Lupin

3 Cap. 2 - Convite irrecusável


Na manha seguinte depois de tomarem o café da manha, todos se arrumaram com seus respectivos uniformes de trabalho – que eles quase sempre usavam — e desceram para a Londres trouxa, iam usar a cabine telefônica para chegar ao Ministério da Magia da Grã-Bretanha. Joaquim já devia ter os informado dos visitantes.

– vocês sempre caminham até o trabalho? — perguntou o dono do bar.

– normalmente aparatamos, mas queremos conhecer a cidade. — respondeu Damon.

– então até logo.

Eles saíram andando pela cidade e chegaram até a estação, compraram seus bilhetes de um guarda com cara de sono, e cinco minutos depois estavam a bordo de um vagão que se dirigia ao centro de Londres. Desembarcaram numa estação bem no coração da cidade e deixaram o vagão numa maré de homens e mulheres bem vestidos carregando pastas.

Por onde passavam olhares os seguiam, os garotos vestidos com suas usuais calças pretas, camiseta e coturno de couro chamavam atenção por suas tatuagens e cicatrizes, e as meninas com leggin preta, blusa de alcinha e coturno pretos chamavam atenção por seus diferentes cortes e queimaduras no braço, algumas tampadas com uma tatuagem. Eles não ligavam para isso, tinham orgulho de cada cicatriz.

Tomaram escadas rolantes, passaram pela roleta e emergiram numa rua larga, com prédios impressionantes. Mas quanto mais caminhavam menores e menos impressionantes as construções ficavam, até que finalmente chegaram a uma rua maltrapilha e vazia.

– chegamos. — disse Jack que olhava o mapa enfeitiçado que o dono do bar havia nos dado.

Lupin abriu a porta da cabine telefônica e entraram todos nela, fechando-a logo em seguida. Lupin conseguiu tirar o telefone do gancho que parecia ter sido quebrado.

– vejamos... Seis... — e ela começou a digitar o numero. — dois, quatro, e outro quatro, e outro dois...

Assim que a placa de discagem zumbiu suavemente para seu lugar uma voz feminina, fria, soou dentro da cabine.

– bem vindos ao Ministério da Magia. Por favor, digam seus nomes e assuntos.

– Lupin, Aurora chefe do Ministério Brasileiro, escoltando sua matilha. Queremos falar com o Ministro de Londres.

O chão da cabine estremeceu; começaram a afundar vagarosamente no solo. O pavimento parecia subir através das janelas de vidro da cabine, até que uma completa escuridão se encerrou sobre suas cabeças. Apos cerca de um minuto um feixe dourado de luz surgiu iluminando seus pés e foi aumentando.

– O Ministério da Magia lhe deseja um bom dia. — disse a voz feminina.

A porta da cabine telefônica se escancarou e todos saíram com o queixo no chão. Estavam parados a um extremo de um saguão muito longo e suntuoso, com um soalho de madeira escuro e extremamente polido. O teto azul-pavão era entalhado com símbolos dourados que se moviam e se alternavam como um enorme quadro celeste de avisos. As paredes de cada lado eram forradas de painéis de madeira escura e lustrosa, e nelas havia engastado muitas lareiras douradas. A intervalos de segundos, bruxos e bruxas emergiam de uma das lareiras à esquerda com um suave ruído de deslocamento de ar. Na parede da direita, iam se formando diante de cada lareira pequenas filas de gente que aguardava o momento da partida.
No meio do saguão havia uma fonte.

Um grupo de estátuas de ouro, maiores que o tamanho natural, estavam dispostas no centro de um espelho de água circular. A mais alta era de um bruxo de aparência aristocrática, com a varinha apontando para o ar. Agrupados a seu redor, havia uma bela bruxa, um centauro, um duende e um elfo doméstico. Os três últimos olhavam com adoração para o casal de bruxos. Das pontas de suas varinhas, saíam jorros de água cintilante, bem como da ponta da flecha do centauro, da ponta do chapéu do duende e de cada orelha do elfo doméstico, de tal modo que o silvo e o tilintar da água que caía se misturavam aos popes e craques dos bruxos aparatando e ao ressoar dos passos de centenas de outros, a maioria com a cara de poucos amigos de quem acabara de acordar, dirigindo-se a uma fileira de portões dourados no fundo do saguão.

– Escultura nojenta, devo dizer. – disse Damon em um tom que só a matilha ouviu.

– com certeza. – concordou Leah.

– estão mostrando exatamente onde eles acreditam que as criaturas mágicas devem ficar. – disse Jack.

– Adorando os bruxos. – terminou Seth.

– Estou com saudades do Brasil. – disse Lupin.

Um homem de estatura mediana, cabelos negros bagunçados e óculos, se aproximou e se prostrou a frente deles.

– vocês são os visitantes do Brasil? — perguntou ele.

– sim. — respondeu Lupin.

– sou Harry Potter. — disse ele estendendo a mão a ela. — chefe dos Aurores aqui.

– prazer. — disse ela somente. Não diria seu nome, não por enquanto.

Eles se juntaram à multidão que os olhava de cima a baixo e continuaram a caminhar entre os funcionários do Ministério, alguns dos quais carregavam pilhas instáveis de pergaminhos, outros, maletas surradas; e, outro ainda liam o O’Pasquin enquanto andavam. Ao passarem pela fonte, Eles viram varias moedas brilhando no fundo da água. Um pequeno cartaz ao lado da fonte informava:

TODO O DINHEIRO RECOLHIDO NA FONTE SERÁ DOADO AO HOSPITAL ST. MUNGUS
PARA DOENÇAS E ACIDENTES MÁGICOS


— Aqui, — disse Potter, e eles se separaram do fluxo de funcionários do Ministério que se encaminhavam para as portas douradas.

Com uma barulheira de ferragens, um elevador desceu diante deles; a grade dourada se recolheu, eles entraram no elevador com o homem, as grades tornaram a fechar com estrondo e o elevador subiu lentamente, as correntes se entrechocando, enquanto a mesma voz tranqüila de mulher que ouviram na cabine telefônica tornava a falar:

“Nível cinco, Departamento de Cooperação Internacional em Magia, incorporando o Organismo de Padrões de Comércio Mágico Internacional, o Escritório Internacional de Direito em Magia e a Confederação Internacional de Bruxos, sede britânica.”


Todos desembarcaram do elevador nesse andar dobraram um canto, passaram por pesadas portas de carvalho e saíram em uma área aberta subdividida em cubículos, que fervilhava de conversas e risos. Os memorandos entravam e saíam dos cubículos como foguetes em miniatura. Um letreiro torto no cubículo mais próximo informava:

Quartel-General dos Aurores.

– é aqui. — disse Harry abrindo a porta com o letreiro, e os levando por um extenso corredor até a ultima porta, ele a abriu e lá se encontrava um homem alto e negro com vestido lilás, ao lado dele um homem ruivo, outro loiro e uma mulher com cabelos castanhos.

– Como vão? — perguntou o ministro.

– bem. — disse Lupin simplesmente.

– Joaquim nos informou sobre vocês. — disse ele erguendo as sobrancelhas. — espero que não nos tragam problemas.

– porque, acha que por sermos o que somos não conseguimos nos controlar? – rosnou Jack.

– Calminho ai filhote. — disse Lupin e o outro a olhou.

– mas alp...

– calma. — disse ela novamente olhando significativamente aos presentes que os encarava com curiosidade, eles não tinham idéia de quem eles eram ou que eram. — não se preocupe Kingsley só estou aqui para visitar meu pai, coisas de família.

– muito bem. – disse o ruivo. – Kingsley não disse isso por mal, é só que lutamos anos pela ordem e ficamos rigorosos.

– entendemos, só estão cuidando para que não aja outra guerra.

– exatamente. — disse a castanha sorrindo carinhosamente. — o pedido de matricula foi aceito, aqui estão às cartas. — disse ela se levantando com quatro envelopes na mão indo entregar a Damon.

Lupin se adiantou e puxou a carta da garota. E a encarou de cima a baixo.

– obrigada. — disse secamente a líder enquanto a outra ia se sentar. — Jack, Leah, Seth. — disse ela entregando a carta respectivamente a eles e abrindo a quarta. – “A escola de magia e bruxaria de Hogwarts — começou a ler ela. – temos o Prazer de Informar que a V. Sra tem uma vaga para ingressar no corpo docente da escola...

– professora? — perguntou Seth.

– exatamente. – concordou Kingsley. – o diretor Dumbledore acha que será uma boa experiência para os alunos, aprender sobre a Cultura Mágica de outros países.

– tudo bem. — disse ela. – bom era só isso, nos vemos por ai.

E sem esperar mais conversa virou as costas e juntos os cinco aparataram do escritório para a entrada do caldeirão furado, deixando para trás cinco pessoas de queijo caído pelo que acabaram de ver.

Ninguém podia aparatar ou desaparatar no ministério.

As perguntas rodavam a mente, não só do moreno, mas de todos na sala – ou quase todos. – quem seriam aquelas pessoas e porque ninguém queria falar sobre suas identidades, o ministro Brasileiro e atékingsley se recusara a dizer a qualquer um o nome e sobrenome de todos ali, e por isso a curiosidade era ainda maior.

Mas Lupin pouco se importava, ela estava ali para reencontrar seu pai, apenas isso. Ela tinha uma leve idéia do motivo dele não ter voltado, mas queria escutar o motivo da boca dele.

Ele jurou nunca abandoná-la e ela jurou estar sempre com ele, e é isso que esta fazendo.