Lunatic Girl
13 Capítulo 13 – Ano Novo, Senhor Samir e vovós são do mal.
Notas iniciais
O Ano Novo aqui em casa é sempre a mesma coisa: colocamos uma roupa branca, alguma coisa amarela nova, eu e o Rodrigo compramos fogos de artifícios, eu dou pro Pudim uma comida de tartaruga amarela, dona Lucia e minha mãe fazem a ceia e a vó Silvia aparece com um namorado novo.
Eu já falei que a vó Silvia é daquelas coroas que pega todo mundo? Não? Pois ela é! Ela só se comporta no Natal por que no resto ano é sempre um namorado diferente. No meu aniversario ela apareceu com um irlandês, na quermesse organizada no Café SL foi um gaúcho que só sabia falar “bah”, “tche” e “tu” e no aniversario do Artur foi o dono do Sushi bar da esquina.
Mas enfim, o que eu quero dizer é que esse ano não vai ser diferente, pelo menos eu acho que não… Por que eu estou com o pressentimento de que vai acontecer alguma coisa? Não deu para pensar na resposta por que fui puxada da minha mente conturbada pelo Rodrigo.
– Vamos logo Srtª. Delinqüente – ele foi desligando a tv.
– Para onde criatura?- que ele pensa que é para me arrastar? O Batman?
– Não me diga que esqueceu! – ele parou do nada na sua caminhada até o carro e como eu estava logo atrás, trombei nele.
– Tua luz de freio ta quebrada! Avise quando parar!- disse colocando a mão no nariz. O que? Doeu!
– Muito engraçadinha você – Rodrigo fez cara de sarcasmo.
– Faço o que eu posso baby- humildade acima de tudo.
– Não mude de assunto e responda!- o que?
– Responder o que?
– A minha pergunta sobre se você esqueceu um determinado assunto! – que palavreado difícil homem!
– Você não perguntou, você fez uma exclamação duvidosa – Da onde eu tirei isso?
– Mas o que é… Esqueça, lembra que nos íamos comprar hoje os fogos de artifício?
– Não – O que? Eu não ia mentir!
– O que você tem nessa cabeça? Fios elétricos que se passam por neurônios? – são neurônios ate que se prove o contrario, ou ate que eu tome um choque…
– Podia ter sido um pouco mais delicado.
– Delicadeza não é o meu forte — JURE!
– Percebesse – murmurei.
– Falou algo? – ta essa cara me deu medo agora.
– Vamos logo comprar esses bagulhos! — mudei de assunto rápido para não levar bronca e me enfiei no banco do passageiro do carro. — Entra logo e liga o carro! – ninguém merece ficar dentro do carro com as janelas fechadas em pleno 31 de Dezembro.
Já percebeu que eu e meus vizinhos fazemos tudo atrasados? Os vizinhos da direita só tiraram os enfeites de Natal em Maio, os da frente nunca tiraram as luzinhas de Natal desde que se mudaram, e os moradores do prédio na outra quadra estão com a bandeira de um time de futebol pendurada na sacada desde o ultimo jogo que eles ganharam e isso faz uns quatro meses.
Mas enfim, fomos até a loja onde vendiam os já muitos citados fogos de artifícios em silencio até que o meu padrasto teve a brilhante ideia de ligar o rádio e começou a tocar uma música clássica.
Acho muito legal esse tipo de música, mas ninguém, que não seja uma pessoa mais de idade (cada um tem seus gostos), aguenta ficar ouvindo Mozart mandar um monte de músicos tocarem em uma orquestra segurando um pedaço de madeira! Qual é a graça disso? Não aguentei e fiz meu truque secreto: chutei perto da caixa do som que fez a música parar e deixar o Rodrigo confuso. Que tongo!
Esse foi um truque que eu descobrir para não ter que ouvir esses Mozart e Beethoven que o Rodrigo tanto gosta. Chuta uma vez a música para, chuta de novo e volta à música. Esperei uns minutos para que a música acabasse e chutei de volta e adivinha? A MÚSICA AINDA ESTAVA TOCANDO! Quanto tempo leva esse tipo de música? Um século? Chutei na caixa novamente e a música parou.
– Mas que droga é essa que fica pifando! – UI o Rodrigo está irritado.
– Deve ser um problema nos fios, se você quiser, eu posso trocar os meus “neurônios” pelos fios do rádio – fingi estar irritada só para encher o saco!
– Você AINDA está brava?
– Você que começou.
– EU? Foi você que começou – será que esse cara vive irritado?
– Eu nada! – sim, eu minto descaradamente.
– Foi vo…
– Chagamos – não o deixei terminar e ele desligou o carro e nós descemos e entramos na loja lotada.
Fui abrindo espaço para nos chegarmos ao balcão, no caminho meu padrasto acabou caindo e eu o puxei pelo braço. Nesse segundo uma idosa me passou a frente descaradamente e chegou em primeiro lugar e nos em segundo.
– Se você não tive se tropeçado nós estaríamos em primeiro – descontei minha raiva no Rodrigo.
– Ninguém mandou você parar pra me ajudar. – mas que mal agradecido! Eu salvo a vida dele e ele ainda reclama. — Pare de dar chilique – EU NÃO DOU CHILIQUE! — Aposto 10 real que essa senhora na nossa frente vai demorar no máximo 10 minutos. – eu quero apostar, mas eu não tenho 10 reais.
– Feito! – sim, eu não penso nas consequências.
ONZE MINUTOS DEPOIS
– É bom fazer negócios com você. – não é que eu venci?
– Tá se achando…
– ”…Bacana, gostosa, mulherão rasga dinheiro…” – não, eu não gosto da música. Sim, eu conheço a letra. Culpa da minha mãe!
– ME DEIXE TERMINAR DE FALAR!
– Ninguém esta te impedindo – fiz cara de inocente.
– Como eu ia dizendo: ta se achando com sorte né? – balancei a cabeça confirmando. — Então vamos fazer o dobro ou nada? Só que agora eu aposto meia hora!
– OK!
TRINTA E DOIS MINUTOS DEPOIS
Estendi a mão bem feliz para o meu novo “banco” e ele me entregou o dinheiro e comecei a contar o dinheiro igual aos filmes.
– O triplo ou nada? – ele estava desesperado.
– Tem certeza? – ele fez que sim. — Então ok!
UMA HORA DEPOIS
– Toma isso de uma vez! – ele me entregou o dinheiro com muita raiva.
– Ahh! Como é bom ganhar! – a velinha finalmente saiu da frente!
– ALELUIA. – e não é que o Rodrigo sabe dar indireta? A idosa nos olhou com cara feia e eu tomei à dianteira.
– Algum problema minha senhora?- fiz cara de “Quer mesmo brigar?”.
– Sim, vocês são muito mal educados! – O QUE? Não acredito que ela falou mesmo isso!
– Você que demora duas horas pra escolher fogos de artifícios e nós que somos os maus educados? – quer ver que ela vai me chamar de impertinente!
– Que impertinente que você é mocinha! – VIU! EU DISSE!
– Ninguém chama minha enteada de impertinente. Só eu! Entendeu bem minha senhora? – OMG! O Rodrigo me defendeu!
– Você esta querendo mesmo brigar moço? – algo me diz que isso não vai dar certo…
– Sinto muito senhora, mas eu não discuto com idosas! – ele deu uma risada sarcástica.
– E quem disse em discutir? – a velha colocou a bolsa na bancada, arregaçou as mangas e gritou: — YOOOOHOOOOOOOOOO
As próximas cenas são meio violentas, mas MUITO engraçadas!
A VELHA DEU UM SOCO NO RODRIGO! Bem no nariz! Eu não sabia se ria ou se ajudava. Ele caiu no chão e gemeu de dor, a velha mutante pulou no chão e começou a puxar a perna dele. Resumindo a bagunça toda: O Rodrigo estava apanhando de uma idosa e eu estava morrendo de rir! Quando eu percebi que a mulher estava quase quebrando a perna do Rodrigo eu entrei na briga também! Pulei em cima da velha e gritei igual ela.
– YOOOOHOOOOOOO!! – funcionou! A mulher largou do Rodrigo e começou a se atracar comigo. CRENDEOSPAI! ESSA MULHER LUTA JIU JITSU? Vou ter usar minha arma secreta: tirei meu guarda chuva laranja do meu bolso.
O que? Eu sei que é estranho, mas eu sempre ando com esse guarda chuva ele é minúsculo, mas quando eu o desdobro ele fica gigante! Voltando na luta: Desdobrei o guarda chuva e fiz como se fosse uma espada e assim a mulher se assustou pegou a bolsa e as compras e deu um fora da loja.
– MEDROSA!! — grito mesmo! Virei-me para o Rodrigo e ele me olhava assustado — Que foi?
– “QUE FOI?” VOCÊ AINDA PERGUNTA? VOCÊ DEU UMA DE SUPERPODEROSA QUE DERROTOU A VELHA MÁ!! – OWWW Assim você me deixa sem graça!
– Valeu… Eu acho!
– Garota você foi incrível! – nossa, até o funcionário da loja!
– Você sabia que em uma loja normal alguém deveria ter parado a briga NE?
– Nós não somos uma loja comum. – e eu fiquei lá com cara de pamonha.
– Então ta! – MAS ENFIM, eu e o Rodrigo compramos os fogos de artifício e fomos pra casa logo por que a boca dele estava começando a inchar e eu estava com um corte horrível sobre o olho. Se um dia eu encontrar aquela velha de novo eu faço picadinho de osso com osteoporose! Chegamos em casa a paramos na porta.
– O que vamos dizer pra Sonia? – eu não tinha pensado nisso…
– Uma gangue tentou nos assaltar? – dei um sorriso amarelo, fazer o que se não temos muitas escolhas.
– Valido. – O QUE?
– O QUE?
– SHIII! Não grite se não ela vai desconfiar! – ele realmente vai falar isso pra ela ou eu ouvi errado? — Sonia querida! Precisamos de ajuda! – pensando bem o que pode dar errado?
– SILENCIO! EU ESTOU TENTANDO ESCUTAR! – que mãe desalmada nem percebeu que a filha esta sangrando e ficou encostada na janela.
– O que aconteceu?
– A esposa do senhor Samir esta sendo presa! – até a Nicole esta aqui.
– Por quê? – o Rodrigo esqueceu rapidinho o machucado!
– Não sabemos! Mas o mais estranho é que o senhor Samir nem apareceu! Vamos lá Alice! – PERAE NICOLE MINHA TESTA JÁ TA LATEJANDO! A Nicks me arrastou ate o fim da rua onde ficava o Sobrado Assombrado do Senhor Samir *som de trovão*!
E antes que alguém pergunte… O senhor Samir é um cara estranho que mora no fim da rua em um sobrado assustador com sua esposa mais estranha ainda, ninguém gosta de chegar perto daquele sobrado por que muitos dizem que é assombrado, só pra ter uma ideia até o carteiro não gosta de chegar perto! Chegamos até um policial e a Nicks falou:
– O que aconteceu aqui senhor?
– Essa senhora esta sendo levada para a delegacia como suspeita de ter assassinado o próprio marido e escondido o corpo por uma semana – OMG! O SENHOR SAMIR!
– O rosto dele foi comido por gatos?- o que? Sou curiosa!
– ALICE! Não seja tão sombria, por favor. – ok então eu reformulo a frase.
– O rosto dele foi comido por gatinhos?- dei um sorrisinho e a Nicole me olhou torto e o policial mal educado nem me respondeu, mas antes que pudéssemos falar algo um grito nos cortou.
– ME SOLTEM! EU QUERO O MEU ADVOGADO! EU TENHO O DIREITO DE PERMANECER CALADA! – então se cale! Perai essa é a mesma velha que lutou comigo e com o Rodrigo! OMG ELA ERA MINHA VIZINHA! OMG ELA ME VIU! FUJAM PARA AS COLINAS! — VOCÊ!
– Eu? – me fingi de desentendida.
– Você é a garota que me ofendeu lá na loja de fogos de artifícios!
– E foi você que fez isso em mim – apontei pra meu machucado que continuava latejando.
– Você esta machucada? – só agora que a Nicole percebeu?
– Sim sua irmã desnaturada.
– Esperem ai… Ela te bateu? — o policial me perguntou e apontou pra ela e então fiz que sim com a cabeça. — Agressão a jovem… Essa vai pra lista! – e ele anotou alguma coisa em um bloquinho. — Vamos embora daqui!- ele falou para outros policiais que tinham acabado de chegar levando uma maca com o corpo do senhor Samir, nesse momento eu e a Nicole abaixamos a cabeça e ficamos em silencio até que os policiais fossem embora. Depois de muito tempo em silencio, Nicks finalmente falou algo.
– Coitado do senhor Samir, ele era uma pessoa tão gentil…
–… E era feio… — completei.
–… E alegre… — ela defendeu.
–… E assustador… – repliquei.
–… E educado… — depois da careta que a Nicole fez pra eu me limitei a concordar e abaixar a cabeça, depois eu sugeri:
– Que tal se nos fossemos só dar uma olhada no sobrado? – é claro que ela não vai topar.
– Claro vamos lá – Minha irmã esta perdida…
– Foi uma ideia que eu não esperava que você topasse! – disse antes que ela pudesse me arrastar.
– Ahh! Vamos lá Alice! Você quer mesmo terminar o ano sem ter feito nada de interessante?
– NADA DE INTERESSANTE? E termos comido a torta de frango da mãe? E eu ter aguentado a Carmen por mais um ano? E quando nos ganhamos aquela competição de vôlei de praia? E termos sobrevivido do Dany? E quando eu fui soterrada pela pilha de latinhas? E quando nos testamos meus poderes de sapo e quase quebramos todos os nossos ossos? E quando nos tivemos que fazer a faxina na casa só para ganharmos o direito de escolher a sobremesa no Natal? E hoje mesmo que eu acabei de entrar em uma briga com a viúva do senhor Samir? VAI ME DIZER QUE ISSO NÃO É INTERESSANTE?
– TÁ! Mas vamos então terminar o ano com mais uma aventura! Vamos vai ser legal!
– Eu tenho escolha?
– Não
– ENTÃO TÁ!- se eu não tinha mesmo escolha para que ser contra? Dei de ombros e acompanhei a Nicole até dentro do sobrado até que nos ouvimos uns gritos.
– ANÚBIS! SEU CACHORRO MALUCO! VOLTA AQUI, VOCÊ PRECISA TOMAR BANHO SE NÃO A MINHA MÃE ME MATA! VOLTA AQUI SEU CÃO PROBLEMÁTICO! – e nessa hora o Anúbis passa a 100k/h e entra em um buraco que tinha no muro.
– Oh merda… — Nicole estava completamente certa, isso vai dar merda.
– Por que vocês não o seguraram? – o Fernando perguntou meio desesperado.
– Cale a boca – fiz cara de fuck yeah.
–… Cadê… Ele…?- chegou o Fuinha sem folego.
– Não consegue nem correr 100 metros Artur? Nossa que coisa deprimente! – minha irmã está venenosa.
– Cale a boca – disse o Artur ignorando totalmente a Nicole.
– Nicks quem ama ofende — eu e meus comentários repetidos e fora de ordem bjs.
– Cale a boca – Que povo é esse que gosta de imitar meus comentários por que não tem criatividade?
– Como nós vamos achar aquele cachorro demoníaco? –ELE NÃO É DEMÔNIACO ARTUR, APENAS PROBLEMÁTICO.
PAQFB: Desde o dia que o Anúbis chegou ele já comeu duas calças, três chinelos, um travesseiro, dois cadernos do colégio e oito formas de gelo (?).
– Vamos entrar no sobrado! – a Nicks está mesmo animada!
– Você esta louca? Quer mesmo entrar no Sobrado Assombrado do senhor Samir? – sim Fernando ela é louca.
– Mas vai ser a…
– Ultima aventura do ano e blábláblá VAMOS LOGO DE UMA VEZ! –puxei a Nicole e o Artur pelo braço e fui empurrando o Fernando na minha frente.
– Esta bem, mas como nos vamos entrar? Se vocês não perceberam o buraco que o Anúbis passou é muito pequeno para nós! – o Artur só vê problema!
– Vamos pular o muro uai!
– Isso vai dar merda… — AVÁ FERNANDO! Começamos a subir o muro cheio de buracos a onde dava para colocar o pé, fui subindo.
– Não é tão difícil, viu eu já estou no topo! – Nicole metida, NÃO FALA MAIS COMIGO!
– Estou vendo as manchetes no jornal de amanhã: Dois adultos e dois adolescentes são presos por tentar invadir casa na véspera de Ano-Novo. – Artur fala.
– PUDIM DO CÉU EU NÃO QUERO SER PRESA! – eu tinha esquecido completamente desse detalhe.
– COMO VOCÊS CHEGARAM AI TÃO RÁPIDO? – o que? Eu e a Nicole somos rápidas quando queremos, principalmente em escalar enquanto esses dois lerdos ainda nem chegaram no meio.
– É que nos somos rápidas. – Nicks fez cara de fuckyeah. — Bate aqui maninha!
– Não.
– HAHA! BEM FEITO. – O Fernando esta estranho… Acho que ele tomou alguma coisa! — nessa hora eu me desequilibrei e cai de costas no quintal.
– ALICE! – Nicole desceu correndo e foi me ajudar a levantar. — Como você tá?
– AI isso vai ficar roxo, amarelo, verde…
– Ta e agora que está todo mundo aqui dentro como nos vamos entrar na casa? É melhor nos entrarmos rápido por que daqui a pouco vai chover!– eu acabei de cair e o Artur nem se preocupa comigo! Mas pior que ele tem razão o céu esta ficando nublado.
– Pelo porão é logico – a Nicks apontou para uma janelinha que dava para o porão e nos entramos. — Pai do Céu! Este lugar é imundo! E escuro!
– Não é o máximo? – acho que o Fernando só disse isso para irritar.
– Agora deu medo, não dá para ver nada! – eu até me arrepiei.
– Calma! Deve ter algum interruptor em algum lugar por aqui! – pela voz deve ser o Artur.
– AI! Alguém pisou no meu pé! – não reconheci quem era. Sim eu sou meio surda.
– Culpa minha, desculpa! Está cada vez mais escuro!- acho que era o Fernando.
– Espera aí… Já achei o interruptor!- liguei o interruptor. — Nem precisava ter medo seus medrosos… – quando eu olhei para o Fernando só deu tempo de gritar: — MORCEGOOOOOOOO!
– CORRE PRAS ESCADAS! – HUMMM! O Artur pegou a mão da Nicole e saiu correndo… Perae eu também tenho que correr!
– POR QUE ESTAMOS CORRENDO? — serio Fernando? Serio?
– POR QUE TEM UM MORCEGO NA SUA CABEÇA! – Fernando para assustado e começa a balançar a cabeça como se quisesse que o morcego voasse, mas nesse ponto eu não via mais morcego nenhum.
– A PORTA ESTA TRANCADA! – só agora você avisa Nicole!
– SAI DA FRENTE! – o Fernando saiu correndo deu um chute na porta que caiu no chão me levando junto por que a anta aqui ficou segurando na maçaneta.
– ER… Obrigada, eu acho! – E esse foi o ponto alto do meu dia, nesse meio tempo o Artur acalmou o Fernando e a Nicole e eles me ajudaram a levanta. — OBRIGADA POR FINALMENTE SE LEMBRAREM DE MIM!
– Mas nos sempre nos lembramos de você!- Nicole, vai tomar no copo, vai!
– Claro! O Artur só se preocupou em TE tirar lá de baixo, o Fernando só se preocupou em si mesmo e no morcego na própria cabeça e você esqueceu completamente que eu existia! –consegui fazer o Artur e a Nicole corados e o Fernando bagunçou meus cabelos mais do que estavam bagunçados e disse:
– Eu primeiro Srt. Taylor! – Puto, não fala mais comigo! Fiz cara de emburrada, mas é claro que eu fui ignorada.
– Vamos logo – como é que a Nicole consegue chegar lá tão rápido? Eu mal dei um passo e ela já esta no fim do corredor! — O senhor Samir era um doce de pessoa, mas um tanto feinho não? – Nicole falou pra qualquer um de nós, mas eu respondi depois de sair do transe de encarar uma pintura do senhor Samir com sua esposa, eu já estou começando a ficar assustado com o senhor Samir da pintura parece que ele te persegue com os olhos.
– Feinho? É o próprio Chupa-cabra!
– Venham ver isso. — o Fernando nos chamou. Isso está parecendo o Scooby Doo!
– Sim Salsicha! – ele me olhou com cara feia e o Artur deu uma risadinha. — É bom saber que pelo menos um dos Brothers Barbosa eu consigo fazer rir. – quando nos chegamos perto deles o ogro do Fernando me deu um peteleco.
– Pare de ser retardada e olhe isso que acabou de cair – ele mostrou uma pétala de rosa.
– Da onde que caiu isso? – Olhei pra cima e cai um vaso de flores minúsculo de plástico na minha cabeça.
– Ai, minha nossa! – disse a Nicole.
– ”Ai, minha cabeça”, isso, sim! – eu vou tacar esse vaso na cabeça da minha irmã só para ela ver o que é bom pra tosse.
– Olha caiu mais uma coisa…- o Artur mostrou uma moeda.
– UMA MOEDA?! – gritei e dessa vez caiu um cofrinho de plástico em formato de porquinho em cima de mim. Briguei com uma velha, cai do muro, e agora um vaso de plástico e um cofre de porquinho caíram em cima de mim, tudo bem eu aceito bem de boa, mas POR QUE NÃO NOS OUTROS?
CLIC!
– Dessa vez foi uma tecla de piano… CORRE! — obrigada pela ordem mais que obvia Fernando. Começamos a correr e do nada caiu um teclado no lugar que nós estávamos.
– FUJAM PARA AS CAPELAS! – WTF NICOLE?
– VAMOS SAIR DAQUI PELA JANELA DOS FUNDOS! — boa ideia Artur, é por isso que você é advogado!
Começamos a correr em direção à janela, mas uma garra gigante quebrou o vidro e veio na nossa direção, mamãe eu vou morrer hoje!
– AAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH! – gritamos e começamos a correr para o lado!
– SOCORRO! UMA GARRA GIGANTE!
– AVÁ NICOLE! – gritei e continuei a correr.
– VAMOS PARA O ANDAR DE CIMA! – corremos até lá entramos em um quarto qualquer e fechamos a porta.
– Ufa! Essa foi por pouco! – Fernando, tudo na minha vida é por pouco.
AU! AU! AU!
– ANÚBIS!
– Que gritinho mais feminino Artur – e como ele me ama me mandou ir para a ponte que partiu.
– Fico feliz em saber que vocês estão bem – opa, essa voz eu não conheço.
– Q-q-quem é vo-você? – Acho que o Fernando esta tremendo de medo mais do que eu.
Imagine a cena: nos quatros olhando apavorados para um velho extremamente parecido com o senhor Samir.
– Acho que seria mais apropriado eu perguntar a vocês quem vocês acham que eu sou?
– O fantasma do senhor Samir?- a Nicks me deu uma cotovelada.
– Você se acha muito engraçada não é garota?- o defunto se dirigiu a mim. -O que você diria se eu falasse que eu sou o irmão gêmeo do Samir, o Sanir? – Lembrete: se um dia eu tiver gêmeos nunca dar a ele nomes com uma letra de diferença.
– Senhor, eu peço desculpas por todos nós por nos termos invadido a casa. — salve a pátria Artur.
– Quantos anos você possuem? – por que as pessoas adoram falar difícil?
– Dezessete – AH?
– Dezessete também – até você Nicks?
– Quatorze- pelo menos alguém justo NE Fernando?
– Quatorze – respondi rápido.
– Esta bem, estão livres, mas eu não quero mais ver vocês aqui entenderam?
– SIM SENHOR! – O Fernando catou o Anúbis e foi em direção a porta junto com os outros quando eu reparei no chão: um buraco enorme que dava exatamente para aquele corredor que nos estávamos e que caiu o vaso, o porco e o teclado em cima de nós/mim.
Buraco + lugar de antes + objetos estranhos + Sanir… Ou ele pode ser que ele tenha esbarrado nessas coisas sem querer e deixado cair ou ele pode ter jogado em nos para nós morrermos… NÃOOO! O senhor Sanir jamais faria uma coisa dessas… Ou faria?
Acho que o senhor Sanir percebeu minha cara de “processando” e depois a minha cara de medo, ligou os pontos e fez uma expressão assustadora que me deixou apavorada. Ele fez que ia se levantar, mas eu fui mais rápida e fechei a porta, comecei a correr assustada para fora daquela maldita casa fazendo os outros me seguirem só parei quando já tinha pulado o muro.
– Mas que merda Alice para que correr tanto! – disse o Fernando com o Anúbis no colo. Eu estava inquieta só me acalmei quando todos nós estávamos do outro lado do muro, arrisquei uma olhada para a janela do quarto que nós encontramos o senhor Sanir e o encontrei nos observando ele me olhou com um sorriso assustador que me fez arrepiar. Agora eu tinha certeza, ele tentou nos matar mesmo. O Fernando me encarou e acho eu ele percebeu minha cara de apavorada, mas não disse nada.
– Alice você vai ou não contar o que esta acontecendo? – a Nicks me perguntou.
– Vamos para o parquinho e lá eu explico tudo!
Fomos caminhando até o parquinho na outra rua e quando chegamos lá o Artur e a Nicole sentaram em um banquinho e eu e o Fernando sentamos no chão e expliquei toda minha teoria e tudo o que aconteceu. Quando terminei, Nicks e o Artur riram da minha cara e foram para casa com o pretexto de que iam almoçar. OK me deixem para morrer sozinha nas mãos do senhor Sanir.
– E você? Vai rir da minha cara também? – perguntei para o Fernando que estava fazendo carinho no Anúbis.
– Não, eu também reparei no buraco, mas eu fui mais inteligente e não fiz cara de sonsa fazendo o cara descobrir que nos tínhamos descobertos o plano dele! – cara, eu deveria ter pensado nisso.
– Eu devia ter feito isso.
– Devia mesmo.
– Quer dizer que você acreditou mesmo no que eu contei?
– Quando nos estávamos no quarto eu achei que era tudo coisa da minha cabeça, mas então você começou a correr e depois que nos pulamos o muro você olhou para a janela eu vi que eu não era o único que tinha pensado nisso então não poderia ser coincidência. – Fernando disse meio sombrio como se estivesse pensando realmente na possibilidade. — E dai você começou a agir meio estranho e eu percebi que era mesmo verdade.
– Será que ele fez aquela cara só para nos assustar para não voltar mais lá.
– Então por que ele tentaria jogar aquelas coisas em nós?
– EM MIM VOCÊ QUER DIZER. – minha cabeça ainda esta doendo. O Fernando começou a rir e deitou no chão com o Anúbis lambendo a cara dele. — O que vamos fazer se ele tentar ir atrás de nós? – eu estava assustada com essa ideia.
– Ele não vai fazer nada conosco. — ele me olhou serio.
– Como você pode ter tanta certeza Sr. Eu-Sei-De-Tudo?
– Alice, pense! Ele deve ter mais de 80 anos, o que um velho como ele pode fazer a dois adolescentes como nós?
– Nos fazer ouvir historias chatas e nos fazer comer balas de café? – O que? Eu tenho medo disso!
– Não sua retardada – ele deu uma risada e eu puxei Anúbis para o meu colo e comecei a fazer carinho nele. — EI! Devolva-me meu cachorro! Eu ainda preciso dar banho nele!
– Eu te ajudo depois do almoço! Vamos logo por que eu já estou com fome! – ai que vontade de comer lasanha na manteiga…
– Quando você não esta com fome sua coisa lilás?
– Quando eu estou comendo! – ele revirou os olhos. — Tá legal até quando eu estou comendo eu estou com fome! Satisfeito?- me virei para encara-lo, mas ele já estava lá na frente. PUTO!
– Vamos logo sua lerda!
– LERDA É A TUA CUNHADA! – me referi a Nicole.
– Se tudo der certo amanhã eu ganho uma cunhada!
– Perai, mas dai eu vou ser da sua família, pensando bem acho que eu estou fora do plano… — falei brincando.
– Ahh cale a boca…
Continua…
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