Lupin

7 Cap. 5 – Primeiro dia de aula


Na terça-feira de manhã, Lupin e a matilha já estavam sentados na mesa do salão comunal de seus dormitórios tomando o café da manha.

O café foi rápido e silencioso, eles cresceram juntos e se conheciam bem, e sabiam quem gostava e quem não gostava de barulho pela manha. Então por isso todos ficavam em silencio, comendo com seus pensamentos.

Enquanto o restante da matilha saiu para assistirem as suas aulas, Lupin e Damon se dedicaram a suas que seriam dadas toda a manhã e na maior parte da tarde.

Por odiar ficarem presos em salas, eles levaram os alunos a se sentarem próximos ao lago negro, em um pano quadriculado – como um piquenique gigante – e lá eles passaram a explicar o que podiam sobre o mundo mágico na America.

Todos prestavam atenção às palavras dos dois, e aparentemente horas mais tarde, ainda estavam sentados lá dando aula aos outros alunos que apareciam.

A manha se foi e com ela chegou o fim das aulas naquele período, os alunos estavam empolgados, e gostaram da forma de aula e de ensino dos dois Lupin’s, no almoço todos já estavam comentando que o dom de lecionar e a carisma eram de família – o que fez Remo Lupin corar ate o dedo do pé –.

A matilha estava sentada onde, outrora, Damon e Laura deram aula, estavam fazendo um pequeno piquenique, enquanto os alunos estavam no almoço. Minutos depois, Carlinhos e Remo se juntaram a eles – para alegria de Laura, e diversão do restante da família que ria toda vez que Laura ficava vermelha ou demonstrava visível preocupação sobre algo –.

Ela adorou conversar com o pai, e cuidaram de colocar todo o assunto possível em dia.

– e os namoros? – perguntou Remo.

– nunca vi pessoa mais sozinha que ela. – disse Seth.

– se não fosse a gente. – disse Jack.

– me dediquei primeiro a minha causa e as minhas pesquisas. – explicou ela. – e depois a minha família.

– então esta na hora de mudar a prioridade. – disse Remo olhando de Carlinhos a Lupin, fazendo os dois corarem.

No final do almoço, todos voltaram a suas aulas, enquanto Laura e Carlinhos – que tinham tempo livre – continuaram sentados conversando.

A cada palavra trocada, ela sentia borboletas em seu estomago, e não era diferente com o ruivo. Nenhum deles entendia como essa ligação ficou tão forte de repente, mas ambos queriam que ela continuasse.

Lupin fez o prometido e abaixou a guarda, e com isso Carlinhos descobriu mais sobre ela, como quando ela tinha treze anos e saiu gritando na escola que todos eram Lobisomens, e naquele ano tinha duas garotas novas vindas de Hogwarts, elas choraram com medo que tentassem transformá-las. Ou quando colou a diretora na cadeira do Grande salão com cola super forte. Eles riam e conversavam como velhos amigos.

Lupin descobriu que Carlinhos tinha escolhido a vida de estudar dragões na Romênia, dedicando-se especialmente para isso, mas que nesse semestre, com a licença a férias de Hagrid, e a licença dele pelo mesmo motivo, ele resolveu voltar às raízes e recebeu o convite de lecionar na escola. Ela descobriu que seu companheiro era mais resistente do que podia imaginar, mas tinha que admitir em seu interior, que seu lobo ficou louco com vontade de trancar Carlinhos nas masmorras para que não se ferisse mais por isso.

O tempo passou e logo deu a hora deles voltarem a suas aulas, Laura se levantou para se despedir de Carlinhos que iria a floresta proibida encontrar seus alunos, mas como desastrada – que ela nunca foi – ela acabou tropeçando em uma dobra do pano no chão, quase caindo de cara no chão, mas sendo segurada por braços fortes de certo ruivo, que a puxou para mais perto a fim de mantê-la em pé, ficando assim centímetros de distancia um do outro.

– você esta bem? – perguntou ele.

Eles estavam muito próximos, Lupin podia sentir a respiração do outro, e o cheiro de seu halito de Almíscar e canela, teria o mesmo sabor? Se lembrando da pergunta dele ela assentiu com a cabeça. Eles não queriam se soltar, queriam ficar ali, por tempo indeterminado. As pernas de Lupin tremeram, e o toque do ruivo em sua cintura fez um arrepio gostoso subir ate sua nuca. Mas com risadas abafadas e pigarros, eles acordaram. Os alunos de Laura haviam chegado, e por mais que eles tentassem fingir indiferença, não conseguiam.

Ela se soltou dele relutante e envergonhada e ajeitou o vestido no corpo.

– Tenho que dar aula. – disse ela.

– claro, nos vemos por ai. – disse ele dando o mesmo lindo sorriso da noite anterior se virando para ir à orla da floresta.

Assim que o rapaz sumiu nas sombras das arvores ela saiu de seu transe e se virou para Damon que gargalhava as suas costas.

– tire uma foto, dura mais mãe. – disse ele com um sorriso torto, e toda a turma começou a rir.

– espero que sua hora chegue, ai saberá o que estou passando. – resmungou ela.

E com risos e piadas sobre a dispersão de Lupin, a aula correu no mais normal possível pela tarde clara e fresca de setembro.