Luna sin Sol
1 Capítulo 1
Notas iniciais
.: Dulce :.
“Sem buscá-lo, sem pensar em você, o alcancei.”
Final de ano é uma loucura várias datas importantes num só mês, milhares de tarefas para fazer em pouco tempo para realizar. Apesar dos pesares, gosto muito do mês de dezembro, fim de um ano inteiro. Hoje especialmente estava gravando vinhetas e programas comemorativos em Televisa, apesar de ser véspera do meu aniversário, bom antes dia 5 do que dia 6, pensei humorada na minha última gravação da noite. Todos, inclusive eu, estavam loucos para ir embora.
:- Ok, Dulce só vamos regravar o final e todos estão liberados. – disse um diretor, dirigindo uma vinheta para o natal.
Arrumei meu cabelo inconsciente do ato e sorri para a câmera.
:- Desfrutem muitíssimo desses momentos felizes que viram, fiquem com sua família, com seus amigos, com pessoas que os querem. – conforme eu falava minhas mãos inquietas acompanhavam minhas palavras. — Peçam muita luz, amor, saúde e paz que é algo que todos necessitam. Sejam felizes e tenham um Feliz Natal. Os quero muito. Beijos. – Finalizei sorrindo e mandando um beijo para câmera jogando com a mão direita e esperei a confirmação da produção para poder ir embora.
:- Perfeito, muito obrigada Dulce. – Uma produtora veio me agradecer e me dar um beijo de despedida. Apenas retribui sorrindo fechado, procurava com os olhos Luisillo que tinha sumido, logo agora que preciso ir embora.
Fui em direção ao meu camarim e peguei minha bolsa a procura do meu celular para localizar Luisillo, hoje ele me trouxe e eu estava sem carro.
Sai à procura dele com o meu celular chamando o de Luisillo, mas nem foi preciso o avistei no fim de um dos corredores de Televisa, conversando com alguém que eu não conhecia.
:- Luisillo onde estava?
:- Ah, Dulce desculpe me distrai encontrei amigos que há muito tempo não via. Mas, já podemos ir? – Ele estava cheio de papéis e sacolas nas mãos.
:- Podemos sim, quero ir para minha casa, minha cama. – falei cansada, mas feliz por voltar para casa e descansar.
:- Antes que eu me esqueça de te entregar Dul, isto aqui é para você. Me intimaram a entregar nas suas mãos. – ele falou risonho e me dando um envelope.
Fiquei surpresa quanto tempo eu não recebia uma carta assim.
:- Que isso Luisillo? – ele não me respondeu apenas me guiava com o braço para algum caminho até o estacionamento, para o seu carro. – Virei Papai Noel agora e quem lhe entregou? – Falei brincalhona tentando achar quem foi o autor da carta.
:- Oi, tudo bom. – cumprimentou alguém que passava por ele – Na verdade seria Mamãe Noel. Ali. – quando levantei a cabeça estava preste a abrir a carta, Luis apontava para um lugar, voltei meu olhar na direção confusa.
Inevitável foi o meu estremecimento. Não era um lugar qualquer que Luis apontava e sim para um grupo de pessoas, nesse grupo estavam algumas conhecidas. Marisol estava distraída conversando com Melissa e um pessoal da produção de algum programa, mas o meu foco não foram neles e sim, nele.
Poncho estava de braços cruzados olhando pro nada, o vendo de longe parecia alheio a conversa, só parecia por que de repente ele soltou uma gargalhada e apontou para Melissa comentando algo sorrindo. Ao ouvir de longe o som da sua gargalhada meu coração disparou reconhecendo e querendo mais daquela vibração que já foi tão cotidiana no meu dia a dia.
Luisillo e eu estávamos parados no corredor. Ele assobiou alto tentando chamar a atenção. As meninas não olharam estavam entretidas na conversa, mas Poncho ainda sorrindo certeiramente olhou em nossa direção e então ele ficou sério. Ficamos nos olhando fixamente apesar da nossa distância. Fazia tanto tempo que não nos víamos.
Luisillo acenou para ele, mas quem correspondeu foram às meninas que só agora nos enxergaram. Alguém puxou o braço de Poncho, tentando cortar nosso olhar, Ele então abaixou a mirada em direção à carta na minha mão e sorriu de lado levantou a mão e deu um tchau. Foi automático o sorriso que escapou de meus lábios ao perceber que a carta foi escrita por ele.
Decidi que só abriria quando estive sozinha e em casa.
:- Agora que já sabe quem lhe mandou a carta, podemos ir? Por que acabou meu horário de pombo correio.
Luisillo me despertou dos meus pensamentos. Não lhe respondi, apenas continuei olhando Poncho e o pessoal sumir talvez ele começasse agora a maratona de gravações que eu havia acabado ainda estava estática pelo momento em que nos olhamos até ele sorrir para mim.
No caminho de volta para minha casa, estranhamente eu e Luisillo estávamos calados, as únicas vozes que cortavam o silêncio eram as que saiam da rádio que ele ligou.
Eu fiquei pensando no reencontro, se é que posso chamar assim, com Poncho e o quanto isso me afetou, apertei a carta que ainda estava na minha mão. Ele estava lindo, ao contrário da forma desleixada que ele costuma se vestir.
Estava vestido com um jeans, sapatos sociais, blazer e uma camisa vermelha de acordo com a época natalina, parecia tão contente.
Encostada no vidro do carro estava olhando para cima, na verdade olhando para a Lua, ela hoje estava sozinha não existiam estrelas nem mesmo nuvens. Mesmo solitária ela estava tão linda, cheia e luminosa talvez ela demonstrasse que hoje tinha um motivo especial para estar feliz?
:- Não sei se deveria falar isso... – Luisillo começou a falar após abaixar o volume da rádio.
:- Falar sobre o que? – perguntei olhando a janela.
:- Sobre Poncho... – ele continuou inseguro e eu me arrumei no banco do carro, ficando mais atenta ao que Luis me contava. – E Perla? – ele continuou com sua insegurança.
:- Não, o que têm eles? – perguntei curiosa, mas receosa ao ouvir o nome da namorada dele.
:- Eles terminaram. – Luisillo falou desviando o olhar do trânsito por um momento e me olhando, talvez esperando minha reação.
Demorou até que eu manifestasse algo em meio a minha surpresa e confusão, como assim terminaram? Pareciam felizes na última vez que saíram fotos deles juntos como ela mesma pode observar, mas talvez as aparências enganassem.
:- Terminaram? Nossa! Eu..eu não sabia. – foi tudo o que eu disse.
:- Pois é quando encontrei com ele, Melissa e Marisol em Televisa, as duas estavam comentando sobre isso. – ele disse rindo, desviando mais uma vez o olhar do trânsito.
Ocultei uma risada com a mão também, esse falar de Marisol e Melissa era apontar todos os defeitos de Perla e/ou falar sobre a alegria delas por Poncho ter se livrado dessa.
:- Eu posso imaginar isso, será que esse término tem haver com a ida dele ao Brasil? – falei sem pensar.
:- Não sei o motivo pelo qual eles terminaram, só sei que terminaram. – ele deu os ombros ainda dirigindo. Luisillo dobrou a esquina e já estávamos em minha casa.
:- Chegamos, nos vemos amanhã aniversariante? – Me questionou desligando o carro.
:- Sim, obrigada pela carona Luis. – eu já tinha aberto à porta do carro e colocado uma perna para fora firmado meu salto no asfalto, mas voltei para tirar uma dúvida repentina.
:- Por que você me disse isso? Por que me contou sobre Poncho e Perla?
:- Por nada. – ele falou desentendido – Além do mais você ia ficar sabendo logo ou não, por outra pessoa ou não.
Mesmo desconfiada pela sua resposta eu sai do carro agradecendo novamente. Quando estava em minha porta com as chaves na mão ele me chamou e eu voltei alguns passos do meu caminho.
:- Talvez porque seria legal vê-lo amanhã na sua festa? Talvez por que fosse legal uma reaproximação. – ele deu os ombros mais uma vez naquela noite – Não sei, acho que se Perla fosse o impedimento de algo, ela já não está mais no caminho. É só uma sugestão. – Dito isso ele ligou o carro e sorriu indo embora.
Sorri por que sabia que ele tinha uma intenção ao me falar aquilo. E foi sorrindo que eu me lembrei da carta de Poncho na minha mão. Ansiosa por abri-la eu entrei em casa.
...
Vigésima sexta vez que relia aquela carta.
Desde que entrei em casa eu li e reli a carta de Poncho. Havia jantado, bebido uma taça de vinho, tomado banho, entrado no twitter e agora estava pronta para dormir. Tudo lendo e relendo a maldita carta, com a maldita letra dele e mais maldito era meu coração que ficou desesperado somente em ver a letra dele.
Ardilla. ¿Como está?
Nossa agora escrevendo me dei conta do quanto estranha se tornou essa pergunta. Porque se fosse anos atrás não precisaria sequer fazê-la para saber como você estava. Estranho foi o quanto nos afastamos não é verdade? Pensando nesse nosso afastamento eu decidi escrever essa carta.
Sabe ardilla só percebemos que existem acontecimentos que são incontroláveis e muitas vezes imperceptíveis quando o vivemos e ficamos sem ideia alguma para reverte-los. O nosso afastamento não foi algo programado mesmo assim aconteceu, tudo bem que nós dois contribuímos ou você pode querer colocar a culpa no tempo. Mas, os maiores culpados fomos nós.
Desculpe, por ser grosseiro nas suas tentativas de conversas comigo, eu pensava que tinha motivos para ter tratar assim, mas uma vez estava errado. Quero que saiba que pretendo mudar isso. Devagar se for necessário, mas o importante é reverter. Mais um motivo para essa carta, queria compartilhar algo com você, por que não minha caligrafia feia e quase ilegível?
Você me conhece melhor que até eu mesmo e sabe que eu muitas vezes não demonstro o que penso ou sinto, ainda mais à distância, mas quero que saiba que de vez em quando vejo algo sobre sua carreira e que orgulho me dar ver que você está conquistando tudo que desejava. Cada vez voando mais alto hein ardilla barrilete? Continue assim é lindo ver o seu sorriso a cada conquista. Entendo a alegria que é ver seu trabalho dando certo o seu esforço sendo recompensado.
Deve saber que estive no Brasil faz pouco tempo, foi tão diferente, claro foi intenso como sempre, mesmo assim havia algo distinto ali que não sei definir, em Manaus conheci uma senhora divertida ela me vendeu umas pulseiras e me contou uma história sobre o sol e a lua, foi inevitável não me lembrar de você. Quem sabe numa outra carta eu lhe conte a história ou pessoalmente.
Minhas palavras estão acabando, não tenho o seu dom de escrever e quase não tem papel para eu continuar, então vou terminar esse parágrafo dizendo o principal motivo desta carta. Feliz Aniversário Ardilla (adiantado há), felicidade é muito pouco para desejar para você, mas é tudo o que eu mais desejo. Acredite. Voe alto e sonhe mais alto ainda por que seu lugar é ao lado das estrelas.
Hoje, neste momento, só sinto, só deixo que fale meu coração. Feliz Cumpleaños, pequena Ardilla.
Alfonso Herrera,
Vigésima sexta vez que sorria ao reler.
E mais uma vez ele foi o primeiro a me desejar feliz aniversário, essa era uma mania dele, desde que nos conhecemos anos atrás. Ele não perdia essa mania não importa o quão distantes estivéssemos.
Vigésima sexta vez que meu coração ficou balançado com suas palavras.
Era sempre assim quando achava que estava bem que tinha o esquecido, ele volta. Trazendo junto todas as sensações que eu custei para tentar esquecer. Ainda mais ao ler minhas palavras escrita por ele.
Guardei a carta num pequeno baú que eu tinha, estava no meu esconderijo um lugar da minha casa secretamente meu, olhei para o quadro que eu fiz meu e dele e suspirei peguei minha companheira taça de vinho e fui em direção à janela, com meu blackberry.
Já eram 23 e 32hrs. Ele provavelmente já tinha saído de Televisa e estaria em seu apartamento. Só por isso eu decidir mandar um sms.
Que linda carta, Poncho! Gracías, de verdade tanto tempo que não recebia uma dessas assim. Obrigada pelos seus desejos de felicidade, desejo em dobro para você. Como sempre o primeiro. Jaja Dmes.
Enviei e deixei o blackberry de lado, tomei um gole de vinho e olhei para o céu. Na verdade para a Lua, ela continuava linda. Como se sorrisse abertamente totalmente cheia iluminando as ruas, os casais apaixonados. Tentava decifrar o porquê dela está tão cheia, já que da última vez que tinha visto a previsão era que sua fase seria minguante hoje. Em meio à minha dúvida, alguém me respondeu.
Sou criativo admita. Jaja Não é brincadeira, foi uma forma diferente que eu encontrei de me reaproximar de você. Os desejos são sinceros sempre. Não podia deixar de ser. PonchoHD.
Deixei de tomar outro gole de vinho para respondê-lo. Lembrei do que Luisillo me disse no carro. Como será que Poncho estava se sentindo com o fim do namoro? E se eu arriscasse algo? Não, não seria bom. Mas, impedimento nenhum Poncho tinha agora. Estava na dúvida, sobre o que eu o responderia. E foi desviar o meu olhar do blackberry, olhar o resto de vinho na minha taça e depois olhar para a lua, poderia estar louca, mas ela me incentivava.
E sendo tomada pela minha impulsividade que eu acompanhei com os dedos os comandos das minhas vontades.
Sempre foi criativo, quando queria. E sei que são. Falando em reaproximação não sei se pode, mas quer ir a minha festa amanhã de aniversário? Não convidei antes, mas estou convidando agora. Dmes.
E quando fui me dar conta já tinha enviado, foi muito rápido, impulsivo como sempre, não deixei de ficar nervosa esperando sua resposta. Tanto que acabou meu vinho, não só da taça e sim da garrafa. Olhar para a Lua não me dava mais conforto, roía minhas pequenas unhas tamanha era minha ansiedade para receber sua resposta.
Que demorou. Mas, chegou e junto com milhares de mensagens, meu blackberry foi bombardeado. Mas, fui à procura da sua resposta.
Estarei lá. Dar uma olhada no seu twitter. PonchoHD
Ele vai estar lá. Ele vai estar lá. Ele vai estar lá. Meu coração repetia feliz, parecia dar piruetas dentro do meu peito. Mas, minha mente que também repetia a frase para si. Entrava em contradição com meu coração, como se fodeu ele vai estar lá, se prepare Dulce María.
Ignorando todas as sensações boas e más, eu fiz o que ele pediu. Fui ao meu twitter e que não parava de receber mensagens por todas as partes. Mas, a primeira que eu recebi foi dele justamente a meia noite.
@PonchoHD Feliz Cumpleaños, Ardilla. Felicidades, que bien la pase y vamos a bailar. No, no es cierto. Jaja Que no se acabe la fiesta. Sonrio.
Foi então que, meu coração venceu a primeira batalha da guerra, comandando meu corpo. Bombardeando sangue compulsivamente, batendo forte. Sabia que minha mente não deixaria por menos era só o começo. Mas, naquele momento não havia espaço para arrependimentos eu só estava feliz por reencontrá-lo. E pela primeira vez aquela noite eu compartilhava a felicidade com a Lua.
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