusas.

Olhei para o céu e as nuvens estavam realmente escuras. Talvez quando saíssemos do cinema já estivesse chovendo.

Compramos os ingressos e assistimos ao filme em silencio, era muito engraçado, assim como Nick, que parecia gostar muito de piadas e coisas do gênero.

–Então...está namorando com alguém?–perguntou de repente quando saímos, fazendo-me quase engasgar com o refrigerante.

–Não...–eu disse, recuperando o folego– Bem...sim, um tempo atrás,mas nós terminamos algumas semanas antes de eu viajar e...nao estou aqui a nem três dias, não conheci quase ninguém ainda.

–Parece que já conheceu os Broswers.–afirmou, mas seu tom era interrogativo.

Hesitei em contar a ele,mas, enfim, eramos apenas amigos e, como diz o ditado, " Não há nada a temer, se não há nada a esconder".

–Nos esbarramos no meu primeiro dia aqui. Rebekah é bem legal, está me ajudando a me adaptar e acabei jantando na casa dela ontem.–contei, transformando tudo nesse pequeno resumo–Foram as primeiras pessoas que conheci aqui.

Ele fez uma careta.

–Ryan é um cara sinistro. Ele chega no colégio e sai sem ninguém vê-lo, já que não fala com ninguém além da própria irmã. Ele some as vezes e só volta cerca uma semana depois, deixa a mãe dele maluca, mas como Rebekah fica indiferente ele deve contar pelo menos a ela onde vai., só que ela também não conta nada a ninguém.

Ele dizia como se fosse um fato sobre a cidade, coisa que todos sabiam e que devia entrar para a história da cidade. Comecei a imaginar coisas sobrenaturais e absurdas, qual era mesmo o livro que ele estava na livraria? Meu Deus, eu tinha que parar com aquilo!

–Mas...ele sempre foi assim?–perguntei.

–Não,na verdade ele sempre foi muito popular. Até que um dia ele apareceu assim: indiferente, silencioso, quieto e, incrivelmente, sempre vestido de preto!–rimos, ele realmente estava sempre de preto e com um casaco de capuz da mesma cor. Soltei uma breve risada.

Continuamos caminhando enquanto eu confirmava na minha cabeça tudo que Nick havia dito,, a semente de dúvida estava plantada. Lembrei de ver Ryan andando pelos corredores do colégio quase invisível enquanto todos o olhavam, se alguém o cumprimentasse não receberia respostas, como se ele nem estivesse ali.

Quando voltei a prestar atenção já estávamos em frente a minha casa e as gotas de chuva começavam a cair.

–Acho que essa é minha parada–disse eu, sorrindo torto.

–Então...te vejo amanhã?–perguntou, os olhos brilhantes.

–Claro. E, obrigada, foi um ótimo filme.–despedi-me–Até amanhã.

–Até amanhã.–disse e, quando eu menos esperava avançou contra mim e me deu um beijo na bochecha, pegando o canto da minha boca. Quando se afastou eu devia estar com aquele sorrisinho bobo e o rosto muito vermelho, porque ele abriu um largo sorriso, antes de se virar e voltar pelo caminho de onde havíamos vindo.

Quando ele saiu eu notei que estava de costas para minha casa e, embora não tivesse notado antes, Ryan estava lá, assistindo sentado na varanda de sua casa, que ficava de frente para a minha. Virei como se não o tivesse visto mas, sempre que sei que alguém está me observando meu caminhar fica estranho, meio torto, e para completar minhas roupas já estavam encharcadas com a água da chuva.

De repente minha visão começou a escurecer e cambaleei, quase caindo. Continuei andando com dificuldade e me apoiei na grade da varanda, meus joelhos tremiam, querendo ceder ao resto do corpo. Mas que droga, por que aquilo estava acontecendo?

Juntando força, subi os degraus, indo em direção a porta. Notei tarde demais que não conseguiria chegar até lá e, antes que eu pudesse cair de cara no chão, um par de mãos segurou minhas costas emeu quadril. Virei rapidamente e estava de frente para Ryan, estávamos colados, suas mãos nas minhas costas e cintura e o som de minha respiração rápida e entrecortada, por causa do esforço, do susto e dele.

–E-eu...–gaguejei, minha boca tremendo pelo frio que eu nem notara que estava sentindo.

Ele colocou carinhosa e delicadamente o dedo em meus lábios, impedindo-me de falar.

–Está tudo bem. É só uma leve tontura, vai passar.– tranquilizou-me ou, pelo menos, tentou.–Eu te levo lá para dentro.

Eu ia protestar mas as palavras não saíram e facilmente ele me levantou do chão em seus bracos e me carregou para dentro de casa. A última coisa que me lembro foi apoiar a cabeça em seu ombro quando meus olhos fecharam e caí na escuridão.

Notas finais
Espero que gostem do capítulo e por favorzinho comentem o que estão achando da história!! (Ignorem os erros ortográficos kk)