Lunatic Girl
19 Capítulo 19 - BRIGAAAAA!
Como eu fiquei em um estado deplorável para andar, minha mãe me acordou cedo no dia seguinte para eu não me atrasar e não ter que correr três quadras para o colégio. Sim, minha casa fica a três quadras do colégio por isso minha mãe me faz ir a pé por que não quer prejudicar o meio ambiente.
– Alice! O que aconteceu com seu pé? – Lucio perguntou... Que delicia. Fiz cara de brava para ele.
– Te dei permissão para dirigir a palavra à minha pessoa? Deixa que eu respondo: NÃO! — Comecei a caminhar um pouquinho mais rápido. Acho que não ganharia uma corrida com o Pudim. — PARA DE ME SEGUIR! VOU TE PROCESSAR!
– Eu não estou te seguindo! Só estou indo na direção da escola. E você não respondeu a minha pergunta! — Falou passando o braço pelo meu ombro. Que ótimo! Ele também mora perto do colégio.
– Não respondi e nem vou responder! — Peguei sua mão e tirei do meu ombro. Não lembro quando eu comecei a ter esse receio com o Lucio, acho que foi quando eu vi ele e uma garota se “engolindo” tanto que cheguei a achar que eles eram canibais. — Você tem sorte de eu não estar em condições de te dar uma voadora! — Entrei na escola e o tiozinho do portão ficou de boca aberta. — Sim, eu cheguei cedo! — Mais cedo que o Fernando! Pude constatar isso quando cheguei na sala de aula e não o vi.
– Seu namorado ainda não esta aqui. -Lucio disse e se sentou no lugar do Fernando.
– Meu namorado nada! Seu namorado! Ele é gay lembra? -Disse me sentando na minha carteira. — Esse é o lugar do Fernando. E oi Bia. – Disse para a Bia que estava chegando do meu lado.
– Olá pessoa sem apelido. – Ela chegou do meu lado e me empurrou mais para a cadeira e sentou na mesma. Ótimo, agora eu tenho que dividir a cadeira com ela.
– Nem ligo! — Lucio se virou pra mim. — E não estou muito convicto de que ele é gay!
– Mas ele é! E eu luto todos os dias para ele se assumir! — Olhei para a porta da sala e vi o Fernando. — E ele esta vindo ai...
– Porque esta no meu lugar? -Perguntou para Lucio.
– Não está escrito seu nome nele!- Lucio contrariou.
– É claro que não. Escrever na carteira é vandalismo. — Nossa... Eu escrevo na carteira. OMG! Sou uma vândala! — E esse é o meu lugar de acordo com o mapeamento da sala. — Completou.
– A é? Me tire daqui então! E eu que não vou sair de perto dessa gostosa. – ele apontou para mim. Estou ficando com medo desse cara. E ele provocou. OUVIRAM NÉ? ELE PROVOCOU! Aí então Fernando deu uma de Hulk e pegou ele pelo colarinho e o tirou da cadeira. Daí o Lucio puxou ele e o jogou no chão subindo em cima do mesmo – Hum... Boióla?- e lhe desferindo um soco. Fernando inverteu as posições, – UIUI. — agora quem estava por cima era ele, e quem desferiu os socos foi ele. Tentei separá-los, mas a única coisa que consegui foi um empurrão, vindo da parte do Lucio, que deve ter me deixado com vários hematomas. Aí então que Fernando deu a louca (?) e começou a socar o coitado com toda sua força. Foram separados por dois professores.
Fernando quase intacto. Lucio um monstro feito de sangue.
– Será que acham que eu não tenho nada para fazer? – Abigail disse... De alguma forma eu fui parar lá também. Acho que por que um dos professores que separaram a briga era a Carmem.
– Acho que pensam que você é enfermeira Abi! – Falei me sentando na minha cadeira, mas o Fernando me levantou e sentou no meu lugar. — E eu também acho que você é um folgado. – Falei para o Fernando e fiquei do lado do Lucio.
– Fernando? É raro te ver aqui. Você nem tanto. – Ela olhou para mim. — O aluno novo já esta arrumando problemas? – Todos ficaram em silencio. — Qual foi o motivo da briga?
– Ele começou a me bater só por que sentei no lugar dele e chamei ela – ele apontou para mim e me deu um sorriso safado me fazendo sair de perto dele — De gostosa.
– Então... O aluno novo já esta dando problemas?- Abigail repetiu a frase. Parecia que ela queria mandá-lo ir dar uma volta.
– Não, só expressei minha opinião! Não é minha culpa se o namorado dela é todo fervido.
– ELE/ELA. NÃO. É. MEU/MINHA. NAMORADO/A! – Eu e o Fernando falamos (gritamos) juntos.
– Vá encher o saco da mãe!- Mandei e Abigail me deu um peteleco.
– Se disser isso de novo lhe arranco o cérebro. Mas isso não te faria muita falta né? — Fernando fez uma ameaça estranha e Lucio chutou sua (minha) cadeira, fazendo Fernando ir um pouco para trás.
– Ta querendo arrumar briga?- Lucio perguntou.
– Não... Arranjar briga com gente como você é perda de tempo.
– SERÁ QUE DÁ PARA PARAR DE AGIR COMO SE EU NÃO ESTIVESSE AQUI? — Abigail gritou assustando a mim e a Lucio. — Vou dar uma suspensão para vocês três.
– Mas eu nem fui o motivo da briga! – falei e fiz o Fernando levantar da cadeira e sentei na mesma. Meu pé estava dolorido que só. — Eu preciso estudar história!...Sei que isso foi estranho vindo de mim!
– Olha Alice, acontece que você esta toda machucada e se meteu no meio da briga! — Ok, da próxima vez deixo eles se matarem. — O que aconteceu no seu braço?
– Danny! – É, ainda esta machucado — Mas já esta sarando! Tudo bem!- Olhei para Fernando. — Você vai me ensinar ta? É a segunda vez que você faz o favor de me deixar em apuros!
PAQFB: Ano passado nos dois tivemos que limpar o refeitório porque eu joguei comida em uma das fan girls do Fernando que estava me ofendendo, mas como minha mira é uma maravilha eu acabei acertando o próprio Fernando e ele para se vingar atacou comida em mim que gerou uma guerra de comida no refeitório inteiro.
– Eu não pedi pra se meter. — Cretino. Devia ter apanhado mais!
– E eu não pedi pra vocês começarem a falar! — Abigail interveio na nossa discussão que nem começou (?). — É o seguinte: Dois dias de suspensão para os três, se continuarem a brigar vão ser expulsos! -Ela olhou para mim. — Especialmente um certo alguém com as notas muito baixas em historia!
– Mas eu vou melhorar! Qual é Abi? Você mais do que ninguém sabe que eu vou super bem nas matérias que não é dela... — Carmem e Rambo (nosso professor de ciências) estavam lá.
Sim, o nome dele é mesmo Rambo. Sugiro que não ria, eu ri e recebi um termo de ocorrência (PAQFB 2: um papel sobre eu estar me comportando ou não) que eu tive que mostrar para a minha mãe que no final ela riu também.
– Será que é porque você sempre vem para a minha sala na aula dela? — Abigail perguntou. Ok, acho que não era segredo pra ninguém que “ela” era a Carmem. — Será?
– Estou me certificando de vir com as duas meias todos os dias! — Levantei as mãos como se fosse inocente. — Afinal, eu me transformei numa delinquente juvenil por causa disso e de outras coisas que não fazem o menor sentido.
– Eu te mando para a diretoria com motivos sim, senhorita Carvalho! – Claro Carmem. Quem foi contra sua palavra?
– Exato, mas só a mim! Outros que fazem coisas piores você não manda! Isso se chama perseguição, minha cara. — Já estou suspensa, vou fazer barraco!
– Eu? Porque eu estaria gastando o meu precioso tempo perseguindo alguém como você?
– Com toda a certeza não é porque me quer bem! — Apontei o dedo na cara dela. — Por SUA culpa eu tenho as notas baixas em historia! Se não fosse a sua matéria eu poderia ter 10 na minha média bimestral, quem sabe até anual! Como você espera que um aluno aprenda se ele nem assiste as aulas? E quando assiste não pode nem tirar uma duvida se não a professora o manda para a diretoria!!
– Abigail acho melhor interferir... — Rambo disse.
– Eu acho que não... — Abigail parecia querer ver uma luta livre.
– Esta se fazendo de santa? Eu sempre te mandei para a diretoria por razões sérias!
– Ôh sim: “Alice, você esta muito perto do Nando!” ou “Alice, você esta irritando o Nando!” isso são razões sérias? Se for, em que planeta?
– São sim! Nando é o melhor aluno da escola! Você não pode atrapalhá-lo! — Fernando se mantinha quieto prestando atenção na briga.
– Melhor aluno da escola? DE JEITO NENHUM! — Olhei para Fernando, Rambo e Abigail. Depois dirigi meu olhar para Carmem. — Eu posso provar ser mais inteligente que ele! Eu só preciso estudar direito! — Olhei para Abigail. — Abigail você sabe que eu sempre fui uma aluna muito boa antes de aquilo acontecer né?
– Sei sim. Você era uma ótima aluna até a Carmem começar a te dar aulas... — Me deixa explicar melhor: acontece que antigamente um professor ensinava todas as matérias. Então era mais fácil, mas depois mudou para a Carmem... Imaginem minha situação. Agora que temos mais professores eu consegui voltar um pouco ao eu normal — Espero que possam se entender!
– Eu não quero me entender com essa vaca! — Falei pegando minha mochila... Sim eu a trouxe pra cá. Não só eu, mas Fernando e Lucio também. Isso mesmo que você esta pensando, nós vamos para casa. Nossa suspensão começa agora. Dirigi-me à porta e olhei para Carmen. — E antes que eu me esqueça... Carmem enfia o Nando no cu! — Sai da sala, mas não pude deixar de ver Abigail dar um sorriso e o Rambo soltou uma gargalhada (ele também não gostava muito da Carmem). No fundo acho que a Abi gosta do meu jeito. Claro, quem não gosta? Não sei, só sei que quando eu estava quase saindo do colégio o Fernando me alcançou.
– Sua ultima frase foi estranha. — Comentou podo-se a caminhar ao meu lado. Não se esqueçam que eu estava no modo lesma por causa do tornozelo.
– Eu sei, mas não se preocupe você não é o “Nando”. Você é o Fernando, o cara com o orgulho do tamanho do traseiro da Abigail... Ou maior. -Falei abrindo os braços para expressar o tamanho do seu orgulho.
– Essa comparação foi mais estranha do que sua frase... Você é estranha!
– JURA? — Ele olhou para mim de canto.
– Acha que a Carmem vai parar de pegar no seu pé?
– O que? Não! Ta louco? Agora só vai piorar! — Olhei para frente. — Até parece, pegar no meu pé é o hobby dela. Dela... Do meu padrasto... Da minha irmã... Do...
– Eu entendi, pegar no seu pé é um ato divertido. -Ele se abaixou para amarrar meu sapato.
– Nem sabia que estava desamarrado! — Comentei e logo dei uma risadinha.
– O que foi? -Fernando já estava de pé quando me questionou.
– É que você está pegando no meu cadarço. Entendeu? Minutos atrás estávamos falando de como pegam no meu pé e... Você pegou no meu cadarço e... É não teve graça. — Disse vendo que ele não iria rir.
– Descobriu isso sozinha? — Perguntou. — Deixa pra lá. Ah, lembrei que você falou que era mais inteligente que eu. — Ele ficou um pouco em silêncio. — Eu discordo.
– Posso não ser a mais inteligente, mas sou a mais modesta. — Me defendi. Ta, eu não sou mais inteligente que o Fernando, mas... Eu posso me esforçar. PERAE! OQUE QUE EU TO FALANDO? É lógico que eu sou mais inteligente que esse formigo. Mas vamos deixar que ele ache que é melhor... — Mas diga aê! Eu tirava muito dez quando era mais jovem!
– É verdade, dona idosa. — Mostrei-lhe o dedo do meio. Chato ele não? — Vai ter que mostrar o quanto é inteligente nas próximas provas.
– Ei... Fernando, você sabe que eu te adoro né?
– O que você quer?
– Me ajuda a estudar? Vaiiiii! — Puxei sua camisa.
– Não sei... Acho que vai ser um aborrecimento como era antes. — Conviver com você é um aborrecimento. — E você já tem sua amiga louca a... A...
– Não lembra o nome hein Senhor Perfeito? – Enchi o saco.
– Não te ajudo mais!
– Fernando! Eu estava brincando! VOLTE AQUI! E só para você lembrar o nome dela é Beatriz. – O Fernando lembra o nome das pessoas como sabe desenhar. Tentei andar mais rápido, mas tropecei e cair de cara no chão e em cima do meu pé machucado, legal não? — MERDA!
– Ta tudo bem?- Ele voltou até onde eu cai.
– Claro que ta! É que o chão estava tão sozinho... Senti pena dele sabe? – Perguntei sarcástica e ele ignorou.
– Consegue andar?
– Vamos tentar meus poderes de raio — X de novo. – Tentei me apoiar. — AI MERDA!! – Comecei a cair e o Fernando me segurou.
– Não vai dar para você andar. – Ele jogou a mochila dele no meu colo e se agachou de costas para mim. — Sobe.
– Ahn? – Acho que a lentidão do Pudim afetou meu cérebro.
– Suba nas minhas costas e eu te levo. –Ele disse de forma tão natural que até tocou meu coração e esqueci que estávamos brigados.
– Sério amigo? – Ainda tinha minhas duvidas. O que? É impossível o Fernando ficar bravo comigo em um dia e no outro se oferecer para me ajudar!
– Ande logo antes que eu mude de idéia e você tenha que voltar para casa se arrastando no chão. – Subi nas costas dele com um pouco de dificuldade, mas então ele levantou e começou a caminhar.
– Obrigada Nando. – Imitei a voz irritante da Carmem e deu para ver que o Fernando arrepiou.
– Pare de imitá-la! Já não basta ter que aguentá-la no colégio, também não quero ter que ouvir imitações da voz dela. – Depois dessa eu soltei uma risada. É bom saber que ele também não gostava dela, na verdade, é bom saber que NINGUÉM gosta dela. Acho que eu comecei a me mexer muito com a risada que o fez reclamar. — Pare de se mexer tanto, não pense só por que você é magra que é leve!
– CRUEL! Se ferrou então!
– Ahh, não se acostume com que te levando nas costas.
– Por que não? Eu já ia te chamar de meu jegue! – Falei desolada. Chegamos em casa e minha mãe abriu a porta.
– Já estão assim?- Ela estava com um sorriso safado na cara. — Ou melhor, não era para vocês estarem na escola? – Ela me mandou um olhar duro.
– Eu cai em cima do meu pé machucado, mente poluída! E nós recebemos uma suspensão de dois dias. — Ela deu passagem para que Fernando entrasse e me olhou espantada. — Upa, upa cavalinho! -Disse fingindo bater nele com um chicote.
– A Alice até eu não me surpreendo muito, mas Fernando? Não me diga que a Alice te levou para o mau caminho? – Ela mandou um olhar malicioso. — Continuem assim e eu e a Lucia vamos ganhar mais netinhos!
– Somente o da Nicks com o Artur! – Comentei e o Fernando estava subindo as escadas comigo nas costas. – O que eu disse sobre pegarem no meu pé heim? – Perguntei para o Fernando fazendo ele soltar um risinho. Consegui fazer o Fernando rir duas vezes no mesmo dia, bati um recorde mundial!
– Ouvi meu nome? – Perguntou dona Lucia. — FERNANDO! O que pensa que esta fazendo? Essas coisas vocês fazem depois do casamento! E vocês não deveriam estar no colégio? FERNANDO! PORQUE SUA BOCA ESTA SANGRANDO? – Ela disse espantada fazendo a minha mãe rir e o Fernando corar.
– Mãe! Não! – Ele disse ainda corado.
– Dona Lucia, não é nada disso! É que eu cai em cima do meu pé machucado e não consegui andar então o Fernando me ajudou! E a boca sangrando é por que ele se meteu em uma briga. – Falei rápido e tentando manter a calma. Por que estou tão nervosa? Fernando subiu a escada mais rápido, enquanto a mãe dele dava um chilique.
– Entregue. – Ele me deixou na cama e foi indo até a porta.
– Espere! Eu quero ver o xingo que você vai levar! – Fui indo igual a saci até a escada. Nem a pau que eu ia tentar descer essas escadas!
– Vamos para casa e lá você vai me ouvir e muito! – Disse dona Lucia indo até a porta com o Fernando a seguindo.
– Lucia? Fernando? Perdi algo? – O Rodrigo chegou na sala e viu o Fernando com a cara sangrando e amassada.
– Rodrigão! – O chamei e todo mundo virou para mim que estava sentada no pé da escada. — Lembra quando eu cheguei toda arranhada em casa e você disse que os filhos do Nélson nunca chegam em casa arranhado? É POR QUE ELES CHEGAM AMASSADOS! – Fernando e minha mãe soltaram uma risada (TRÊS VEZES! NOVO RECORDE!) e a dona Lucia escondeu o riso com uma tosse. O meu padrasto meu olhou com cara de cu. Me levantei e fui para o meu quarto.
– Pudim bebê! Que saudades de você! OLHA RIMOU! – Comecei a rir sozinha e fiquei deitada na minha cama com preguiça de fazer qualquer coisa e minha mãe entrou no quarto e passou tanta pomada que eu sinto que vou melecar minha cama toda depois ela me deu um remédio para a dor que me fez dormir o resto do dia.
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