Lunatic Girl

20 Capítulo 20 - Pafúncio


Notas iniciais
^-^

Aquela pomada que a minha mãe passou foi tão potente que meu pé acordou maravilhoso no dia seguinte. Tão maravilhoso que eu já conseguia andar normalmente.

Acordei com fome, então fui descendo as escadas para pegar algo para comer.

– O que foi que você me deu ontem mãe? Sedativo para cavalo? Eu dormi mais que uma preguiça!– Falei coçando o olho quando eu cheguei na cozinha e a vi lá.

Um pato. É, um pato. PORQUE TEM UM PATO NA MINHA COZINHA?

– Ah, bom dia filha! Foi só o remédio que o médico receitou para o seu pé que pelo visto já esta melhor. – Acho que minha mãe viu minha cara de desesperada_ O que foi filha?

– ”O que foi?” PORQUE TEM UM PATO NA NOSSA COZINHA? – Apontei para o pato. — Pelo que eu saiba, ele tem que estar morto e depenado para cozinhar. – Parei e pensei — EU É QUE NÃO VOU MATÁ-LO! – Minha mãe revirou os olhos para mim. Que mania das pessoas de fazerem isso para mim.

– Não vamos cozinhá-lo, eu e a Lucia ganhamos ele de um dos nossos clientes lá no café. – Minha mãe explicou — Eu até pensei eu transformá-lo em ensopado, mas fiquei com dó dele e se eu entregá-lo para algum fazendeiro ou para um dono de sitio ou chácara ele ia morrer do mesmo jeito, então decidi ficar com ele. – Ela disse com uma cara de inocente.

– O Rodrigo e a Nicole aceitaram isso? – Perguntei espantada.

– A Nicole daqui a pouco vai morar com o Artur, e o Rodrigo disse que não liga! – Ela disse tão feliz que não tinha como eu não concordar com isso. — Fiz seu café da manha. – Ela estendeu uma tigela com cereal e iogurte de morango por cima. Não tinha como ela errar isso.

– Já tem nome? – Coloquei o garfo cheio de cereal na boca. O que? Não gosto de colheres! Uso quando preciso, mas não gosto. Não pergunte... É uma longa historia!

– Ainda não, eu pensei em Patinho, mas é muito... Muito. – Ela fez uma cara estranha me fazendo rir com a boca cheia e ela jogou um pano na minha cara e soltou um “se limpe”. — Pode escolher o nome, já não tenho mais criatividade para isso!- Me limpei e disse:

– Que tal Pato Ao Molho De Laranja? A dona Lucia fez uma vez e estava tão gostoso... – Ai que saudades daquele pato.

– NÃO! Nada que lembre comida e vá traumatizar o coitado!

– Então vai ser Pafúncio! – Se o Pudim não fosse Pudim, ele ia se chamar Pafúncio.

– Pafúncio? Que droga de nome é esse filha? – Droga de nome? Agora me ofendeu!

– Ahhh mãe!! DEIXA! Veja a carinha dele, nos olhos dele está escrito: PAFÚNCIO! – Fiquei do lado do Pafúncio e apontei para os olhos dele e como gratidão a criatura me bicou. Sim, esse ingrato me bicou — AI! PATO INFERNAL!

– Pare de brigar com o Pafúncio! – Minha mãe defendeu o pato ao invés de mim? É SÉRIO ISSO PRODUÇÃO? — Eu e a Lucia vamos ter que ficar no café o dia todo. O Rodrigo vai ter um almoço entre os chefes lá da redação do jornal. A Nicole já ligou avisando que ia ter que ficar até tarde na redação da revista e depois ela vai resolver uns negócios do casamento. E a Lucia disse que o Nélson ia ter um almoço de negócios, então você vai almoçar com o Artur e o Fernando! Esteja pronta ao meio dia para irem ok? Beijos, se cuide e cuide do Pudim e do Pafúncio.

– Então ta... – Não tinha mais nada para falar, ela já tinha despejado tudo e era ou ir almoçar com eles ou comer miojo. Terminei de comer na frente da TV aproveitei e vi que horas eram. — QUE MERDA! 07:24? Acordei mais cedo do que devia.

Pafúncio subiu no meu lado no sofá.

– E então Pafúncio, eu quero te apresentar a uma tartaruga e eu sinto que vocês vão se dar bem... – Peguei Pafúncio no colo e subi as escadas ate o meu quarto e coloquei o pato de frente para o Pudim. — Pudim, esse é o Pafúncio. Pafúncio, diga oi para o Pudim!

– Que merda você esta fazendo?

– QUE SUSTO CRIATURA! – Pulei para trás e acabei assustando o Pafúncio que soltou um quack muito alto e pulou do meu colo, me virei para a voz mais que conhecida. — O que foi? Nunca viu um pato? –Fernando revirou os olhos. QUE MANIA!

– Claro que eu já vi um pato, quero saber oque você esta fazendo com um! – Ele disse deitado na minha cama mexendo no celular de rico dele.

– Nossas mães ganharam de um cliente lá no café e foi a minha mãe que acabou ficando com ele – Apontei para o Pafúncio. — E ela me mandou dar um nome para ele e eu dei! Pafúncio diga oi para o Fernando! – Ergui o pato até a cara do Fernando.

– Tire o Pafúncio do meu rosto coisa lilás! – Ele levantou e foi até o aquário do Pudim e o tirou de lá. — Ela te trocou viu Pudim!

– NÃO! EU NUNCA TROCARIA O MEU FILHO! PUDIM SAIA DOS BRAÇOS DESSE PAI DESNATURADO! – Deixei o pato no chão e fui pegar o Pudim das garras do baby-Barbosa, quando eu o peguei o Fernando revirou os olhos... De novo. Ele mexeu no celular mais uma vez e disse:

– Mudança de planos: Artur não vai poder nos buscar então nos vamos ter que ir a pé até o restaurante. – NÃOOOOOOOO!

– NÃOOOOOOOOOOO! Eu não quero andar! – Fui cortada pelo latido do Anúbis na janela do Fernando quando nos viu.

– Vou buscar o Anúbis e já volto. – Ele pulou a janela saiu pela porta do próprio quarto com Anúbis no seu calcanhar.

– Tá! Meu quarto virou um ponto de encontro de animais agora? – Perguntei para o Pudim e para o Pafúncio.

– Antes o seu que o meu! – Fernando entrou no meu quarto e eu mandei o dedo feio para ele e o Anúbis pulou em cima de mim me fazendo cair.

– É bom ver você também! Anúbis você cresceu muito rápido rapaz! – Fiz carinho na cabeça dele e ele tentou me lamber. — Vira essa boca pra lá criatura! Sei muito bem os lugares que essa fuça ai já passou! – Fernando soltou uma risada e tirou o Anúbis de cima de mim.

– O que nós vamos fazer até a hora do almoço? – Nós?

– Nós? Eu não sei você, mas eu vou jogar Mortal Kombat. – Liguei minha tv e o meu vídeo game e coloquei o Mortal Kombat e comecei a jogar. Ele me olhou com cara de cachorro que caiu da mudança. — Ok! MAS EU SOU O SUB-ZERO!

– Escolher o Sub-zero não é uma coisa muito feminina. – Fernando escolheu o Johnny Cage. Vai perder feio meu amigo!

– E desde quando eu me preocupo em ser feminina, Fernando?– Parei o que estava fazendo e o encarei bem séria. Ele é idiota ou se faz?

– Tem razão! Foi uma pergunta idiota. E você nunca vai ganhar de mim, sua lerdeza nunca deixaria você ganhar. — Começamos a jogar de novo e foi... Foi... Foi... E... Espera... YEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! SOU A MELHOR!

E como qualquer pessoa normal eu comecei a comemorar jogando na cara do meu adversário de como eu sou a melhor.

– SOU A MELHOR²! VOCÊ PERDEU PARA UMA GAROTA SENHOR MACHÃO! UHUUUUUUU! – Comecei a fazer uma dancinha ridícula.

– É melhor para de dançar, lembra oque aconteceu da ultima vez que você comemorou assim? – Parei na hora. É o que aconteceu na ultima vez foi... ENFIM! Que se dane estou mais coordenada ultimamente e o meu vídeo game não tem fios então ta tudo bem!

– Eu não vou cair como da ultima vez, porque agora eu sou soda DING DING! – Recomecei a dancinha ridícula e o Fernando levantou muito rápido e bem na minha frente me fazendo pular para trás assustada. E como eu sou Alice Carvalho e a Alice Carvalho TEM que fazer alguma merda, eu tropecei tentando não cair em cima do Pafúncio. PATO INFERNAL!² Vou ficar com hematomas.

Eu sabia que algo ia acontecer.

Eu sabia que esse pato era infernal!

Eu não sabia que o Fernando ia me salvar de bater a cabeça na escrivaninha! Coro de vozes surpresos: OOOHHHHHOOOOOO!!!

– Você não consegue passar um dia sem se machucar não é? – Fernando me encarou e eu não falei nada. — Que tal dizer um “obrigada”? – Como é que ele quer que eu responda, se ele me deixa em uma pose TOTALMENTE DESCONFORTAVEL. Ta, talvez não tanto. FOCO, ALICE. FOCO!

Imagine a cena: O Fernando, com o modo Fernando de ser (chato, arrogante, metido, amigo, e às vezes gentil), pula na minha frente fazendo a desastrada aqui tropeçar no pato atrás da própria e caindo com a cabeça em direção a escrivaninha. Assustador não? O que? Eu poderia ficar com sequelas se eu batesse a cabeça! MAS ENFIM... E então o Fernando se transforma magicamente em Fernando, o guy que faz (quase) todas as garotas do colégio e algumas professoras (Carmem) caírem aos seus pés e esse Fernando me puxa para cima dele para eu não cair na escrivaninha e no final acaba comigo sentada no chão entre as pernas do Fernando de costas para o próprio. Legal não? Papai do Céu... Eu já sei o quanto você me ama não precisa demonstrar toda hora!

Pequeno Detalhe (se é detalhe, já é pequeno... Olha o pleonasmo!): Nós dois estávamos de pijama.

– Não vai falar nada? – Ele colocou o rosto do lado do meu e cutucou minha bochecha me fazendo ficar mais vermelha. Esse garoto não sabe os efeitos que provoca nas pessoas não? — Diga algo, parece até que se machucou de verdade e esta com dor!

– Você... Não... Se toca? – Perguntei pausadamente, eu ainda estava nervosa. Meu coração batia muito rápido, minhas mãos suavam muito, minha boca estava seca, provavelmente meu rosto estava parecendo um tomate. Parece até que eu ia apresentar um trabalho do colégio! Acho melhor perguntar para a Nicks ou para a Bia o que era isso.

– Me toco do que? – Ele perguntou confuso. E agora? Enrolo ou digo a verdade? AI QUE DUVIDA CRUEL! Olhei para o Pudim com uma cara de quem pede ajuda e essa tartaruga me vira às costas. FILHO DA P... Esqueci que eu sou a mãe dele.

– De nada, vamos terminar de jogar. – Tentei me levantar, mas o traste me segurou pela cintura me fazendo sentar no chão de novo.

– Agora me fale! Não é justo me deixar em duvida. – Ele continuava com a mãe na minha cintura e virou o rosto na minha direção. Se eu não sair daqui eu vou ter um treco, sério! Por que o Pafúncio não faz algo agora heim?

– Eu. Não. Vou. Falar. – Tentei me levantar mais uma vez e ele me segurou.

– Se você não falar eu não vou deixar se levantar! – Ele pegou o controle que estava do lado dele e colocou em minha volta formando um circulo comigo dentro, ele tirou o jogo do pause e começou e jogar. VAI SE FUDER FERNANDO! Catei meu controle o mais rápido possível e segui com o jogo, e só porque ele me pegou de surpresa ele estava acabando comigo no jogo.

Isso não vai ficar assim! QUERO MINHA VINGANÇA! Por me manter presa e por estar me vencendo no meu jogo preferido! Ou eu venço isso ou meu nome não é Alice.

Comecei a jogar serio, fiz meus golpes especiais até que eu estivesse na frente e quando eu estava quase ganhando o Fernando se encostou nas minha costas como se chegar mais perto da TV fosse funcionar, mas me deixou meio nervosa me fazendo perder a concentração e ele conseguiu. Não a ponto dele ganhar, mas até o ponto dele sair da parede que eu o tinha encurralado e começar a me empurrar para a parede, no jogo.

Tá, agora eu estava furiosa. NINGUÉM ME VENCE EM MORTAL KOMBAT!!

De novo fiz meus golpes especiais, mas continuei com os golpes até que ele estivesse quase morto e para finalizar deu um ultimo soco normal e TATATATATTATAATTA!!! GANHEI AGAIN!!!! SOU FODA! NINGUÉM ME VENCE!

– HAHA! NA SUA CARA FERNANDO! NA SUA CARA! PERDEU DE NOVO PARA UMA GAROTA!! – Levantei e fiz a dancinha vergonhosa de novo, mas dessa vez eu não ia cair por que não tinha NADA, ABSOLUTAMENTE NADA que podia me fazer cair.

– Você trapaceou! – Fernando levantou, mas não tão perto que fosse me assustar.

– Eu sou simplesmente demais baby! Ninguém me vence no Mortal Kombat! – Sai do quarto deixando o Fernando e fui para a cozinha seguida pelo Pafúncio que não saia da minha cola.

– Não é possível você me vencer duas vezes seguidas no mesmo jogo! Alice, você trapaceou! – O Fernando continuava fazendo manha por causa do jogo.

– Pare de ser bebe chorão! Aceite que perdeu e pronto! – Peguei um suco da geladeira e pegue um copo.

– Me serve também! – Fernando me pediu.

– Se vira. – Peguei meu copo e encontrei o Anúbis descendo as escadas. — Parece que alguém acordou do sono de beleza. – Fiz voz de bebe e fiz carinho no Anúbis.

– A casa é sua e eu sou visita! – HÁ! Visita!

– Visita... – Comecei a gargalhar. O telefone começou a tocar e eu fui atender. — Alô.

– Pessoa sem apelido?

– Xuca? Você não deveria estar na aula?

– Estamos no intervalo sua tosca! Por que não veio na aula? O que aconteceu? Você esta doente?

– Não, eu o Fernando e o Lucio estamos de suspensão, amanha eu volto! Não precisa ficar perdida sem eu ai! – Enchi o saco dela um pouco.

– Metida! Posso passar ai de tarde?

– Você pode passar depois das duas! – Eu não sabia que horas que eu ia voltar do almoço com o Artur então é melhor prevenir do que arriscar!

– As duas eu estou ai! Beijos sua idiota.

– Ok, beijos e sobreviva a Carmem!

– É mais fácil falar do que dizer!– E nisso ela desligou.

– Pelo visto era a sua amiga. – Falou Fernando jogado no meu sofá tomando suco.

– Diga o nome dela. – Cruzei os braços e esperei, ele não ia lembrar. Ele me encarou com uma cara de “você me paga depois”.

– Barbara...? – Ele fez uma careta e disse.

– Não.

– Bruna?

– Não.

– Bianca?

– NÃO! É Beatriz, mas pode chama-la de Bia! – Terminei o suco e comecei a expulsar o Fernando da minha casa. — Vá para a sua casa.

– Por quê? – Ele parecia confuso.

– Por que eu quero tomar banho.

– E...? – É serio?

– E que eu não quero tomar banho com visita em casa.

– Você disse que eu não era visita! – Por que ele parecia surpreso? Ele mesmo disse que era visita!

– Mas você disse que era então tchau!

– OK, eu saio! – Fernando me entregou o copo do suco e saiu pela porta da frente com o Anúbis atrás dele.

– Finalmente livre! – Coloquei o copo na pia e catei uma toalha para tomar banho e subi as escadas. — Uma música não faz mal a ninguém não é mesmo Pudim? Né Pafúncio? – Coloquei minha playlist para tocar e entrei no banho.

Terminei o banho e vesti a roupa que eu tinha separado e abri a porta para ventilar e troquei de música.

– Por favor, troque suas músicas! – Por que eu não estou surpresa? Eu saio do banho e encontro o Fernando já de roupa trocada deitado na minha cama (de novo).

– QUE TIPO DE MOSQUITO VOCÊ PENSA QUE É PARA FALAR ASSIM DAS MINHA MUSICAS? –Fiz escândalo para ver se ele entendia. Sabe né? Ele é meio idiota.

– Vamos? Já são 11:30 e como o restaurante fica do outro lado da cidade vai demorar uma meia hora para chegar lá. – Ele levantou da minha cama e foi até a minha porta.

– Vamos ter que andar por meia hora? Não é melhor pegarmos um taxi ou ônibus? – Ele é rico, pode pagar.

– Eu pegaria um taxi se não tivesse gastado minha mesada já. – Fernando deu um suspiro alto. — Você tem trocados para o ônibus? – POTE EM CIMA DA GELADEIRA! Sai correndo e catei uma cadeira para alcançar o pote, mas antes que eu subisse o Fernando me segurou, pegou o pote e me entregou.

– Você iria cair. – Ele disse revirando os olhos.

– Não ia nada. – Dei um peteleco nele e catei uns trocados que desse para o ônibus e peguei a chave de casa quando saímos eu tranquei a casa. Caminhamos até o ponto de ônibus e ficamos parados lá, esperando. — Quando tempo vai demorar ainda?

– Mais uns 5 minutos.

– TUDO ISSO? – Eu ia ter que esperar 5 minutos com ele inseto do meu lado?

– Pare de fazer drama.

2 minutos depois.

– Auimbaué, Auimbaué, Auimbaué...

– Não. – Fernando reclamou.

– In the jungle, the mighty jungle, the lion sleeps tonight… (2X)

– Pare. – Ele estava ficando nervoso.

– AuiiiiiiiiiiIIIIiiiiIIIAuimBau-bauéééé… AI! — O ogro me deu um tapinha — Olha a lei Maria da Penha!

– Pare de cantar. É irritante! – Quem ele pensa que é para me dar ordens?

– Não vou para coisa nenhuma! – Nessa hora o ônibus chegou.

– Pare de agir como retardada e vamos logo. – Ele me puxou pela mão, pagou para o cobrador e me puxou ate os últimos bancos. Ele sentou na janela e eu no corredor.

– Fernando. — Que sono!

– Hm? – Monossilábico como sempre.

– Me acorde quando chegarmos. – E depois dessa eu dormi. Não me pergunte como, apenas dormi.

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Senti algo se apoiar nos meus ombros. Virei o rosto e vi Alice dormindo quase que profundamente, agora é sério: Como é que ela consegue ser uma louca retardada acordada e a criatura mais calma do mundo dormindo. E a mais linda não esqueça! Eu pretendia não chegar nesse assunto consciência. Uma hora ou outra você ia ter que admitir... Só falo na presença do meu advogado. Então daqui a pouco você vai ter que falar. Ahn? O ARTUR SEU IDIOTA! Não me culpa! A idiotice da Alice esta se espalhando.

Estávamos quase chegando no ponto mais próximo do restaurante e já são 11:50.

– Alice. – A mexi um pouco, e ela continuou dormindo. — Alice, nós já chegamos! – Apertei o botão para parar. — Vamos Alice! Acorde de uma vez! Meu ombro não é a sua cama.

– Fernaaandoooooo, me deixa dormir mais! – Ela fez birra e se recostou mais ainda em mim.

– Pare de fazer birra, já estamos no ponto. – Me levantei fazendo ela se levantar só que ela não se mexia então peguei sua mão e a puxei. Descemos do ponto e comecei a ir em direção ao restaurante e quando me toquei, a Alice estava indo na direção contrario. Revirei os olhos e fui busca-la. Fala sério, a Alice não pode andar sozinha com sono! Do jeito que ela ta ela poderia ser assaltada, assassinada, estuprada...

– Mas mamãe, eu não quero montar no pônei! Eles me assustam, eu prefiro os unicórnios! – Cadê esses baldes de água gelada quando se precisa deles?

– Alice! Acorde de uma vez! – Eu só consigo me lembrar de um jeito que vai com certeza acorda-la, mas se eu fizer isso ela vai ficar corada para o resto do dia e é bem provável que eu também.

– AUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII AMAUWMAUEEEEE! –Ótimo! Ela começoua cantar — IN THE JUNGLE, THE MIGHTY JUNGLE THE LIONS SLEEPS TONIGHT!

Eu sinto que vou me arrepender disso... (se você esta achando que eu a beijei, é você está certo.)... Só que não.

Quando o eu a soltei pude ver Alice com os olhos arregalados realmente surpresa, ri internamente, ela ficava muito engraçada surpresa.

– Ahn? – Ela “perguntou”

– ”Ahn?” Oque? – Me fiz de sonso, isso pode ser divertido.

– Como assim “Ahn?” O que?”? Não se faça de desentendido! Você me beija e age como se nada tivesse acontecido! – Ela soltou do nada e eu claro já tinha a resposta pronta. Continuei a andar até o restaurante com ela me seguindo.

– Era o único jeito de te acordar por que senão você ia continuar agindo igual a um sonâmbulo e ia ser assaltada e eu é que não ia te ajudar. – Dei de ombros e ela ficou indignada. Ri internamente de novo.

– Você não beija pessoas assim do nada e finge que não é nada.

– Você é minha amiga, não tem problema eu te beijar assim. – Claro que tem! Amigos não beijam assim. Já namorados... SÓ NA PRESENÇA DO MEU ADVOGADO!

– CLARO QUE TEM SEU IDIOTA! – Ela me deu um tapa e OUCH! Esse doeu, mas eu não ia dar esse gostinho de que consegue me machucou a ela.

– Vamos esquecer isso Alice! Nem sei por que esta reclamando, qualquer uma amaria estar no seu lugar agora pouco. – Como é que eu posso estar me divertindo tanto com isso?

– ENTÃO VAI LÁ COM QUALQUER UMA! – Ela começou a andar mais rápido. Será que ela só sabe falar gritando.

– Pare com isso coisa lilás! Já estamos chegando, olha lá o Artur estacionando. — O sinal do semáforo já ia abrir então peguei a mão dela e fui correndo até o outro lado e o Artur olhou para nós de mãos dadas e me deu um sorriso malicioso e eu mostrei o dedo do meio para ele, mas do mesmo jeito eu só a soltei quando já tínhamos passado o semáforo.

– Até que enfim vocês chegaram! – Artur (como sempre) reclamou.

– Culpe ela que dormiu no ônibus. – Apontei para a Alice e Artur me mandou um olhar que apenas eu entenderia e eu devolvi com um “em casa nos conversamos”.

– Eu estava com sono. – Ela deu de ombros.

– Vamos logo, eu estou com fome! Hoje o dia foi cheio, dois divórcios complicados e um caso da empresa do nosso pai. – E com esse blábláblá entramos no restaurante.

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Merda, merda, merda, merda, bosta, bosta, bosta, bosta, fezes, fezes, fezes, fezes. (?)

Por que aquele camundongo fez isso e agiu como se fosse nada? FILHO DA... Dona Joaninha!!! AI QUE RAIVA DO BABY-BARBOSA!

Depois de todo aquele encontro espalhafatoso do Artur nós entramos no restaurante e sentamos em uma mesa qualquer. Os pratos foram sendo servidos na nossa mesa e depois de eu jogar “acidentalmente” um pouco de molho da lasanha no Fernando, de ele derrubar macarrão na minha roupa e do Artur ralhar conosco e nos chamar de crianças e eu e o Fernando tacarmos um nhoque na cara dele e ele atacar polenta frita em cima de nós E do gerente nos botar para fora do restaurante nos estávamos indo para casa.

– Essa é a última vez que eu levo vocês para almoçar. – Que confiança Artur.

– Pare de reclamar, você se divertiu! –ISSO MESMO FERNANDO! BOTA MEDO NESSE MARICA.

Quando chegamos o Artur estacionou na garagem da casa deles e eu desci do carro e fui indo em direção a minha casa.

– Não vai se falar tchau não? – Às vezes o Fuinha é tão carente. Para deixar ele feliz fui até ele e o dei um abraço.

– Obrigada pelo almoço Artur! Estava uma delicia!

– Mesmo quando fomos chutados para fora do restaurante? – Ele soltou uma risada.

– Mesmo quando fomos chutados. – Soltei uma risada e ele me soltou do abraço e fui para casa.

– Da tchau para o Artur e não para mim? – EU AINDA ESTOU BRAVA, FERNANDO! E para mostrar minha raiva eu virei para ele e mostrei o dedo feio a esse fedesmungo! E o descarado ainda RIU! É, ele riu!

Fui para caca e preparei tudo para a Bia vir aqui, mas antes liguei para minha mãe perguntando se a Bia podia vir.

– Mãe, a Bia pode vir aqui em casa as duas?

– Se você fizer algo para ela comer pode.

– Ok, obrigada, beijos e tchau! – Ela nem me respondeu. Às vezes eu nem sei o que fazer com ela

– ALICE! CADE VOCÊ? – Essa é a Nicole? É A NICKS!

– AQUI NA SALA! – Ela foi ate a sala e ficou procurando algo.

– Eu esqueci o catalogo dos centros de mesa aqui em algum lugar, e como foi o almoço com o Fernando e o Artur? – Ela perguntou ainda procurando não sei o que.

– Foi legal, mas no final fomos expulsos do restaurante. – Ela foi em outros lugares procurar e eu fui atrás contando tudo.

– Não vou nem perguntar oque vocês fizeram...

– Nicole, quando você está do lado de uma pessoa e você fica corada, com o coração batendo mais rápido, a boca seca, e as mãos suando muito quer dizer que você esta tendo um ataque cardíaco? – Eu sempre tenho minis ataques cardíacos quando vou apresentar trabalhos no colégio.

– Não... Pelo menos não comigo. –Ela parou por um momento. — No começo eu me sentia exatamente assim com o Artur do meu lado, mas agora eu me acostumei com as sensações e já não reparo mais. – Ela parou de novo e me mandou um olhar malicioso.

– Quem é ele? – Ela não costumava ser tão inteligente!

– Ninguém. – Falei envergonhada só de lembrar de como o Fernando me deixou hoje de manhã.

– Fale! – Ela continuava com a cara maliciosa.

– Não! – Comecei a correr para longe.

– FALE! Ou eu vou ficar em cima de você até que me fale!

– NUNCA! – Comecei a correr mais rápido.

– SE RENDA OU MORRA! – Ela pulou em cima de mim nos fazendo cair com ela em cima, empurrei Nicole para baixo e começamos a rolar ate que eu sinto alguém me puxar para cima, me tirando de cima da Nicole.

– Se algo acontecer com a noiva do meu irmão na minha frente ele não só mata quem a machucou como também me mata por não fazer nada. – E lá estava ele de novo: Meu pesadelo. Ele tem uma casa, então por que não fica nela? E como eu não consigo controlar meu próprio corpo, eu acabei ficando corada pelo simples fato desse idiota me segurar. QUE MERDA É ESSA HEIM CORPO?

– Alice eu vou te inscrever no UFC e eu vou ser sua agente quem sabe nós podemos ganhar algum dinheiro! – A Bia também estava lá.

– Obrigada Nando! – Nicole disse manhosa. — E você é...? – Nicks virou para a Bia.

– Nicole, essa é a Beatriz, minha amiga. Bia essa é a Nicole, minha irmã. – Elas se cumprimentaram. — Fernando. – O chamei.

– Fale.

– Você pode me por não chão? — É, ele continuava me segurando.

– Ah, ta. – Ele ficou vermelho e me soltou.

– OMG! TIREM UMA FOTO! – Nicole gritou e a Bia tirou o celular do bolso e se preparou para tirar a foto.

– ONDE? ONDE? – Bia ficava girando procurando o que tirar a maldita foto que eu também não sabia o que era. Acho que já passei minha idiotice para ela...

– O Fernando ficou vermelho! OWWW! QUE COISA FOFA! – Ela pulou em cima de um Fernando mais vermelho ainda e ela começou a apertar as bochechas dele, eu não aguentei e dei um sorriso. Fernando me olhou e eu acabei ficando corada, e a Nicole (que não é gente) viu que eu fiquei vermelha e fez uma cara “Oh então era isso”.

– Alice... – Bia me encarou. Merda, agora as duas descobriram!

– FERNANDO CHISPA DAQUI! – Minha irmã começou a empurrar o coiso porta a fora.

– Por quê? – Ele perguntou confuso fazendo uma cara muito fofa. PARE ALICE! FOCO! F-O-C-O!

– Por que eu descobri tudo! – Nicks fez uma cara maliciosa e o Fernando fez uma careta assustada.

– NÃO! – Ele praticamente gritou e a Bia soltou uma risada muito alta. — Você duas! – Ele apontou para a Nicks e para a Bia. — N-Ã-O! E você... – Ele apontou para mim. — Não acredite no que elas falarem! – Ele saiu porta afora.

– Não acreditar no que? – Me ignoraram. — SERÁ QUE ALGUEM PODE FALAR COMIGO?

– Bia eu vou ter que voltar para o trabalho então você poderia falar com ela? – Bia assentiu. — Eu falo com você hoje de noite para terminarmos nossa conversa! – Ela apontou para mim, pegou a bolsa e saiu de casa.

– Bia, pode me explicar o que esta acontecendo aqui? – Bia riu da minha cara de novo e me puxou para a sala. — Por que não vamos lá para o meu quarto eu aproveito e te apresento ao Pafúncio.

– Pafúncio?

– O pato que minha mãe ganhou de um cliente lá no café! – Ela revirou os olhos. Isso já esta cansando.

– Não interessa, eu preciso conversar sobre aquilo que a Nicole falou que ia conversar mais tarde com você. – Fiquei igual a um pimentão. — E se formos para o se quarto o Fernando vai ouvir.

– Como você sabe? – Perguntei ainda vermelha.

– Fala sério Alice! Você sabe do meu super poder e eu soube de tudo isso no mesmo momento que eu vi os dois na mesma sala.

– Ele sempre foi o meu inimigo Bia! Eu nunca o vi de outra forma além de um amigo que também age como o meu inimigo! Eu não sei oque fazer. – Comecei a ficar desesperada. Outras pessoas sabiam oque se passava na minha mente estranha e nem eu mesma consigo saber!

– ACALME-SE MULHER! É normal se sentir assim! Eu já te contei a minha historia sobre o Mateus não contei? Então, pode ser diferente o que aconteceu, mas os sentimentos são os mesmos!

– Do mesmo jeito, eu não consigo não ficar nervosa! Ele... Eu... Ele... – Soltei um gemido nervoso e ela riu do meu nervosismo de novo. — Pare de rir! Sinto muito se minha cabeça não é centrada como sua! – Virei as costas para ela.

– Parem com isso! Os dois! – Ahn? Os dois?

– Que dois?

– Não pire...

– Não prometo nada.

–... Mas tem quatro pessoas nessa casa.

– O QUE? LADRÕES? AHHHHHHHHHH! – Voei para a cozinha e peguei a primeira coisa que estava perto: Uma frigideira. Agora eu me pergunto, por que essa frigideira não estava guardada? Não importa! Voltei para a sala correndo onde não tinha apenas a Bia e sim o Mateus e o Fernando junto... Ahhh quatro pessoas.

– Alice, você é muito idiota. — Mateus falou e Fernando deu um pequeno tapa na cabeça dele.

– Não fale coisas obvias te faz parecer idiota. – Fernando falou.

– HEIM!? – Ai! Essa doeu vindo dele.

– Pare de reclamar! – Ele ligou a TV e se jogou no meu sofá. QUE FOLGADO.

– Vamos assistir um filme. – Bia ligou o DVD colocou um filme qualquer e se jogou em um dos sofás puxando o Mateus junto.

– Perdi algo? – Perguntei apontando para o casal

– Eles se acertaram hoje de manha e agora estão namorando. – Fernando falou e abriu espaço no sofá para eu poder sentar.

– Uau! É só eu faltar e milagres acontecem! – Falei e sentei no chão fazendo o Fernando bufar, me levantar do chão e me colocar no lugar ao lado dele no sofá. — Por que você sempre me faz parecer uma criança?

– Você é uma criança. — Mostrei o dedo feio.

– Chega de briga e assistam o filme! –Bia ralhou com a gente, e soltamos um Ok.

QUE FILME CHATO! Não tem nenhuma ação, nem terror! Quando o filme acabou perguntei para Bia.

– Eu não acredito que você me obrigou a assistir isso!- Fiz uma cara de descrença

– Eu também não acredito que eu vi mesmo isso. – Mateus fez a mesma cara que eu

– Ah? O que aconteceu? Acabou finalmente? – Fernando, que tinha dormido o filme todo (sortudo), acordou jogado no sofá me deixando esmagada em um canto.

– Mas o filme foi bom! – Bia protestou e olhou para o Mateus que fez uma cara de “claro, você tem razão” e depois olhou para mim e fez leitura labial de “Não mesmo” me fazendo rir. — Esta bem então seus babacas! Eu já vou indo embora... Ahh Alice, eu deixei as tarefas de hoje em cima da sua cama. – Ela se levantou e o Mateus foi junto — NÃOO! FIQUE COM A ALICE RINDO DA MINHA CARA! Já que vocês são tão amiguinhos! – Por que as pessoas me colocam na conversa quando eu não tenho nada a ver com o assunto?

– Bia, deixe deste ciúme bobo! – E assim a Bia e o Mateus saíram da minha casa. Dois a menos, só falta um.

– Dá para sair de cima de mim? – Sim, ele continuava sonolento no sofá e me esmagando em um lado do mesmo.

– Eu nem estou em cima de você. – Esse puto não mexeu um músculo.

– Ta doendo Fernando.

– Ta nada.

– Quer mesmo que eu use minha arma secreta? – Se ele não sair de cima, ele vai se arrepender.

– Você não tem uma arma secreta. — Agora ele fingia que dormia.

– PAFÚNCIO!! – Gritei no ouvido do Fernando fazendo o pato vir na minha direção. — PICA ELE PAFÚNCIO! PICA! FAÇA ELE SENTIR DOR! – Pessoalmente eu achava que isso não ia funcionar, mas que podia pelo menos enganar, mas não é que esse pato serve para alguma coisa! Ele começou a picar o Fernando fazendo ele cair no chão e eu me libertar das garras do mau. To dramática.

– AI! Pato estranho! – Fernando se levantou passando a mão no lugar que o meu lindo pato picou.

– Sim ele é estranho, como o resto da família, agora SAIA DA MINHA CASA! — Tentei expulsar o fedido da minha casa, mas foi em vão. — Se você não for sair então não me atrapalhe.

– Você anda muito irritada ultimamente... Quem sabe não é a.. – SUGIRO QUE NÃO TERMINE ESSA FRASE!

– Você que me irrita!- Soltei na cara dele e fui subindo as escadas — E NÃO! NÃO É A TPM — NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! — NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

– O QUE? – Fernando apareceu na porta do meu quarto, mas eu não dei muita atenção POR QUE AQUELE PATO INFERNAL³ COMEU OS FIOS DO MEU VIDEO GAME! – O que aconteceu Alice? Por que esse escândalo todo?

– Não aconteceu nada, simplesmente ESSE PATO MALDITO COMEU OS FIOS DO MEU BEBE! – Apontei para os fios. — Eu vou cozinhar esse pato! – Tentei correr atrás do demônio que estava na minha porta, mas o filho da dona Joaninha me segurou. — FERNANDO SE VOCÊ NÃO ME SOLTAR, O QUE EU IA FAZER COM O PATO EU VOU FAZER COM VOCÊ!

– Se você cozinha-lo todos os tipos de organizações a favor dos animais vão fazer de tudo para você ser presa. – Parei de me debater. — É isso que você quer?

– Se isso significa ter esse treco morto, então SIM! – Comecei a me debater de novo ate que o coiso me arrastou para o meu banheiro, ligou o chuveiro e me colocou debaixo do mesmo. — POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?

– Para ver se você se tocava que queria matar uma animal! – Eu ia fazer isso mesmo?

– Serio?

– Sim.

– Agora eu estou normal. – Desliguei o chuveiro que aquele puto tinha posto no gelado e sai do box pegando uma toalha para me secar. — Você pode sair da minha casa para eu me trocar?

– Ah claro. – Ele ficou corado. — Espere, por que você precisa que eu sai da casa para você trocar de roupa? – Para você sumir daqui?

– Para você sair da minha casa e me deixar em paz! – Empurrei ele da minha janela e a tranquei, corri ate a porta da frente e tranquei, corri ate a porta dos fundos e tranquei também e fechei a janela da Nicole que podia ser um risco para o Fernando pular a janela. — LIVRE! YAY!

Não tinha meios de ele entrar na minha casa então eu não precisava me preocupar com ele, fui para o meu quarto e o vi pela minha janela ele pendurado na arvorezinha com cara de emburrado. Fui na janela e dei um tchauzinho com um sorriso sínico e ele me mandou o dedo feio, fechei a cortina e troquei de roupa. Levei aquelas roupas molhadas para a secadora, acabei deitando na minha cama e dormindo.

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Não acredito que aquela retardada me deixou trancou para fora da casa! Quem ela pensa que é? Quem sabe a dona da casa? Eu preciso ir para um psiquiatra para me livrar dessa voz irritante na minha cabeça! Como eu vou fazer para entrar agora? Ela fechou a janela do quarto dela e a do quarto da Nicole então me resta a janela do quarto da dona Sonia e do Rodrigo... Ainda bem que eu fiz aulas de escalada.

Perae, por que eu estou fazendo isso? Por que eu estou tentando entrar na casa de uma garota irritante que já me expulsou da mesma casa? Quem sabe por causa da conversa que você teve com o Mateus sobre ela? Ahh é!

PAQFB: Eu tinha falado com o Mateus nas férias sobre o que eu sinto quando eu estou com a Alice, antes eu não entendia por que eu estava sendo tão estupidamente idiota com a minha amiga, mas agora eu entendo...

Flash Back

Acredite, eu não queria estar sendo tão estupidamente idiota com a Alice. Mas é claro que não estou fazendo isso porque acordei e disse “Hoje estou com vontade de ser um completo imbecil com a minha amiga!”. Tenho meus motivos. Eu estou confuso em relação aos meus sentimentos. Ignorem o quanto essa ultima frase foi gay, o fato é que eu não gostei nenhum pouco do que a Alice fez depois do nosso beijo na roda gigante e o beijo no meu quarto. Até tentei agir normal com ela, mas... Sei lá! Não deu e agora estou aqui, dando uma de emo na casa do Mateus, que é a única pessoa sensata que eu tenho no momento para desabafar. Não, meu irmão não é sensato.
– Então você esta apaixonado pela Alice. — Ele olhou para mim e eu assenti pesarosamente. — Se fudeu. — O Mateus não é muito de falar palavrão então o negócio deve ser sério. — Mas sabe que eu acho que ela também gosta de você... Até
– Meu irmão me contou, que quando você está apaixonado você faz coisas idiotas e depois se sente ridículo por ter feito. — Parei um pouco para pensar. — É eu estou mesmo apaixonado.
– Meus pêsames... Eu acho. — Mateus pode ser um bom ouvinte, mas não sabe animar uma pessoa.
– Deixando isso pra lá, eu acho que você deveria dar uma chance para a... Qual é o nome mesmo? — Eu conseguiria lembrar facilmente se minha mente não estivesse presa em um certo par de olhos roxos.

– Quem?

– Aquela louca que ficou se declarando enquanto nós estávamos vindo aqui!

– Bia?
– É.

– Não. — Eu não sei como aquela menina não chora. — Ontem ela me seguiu até em casa. Estou com medo agora que ela sabe a onde eu moro. — Medo? Vire vizinho da Alice, ai sim você pode falar de medo para mim. — Quer dormir aqui? Esta tarde para uma menina indefesa sair sozinha na rua. — Deu um sorriso sacana que me fez ter vontade de jogá-lo da janela.
– Não quero ouvir isso de um cara que tem bonecas no quarto — Ele deixou o sorriso morrer.
– Quer ou não? — Perguntou. — E não são bonecos, são action figures! Não fale muito você tem também!
– É um detalhe e eu quero.
– Então liga pra sua mãe. — Falou me entregando o telefone. Mateus é rico e mora numa mansão. Eu também posso dizer que sou, mas minha mãe tem problema e quis porque quis continuar morando naquela casa quando a empresa do meu pai começou a fazer sucesso. — Eu vou dizer pros meus pais.
– Ta. — Disquei o número da minha mãe. -Alô, mãe, sou eu, Fernando.
–
Oi Fernandinho, tudo bem?– Ignorei o modo como me chamou.
– Eu vou dormir na casa do Mateus.
–
Mateus?– Parecia pensar quem era.
– Sim, o herdeiro dos Mouras, sabe?
–
AHHH! Sei, seu pai estava pendurado no telefone com o pai dele até agora a pouco. Que bom que vocês são amiguinhos. Diga, querido, ele já se livrou dos bonecos?– Minha mãe quando começa a falar não para mais.
– Não. Mas então... Liguei só para avisar.

– AHHHH!!! Fernandinho adivinha? A Alice esta com a Nicole. Elas fizeram bastante barulho, mas depois ela veio aqui perguntar sobre você. AHHH É O AMOR!!– Agora que o Artur e a Nicole vão casar ela esta dedicando toda a sua atenção para juntar eu com a Alice.
– Ta mãe, vou desligar, Tchau. — Não esperei ela dizer mais nada. Desliguei.
– Meus pais deixaram... Na verdade eles vão viajar. — Ele olhou para mim. — O que foi?
– O que foi o que?
– Ah, sei lá... Você parece tenso. — Tudo bem. Eu admito que quero saber o que a Alice quer comigo.
– A minha mãe disse que a Alice perguntou por mim. -Ele então deu um sorrisinho besta. — O que foi?
– O que foi o que?
– Para de brincar e diz logo!
– Liga para ela! Ah, e deixa no viva-voz. — Tradução: Estou sem nada para fazer, me deixa ouvir a conversa de vocês?
– Ta bom. — Disquei o número dela e coloquei no viva-voz. — Mas fica quieto! — Ele bateu continência. Idiota. Chamou algumas vezes e ela atendeu.
–
Alô, AHHHHHH!!! QUER ME MATAR DO CORAÇÃO, NICOLE? Ah, um minuto pessoa... Nicks o que você quer?– Ela parecia ter colocado no viva voz também. — Pessoa,o que você quer? FALE!– E eu ainda me pergunto se ela estava falando comigo.
– Alice...? Minha mãe me disse que você queria falar comigo. — Mateus estava com as duas sobrancelhas arqueadas.
–
Ah, é você Fernando? O que você quer com a minha pessoa? Caso não saiba não dá pra... pera ai!...SEI LÁ AONDE ESTA O SEU SAPATO! Já procurou no aquário?– Ela ficou um pouco em silêncio. — Ou então se você procurar na geladeira.– Ficou mais um pouco em silêncio. — Viu? Eu disse que estava na geladeira, 8beijos.– Pareceu pegar o telefone de novo. — Então, Fernando, continuando. Caso você não saiba não é possível tacar água nos meus olhos pelo telefone!– Ela estava falando de quando eu joguei toda a água do meu copo em cima dela por que ela não calava a boca. — Pera... TCHAU IRMÃ, VAI PELA SOMBRA E VÊ SE NÃO CAI POR AI! VAI LOGO FAZER SUAS COISAS!– Ela pareceu mandar um beijo para a Nicole. Que bom que a Alice tem alguém tão louca como ela. — O que o senhor quer com a minha pessoa?

– Quem foi na minha casa me procurar foi você! O que a senhora quer com a minha pessoa?
–
Nada, afinal, você gosta de tacar água em mim, NÃO FALA MAIS COMIGO!! QUEM DISSE QUE VOCÊ PODIA ME LIGAR? PASSE BEM SEU MOSQUITO!– Eu ouvi ela apertar um botão do seu telefone. — Pudim, quero colo... porque a Nicole foi embora? Shit! De amigos só tenho aquela maluca da minha irmã e um peixe, porque o Fernando é uma dos amantes doJustin Bieber!
– Alice... Você não desligou o telefone. — Falei e ela fez um barulho de pum antes de desligar.
– Apesar de tudo foi engraçado. — Mateus disse.
– Eu perguntei?
– Vai dormir na minha casa, mais respeito! — Advertiu.
– Sua namorada é tão maluca quanto a Alice. — Provoquei.
– Primeiro: Ela não é minha namorada. Segundo: Eu sei o quanto ela é estranha. Um dos motivos de eu não ter aceitado seu pedido de namoro é que nossas personalidades são muito diferentes. — Ele disse um pouco corado.
– Você não se comoveu nem um pouquinho com ela se confessando no meio da rua para quem quisesse ver? — Perguntei me deitando em sua cama.
– Não. Aquela menina não tem noção de vergonha. — A Alice também e isso não me impediu em nada de ter me apaixonado por ela. — Quer fazer o que? Ah! Eu comprei um jogo novo!

– Vamos jogar então. – E nós ficamos jogando até não sei quando.

Fim do Flash Back

Acho melhor eu dar um tempo para ela, já enchi muito o saco dela por hoje! Vou pra casa.

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– MINHA IRMÃ ESTA APAIXONADA! QUE COISA FOFA! – Gritei para a Alice que estava corada depois da nossa conversa sobre o Fernando.

– PARE NICOLE! ALGUEM PODE NOS OUVIR!

– Quem filha? Só esta nos duas em casa!- Apontei para a casa.

– Os vizinhos criatura. – Ela fez uma cara de obvia.

– Bem... Eu já falei o que você deve fazer! Agora é você quem escolhe! Boa noite e pense sobre isso. – Deixei a Alice sozinha no quarto para pensar sobre a nossa conversa. A Bia já tinha falado metade então eu disse a outra metade, agora apenas a Alice tinha que escolher o que queria fazer, mas eu bem que podia dar uma forcinha!

“Fale com o Fernando sobre os sentimentos que ele tem pela Alice, por que pelo lado dela já esta tudo resolvido! MAS NÃO CONTE PARA ELE QUE ELA O AMA! Xx Te Amo. Nicole”.

Mandei essa mensagem para o Artur e agora era só esperar para ver.

Notas finais
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