Lupin
1 Prólogo
Notas iniciais
Nossa história começa em uma noite fria e nublada de lua cheia.
Era madrugada e a floresta era iluminada somente pelo luar, o silencio reinava no castelo ali escondido pelas arvores, ele era moradia de mais de 5 mil alunos e alunas de magia. O segundo maior colégio para bruxos do mundo.
A escola de magia e bruxaria de Amazon Saltus estava silenciosa e calma, com todos dormindo. Ou quase todos. Próximo a entrada do castelo, uma garotinha de seus doze anos de idade, andava seguindo as pedras para a orla da floresta dos terrenos da escola. Ela sabia que era perigoso, mas havia perdido uma aposta e sua casa não permitia medrosos. A casa Domo Ursus era a casa dos mais corajosos, e de maior força, o animal regente desta casa é o Bear — ou urso -.
Essa garotinha tinha os cabelos brancos acinzentados, e olhos castanhos como chocolate, e apesar de morar no castelo e nunca sair de lá nem nas ferias, ela mantinha um visual moderno e trouxa, usava seu uniforme que consistia em uma saia de pregas preta na altura da coxa, um casaquinho de corte geométrico preto e listras brancas com um laço vermelho no pescoço. No braço direito uma faixa branca com um urso mostrava sua casa.
Ela andava sem medo entrando cada vez mais fundo na floresta, sem se importar com os uivos que eram ouvidos pela mata. Mas ao ouvir o som de passos rápidos a sua direção, sacou a varinha e se pois a correr, mais a frente uma raiz a fez tropeçar e cair e segundos depois um enorme lobo... não lobisomem, de cor chumbo e olhos âmbar surgiu na frente da garota dando uma única mordida em seu ombro, o grito dela foi alto e assombroso e acordou o guarda caça da floresta que com um tiro de flecha que quase acertou o lobo, o espantou e soltando a garota fugiu para a escuridão.
A ultima coisa que ela viu foi João a pegando no colo.
Uma semana se passou e ela não acordava. Um homem estranho, loiro e magro com vestes de segunda mão e com expressões cansadas e amarguradas apareceu no castelo a procura da garota, ele havia contado a diretora que ele havia a mordido e precisava saber como ela estava.
A diretora o entendeu e viu o qual mal ele ficara por culpa do incidente e o levou para ver a menina que estava na sala hospitalar desmaiada e enfaixada, ele não consegui encará-la.
Dias depois ela finalmente acordou e contou o que fazia na floresta, e só parou a explicação quando soube que o lobisomem estava lá para vê-la.
- qual seu nome? — perguntou ela ao homem.
- Remo, Remo Lupin. — disse ele. — eu... eu sinto muito. eu... — começou ele.
- a culpa não foi sua. — começou a menina. — Eu não deveria estar na floresta.
- você sabe o que vai acontecer não é?
- eu vou morrer. — disse ela como se dissesse a previsão do tempo. — não existe uma única mulher que tenha sobrevivido à primeira transformação.
- me perdoe?
Era visível o quanto amargurado ele estava, ele nunca, em anos, nunca havia machucado ninguém.
- eu te perdôo, se ficar comigo até acontecer. — pediu ela. — eu não tenho ninguém.
Ele levantou os olhos para a garota.
- eu fico. — disse ele. — qual seu nome?
- Laura.
- só Laura?
- nunca conheci minha família, cresci em um orfanato.
- o que acha de Laura Lupin? — perguntou ele.
Ela o encarou sorridente, ele queria dar a ela um sobrenome, e mesmo que ela estivesse prestes a morrer se sentia feliz em poder ter um. Ela se sentia feliz com ele, ligada a ele.
- eu acho lindo.
E ali nasceu uma amizade que nenhum deles entendia como ou porque.
Uma semana depois era vinte oito de junho, a primeira lua cheia da garota, ela havia se aproximado de Remo, e conversado sobre tudo menos sobre isso.
Eles foram juntos para o centro da floresta, e lá ficaram esperando a lua cheia.
Horas depois, a lua cheia veio e entre uivos de dor e desespero os dois se transformaram esquecendo de tudo e de todos, desaparecendo pela mata.
Na manha seguinte todo o castelo assim como Remo amanheceu em luto a espera de encontrar o corpo gelado e inerte de Laura, mas o que encontraram foi uma garota machucada, chorando e gemendo de dor, completamente nua deitada em posição fetal próxima as raízes de uma enorme arvore.
Ela havia sobrevivido, a primeira e única mulher a sobreviver a transformação, o restante da semana de lua cheia se passou e se foi, e a cada dia ela sentia a mesma dor, mas aprendeu a se acostumar. Remo se simpatizou com a menina e a adotou perante a lei dando a ela um sobrenome de verdade.
Descobriram que a maldição era melhor juntos, dando apoio um ao outro. E juntos seguiram por meses, até certo dia, em uma manha de outono e quente, no dia trinta e um de agosto de noventa e três, Laura acordou com um bilhete sobre a cômoda.
Remo a havia deixado, ido embora sem dizer onde. somente dizia que era preciso e que ela entendesse que se ele tivesse escolha ficaria, dizendo simplesmente que um dia se encontrariam.
Assim que ela terminou o colégio, se formou para ser Auror, conseguiu a igualdade entre lobisomens e bruxos, conheceu outros lobos que se juntaram a ela e juntos formaram a matilha do Ministério Brasileiro. Eles eram os melhores e mais temidos Aurores do pais. Mantinham a ordem e respeito.
Laura assumiu o nome Lupin e nunca mais o abandonou, se tornou chefe de aurores e alpha da matinha que era composta por cinco lobisomens, Jack, Damon, Paul, Seth e Leah — que não era lobisomem só companheira de Jack -.
Durante vinte e um anos ela esperou reencontrar Remo, seu pai, não só de nome e criação mas também de transformação, e o procurou pelo mundo, mas nunca teve noticias, durante a guerra em Londres ela ficou atenta, mas o nome Lupin nunca foi noticiado.
E mesmo depois desse tempo ela nunca desistiu.
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