Lupin

2 Cap. 1 - Caldeirão Furado


29/ago/2016

Era uma sexta-feira quente e monótona na cidade de Rio Jarney. — a maior cidade bruxa do Brasil, onde se localizava o ministério da magia -.

Na cidade ao lado – Rio de Janeiro – as pessoas saiam apressadas de suas casas para o trabalho, corriam de um lado para o outro, ocupadas de mais com o preço do dólar e nem paravam para reparar nas pessoas com capas estranhas que desapareciam ao se chocar com uma parede de tijolos.

Essa parede levava a Rio Jarney, onde bruxos andavam tranquilamente e se cumprimentavam, Alguns iam para o trabalho outros se preparavam para a volta as aulas na Amazon Saltus. Ninguém ali se importava ou se preocupava em saber o que acontecia em uma sala escondida no ministério da magia que cortava todo o estado pelo subterrâneo.

Nesta sala se encontrava toda a Matilha do clã Lupin. Consistido hoje em cinco membros, Laura Lupin a matriarca/alpha, Seth Lupin seu filho adotivo, Damon Lupin seu filho por transformação – ela o havia atacado em uma noite na floresta, apesar disso ele se apegou a Laura e ficou na família -, Jack Lupin um garoto de dezessete anos que pediu abrigo a matilha e Leah Lupin descendente de duas gerações de lobisomens e companheira de Jack.

No ano passado um dos integrantes da matilha, Paul Lupin acabou morto em um duelo, bruxos haviam fugido da prisão de segurança máxima e ele não viu quando um deles pegou uma varinha e lhe atingiu com uma maldição.

Eles estavam sentados na sala de reunião conversando com o Ministro Joaquim Silva. — o ministro bruxo ao contrario do ministro trouxa, pregava a igualdade entre sangues, raças, nacionalidades... Aqui não existia sangue puro, mestiço ou sangue-ruim -.

Estavam falando sobre o caso de Brower, um auror que havia utilizado uma maldição imperdoável no bruxo que estava caçando. Ele foi condenado à prisão perpetua em subaquaneam – uma prisão altamente protegida que se encontra no fundo do oceano atlântico -. E só chegaram a um acordo três horas depois.

A matilha se encaminhou para a sala de Lupin — a alpha -, e lá ficaram conversando sobre banalidades, enquanto Lupin lia as novas leis a serem implantadas, e tentava ver como elas se encaixariam melhor para o povo bruxo. Seth e Damon jogavam xadrez, Leah lia uma revista de moda trouxa e Jack estava lendo o jornal mundial O'Pasquin e assustou todos quando um grito alto saiu de sua boca.

– Alpha, venha ver isso. — disse ele a líder.

– O que filhote? — perguntou ela se aproximando e pegando o jornal estendido. - E agora o fato mais comentado no mundo bruxo de Londres, o casamento de Teddy Lupin e Victorie Weasley... – ela parou a leitura e leu o mesmo trecho mais duas vezes sem acreditar no que via, abriu o jornal onde havia uma foto de uma enorme família sorrindo, e lá no meio, ao lado de um rapaz de cabelo azul, estava ele, Remo. — meu pai...

– é o que parece, ele estava lá o tempo todo. — comentou Leah.

– o que vamos fazer? — perguntou Damon.

Todos eles conheciam a historia. Todos sabiam o quanto ela procurava por ele, pelo seu pai. Nenhum deles entendia o motivo, achavam que se ele a abandonou ela deveria fazer o mesmo, mas ela não ligava, ela dedicou tudo pela família e querendo ou não Remo Lupin faz parte da família.

– Arrumem às malas, nós vamos para Londres. — e dito isso todos aparataram deixando ela sozinha no escritório.

Ela correu ate o ministro entrando na sala sem se importar com quem estava lá. Ele provavelmente estava em outra reunião, mas nem se incomodou em cumprimentar quem estava na sala.

– Lupin? — perguntou o Ministro a encarando.

– preciso de permiçao para meu bando e eu viajarmos. — disse ela sem rodeios.

– claro, claro. — disse ele pegando um documento na gaveta da mesa e assinando. Entregou a ela. — não coloquei data, se for realmente importante levem o tempo que quiserem, mas saibam que se eu precisar os chamarei.

Ela assentiu rapidamente e pegando o papel aparatou dali mesmo para casa.

A casa ficava em uma floresta próxima a uma cidade trouxa, no norte do pais, ela era toda de vidro de fora a fora dando visão para dentro dos cômodos, iluminada somente com a luz de fora. Cinco quartos eram espalhados pelos três andares amplos.

Do lado de fora, escondido atrás da casa, havia uma porta no chão, feita de ferro retorcido com 50 centímetros de espessura guardava a passagem para o subterrâneo, onde eles ficavam nas noites de lua cheia treinando. – Depois de anos de estudo, Laura Lupin descobriu muito sobre como funciona a mente e a transformação dos lobisomens, com isso eles haviam aprendido a manter suas mentes mesmo na transformação -.

Na sala de estar ampla todos já estavam sentados no sofá vermelho sangue com seus malões à espera de Lupin.

– já arrumei a sua. — disse Leah apontando uma mala preta de couro de dragão encostada no vaso.

– não precisam vir se não quiserem. — disse ela a eles, olhando nos olhos de cada um.

– sempre estaremos com você, mãe. — disse Seth a abraçando, ao fundo todos os outros concordaram.

Seth era um dos mais novos do bando, tinha somente dezesseis anos, os pais o abandonaram por preconceito quando ele sobreviveu à transformação e ela o acolheu como parte da família.

– Vocês são a melhor família que podia querer.

Todos largaram as malas e correram para abraçá-la. Eles eram uma família, não só um clã ou só uma matilha. Eles ficariam juntos, sempre e para sempre e nada mudaria isso.

Uma luz forte e prateada começou a brilhar no canto da sala, a luz foi diminuindo e um circulo de fumaça azul brilhante ficou parado próximo a parede, eles correram e pegaram as malas e um a um correram atravessando a fumaça espessa e desaparecendo.

segundo depois a mesma fumaça preencheu uma rua deserta e escura na Londres trouxa. Ao saírem do beco no qual estavam, encontraram um bar parecido com uma taverna com uma placa com uma bruxa mexendo em um caldeirão em cima estava escrito em letras de ferro enferrujado caldeirão furado. Caminharam juntos carregando suas malas e adentraram o bar, Era um barzinho sujo. Para um lugar famoso, o Caldeirão era muito escuro e miserável. Havia umas velhas sentadas a um canto, bebendo pequenos cálices de xerez. Uma delas fumava um longo cachimbo. Um homenzinho de cartola conversava com o velho garçom do bar, que era bem careca e parecia uma noz viscosa. O zunzum das conversas parou quando eles entraram. Todos pareciam querer saber quem eram os estranhos de roupas diferentes.

Foram até o atendente, um homem corcunda e velho, com os dentes podres.

– cinco quartos, por favor. — disse Lupin.

– claro. Me acompanhem — disse o homem esquisito do outro lado do balcão, saindo e subindo por uma escada de madeira. — estrangeiros?

– sim, viemos do Brasil. — respondeu Seth admirando cada detalhe do bar.

– então sejam bem vindos. — disse ele e começou a guiar todos a seus respectivos quartos.

Depois de acomodados, ele se juntaram ao salão de entrada para tomar uma cerveja e um whisky, conversaram até que o sono enfim chegou.

*

Enquanto a matilha se acomodava para dormir em seus respectivos quartos, a Toca estava amontoada de pessoas se preparando para a semana de compras de material, na próxima semana as aulas começariam.

Todos estavam sentados a mesa conversando e brincando. As garotas falavam do baile de boas vindas que acontecia todo primeiro dia de aula, onde os pais também eram convidados. Os garotos falavam sobre a temporada de quadribol que havia começado na semana passada. Sra. Weasley conversava com as mulheres sobre o casamento de Victorie e os homens sobre a despedida de solteiro de Teddy.

Remo estava sentado mais ao longe com a mulher Tonks, e olhava aquilo com um brilho no rosto e uma felicidade aparente. Mas por dentro estava triste estava chegando dia trinta e um e faria vinte e três anos que havia abandonado Laura, sua filha de coração. Ninguém lá conhecia a história de seu passado e ele nunca havia contado. Para todos naquela cozinha, Laura Lupin nunca existiu.

Mas ele não contava a eles por desprezo ou por tê-la esquecido, não contava por vergonha e medo, de que descobrissem que já havia machucado alguém antes. Todos os dias pensava em voltar, mas não tinha coragem, e a cada dia que passava mais anos vinham e iam, e depois de um tempo começou a achar que seria injusto aparecer por lá, ela já devia ter construído sua vida sem ele.

– Remo. — chamava Tonks pela terceira vez até que o marido a olhou.

– desculpe querida. — ele pediu.

– tudo bem. — disse ela depositando um beijo suave na boca do mesmo.

E depois disso a conversa continuou até a madrugada quando todos começaram a sentir sono e resolveram ir para suas casas. Remo e Tonks deram as mãos ao filho, agora com dezenove anos, e aparataram em frente a uma casinha simples e agradavel no bairro de Godric's Hollow, foram dormir sem nem ao menos saber que não muito longe dali a pessoa que mudaria todo o rumo da vida deles dormia com um sorriso no rosto, feliz por estar sonhando em reencontrar seu pai.